
Capítulo 259
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
"Vocês duas estão prontas?" Medusa perguntou enquanto olhava tanto para Meris quanto para Inara, que estavam lado a lado, observando a aldeia de cobras com expressões frias.
A aldeia da cobra era como qualquer outra morada de besta. As casas internas eram feitas de pedra verde e árvores, moldadas de forma grosseira e longe do nível de criatividade humana. Cercada por arbustos e árvores, e com uma porta maciça na frente, na qual estava inscrita uma enorme cobra com a boca bem aberta.
Meris e Inara balançaram a cabeça ao ver aquilo e focaram nas palavras de Medusa. Depois, se viraram para ela em perfeita sincronia, acenando com a cabeça.
"Estamos," disseram ambas.
Medusa sorriu de relance, os olhos brilhando com uma expressão materna. Ela não sabia exatamente por quê, mas sentia uma espécie de felicidade e orgulho ao ver sua filha com outra garota.
Era como se sua filha estivesse finalmente fazendo uma amiga. Algo… que nunca tinha acontecido antes.
Ela sempre se culpou pelo fato de Inara nunca ter interagido de verdade com os outros homens-cobra. É verdade, ela queria protegê-la daqueles traidores, mas isso não diminuía sua culpa. Afinal, ela sabia o quanto era importante para uma criança que cresce ter amigos com quem conversar. Amigos para fazer as coisas juntos e compartilhar memórias inesquecíveis.
Esse era um dos lados mais bonitos da vida. Um bom amigo podia literalmente se tornar sua tábua de salvação em situações difíceis.
Então Medusa sorriu feliz, como uma mãe orgulhosa, e virou a cabeça para olhar para Lari.
"Seu adversário será um dos comandantes cobras. Ele é…"
Medusa começou a lhe contar tudo o que precisava para facilitar a luta contra o grande mestre cobra. Nada ficaria de fora, e como ex-Rei, ela conhecia as fraquezas deles melhor do que ninguém.
Nenhum deles tinha a intenção de resistir nesta batalha. Mesmo chamar isso de batalha não era exatamente correto… isso seria uma matança.
Era um evento para criar um mar de sangue. Um mar verde. Mas isso só tornava tudo mais interessante.
Assim, os arautos dessa carnificina partiram.
Inara foi a primeira a atacar, com sua ave esquelética com olhos de fogo azul. Ela reapareceu sobre a Tribo de Oribus, fazendo os homens-cobra ficarem rígidos ao verem aquela criatura tão familiar.
De imediato, ao invés de tentarem lutar juntos, passaram a se olhar, trocando posições enquanto se perguntavam quem iria apunhalar quem desta vez.
Que erro tolo.
Fogo azul começou a descer sobre a Tribo como uma cachoeira de chuva azul escaldante. E não parou por aí, o lobo de duas cabeças também apareceu, estourando pela porta frágil da tribo, uivando e mordendo tudo à sua frente.
Seus dentes eram perigosamente afiados, cobertos por um veneno potente que imobilizava, depois paralisava, os corpos de suas vítimas.
O caos se instaurou.
Homens-cobra começaram a morrer facilmente, tão desorientados quanto estavam. Logo, sangue verde começou a cobrir o chão.
Bety, Waly e Naka velho emergiram do salão onde estavam, com olhos venenosos tão frios e tóxicos quanto um rio escondido no Inferno.
Esta vez, Bety estava de pé, bem ereta.
Por pouco, porém.
OUVIDOS—!
Um tap—! (Estalo alto e retumbante, como um trovão) uma agressão retumbante ecoou na confusão, enquanto Bety era lançada para trás com velocidade impossível, atingindo a parede da tribo, que se estilhaçou, e caindo debaixo dos escombros.
O caos parecia ter parado. Só que, claro, isso era só para os homens-cobra. As criaturas de Inara não pararam sua carnificina nem por um segundo.
A mãe delas tinha lhes dito claramente: Sem misericórdia. Nenhuma delas ousou desobedecer à Mãe. Ela era mais monstruosa do que todas elas juntas.
Agora, Medusa estava diante de Waly e Naka velho, com os rostos ainda chocados pelo que acabara de acontecer. Sua mão esquerda estava fumegando, o atrito intenso ainda irradiando do golpe.
Seus lábios se curlaram para cima, afiados e frios.
"Era só por você ter tido a coragem de dizer, na minha frente, que queria violentar minha filha," ela disse para Bety, antes de virar o olhar para Waly e Naka velho.
"Agora…" seus cabelos começaram a se transformar, tornando-se serpentes revoltos, cada uma fixando seus olhos sem piscar nos dois homens-cobra. Até mesmo suas íris se distorceram, enquanto serpentes se moviam dentro deles.
Os dois não puderam deixar de tremer. Nunca tinham visto essa versão de Medusa antes.
"Vou tirar seu sono," Medusa sisejou e partiu instintivamente em direção aos dois seres do Reino do Epíteto, seus olhos ardendo de frio com intenção de matar enquanto as serpentes rangiam os dentes e atacavam.
Medusa não era a única.
