Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 420

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Kaden e Rea observavam intensamente a Ponte Gelada. Estavam de pé no topo da última montanha que haviam conquistado. Surpreendentemente, era a primeira montanha.

E ainda mais surpreendente era o fato de que a visão da ponte rasgava a própria realidade e aparecia diante deles do nada.

Era como se a ponte estivesse sempre lá, apenas invisível até que alguém passasse por todas as oito montanhas.

Era uma coisa curiosa, Kaden percebeu.

E aquela sensação de que faltava algo muito importante em relação às Oito Montanhas simplesmente não desaparecia. Kaden não gostava dessa impressão.

Ele suspirou internamente, planejando algo enquanto examinava a ponte.

A Ponte Gelada flutuava no ar, sem qualquer sustentação visível. Abaixo dela, havia apenas um abismo sem fundo de trevas em movimento que dava um arrepio na espinha de Kaden e Rea.

A ponte não podia ser vista. Pelo menos, não completamente. Apenas seu contorno. Ela estava oculta por uma névoa gemente, silvante, espiral, que abria uma pequena passagem semelhante a uma porta.

Ela convidava tanto Kaden quanto Rea a entrarem e atravessarem a ponte. Era quase como se tivesse sido razoavelmente cortês.

"Íamos entrar de qualquer forma," disse Kaden, franzindo levemente a testa, "mas agora não estou com vontade de fazer isso, com essa névoa tão ansiosa."

"Dá arrepios," murmurou Rea, "mas você mesmo disse, não temos outra escolha."

"Você não parece ter medo, Rea."

"Vivo constantemente com medo, agarrada a mim como uma criança que se apega à mãe," respondeu Rea, lançando-lhe um olhar rápido. "E você se acostuma com o que sente o tempo todo, não é? Sabe disso, não?"

"Digamos que sim." respondeu Kaden de forma simples.

"E além do mais," continuou Rea, "por que você está falando como se estivesse com medo?"

Ela lhe lançou um olhar implacável, seus olhos brilhando por um instante,

"Você não teme essa névoa."

Kaden finalmente sorriu, "Verdade. Mas não temer não quer dizer que estou ansioso para entrar nela. É só que não estou a fim, entende?"

"O que é você? Uma criança?"

"Interpretando tecnicamente, sim. Tenho apenas 17 anos."

"Você sempre tem algo a dizer?"

"Quer dizer, você fez uma pergunta, não fez?"

Rea ficou calada, sabendo que Kaden não iria parar até que ela respondesse.

Kaden riu, depois balançou a cabeça de um lado para o outro, fazendo um som de crepitação alta.

Depois, voltou sua atenção para as montanhas ao redor, sobrancelhas franzidas, olhos pensativos.

"Vamos, Kaden." Rea deu um toque no seu ombro com o cotovelo e então caminhou para frente, com o som de seus anéis ressoando afiadamente ao redor.

Kaden assentiu discretamente.

Ele levantou a mão, apontando o dedo para baixo. Uma fina linha de sangue, tão estreita como um fio, escorreu de seu dedo, penetrando fundo na montanha abaixo.

Depois, tirou de seu anel de armazenamento o cadáver do monstro de sentidos e gostos que havia enfrentado na quinta montanha.

Era uma língua alongada, com bifurcações, contendo bocas cheias de dentes afiados. A boca também tinha uma língua, e essa língua, outra boca, e assim por diante.

Kaden deixou o cadáver cair, fazendo-o despencar exatamente no ponto onde seu sangue entrou na montanha. Então, sussurrou uma última palavra antes de caminhar apressadamente atrás de Rea, que já avançava.

"Renasça."

O corpo do monstro se moveu de forma abrupta, sua pele vermelha mudando para um vermelho escuro absoluto.

Ele abriu suas várias bocas em uma expressão de sorriso amplo.

Era de assustar.

Logo depois, desapareceu, seguindo o fio de sangue que partia de seu novo mestre.

Kaden e Rea ficaram na entrada da névoa, viraram a cabeça um para o outro, sem dizerem uma palavra.

Rea fechou os olhos, exalando lentamente. Sabia de uma coisa que aprendera durante o percurso pelas oito montanhas.

E essa era uma aplicação de seu poder que ela nunca tinha pensado antes.

Era simplesmente usar sua habilidade mestre que envolvia criar um novo medo em outras pessoas — ou nela mesma.

E, com seu poder que a fortalecia à medida que ela sentia mais medo, Rea podia praticamente se aprimorar constantemente.

O único limite dela era sua Vontade. Afinal, havia um limite na quantidade ou intensidade de medo que ela podia sentir sem quebrar, ficando paralisada e incapaz de fazer algo.

No entanto, esse limite era bastante alto, considerando seu passado de lutar contra uma deusa pelo poder.

Por causa disso, Rea conseguiu injetar em si mesma quatro novos medos terríveis.

Seu poder aumentou dramaticamente, tanto que Kaden a olhou, surpreso por dentro, diante do fluxo de energia que saia dela.

O poder de Rea naquele momento era quase igual ao dele, quando ainda era Mestre. E isso dizia muito.

"Se estiver pronta," disse Kaden, focando novamente na direção à sua frente, "então vamos entrar."

Ele respirou fundo, ouvindo o som distante de algo gritando. Franziu o cenho, amaldiçoou, e deu um passo, entrando na névoa semelhante a uma porta.

