
Capítulo 257
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
"Você não precisa mais dessa máscara, não é, garotinha?" Nur Cerveau disse, sua voz ainda chirriando como madeira podre. Ele olhava para Vaela com diversão.
Vaela hesitou por um instante. Ficou em silêncio, tentando — com todas as forças — recuperar o controle da tempestade que guerreava dentro dela.
'Fúria é cegueira.' ela murmurou internamente, lembrando-se das palavras que Ziriel sempre dizia. Quanto a isso, não tinha escolha senão concordar com aquela mulher insensível.
Quando finalmente se acalmou, Vaela fixou seus olhos neon brilhantes em Nur — seu pai — então começou a escanear a sala, além dela, tentando sentir se alguém mais se aproximava, mas…
"Só você e eu aqui, garotinha," Nur afirmou, trazendo sua atenção de volta para ele.
"Enviei todos os outros para o outro Ninho," ele sorriu de lado, "achava que lá seriam mais úteis do que aqui."
"Então você cometeu um erro grave," Vaela interrompeu fria. "Seu corpo trêmulo poderia ter precisado de guardas… para me impedir de te rasgar em pedaços."
"Ah? Vai matar seu velho pai agora?" Ele riu, o som semelhante ao ranger de uma cadeira de madeira antiga sob um vento tempestuoso. "Como a mãe, como a filha… não é mesmo?"
O corpo de Vaela tremeu de fúria. Seus olhos neon ficaram árticos. "Não fale da minha mãe," ela rosnou, avançando com o aura começando a se contorcer com fios de força luminosa que se descontrolavam, como serpentes furiosas.
Porém, o sorriso sem dentes de Nur não vacilou.
"Você é igual a ela," ele disse suavemente. "Pois exatamente como ela… você está caminhando para a sua perdição."
Ele não esperou por uma resposta. Prosseguiu.
"Desde o começo, eu te avisei, garotinha." Sua voz mudou, agora fria e clínica, a assinatura de todo Cerveau. "Eu te disse para largar essas fantasias infantis que ainda pululavam na sua cabeça burra."
"Elas não eram fantasias!" Vaela gritou, mais alto do que pretendia, mais nervosa do que queria.
Seu corpo tremia com emoção quase incontrolável enquanto ela o encarava. "Desde quando querer uma família é um sonho? Desde quando desejar o amor do seu pai… seu cuidado, seu reconhecimento… é uma fantasia?"
"Sempre foi," Nur respondeu, levantando-se lentamente da cadeira, suas juntas frágeis estalando como vidro sob pressão. "São fantasias nesta casa, garotinha."
Ele agora a encarava de frente… olhos como vidro congelado, vazios de calor, vazios de qualquer traço humano.
"Quando você vai aceitar a verdade, garotinha?
"Nossa família não é uma família. Os Cerveau não são como os Warborn. Nem como os Elamin. Somos uma coleção de indivíduos ligados apenas por sangue. Nada mais. Funcionamos por utilidade. Não amamos. Não odiamos. Essas… são emoções de homens inferiores."
Ele avançou, o som do seu cajado batendo contra o chão branco e estéril ecoando pelo espaço fechado… quase tão alto quanto o pulsar do coração de Vaela.
"Somos nós quem domina essas emoções. E, ao dominá-las… governamos as massas patéticas que ainda acreditam que têm importância. Nem mesmo valem a pena serem chamadas de humanas." Sua voz se tornou venenosa com desprezo.
Vaela balançou a cabeça.
"Não. Você é o indigno de ser chamado de humano. Você foi o que jogou fora tudo — amor, calor, conexão — tudo que nos torna humanos… só pra brincar de seu jogo doentio em que o mundo inteiro se curva à sua vontade como uma marionete."
Seus olhos queimaram, não apenas de ódio, mas de algo muito mais doloroso.
Luto.
"Sou eu," ela sussurrou. "Você que não hesitou… nem vacilou… quando matou quem esteve ao seu lado por anos. Quem carregou seu filho. Quem implorou pelo seu amor."
Ela deu um passo à frente — agora a poucos centímetros dele — a voz trêmula, os olhos brilhando, a alma tremendo.
"Foi você… foi você que matou a mãe. E por quê? POR QUE TUDO ISSO?!" Vaela finalmente explodiu.
