Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 421

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Kaden e Rea estavam lado a lado, com os olhos varrendo o ambiente ao redor como aves de rapina, observando uma cena que ninguém esperava de fato.

Kaden acreditava que iria cair em uma casa de almas geladas, com a maioria delas dançando, girando, chorando em seus ouvidos como banshees.

Mas não era nada daquilo.

De fato, estavam em uma casa. Mas era uma casa comum, talvez até menos luxuosa do que o padrão a que Kaden e Rea estavam acostumados.

Eram nobres, afinal.

Estavam sobre um piso feito de pedras irregulares, a casa construída com o mesmo material. Havia pouquíssimos móveis ao redor, tornando o espaço quase desolado demais para ser chamado de lar.

Aquela sensação não era só visual. Havia algo no ar, um cheiro horrível de erva podrida, que se espalhava ao redor como um cobertor espesso.

As sobrancelhas brancas de Rea estavam franzidas, seu rosto se torcendo em uma carranca enquanto ela girava a cabeça na direção de Kaden, com uma expressão de raiva.

"Droga, Kaden!" ela grunhiu, a centímetros de soltar uma maldição, "Que tipo de lugar você nos trouxe agora?"

Rea sentia sua cabeça pesada, sua percepção arrastada desde o instante em que apareceu ali dentro.

Há poucos momentos, ela quase tinha descoberto a fonte exata do medo na ponte.

Com isso, eles teriam atravessado com sucesso a Ponte Congelada, seguindo sua longa jornada rumo ao calabouço sem qualquer problema.

Claro, seu adorável noivo só precisava fazer alguma coisa de novo.

Agora, não havia medo ao redor dela.

Era como se tudo estivesse escondido por uma cortina tão espessa e poderosa que até ela — Rea Thornspire, Tocado por Deus do Destino — não pudesse penetrar e compreender esses medos.

Ela não gostava disso. E gostava ainda menos ao ver a expressão calma, quase divertida, de Kaden.

"Bem, veja bem, Rea, não fui eu quem provocou tudo isso, você sabe." disse Kaden, varrendo os olhos pela casa.

Seus olhos de estrela carmesim pararam diante de duas portas, separadas por uns dez pés com uma tocha apagada entre elas.

Kaden teve vontade de examiná-las mais de perto.

"Se não fui eu, então quem?" Rea respondeu. Kaden desviou o olhar dessas portas e observou Rea.

"Foi uma das minhas características que agiu por conta própria. Sem minha permissão. Você não pode me culpar por isso, entende?" ele disse, com um tom quase como uma expressão de desdém.

"Acho que você está levando isso demais na brincadeira para um calabouço de nível Epithet ou até mesmo Elderling." Rea rebateu, franzindo os olhos, "Primeiro, que diabos é Elderling? Segundo, Kaden, você está tão confiante na sua força assim?"

"Suficiente para saber que não vou morrer fácil."

"Isso não parece convincente."

Kaden ri, "Vamos nos concentrar, certo? Não esqueçam das palavras que The Will nos mandou."

Ele fez uma pausa, lambendo os lábios e olhando para a casa.

"Estamos em um calabouço, Rea. Significa que esta casa é o calabouço. Ou talvez uma parte dele, se conseguirmos sair. Mas será que podemos mesmo sair?"

"Não há porta além dessas duas," Rea disse, caminhando com as botas raspando no chão, "e não acredito que nenhuma delas leve para fora daqui."

Kaden a acompanhou.

"O estranho é a falta de instruções. Geralmente, calabouços têm uma maneira bem específica de serem concluídos, indicada por The Will."

"Por isso acho que estamos esquecendo algo." Rea respondeu, parando na frente da porta.

Kaden ficou ao seu lado direito.

A porta era feita de pedra negra, com inscrições vermelhas gravadas nela em uma língua estranha.

Nem eram runas nem algum idioma que Rea ou Kaden conhecessem. Para eles, as palavras pareciam apenas um gibberish, feito por uma criança.

Eles trocaram um breve olhar.

Rea estendeu a mão, segurando firmemente a maçaneta, e girou—!

"O que você está fazendo?"

Uma voz quente interrompeu tanto Kaden quanto Rea, enviando um arrepio estranho por suas espinhas na surpresa do momento.

Rapidamente, viraram a cabeça na direção da voz, com tanta força que seus pescoços rangiram em protesto.

Seus olhos descansaram no próprio responsável.

Era um jovem com feições atraentes, cabelo branco curto combinado com olhos dourados cansados e carregados de preocupação.

Ele estava de pé, com duas bengalas ao lado. Tinha apenas uma perna — a esquerda — e, mesmo assim, Kaden quase pensou que fosse um pau em vez de uma perna de verdade.