Rea o seguiu de perto, uma onda de poder envolvendo-a de todos os lados, como um manto.

Dentro de sua mente, Einar a incentivava, sua voz um pouco tensa.

E assim, a névoa engoliu os dois.

Depois de dentro, Kaden e Rea sentiram a névoa se fechando ao redor deles, agarrando-os como suor na pele.

Olharam ao redor, vendo nada além da própria névoa. Mas o que não podiam ver, podiam ouvir e sentir.

Começaram a entender por que as oito montanhas eram necessárias.

Sem palavra, avançaram mais fundo — ou assim pensavam — na névoa, percebendo o chão duro e frio do ponte.

Os dois noivos não sabiam quanto tempo haviam caminhado, mas nada mudava no cenário.

Quanto mais avançavam, mais conseguiam compreender o que suas percepções lhes entregavam. Então, em algum momento, começaram a captar algo vindo da névoa ao redor.

Não era exatamente uma voz. Era pensamentos. Ou seja, Kaden e Rea começaram a receber pensamentos aleatórios injetados em suas mentes.

Era estranho e os fez parar.

Os pensamentos eram bizarramente estranhos. Cheios de gritos, lamentações e vozes sobrepostas que queriam dizer alguma coisa, mas falhavam por causa de outras vozes.

A Vontade de Kaden era forte e especial, então ele não foi perturbado por tudo aquilo. E quanto mais ouvia, mais sentia que estava perto de alguma coisa.

Então, ao invés de resistir, permitiu que esses pensamentos fluíssem livremente dentro dele, sabendo bem que não poderiam lhe fazer mal. Ou ao menos, seria difícil que o fizessem.

A situação de Rea era semelhante, mas única. Graças à sua melhoria, ela cuidou dessas ideias invasivas sem dificuldade.

Com os olhos fechados, sua mente profunda, ela tentava sentir algo que só ela podia sentir.

"Você está ouvindo?" perguntou Kaden, em tom baixo, interrompendo abruptamente o foco de Rea, sentindo a névoa desesperadamente tentando entrar em seu corpo e abraçá-lo.

"Sim." respondeu Rea, com a voz um pouco irritada. "Mas acho que ouvi de maneira diferente de você. Por causa do meu poder, consigo perceber o medo e a tristeza emanando desses pensamentos. É impressionante como esses medos são tão diferentes, mas de alguma forma, únicos, inexplicavelmente."

Rea inclinou a cabeça, faz a névoa se agitar violenta com o movimento,

"E acho que estou na direção de entender essa singularidade do medo deles. Assim que eu entender, acho que podemos dispersar essa névoa agindo sobre ela."

Ao dizer isso, a névoa, como se entendesse, berrou audivelmente, formando uma pequena tempestade que se levantou, atingindo Rea.

Ela a bloqueou, rolando a língua.

"Que plano magnífico," finalmente disse Kaden, estranhamente indiferente ao ataque, "mas acho que não precisamos chegar a tanto."

Ele levantou a mão, passando-a pela névoa como se estivesse dançando com ela.

Kaden fechou os olhos, forçando-se a silenciar todos os sentidos que conhecia. Sentiu que essa era a escolha certa, como se não devesse sentir essa névoa com seus sentidos habituais...

…mas com outra coisa.

E foi exatamente assim que fez, e, guiado pela névoa, Kaden finalmente começou a entender por que tinha aquela sensação familiar em relação a ela.

Um sorriso surgiu em seu rosto.

"Agora sim, que surpresa," sussurrou.

"Surpresa? O que é isso?" perguntou Rea.

Kaden respondeu em silêncio. Agora ele sabia por que tinha a sensação de estar mexendo com algo vivo ao utilizar sua percepção na névoa.

Também agora entendia por que, naquela vez, ouvira uma risadinha fofa vindo dela.

Mas, mais do que tudo, Kaden conseguiu compreender por que se sentia um pouco nauseado com a névoa.

Era tudo tão óbvio.

E com essa compreensão veio as palavras de Nocthar sobre algo debaixo da ponte.

Todas essas pistas, junto com a pontada do seu novo sentido, se reuniram e formaram uma única hipótese.

"Você está certo, Rea," disse Kaden.

Ao mesmo tempo, sentiu algo dentro de si se despertar, como se finalmente percebesse que era a hora.

"Essa névoa sente medo. Ela está viva," continuou, o coração acelerado de excitação repentina. "E tudo isso porque essa névoa..."

Kaden fez uma pausa, e Rea parou de respirar instinctivamente,

"…essa névoa é um conjunto de almas gritando, Rea."

Instantaneamente, Kaden sentiu um calafrio de seu Traço amado.

[Soulbrand está despertando.]

Kaden sorriu amplamente, enquanto os olhos de Rea se arregalavam, olhando ao redor com mais intensidade.

"Almas?"

[Soulbrand está reagindo.]

[Soulbrand está reagindo.]

[Soulbrand está—!]

DING!!!!

A Vontade soou seu sino.

[Você descobriu a Masmorra: Morada das Almas.]

Toda a Ponte Gelada começou a brilhar intensamente, antes de afundar lentamente em direção ao abismo sem fundo da Escuridão.

[Perigo na Masmorra: Epiteto~Elderling.]

Kaden riu ao sentir-se cair, enquanto Rea estava paralisada de medo, incapaz até de falar. Bem, ela conseguiu falar, e foi:

"Droga, Kaden!"

—Fim do Capítulo 420—

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