
Capítulo 258
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
O mundo ainda estava mergulhado em vermelho. O ar tinha mudado completamente. O que antes todos — mundanos ou despertos — podiam respirar, agora se tornara algo que apenas os condenados, os abandonados pelos deuses, poderiam começar a inspirar.
Aqueles que tinham nada a perder. Os deixados pelos deuses, destinados a morrer, com seu sangue lentamente se unindo ao rio que crescia — espesso, escarlate, implacável — formando um oceano de sangue aterrorizante…
A batalha ainda continuava. Pessoas ainda estavam morrendo. E quanto mais morriam, mais o aroma do ar mudava novamente, como se fosse transformado em algo… proibido, algo vil e antigo, junto aos céus agora sangrentos.
Graças a Kaden e Daela, que eliminaram os grandesmestres, os Guerreirantes começavam a avançar lentamente, virando a maré contra as bestas. Nesse momento, apenas os mais temíveis, os mais habilidosos ou os mais traiçoeiros ainda permaneciam. E cada golpe deles era lethal. Sua energia não havia se esvaecido, sua fúria não havia sido apagada, sua ira continuava intensa.
Honestamente, pareciam demônios que não deveriam estar na Terra.
Ninguém sabia quanto tempo aquilo iria durar, por quanto tempo poderiam continuar sem hesitar, com as bocas sorrindo, os olhos ensanguentados, enquanto continuavam sua chacina impiedosa.
Mas o que era certo… era que duraria enquanto os Herdeiros estivessem fazendo sua parte.
Uma guerreira Guerreirante, uma mulher forte, com seus últimos fios de cabelo dourado pegajosos de sangue, o rosto encharcado, o corpo ferido em vários lugares, e ainda assim sua pegada no enorme martelo não vacilava.
Ela virou a cabeça por Instinto para olhar o campo de batalha. E seus olhos esmeraldatravaram-se numa cena que jamais esqueceria.
Era uma cena que logo começaria a ser sussurrada entre eles…
A imagem do seu jovem mestre Kaden, com o rosto manchado de sangue, incrivelmente bonito, sorrindo para um grandemestre cujo maxilar estava triturado como ferro velho enferrujado, olhando para ele com medo tremente.
E ao lado… outro grandemestre, deitado sem vida, a espada carmesma de Kaden cravada fundo na boca aberta do homem.
Dois grandesmestres. Ambos derrotados.
Seu jovem mestre neutralizou dois grandesmestres sozinho, sem um arranhão sequer.
Ela congelou. Processou tudo. O coração pulsando como se fosse tomar um susto, uma adrenalina, uma reverência quase religiosa.
E então, lembrou-se do título pelo qual seu jovem mestre havia nascido.
O título que o tornara famoso por toda Waverith, sem precisar levantar um dedo. Um título que uma vez acharam excessivamente grandioso, demais, para uma criança comum.
A Criança do Sangue.
Mas naquele momento… ele não era mais uma criança.
Era algo mais.
Algo profano. Algo de outro mundo.
Assim, instintivamente, a mulher jogou a cabeça para trás e gritou, sua voz — em uma espécie de caos de guerra — ecoando por todo o campo ensanguentado.
"O SENHOR DO SANGUE! O SENHOR DO SANGUE! O SENHOR DO SANGUE!"
O campo de batalha pareceu congelar.
Cada soldado olhou para ela. Até os Mustangres de Aço.
E todos se voltaram na direção do que ela apontava… captando a mesma cena.
BUM—!
Seus corações batendo em uníssono. Não… o próprio sangue deles parecia pulsar mais rápido, de forma violenta, eufórica… como se também tivesse reconhecido seu mestre.
E naquele instante… a energia dos Guerreirantes explodiu.
Sua intenção assassina aumentou a um nível nunca antes registrado na história.
Eles riram alto. Ri-ram. Alguns choraram. Outros soluçaram.
Todos levados à loucura por orgulho, amor e sede de sangue ao ver seu próprio jovem mestre dominando dois Mustangres de Aço com facilidade.
A brutalidade deles atingiu um novo patamar de carnificina.
Começaram a massacrar os Mustangres com uma ferocidade quase insana, ainda paralisados pelo choque da cena que acabaram de presenciar.
Enquanto os Guerreirantes continuavam a cantar…
"SENHOR DO SANGUE! SENHOR DO SANGUE! SENHOR DO SANGUE!"
Suas vozes unidas estremeceram o ar. O próprio espaço distorceu-se, violento e instável.
Durante a luta, Daela lançou um olhar ao seu irmão. E sorriu… larga, orgulhosa, selvagem.
Então ela deu uma volta no ar, esquivando-se de um ataque de Jeni.
Ela pousou, virou-se para ela e falou com um sorriso cheio de sangue — seco e perigoso: "Chegou a hora de acabar com essa farsa. Meu irmão está me esperando."
Suas espadas gêmeas acenderam com um brilho intenso e ardente, e segundos depois, Jeni gritou de dor.
