Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 255

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

O espaço estava tomado por inimigos de todos os lados, vestidos com armaduras azuis, armas prontas para derramar sangue, olhares desprovidos de toda vontade.

Era uma sala imensa e ampla, que lembrava o hall de espera de um hotel de luxo, mas aqui, ela funcionava como nada menos do que um vestíbulo para o além.

Ruína observava as figuras que o cercavam, sua máscara ensanguentada escondendo um rosto esculpido em pedra, enquanto apertava o aperto ao redor da grande espada negra até o metal ranger com um leve estalo.

À sua frente havia um homem de estatura igual, ombros largos e musculosos, cabelos azul-marinho caindo sobre olhos verdes afiados, uma corrente grossa enrolada na mão, repleta de espinhos perigosos.

Ao contrário dos escravos de olhos vazios ao seu redor, o olhar daquele homem queimava claro, prova de que não era uma marionete doutrinada como os cascos patéticos ao seu lado.

Ele encarava Ruína com desprezo aberto.

"Então os rumores eram verdadeiros," cuspiu, a voz carregada de nojo. "Aquela vadia nos traiu para ficar do seu lado."

Ruína não se incomodou em responder. Simplesmente, avaliou as fileiras de inimigos contra si.

O homem era Grande Mestre. Os escravos ao seu redor eram Mestres. Na teoria, uma luta difícil.

Mas só na teoria.

Ruína tinha ascendido a Grande Mestre ao devorar todas as lâminas que a Abominação tinha ceifado de humanos mortos, e ao consumir as oferendas que Vaela tinha reunido — armas destinadas a uma futura aliança com os Guerreiro de Guerra.

Ele devorou todas, e através desse banquete tornou-se Grande Mestre. Não um comum. Uma fera ainda mais forte do que fora na masmorra.

Mais rápido. Mais forte. Mais mortal.

Calmo, Ruína levantou sua grande espada e a apontou para o homem que zombava dele, certo da vitória porque ele estava sozinho.

"Mar de sangue," rosnou Ruína. No instante seguinte, um estrondo ensurdecedor partiu o ar enquanto ele avançava, não contra o Grande Mestre, mas contra os Mestres ao redor.

Sua espada varreu para baixo, atingindo um grupo de seis que se arriscavam a bloquear em desespero cego. Inútil.

Sua lâmina cortou-os como uma faca quente em manteiga, rasgando o chão com um terremoto. No momento em que o aço tocou a pedra, Ruína já tinha desaparecido, rasgando em direção ao próximo grupo, deixando para trás um géiser de carne e pedra que explodiu para cima, pintando o teto branco com sangue enrugado.

Ele colidiu com outro grupo de Mestres, suas orelhas tremendo, e imediatamente se abaixou. O ar acima gritou enquanto uma corrente pontiaguda rasgava nele, não apenas o ar, mas também os escravos infelizes no caminho.

"VAI-SE FODER!" gritou o Grande Mestre Cerveau, a fúria cegando-o, tempo suficiente para Ruína agarrar a corrente em retirada. Com força monstruosa, desviou-a da rota e a lançou de lado contra outra onda de Mestres carregando, com olhos vazios brilhando com determinação oca enquanto a arma os atravessava.

Mas Ruína não tinha terminado.

No alto, lanças negras materializaram-se como uma avalanche de morte, corroendo o próprio ar. Num piscar de olhos, caiu sobre o desorientado Cerveau e seus mortos-vivos, como uma enxurrada de destino funesto.

Súbitas gritos rasgaram a câmara enquanto as lanças prendiam corpos, estilhaçavam ossos e mergulhavam o chão em rios de sangue.

Ruína permaneceu no meio do carnificina, silencioso e imóvel. Baixou o olhar para uma poça de sangue que tremia.

A expressão dele se aprofundou. Insatisfação. Queria mais. Não uma poça—um oceano.

Uma tosse irregular quebrou o silêncio enquanto o Grande Mestre se arrastava para ficar de pé. Passos pesados ecoaram logo depois, indicando reforços se aproximando.

"Mar de sangue," sussurrou Ruína novamente, com o rosto mascarado, impassível. O teto escureceu mais uma vez sob uma tempestade de lanças negras.

Kni Cerveau amaldiçoou alto ao ver aquilo. Mas, lá no fundo, não sentia medo de verdade. Comandava escravos infinitos dispostos a morrer por ele. A vitória era certa.

Ele se ergueu completamente, a corrente se enrolando em seu punho.

"Vamos ver quanto tempo você aguenta," cuspiu, já convocando seus escravos para protegê-lo.

Ruína apenas balançou a cabeça.

"Vou durar enquanto meu Senhor durar," disse, mudando a postura.

"E meu Senhor não pode morrer."

