Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 256

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Serena soltou risadas no meio do coro de vozes e gritos que invadiam o campo de batalha enquanto desviava, deixando um soco rasgar o ar onde sua cabeça estivera, fazendo o próprio espaço estremecer, seu cabelo vermelho chicoteando como chama antes de girar e aplicar uma forte chute nas costelas do homem de cabelo amarelo.

O som do osso estalando ecoou antes do corpo do homem ser projectado para trás, batendo no chão e levantando uma tempestade de poeira.

Serena olhou para os inimigos que a cercavam e sorriu.

Não estavam apenas Neron, Ziriel e Calix à sua frente, mas também outros Grandes Mestres enfeitiçados, olhos brilhando com a fome de arrastá-la para o rio da morte junto com eles.

Na frente dos seus pés e espalhados ao redor jazia uma dezena de cadáveres — todos Grandes Mestres — seus corpos contorcidos em formas grotescas e perfurados por lanças. Um não tinha cabeça, como se fosse devorado pelo vazio, e outro estava meio consumido pelo próprio nada.

Ela permaneceu firme, cerrando os olhos ao redor da lança que segurava, seu sorriso sempre presente, sem se romper.

Os gritos dos soldados sacudiam o ar, chocando contra o ruído das cascos enquanto a cavalaria galopava sobre os destroços com olhos enlouquecidos, decapitando Elamin com uma facilidade assustadora.

"Vocês não vão vencer isso," disse Neron, com seu terno ainda impecável, as luvas brancas livres de manchas. Ao seu redor, símbolos rúnicos giravam como uma tempestade, alguns brilhando em vermelho, outros em azul, outros cintilando com cores que desafiavam nomes.

A inteligência de Neron era incomparável. Isso lhe permitia comandar runas com a mesma facilidade com que flexionava a mão. Com elas, podia curar, destruir, capturar. Sua versatilidade era assustadora.

E ele sabia disso.

"Posso lutar de frente com vocês enquanto curo todos eles," afirmou friamente. "Calix tem escravos infinitos para comandar, e pode desvendar sua mente. Ziriel pode torcer suas emoções."

Neron ergueu a mão, e uma runa azul resplandeceu diante dele, se desenrolando em milhares de agulhas de água condensada. O próprio tecido do espaço parecia desafiar a gravidade, suportando o peso esmagador daquela água.

Ele não parou por aí. Lança de fogo surgiram ao seu redor, queimando o ar com calor ardente, distorcendo o próprio espaço.

Calix moveu os pés, e repentinamente, figuras surgiram do nada, cercando Serena numa grande roda, fechando cada caminho de fuga.

"Eu não careço de escravos," disse Calix, com uma voz indiferente, mas confiante. "E não me incomodo de entregá-los a você para degolar, já que parece se divertir tanto com isso. Mas me diga, quanto vai durar?"

Ziriel, sorrindo largo a ponto de desfigurar seu rosto.

"Você já ouviu falar que emoções são controle? Deixe-me te ensinar uma coisa hoje." Seu sorriso se acentuou.

"A raiva é poder."

De repente, os escravos ao redor convulsionaram, seus rostos se contorcendo, os olhos ardiam em vermelho de loucura. Seus músculos inchavam, o poder se intensificava, e a raiva deles se transformava em força bruta.

"Mas para você…" Ziriel sussurrou como uma navalha, "…a raiva é cegueira."

Serena sentiu de imediato que sua mente foi invadida por Ziriel, dominando suas emoções, enquanto Calix exercia seu controle insidioso.

Os escravos começaram a pressionar, habilidades ativando-se em todas as direções, uma tempestade de poder destinada a sufocá-la.

Por todos os cálculos, Serena estava em desvantagem.

E estava mesmo.

Ela era monstruosamente forte, uma existência do Despertar de Epítetos, mas Neron, Calix e Ziriel também eram assim. E além deles, incontáveis Grandes Mestres — formigas — se aproximavam.