Mas Nur… permaneceu calmo. Inabalável.
"Por que você acha que eu matei sua mãe?" ele perguntou com uma doçura estranha, respondendo a si mesmo antes que ela pudesse sequer respirar.
"Porque ela era uma prostituta que saiu de casa e se apaixonou por um plebeu qualquer," ele rosnou.
"Porque você não a amava!" Vaela rugiu. Em uma onda de dor bruta, ela arrancou a máscara, mostrando o rosto e a alma enquanto gritava: "Ela tentou te amar! Ela implorou pelo seu amor! E você a destruiu, mostrou que seu coração não era nada além de uma cova vazia e podre!"
"E sim!" Sua voz se quebrou. "Sim, ela te traiu! E eu fico feliz por isso! Porque, pelo menos… pelo menos ela sentiu o que é a paixão de ser amada."
Nur ficou em silêncio. Então, uma risada seca, sem humor, escapou pela sua garganta.
"Sim… ela sentiu o amor que sempre quis. E morreu por isso. Uma troca e tanto, não acha?"
Seus olhos escureceram, sem alma, como sempre.
"E agora, minha filha… é a sua vez de morrer e seguir sua inútil mãe até o pó."
"Por nos trair. E buscar algo que nunca deveria ter sido seu desde o início."
A expressão de Vaela ficou fria, tão fria que poderia congelar o respiro de deuses.
"Ah, pai… nem imagina há quanto tempo sonhei com esse momento," ela sussurrou, avançando até se sobressair sobre ele.
"Vou matar você. E vou saborear cada segundo sanguinolento disso."
Instantaneamente, seus olhos se transformaram em dois vórtices de fios azuis brilhantes e lacrimantes.
"Você nunca viu o Aspecto do Meu Epíteto, né?" Sua voz curvou o espaço, fazendo o ar tremer de medo.
As sobrancelhas de Nur se franziram, a ansiedade crescendo em seu peito como uma chama indesejada.
Vaela sorriu — vazia, impiedosa.
"Deixa eu te mostrar."
Ela despejou tudo — mana, intenção, alma — na ponta do dedo, e num piscar, mais rápido que o pensamento, a pressionou na testa enrugada de seu pai. Um fio azul brilhante, incrivelmente fino, mas assustadoramente denso, saiu de seu dedo e invadiu a mente dele.
" âncora do Destino."
Os olhos de Nur se arregalaram de horror.
"Fado do Deficiente."
…
Em outro lugar, em um campo de batalha inundado de vermelho…
Clank—!
Reditha atingiu o cotovelo de aço de Laye, enviando uma forte sacudida pelo braço de Kaden enquanto ele recuava. Sua postura vacilou, os pés afundando ainda mais na terra encharcada de sangue e escorregadia de chuva, muito mais do que devia.
Logo atrás dele, o ar uivava.
Boom—!
O som da explosão do espaço rasgando se espalhou pelo campo, enquanto o punho incandescente de Morre atravessava o céu em direção ao crânio de Kaden.
Porém, Kaden não hesitou.
Seu lábio se curvou em um sorriso sutil, sabendo, enquanto torcia o corpo num movimento fluido e antinatural, girava, impulsionava-se do chão no meio da rotação, e lançava-se para o alto. O soco flamejante passou a centímetros, destruindo o espaço que acabara de ocupar.
Mas Laye já se movia.
Centenas de bolas de fogo azul surgiram instantaneamente, rodeando Kaden numa constelação mortal, explodindo na mesma velocidade.
BOOM—BOOM—BOOM—!
O céu se incendiou de um azul calamitoso, piscando como a fúria do céu antes de uma grande onda de fumaça dominar tudo. O campo de batalha parou, soldados imóveis, olhando para cima em uníssono assombro e medo…
…porém, a morte não parou com eles.
As pessoas continuaram a morrer.
O chão ficou ainda mais vermelho e molhado. O que antes era uma poça de sangue virou um rio com uma corrente grotesca de tripas, ossos quebrados e carne rastejando como caricaturas de peixes.
E, do céu, algo caiu.
CRASH—!