A virada da guerra aconteceu ali mesmo, naquele instante.
Tudo por causa de Kaden.
E o próprio homem assistia à tudo acontecer, essa matança elevada, com um pequeno sorriso nos lábios.
"Senhor do Sangue, hein…" ele riu. "Não é um mau título, né?"
Morre ainda não conseguia acreditar no que via ou sentia.
Sua mente simplesmente se recusava a aceitar que um Mestre pudesse derrotá-los tão facilmente.
Mas qualquer outro resultado… teria sido decepcionante.
Kaden tinha quebrado seus limites de status não uma vez, mas duas. Ele chegou a Mestre através de uma Missão de Evolução Mítica, com uma Pedra Mítica. Sua Vontade transformou-se em algo totalmente único, como seu mestre, O Escravo Invencível.
E então, havia sua Marca da Alma, sua chama negra que devorava sangue, mana e até a vida.
Com tudo isso…
Como um Grandemestre poderia ameaçá-lo agora, mesmo que fosse apenas um Mestre?
Eles não poderiam.
"Depois que eu acabar com você, vou destruir o restante dos Mustangres de Aço." disse Kaden a Morre, enquanto Laye contorcia-se ao lado, ainda presa na chama negra de Reditha.
A própria Reditha havia se manifestado completamente, sua forma carmesma envolvendo-o por trás, como sempre — sedutora, leal, inumana.
Morre e Laye tremeram por causa da voz dele. Pela certeza. Pela crueldade. Pela inevitabilidade que carregava.
"Não espere que seu mestre venha salvar você," Kaden acrescentou friamente. "Ele também vai morrer."
Sua voz carregava uma confiança sólida.
Seu pai não perderia. O homem nem tinha sacado a espada ainda. Ainda lutava contra Goremaw com punhos, e mesmo assim, Goremaw estava perdendo.
Idiota.
Kaden balançou a cabeça lentamente, refletindo sobre como eles poderiam ter subestimado esses inimigos. Talvez não fossem bons em jogos mentais… mas ninguém, nenhum sequer, podia competir com os Guerreirantes em batalha.
Ninguém.
"Quer devorar, né?" falou Kaden em voz alta, e Reditha sorriu maliciosamente atrás dele.
"Sim, Senhor do Sangue," ela respondeu, com uma voz cheia de malícia brincalhona.
Kaden manteve-se ereto, observando o campo de batalha.
De longe, viu sua irmã sentada calmamente sobre o cadáver da grandemestre Jeni, com as espadas cravadas profundamente nos olhos da mulher. Seu corpo ainda tinha feridas, aqui e ali.
Mas ela sorria, e então levantou o polegar em direção a ele.
Kaden retribuiu o gesto, sorrindo de volta, enquanto as mãos de Reditha, vermelhas, permaneciam frouxamente ao redor de seu pescoço.
"Deixe o núcleo e os corpos em paz," disse ele, "mas devore completamente o sangue e as almas."
"Vou precisar dos corpos dessas bestas para algumas melhorias depois."
Ele deu a ordem, e Reditha obedeceu com um brilho perverso nos olhos. Estranhamente, ela nem tocou o oceano de sangue sob eles.
Ao invés disso, ela estendeu a mão em direção aos corpos, puxando o sangue e as almas que ainda fluíam dentro dos cadáveres espalhados pelo campo, levantando-os suavemente acima da superfície escarlate.
Uma onda de sangue irrompeu de repente, subindo dos cadáveres na direção de Kaden, sob o olhar pasmo e fixo de todos os soldados Guerreirantes.
Kaden não abriu a boca.
Apenas Reditha fez isso, com a boca estendida de maneira selvagem, com fome voraz, enquanto o sangue e as almas — invisíveis para todos, exceto eles — envolviam seu corpo. Lentamente, seguramente, entraram nele.
Seu corpo ficou mais forte. Sua alma, mais densa.
Os dois grandesmestres morreram completamente, não apenas seus corpos, mas toda a sua existência, consumida. O mesmo aconteceu com os demais.
Essa cena… parecia um ritual.
Como a coroação de um novo deus demoníaco.
E era o momento perfeito para consolidar o novo título que os Guerreirantes acabaram de lhe dar.
O título que agora eles gritavam, com olhos vermelhos de fervor, pisando no oceano de sangue, batendo os punhos no peito…
Gritavam. Uivavam. Cantavam.
Era a evolução da Criança do Sangue.
A criança nascida na batalha, cercada por sangue e agora de volta ao combate, rodeada por um oceano de sangue.
Mas desta vez…
Era um oceano que ele mesmo criara.
E com isso…
Ele não era mais a Criança do Sangue.
E agora…
"SENHOR DO SANGUE! SENHOR DO SANGUE! SENHOR DO SANGUE!"
Sim.
É isso que ele era.
O Senhor do Sangue.
—Fim do Capítulo 258—