Formigas, sim. Mas Serena bem sabia que umas poucas formigas podem reduzir um elefante aos seus ossos se forem incontáveis e sem medo da morte.

No entanto, nada disso se refletia em seu semblante. Seus olhos negros, sem pupilas, percorreram o campo de batalha, permanecendo até no retrovisor, onde os exércitos de Elamin estavam sendo massacrados como porcos.

Ela sabia que o fim deles era certo. E, quando caíssem, aqueles Cerveaux só acrescentariam mais inimigos à sua frente.

Seu olhar voltou a se fixar nos três governantes Cerveau.

"Hahaha, isso é verdade," ela disse com uma risada. "Se eu continuar lutando do jeito que estou, vou perder."

Com as runas de Neron, podiam coordenar-se perfeitamente, curando qualquer ferimento antes que se tornasse fatal. Calix e Ziriel aproveitariam qualquer lapsus, invadindo sua mente e torcendo suas emoções.

Ela estava encurralada. Presa. Em menor número.

E mesmo assim, sorriu.

"Nem pense em ativar seu Domínio," alertou Neron friamente. "Podemos destruí-lo ao ativar o nosso ao mesmo tempo."

Mas a mãe de Kaden apenas sorriu de canto, seu sorriso se alargando na loucura.

"Sou Serena, a Guerreira Nascida. Você acha que seus domínios inúteis poderiam resistir ao meu?"

O mundo congelou.

O espaço se rasgou, desvendando-se numa coisa horrenda e apocalíptica. A própria realidade começou a ruir, engolida por mandíbulas invisíveis que mastigavam as bordas da existência.

A voz de Serena cortou tudo isso.

Neron e os demais arregalaram os olhos de horror enquanto a escala de seu poder aumentava exponencialmente.

"Droga! Ativem seus Domínios! Todos de uma vez agora!" gritou Neron, com o medo escurecendo sua compostura.

Mas já era tarde demais.

"Ativação do Domínio — O Mundo Vazio."

Toda a propriedade Cerveau desapareceu.

O próprio mundo tornou-se vazio.

E a Rainha do Vazio ascendeu ao seu trono.

Baú da Cidadela Thornspire.

O campo de batalha estava em ruínas, tão destruidor quanto qualquer outro em Waverith. Pessoas morriam aos milhares, suas vidas se esvaindo como nada.

Era de partir o coração ver aquilo.

A vida deveria ser preciosa… algo pelo qual as pessoas lutam de verdade para guardar, para agarrar, para valorizar. Mas aqui, neste campo, nesta guerra em que exércitos se chocavam e golpes rachavam a terra, engolindo os ossos de centenas… a vida tinha perdido todo sentido.

Um soldado Warborn cortou a garganta de seu oponente com um golpe limpo, sangue espirrando como uma fonte, só para sua própria caixa torácica ser aberta por uma mulher que atacou por trás.

Aquela mesma mulher continuou sua carnificina, homens e mulheres caindo sob sua lâmina ensanguentada, até que seu pescoço fosse torcido de forma bizarra por um homem robusto, com mãos como forjas.

O ciclo se repetia. Eles matavam, apenas para serem mortos logo depois. Riam na excitação da carnificina, até que outros esboçassem um sorriso ao exterminá-los em troca.

Quem olhasse de cima só balançaria a cabeça com a absurdidade.

Todas essas pessoas morrendo tinham alguém esperando por elas. Sonhos a realizar, algo pela qual viver. Mas nada disso importava agora. Nenhum dos seus desejos, nenhuma ambição por um futuro melhor.

Porque tinham recebido ordem para guerrear. Ordenados por seus mestres. Então, obedeciam. Então, lutavam. Então, matavam.

E mesmo enquanto matavam, os soldados do Cerveau tinham caras estranhas. Não riam, não choravam. Estavam imóveis como bonecos, e mesmo assim, sua dor e desespero pareciam gritar mais alto do que a matança em si, mais alto do que a carnificina onde o chão se enchia de órgãos mortos que rastejavam.

