Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 267

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Agora, aquela era uma situação séria. Não que antes ela não tivesse sido, mas agora Kaden tinha a compreensão mais profunda do quanto precisava agir rapidamente, de forma eficiente e sem hesitar.

A questão envolvendo O Alquimista Forbidden e O Devastador de Almas era fascinante, sim, mas por enquanto, ele precisava acabar com aquele teatro. Tinha tempo para refletir sobre isso depois.

O Cerveau claramente planejava isso há muito tempo. Ainda não entendia como eles conseguiram inscrever uma runa de tamanha escala por toda a superfície de Waverith, até mesmo dentro do domínio de sua própria família, mas esse não era o momento de se prender a isso.

Agora que sabia como Brain pretendia coletar as almas e consciências dos mortos, ele finalmente podia pensar em uma maneira de impedir que a ressurreição do Cerveau acontecesse.

Mas como?

Essa era a pergunta que ecoava em sua mente enquanto ele se sentava de pernas cruzadas, leve como uma pluma na escuridão sem fim e atemporal da Morte. As engrenagens de sua mente começaram a girar, sua expressão pensativa, uma mão apoiada no queixo. Ele revisitou as informações recém-obtidas, procurando por algo crucial que talvez tivesse ignorado em seu choque inicial.

E sim, havia algo.

O espaço estranho onde Brain estava, aquele que ele chamava de Sala Evolutiva, ficava justamente abaixo de Waverith. Bem no seu centro.

Fazia sentido, na verdade. Era o único lugar que lhe permitiria absorver de maneira adequada todas as almas e consciências reunidas acima.

Essa informação era crucial. Por causa dela, uma ideia surgiu na cabeça de Kaden, inicialmente tênue, como uma faísca oscilando na escuridão, mas que logo tomou forma.

Ele fechou os olhos e relaxou completamente seus sentidos. Repassou seu plano mais uma vez, examinando todos os detalhes, cada possível falha. E havia uma falha. E sim, era um risco, um jogo perigoso, mas dificilmente tinha outra escolha.

Tudo que podia fazer agora era torcer para que algum Deus ou entidade desconhecida tivesse piedade dele e lhe concedesse sorte.

Ao pensar nisso, ele fez uma pausa, uma leve expressão de satisfação surgindo nos lábios. "Rezar, né?" Ele sorriu de leve. "Rezar, esperar… todas as línguas favoritas dos comuns, dos fracos, dos impotentes."

Para um homem como ele, que trilhou o caminho da transcendência com sua Vontade única e o poder de dar o dedo do meio até para a própria Morte e sair ileso, não existia oração. Existia apenas ação, e o que fosse que acontecesse a seguir. Afinal, qual seria a pior coisa que poderia acontecer?

Ele apenas morreria.

E você deixa de temer a morte quando já a experienciou o suficiente.

"Agora…" Kaden inspirou, abrindo os olhos novamente. "Vamos acabar com essa guerra."

"Morte, me reviva."

[Custo: 700.]

Tik.

A visão de Kaden se recentralizou dentro da mesma sala, A Sala Evolutiva. Seus olhos registraram novamente a cena grotesca: peles espalhadas pelo chão como uma piada cruel de um Deus, humanos e bestas sem pele, o sangue impregnando as paredes—antes brancas e imaculadas… e, acima de tudo…

Kaden virou a cabeça e fixou os olhos em Brain. Lentamente, com confiança deliberada, ele se levantou de joelhos, sem tirar o olhar dele.

Brain sorriu. "Como você chegou aqui?"

A mesma pergunta de antes, mas desta vez, Kaden não tinha intenção de respondê-la do mesmo jeito.

Assim que ficou completamente em pé, com as costas eretas e o olhar frio, começou a caminhar pelo cômodo sem receio, observando tudo com uma clareza renovada.

"Sabe, Brain," começou Kaden, sua voz calma, mas com um toque de perigo silencioso, "ouvi uma história bastante interessante há algum tempo."

Ele se agachou, passando os dedos por uma pele com pelos, sentindo sua textura estranha arrepia-los na ponta dos dedos, mesmo assim, suas palavras continuaram imperturbáveis.

"Quer ouvir?"

Brain observou a atitude de Kaden, inclinando levemente a cabeça de curiosidade. Era uma visão estranha. Não, incomum, para dizer o mínimo.

Um Warborn agindo como se esse lugar fosse o quintal de sua casa, falando calmamente, até tentando contar uma história?

Brain não era do tipo que ria, mas sentiu-se conter um sorriso ao observar Kaden. Ainda assim, ele ficou intrigado. Curioso sobre esse mais jovem Warborn, curioso o suficiente para ouvir.

Sem motivo para temer uma criatura de nível Mestre, mesmo que enfraquecido, Brain decidiu rir junto. "Que história um bárbaro como você poderia contar?"

Ele soltou uma risada vazia. "Você não tem talento para palavras, nem para poesia, muito menos para canção." Brain se ergueu, também começando a andar lentamente pelo seu próprio quarto.

"Mas vou deixar você se fazer de bobo. Então, me conte. Estou ouvindo, pequeno Warborn."

Kaden sorriu. "De fato, não somos nada disso. Somos apenas um bando de assassinos. Mas escuta essa aqui. Você vai gostar." Seu sorriso se intensificou. "Sem dúvida."