O corpo de Kaden se chocou contra o rio de sangue, lançado como um cometa, a fumaça ainda se arrastando atrás dele. Ele tossiu suavemente, seu corpo queimando com fogo azul que se grudava nele como uma maldição que se recusava a escapar. Ele invocou sua própria chama preta, deixando-a devorar o azul persistente, e instantaneamente seus ferimentos começaram a cicatrizar enquanto o sangue sob ele se infiltrava em seu corpo como uma maré viva.
Ele se levantou.
Só para abaixar a cabeça rapidamente.
Outro soco de Morre passou zunindo ao seu lado, mas desta vez a besta-de-aço tinha aprendido.
Era uma arremetida falsa.
O ataque verdadeiro veio logo depois — uma chute brutal e de chicote na cabeça de Kaden, com a perna de Morre envolta em aço vermelho e chamas ardentes. O espaço ao redor girou e explodiu, uma névoa de fumaça ameaçando rasgar o crânio de Kaden em uma chuva de sangue e ossos estilhaçados.
E ainda assim, Kaden sorriu.
"Você tá indo forte," ele disse calmo.
Reditha se moveu sozinha, interceptando o chute com um grito de aço contra aço. Kaden recuou, evitando o golpe seguinte, e aterrissou de pé, com Reditha já na sua mão, sua lâmina envolta em fogo negro que dançava.
Com um rugido, avançou e empurrou com toda a força em direção ao peito de Morre…
Só para Laye desviar o golpe.
Clank—!
Kaden amaldiçoou sob a respiração, pulando para trás, afastando-se ambos os mestres.
Estavam lado a lado, olhando fixamente para ele. A fúria deles era inconfundível, mas por trás disso, escondido o suficiente para fugir do orgulho deles, tinha surpresa.
Um mestre aguentando golpes de dois?
Mas isso era tudo. Surpresa.
"Você não vai vencer," Laye rosnou, a voz vibrando com fogo. Uma chama azul o envolvia como uma tocha na escuridão, lambendo para cima em ondas de calor e fúria.
Os olhos de Morre já tinham se transformado, substituídos por dois anéis de fogo vermelho derretido.
"Mate." ele rosnou.
Kaden assumiu sua postura, inclinando a cabeça.
"Não vou vencer porque sou um Mestre? Ou porque estou enfrentando dois?"
Ele sorriu.
"Escolha um. Por favor."
E na hora em que suas expressões se contorceram em raiva ainda mais profunda, Kaden já tinha desaparecido.
Seu movimento cortou o ar. Tão rápido que o som de seus passos atrasou-se na névoa visual. Os dois mestres só perceberam sua presença depois que ele já estava na frente deles.
Reditha disparou para cima, depois caiu na direção de Laye. Mas Kaden a soltou no meio do movimento e girou, atacando Morre com punho cerrado, o sangue girando ao redor do braço como um tornado. O sangue se condensou numa armadura vermelha escaldante envolta em chamas negras enquanto ele investia contra a mandíbula de aço de Morre…
CRACK—!
A mandíbula se quixoticamente quebrou, com um estalo nauseante. Os olhos de Morre se arregalaram, horror surgindo em seu rosto enquanto as chamas negras invadiam seu crânio.
E ao lado deles, Reditha avançou sozinha.
Sua lâmina, envolta no mesmo inferno negro, rasgou para baixo em direção a Laye, devorando sua chama e sangue numa única ação.
Os gritos que se seguiram não eram de desafio.
Eram choros de horror.
As duas grandes figuras abriram a boca para ativar seus Domínios, mas…
"Tut tut tut…" Kaden balançou a cabeça, fazendo um tique com a língua.
Ele esmagou a mandíbula de Morre com força bruta, digna de sua natureza transcendental, enquanto Reditha perfurava diretamente a boca escancarada de Laye.
Laye caiu, Reditha ainda encravada na garganta dele. As chamas negras se espalharam pelo corpo, devorando-o de dentro para fora.
Kaden virou de lado, chutou as pernas de Morre e fez o Steelbeast voar contra o rio de sangue abaixo…
Splash—!
O sangue manchou o rosto de Kaden enquanto ele permanecia de pé, com os olhos brilhando em vermelho como um demônio entronizado na guerra… um Deus dos demônios esculpido na carnificina.
Ele se curvou, olhando nos olhos assustados do mestre.
"Vocês dois realmente… são mestres?"
Ele sorriu — cruel, frio, perverso.
"São fracos pra caramba."
—Fim do Capítulo 257—