Mas os soldados de Thornspire e Warborn não tinham tempo de se perguntar. Eles matavam.

Eram pessoas que queriam estar longe dali, em qualquer outro lugar.

Mas, novamente…

"MATEM!!" gritou um soldado enquanto avançava, com olhos vermelhos em chamas.

…não importava o que queriam, não assim que pisaram naquele campo de batalha.

Acima, outro combate brutal se desenrolava. Eliot lutava contra Matthew, seus olhos rubi vazios, quase sem expressão.

Ele atacava de perto, cada golpe que acertava formando espinhos que se espalhavam por todo o corpo de Matthew, drenando sua mana e energia vital.

Isso se se os golpes realmente acertassem.

O corpo de Matthew podia mudar — sólido, líquido, gás — e os golpes de Eliot lutavam para encontrar alguma resistência.

Ele ia perdendo, devagar, mas sem parar.

BOOM!

A punhalada de Eliot explodiu contra o espaço quando tentou acertar o queixo de Matthew, mas Matthew se abaixou, deslizou de lado e contra-atacou com um soco no abdômen de Eliot. Sua mão vacilou — líquida, depois gasosa — e penetrou no corpo de Eliot. Uma vez lá dentro, solidificou-se, agarrando os intestinos de Eliot e fazendo-o tossir sangue.

Grudando os dentes, Eliot tentou impor um cotovelo contra o crânio de Matthew, mas Matthew se liquefez e escorregou de seu alcance.

As sobrancelhas de Eliot se franziram, seus olhos se estreitaram de dor, enquanto olhava para Matthew, agora a alguns metros de distância.

Matthew sorriu para ele. "Você cometeu um erro muito estúpido ao se aliar aos Warborn."

"Se quisesse restaurar sua casa caída, deveria ter escolhido aqueles com poder de verdade, com mentes fortes," zombou.

O corpo de Matthew quase não tinha ferimentos, enquanto Eliot sangrava por todos os lados.

Eliot pensou em usar seu Domínio, mas sabia que não venceria o de Matthew. Seria inútil.

Precisava de algo mais. Não queria usar toda a força do seu reino de Epíteto agora, não se fosse para acabar exausto e sem nada.

'Uma oportunidade. Preciso tocá-lo tempo suficiente. Tempo suficiente para que o Espinho se funda bem fundo.'

Então, uma ideia brilhou na sua mente.

"Ainda não está tudo perdido," disse Matthew com uma confiança esmagadora. "Você ainda pode aceitar nosso convite."

"Assim que Waverith cair — e vai — vamos te conceder um Domínio para governar. Os Warborns não podem nos igualar. Eles lutam selvagemente no começo, movidos pela raiva, sede de sangue, excitação… mas essas coisas se esgotam. Sempre se esgotam. E a guerra não se vence em um dia ou dois. Perderão força e acabarão morrendo, como os patéticos idiotas que são."

Matthew sorriu amplamente.

Ele claramente era um daqueles que se ajoelharam voluntariamente perante os Cerveau, aceitando a superioridade dos tiranos de cabelos azuis e acreditando na mentira de que nem todos os homens foram feitos iguais.

Aceitavam sua condição de inferiores, mas acreditavam que isso os tornava os maiores entre os escravos.

Que modo mais patético de se enganarem.

Assim, Matthew permaneceu ali, seu corpo fluindo sem esforço entre líquido, gasoso e sólido, falando de um futuro brilhante sob a sombra de Cerveau.

Eliot apenas escutou em silêncio, até finalmente balançar a cabeça, com a voz fria.

"Você é bem barulhento. Mas é só um escravo," disse. "E eu não converso com escravos."

A face de Matthew se torceu de raiva, feia com ódio. Ele rosnou: "Vou mostrar do que um escravo é capaz, seu idiota."

No próximo instante…

"Ativação do Domínio — Domínio da Transmutação."

O espaço ondulou como água.

O ar endureceu em aço.

Partículas dos elementos seguiram ao vapor, fervendo como gás.

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