Sem músculos visíveis ou qualquer coisa do tipo. A visão era silenciosamente desconcertante.

Porém, o que mais preocupava Kaden era o fato de que o rosto daquele jovem era como uma cópia perfeita do Deman, aquele hipócrita babaca.

Kaden reprimiu uma carranca, tentando não demonstrar nenhuma reação.

Rea fez o mesmo, observando com olhos neutros, vazios quase como se fosse uma estátua de papel.

"Você ainda não respondeu à minha pergunta." disse o jovem novamente, com uma voz tão doce e acolhedora que daria sono a um homem adulto, "ou vocês são os enviados pelos Caçadores de Pontes para me curar?"

"Curar você?" Kaden repetiu, inclinando a cabeça.

A voz do jovem, de repente, ficou brilhante, "Sim," ele gritou, tentando com muita dificuldade andar em direção a eles, "Sim, para curar minha perna! Ouvi dizer que há uma Alquimista Destacada em Milieu, a Segunda Vinda da Bruxa! Disseram que ela consegue curar perfeitamente!"

Ele fixou Kaden, com os olhos brilhando de esperança doentia,

"Você é a famosa Alquimista? Parece mais jovem! Mas, como esperado de uma Alquimista Destacada!"

Kaden e Rea ficaram boquiabertos com a virada estranha da situação.

Antes que pudessem pensar muito a respeito, The Will finalmente se manifestou.

DING!!

[Calabouço: Morada das Almas]

[Dificuldade: Epithet ~ Elderling]

[Descrição: Rudolph nasceu incapaz de caminhar. Depois, uma de suas pernas foi amputada por uma doença que avançou de estágio, e a outra quase sofreu o mesmo destino. E, uma vez que isso aconteça, sua vida chegará ao fim. Mas Rudolph tem apenas um desejo. E é caminhar. Nada mais, nada além.]

[No entanto, alguém pode desejar algo que causará sua própria ruína, e a ruína de muitas outras pessoas.]

[Missão do Calabouço: Ensinar Rudolph a aceitar seu destino, fazer as almas atormentadas que vivem dentro dele retornarem à Árvore, e eliminar a Alquimista.]

[Recompensas: Núcleos de Alma, Livro de Pesquisa da Alquimista, Linhagem do Carniceiro de Almas.]

Kaden e Rea leram a missão, tentando esconder qualquer sinal de surpresa, cada um com um conjunto de recompensas perfeitamente adequado a seus perfis.

Porém, nenhum dos dois tinha disposição para ficar empolgado com aquilo.

Rea, por ser uma Mestre simples, encarando uma possível criatura de nível Epithet ou até Elderling.

E Kaden, ao perceber com dor a verdadeira identidade da criatura que precisariam enfrentar. Não era preciso ser gênio para juntar as pistas espalhadas na frente deles.

'O Alquimista Proibido', pensou Kaden com um estranho calafrio, 'Será que finalmente vou encontrá-lo? Aquele que criou…'

Ele não terminou a frase ao olhar para o jovem Rudolph.

O rapaz olhava para ele com entusiasmo, perguntando como uma criança se Kaden iria curá-lo.

Kaden observou como o jovem lutava para andar com as duas bengalas, como seus olhos dourados pareciam fadados ao desgaste, exaustos e sedentos por energia.

Porém, ele ainda sorria abertamente para eles, seus olhos dançando com esperança tão grande que quase dava ânsia.

E então, Kaden percebeu, com o estômago reagindo como se uma bola de gelo tivesse sido jogada dentro dele, que estava diante de alguém que viria a ser conhecido como…

O Devorador de Almas.

Essa constatação o deixou em choque.

Como um jovem inocente como Rudolph poderia se transformar em uma pessoa tão vil?

Kaden não sabia. Mas o que tinha certeza era que tudo aquilo estava ligado ao Alquimista Proibido.

Contudo, a dificuldade da missão era evidente, quase cruel.

Precisavam dizer ao jovem, quase em êxtase, que na verdade seria melhor se ele permanecesse como estava.

Com deficiência.

Sem conseguir caminhar sem ajuda de ferramentas, prestes a ficar sem uma perna, e depois, morrer sem esperança.

Enquanto essa compreensão surgia sobre eles como um sol iluminando o mundo, Kaden e Rea trocaram olhares.

"Você me ajudaria?" Rudolph disse novamente, interrompendo o silêncio entre Rea e Kaden.

Rea abriu os lábios para falar, mas Kaden falou primeiro, sabendo exatamente como Rea podia ser insensível e sem tato.

"Claro," disse Kaden, tentando soar o mais confiante possível. "Vamos ajudá-lo."

Ele sorriu.

"Com certeza."

Ele se sentiu péssimo.

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