Ele interrompeu. Na sua frente, permanecia o mesmo macaco sem pele que Brain uma vez admirara com desprezo. Kaden olhou para a fera com olhos aguçados, sua percepção já no limite, vasculhando cada canto da sala e, mais importante… tudo acima dela.

Depois de deixar o silêncio pairar, Kaden voltou a falar, seu dedo traçando o tubo que continha a criatura, com um movimento lento e deliberado. "Bem, então, deixa eu começar."

"É uma história sobre um mestre, alguém com grande talento, habilidade incomparável e uma reputação impecável. Quando envelheceu, decidiu pegar um discípulo e transmitir seu legado." Ele fez uma pausa, deixando suas palavras se assentarem no ar pesado.

Brain ouviu com atenção, intrigado, mesmo sem querer, pelo ritmo calmo e deliberado da narrativa.

Kaden continuou caminhando, cada passo silencioso, mas toda vez que seu pé tocava o chão, a carne sob ele pulsava sutilmente com uma tonalidade rubra invisível.

"Famoso, muitos jovens corriam para ele, na esperança de mudar seu destino. Mas no final, apenas dois permaneceram."

Ele virou a cabeça, fixando o olhar em Brain, que o observava atentamente, com os olhos brilhando de uma curiosidade sinistra.

O sorriso de Kaden se abriu ao continuar. "Ambos tiveram sucesso, mas em níveis diferentes. Um venceu por causa de seu poder e inteligência, um verdadeiro bastardão talentoso. As roupas eram luxuosas, a pele sem manchas, seus olhos dourados encarando o mundo como se tivesse nascido para ser o seu rei." Ele riu baixinho. "O outro era menos dotado. As mãos eram calejadas, as roupas simples, embora limpas, e os olhos arregalados, demonstrando sua natureza tímida e temerosa."

Ele fez uma pausa novamente. O silêncio entre eles se alongou como uma lâmina.

Agora, ele se colocou diante de outro tubo, contendo uma garota sem pele, nua, tremendo incessantemente na líquida azul. Kaden tocou suavemente o vidro com um dedo. A garota congelou na hora, seus espasmos cessaram, enquanto sua voz continuava ecoando no ambiente.

"O mestre não conseguiu decidir, então deixou que elas duelassem. Quem vencesse, se tornaria sua aprendiz. Me diga, Brain… quem você acha que venceu?"

Brain demorou a responder. Gostava de histórias. Sempre adorou aprender com elas. Sem perceber, fechou os olhos por um instante para pensar na resposta, depois os abriu novamente e viu Kaden parado no centro da sala, com as mãos nas costas.

Brain sorriu. "O talentoso," disse.

Sorriso de Kaden se ampliou. "É o que todos diriam, não é?"

Ele balançou a cabeça lentamente.

"Mas ele, na verdade, perdeu. E a razão foi simples." Ele levantou um dedo. "O talentoso já mostrou tudo o que podia — cada truque, cada movimento, cada segredo — deixando nada desconhecido. Mas o menos talentoso… ele foi mais sutil. Escondia suas presas atrás do medo, sua natureza bruta por trás da timidez. Então, quando chegou a hora, ele pegou o talentoso desprevenido… e o matou."

Seu olhar carmesim escureceu, afiado como uma lâmina de aço.

"Você sabe por que estou te contando essa história, Brain?"

Ele não aguardou resposta. Não precisava. Sua preparação já tinha sido concluída.

Sorriu amplamente para Brain.

"Porque eu sei quem você é, Brain. Também sei qual é o seu objetivo, o que deseja alcançar com tudo isso." Ele fez um gesto com as mãos para indicar a Sala Evolutiva.

Brain franziu o cenho.

"Mas você não sabe quem eu sou. Não sabe do que sou capaz. E por isso… você vai perder."

Um lampejo de inquietação cruzou o rosto de Brain. Algo parecia errado. Mas já era tarde demais.

Ele tinha se concentrado demais na história para perceber a katana manchada de vermelho embutida no teto — enterrada profundamente no enorme cérebro que pairava acima, sua lâmina reluzente enquanto sorvia o líquido escarlate que pingava, como se fosse sangue pulsante.

Kaden abriu os braços amplamente, como as asas de uma coruja se estendendo antes de uma tempestade, seu sorriso vileco.

"Deixe-me mostrar quem eu sou."

Imediatamente, com sua Vontade — aquela que tinha devorado The Breaker — Kaden ignorou todas as restrições e barreiras ao redor de toda a sala.

Brain agiu instantaneamente, com os olhos glaciais, surgindo diante de Kaden, mais rápido que a vista.

Mas o corpo de Kaden não se moveu. Sua Vontade se intensificou, atuando como a própria Vontade de seu mestre, e por um breve instante impossível, Brain não conseguiu tocá-lo.

Era tudo o que ele precisava.

"Bum!"

Um silêncio pesado se instalou na sala por um instante, e logo um rugido estrondoso rasgou o ar enquanto, acima, Reditha explodiu, destruindo o teto em uma explosão ensurdecedora.

Um fluxo de escombros despencou como um julgado.

Mas não foi só isso…

Os olhos de Brain se arregalaram, percebendo tarde demais o que vinha pela frente.

Kaden apenas sorriu, braços ainda abertos, acolhendo o dilúvio… enquanto a chuva sangrenta caía sobre eles, pintando o céu de vermelho.

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