Lari também ficou na frente de um homem-cobra, o grande mestre que ela deveria matar. Ela olhou para ele com olhos cinzentos e inexpressivos, depois…
CRACK—!
Um relâmpago a envolveu enquanto ela atacava.
Durante toda essa ação, Inara e Meris caminhavam calmamente em direção a Bety.
Cada passo de Meris produzia gelo sob seus pés, enquanto manipulava as moléculas de água ao seu redor, formando lanças de gelo que disparava contra os homens-cobra sem sequer olhar para eles.
Qualquer um que tentasse se aproximar dela cairia, escorregando na neve que ela espalhava pelo chão, antes de ser perfurado por lanças de gelo que surgiam ao seu redor.
Inara era mais única ainda. Ela não controlava apenas monstros, ela controlava aquilo que tornava os monstros monstruosos.
Seu corpo podia corromper qualquer coisa normal, transformando-a em algo deformado e aterrorizante. Assim, a cada passo que dava, garantia que os toxinas de mutação revestissem sua pele, sua respiração, sua aura.
Ela já havia envenenado os homens-cobra antes de sua fuga. Mesmo agora, sentia as toxinas se mutando dentro deles… e dentro…
Ela sorriu cruelmente.
"Bety," ela rosnou.
Meris e ela pararam, ficando cara a cara com Bety, que lentamente se levantava. Seu rosto se contorceu numa careta feroz, prometendo destruição. O lado esquerdo do rosto dela estava rachado, e por baixo, o veneno escorria como veias de fogo verde.
Ela levantou a cabeça ao ouvir seu nome e viu Inara e Meris, duas criaturas de rango intermediário.
Um sorriso cruel se espalhou pelos lábios inchados e sangrentos dela.
"Inara, você voltou," ela sussurrou como uma serpente, sua voz nojenta, como veneno estragado.
"E com uma nova amiga," acrescentou, fixando os olhos lascivos no corpo de Meris.
De imediato, os olhos de Meris se tornaram mais frios do que gelo mesmo.
"Como você ousa me olhar assim?" ela disse, sua voz vazia, sem emoções.
Antes que Bety pudesse responder, Meris já estava na frente dela, deslizando sobre uma camada de neve, apontando suas adagas de gelo direto nos olhos de Bety, com o olhar mortalmente frio.
Bety reagiu de imediato. Sua cauda se moveu com velocidade assustadora, destruindo a adaga de Meris com facilidade, as lascas de gelo voando, mas pararam no ar e se transformaram em espigões de agulha, mais afiados que lâminas, antes de voar em direção a Bety, que já estendia a mão para agarrar Meris pelo pescoço.
Ela não parou, sua cauda desviando todas as ameaças, mas…
"Tô aqui também, sua puta traíra," Inara rosnou de trás, enquanto a cobra enrolada ao seu pescoço siseu e mordeu fundo na bochecha direita de Bety.
CACUN—!
Os dentes da cobra atingiram as escamas de Bety, incapazes de perfurá-las. Mas a interrupção fez Bety perder de vista Meris, por tempo suficiente para que ela enfiar a ponta afiada do seu pé coberto de gelo direto no ventre de Bety e fazer sangue jorrar.
Bety rosnou profundamente, irritada ao ponto de quase atacar, até congelar ao ver uma chuva de adagas de gelo cair como uma tempestade do céu.
Inara e Meris aproveitaram a deixa para recuar, mas não antes de uma das sanguessugas de Inara se enroscar na ferida de Bety e vomitar um grosso jato de sangue negro, viscoso e pegajoso.
Sangue de Inara.
E isso foi tudo o que ela precisou para intensificar seu controle sobre as toxinas mutantes dentro de Bety.
Um sorriso cruel curvou seus lábios enquanto ela ficava ao lado de Meris, que estalo o pescoço, com olhos prateados ainda sem vida.
"Vou arrancar seus olhos," disse Meris com um sorriso sem alma.
Inara veio na sequência, sorrindo amplamente, e Bety jura que viu olhos olhando de dentro daquele sorriso.
"Vou fazer de você o monstro que merece ser."
Instantaneamente, Bety caiu sobre os escombros ao seu lado enquanto o sangue dentro dela congelava… e começava a se transformar.
Seus olhos se abriram de horror ao olhar para as duas mulheres à sua frente, que ainda sorriam, mas não havia nada humano naqueles sorrisos. Nada certo.
O que são essas duas?
Ela não conseguiu falar. Mas seus olhos gritaram alto o suficiente para que elas entendessem, e seus sorrisos só se aprofundaram, tornando-se… eldritch (estranhos, de origem sobrenatural).
"O que somos, hein?" Inara perguntou, voltando-se para Meris. "O que somos, Meris?"
Meris sorriu, encontrando ainda mais razões para amar na crueldade de Inara.
"O que mais poderia ser?" ela sussurrou.
"Somos o pior pesadelo dela, é claro."
Inara gargalhou e os lábios de Bety se curvaram formando um olho humano, enquanto sua parte inferior se contorcia, assumindo a forma da perna peluda de uma fera desconhecida.
Começou a tortura de Bety.
—Fim do Capítulo 259—