No próximo instante, ele estava ali, sobre Kni. Sua grande espada rasgou os escravos que avançavam enquanto seu punho golpeava a têmpora esquerda de Kni com furor ensanguentado.

O crânio de Kni rachou, seu olho esquerdo explodiu numa enxurrada de gore, seu rosto se contorceu grotescamente enquanto caía no chão, o mármore se partindo em uma tempestade de escombros.

Expressão de Ruína nunca mudou.

"Mar de sangue."

Ruína não foi o único a afogar seus inimigos em sangue sob o Véu Carmesim.

A Abominação fazia o mesmo. Ela apareceu num vasto campo aberto, ladeado por fileiras de celas de ferro.

Dentro de cada cela, crianças choravam. Vozes rasas de terror, implorando por liberdade ou, ao menos, pela misericórdia da morte.

Assim como Ruína, ela foi cercada no momento em que chegou, como se seus inimigos estivessem à sua espera. Um sorriso largo e satisfeito se espalhou por seu rosto enquanto seus olhos se fixavam na Grande Mestre diante dela — uma mulher de cabelo azul e olhos negros.

A Abominação inclinou a cabeça, estudando-a. Então, com um tom afiado e zombeteiro, ela balançou a cabeça e falou, sua voz venenosa atravessando o silêncio:

"Você é tão nhanh… feia pra cacete." Ela estremeceu de risos.

As palavras caíram como uma lâmina.

Por um momento, até o tempo pareceu vacilar. Nara Cerveau — Grande Mestre da família Cerveau — congelou, incrédula. Até os soluços das crianças cortaram, enquanto suas mentes jovens tentavam entender o que acabara de ser dito. Uma hesitação de amador.

No instante seguinte, a Abominação estava sobre ela. Com uma mão garras sacou o rosto de Nara, coberto com veneno roxo e pegajoso.

Um grito de banshee saiu da garganta da mulher enquanto sua carne chiava, seu rosto começando a borbulhar e derreter como sal dissolvendo na água.

Um fedor podre espalhou-se pelo ar, espesso e sufocante.

"Meus filhos... levantem-se. É hora de um mar de sangue." A voz da Abominação soou firme, sombria e diabólica.

Nara tentou resistir, mas era tarde demais. Seus lábios derreteram, assim como seus olhos, o veneno penetrando cada vez mais fundo, até invadir seu cérebro e começar a liquefazer até mesmo o pensamento.

Ela não tinha mais boca para gritar, e ainda assim gemeu… um som obsceno aos ouvidos, um choro de quem foi condenado e abandonado.

Ao redor, os escravos permaneciam imóveis, aguardando comando. A Abominação apenas ria, com um som cortante e zombeteiro, enquanto se inclinava perto do grotesco rosto derretido de Nara.

"Grite mais alto, vadia feia! Grite até a garganta apodrecer! Saiba que… toda a sua família miserável vai sofrer o mesmo destino!"

Os gritos de Nara aumentaram de tom, o medo percorrendo suas veias como o veneno que consumia sua cabeça. Logo atrás da Abominação, os mortos arruinaram-se de volta ao mundo por despertar, seus mortos-vivos saindo do campo para massacrar os escravos com a facilidade de agricultores cortando galinhas decapitadas.

A Abominação levantou a cabeça, seus olhos caíram sobre as crianças que a encaravam como se estivessem diante de uma visão monstruosa.

Ela era deslumbrantemente bela, surpreendente até, mas para elas, essa beleza parecia uma máscara, uma enganação destinada a iludir o mundo.

E então, ela sorriu para elas. Doce, quase tender. Mas dentro daquela suavidade havia algo feio.

"Olá, lindinhos," disse, com uma voz suave e melódica, embora sua mão ainda estivesse dissolvendo o crânio de Nara. "Sou a Abominação Mascarada do Véu Carmesim. Venho te salvar pela vontade do meu mestre, O Colheitador."

Ela sorriu mais abertamente, pressionando ainda mais sua palma contra o rosto derretido de Nara enquanto a mulher se contorcia sob seus pés. "Como vocês gostariam de escapar deste lugar comigo?"

Naquele momento — suas roupas como sangue envolvendo seu corpo, sua máscara ensanguentada, seus mortos-vivos urrando e gritando atrás dela, o ar carregado de podridão e desespero — a Abominação parecia menos uma mulher e mais um demônio surgido do mais profundo inferno, pronto para apagar a humanidade.

Mas para as crianças, quando sua voz falava de liberdade… ela se transformava em algo diferente.

O Demônio da Salvação.

E sem hesitar, seus gritos ecoaram — desesperados, ansiosos — implorando para serem levados, implorando para serem salvos.

A Abominação gargalhou, um som selvagem e sem restrições. Ela estava curtindo essa guerra muito mais do que devia.

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