
Capítulo 254
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
A guerra é o inferno.
Kaden não sabia exatamente onde tinha ouvido aquela frase antes, mas nenhuma afirmação poderia ser mais verdadeira enquanto ele observava a cena que se desenrolava diante de seus olhos.
O céu rachava e cintilava com fogo, chamas brancas explodindo pelos céus e tingindo o campo de batalha com uma tonalidade de outro mundo.
O próprio campo de batalha era uma vasta extensão de areia amarela, mas agora poderia facilmente ser chamado de areia sangrenta, tamanha a quantidade de sangue que jorrava a cada segundo.
Uma verdadeira cornucópia de Steelbeasts, suas carnes de aço em chamas, colidiam com soldados que pareciam monstros em si, enquanto se dilaceravam diante de seus olhos.
Os soldados gritavam com fervor, cortando, golpeando e dilacerando as criaturas à sua frente, suas vozes se perdendo no caos enquanto o céu se iluminava com todo tipo de habilidade, pintando a cena como um pesadelo de luz e destruição.
O chão se acumulava, cada vez mais alto, de cadáveres dilacerados — órgãos arrancados, estômagos abertos, rios de sangue fluindo livremente pelo solo.
Era impossível dar um passo sem pisar em um olho ou tropeçar em um rastro de intestinos.
Era loucura.
E, por ora, nenhum dos lados tinha vantagem.
O ar ficava pesado com o odor de ferro e fumaça, mas mais do que isso, com o cheiro sufocante do desejo assassino bruto e desenfreado, que parecia asfixiar o próprio mundo.
Kaden foi obrigado a parar e absorver tudo aquilo. As ondas de choque de cada impacto faziam sua pele estremecer e suas roupas tremularem como uma folha arrastada por um vento tempestuoso.
Ninguém tinha percebido sua presença ainda. Nem ele, nem Daela ao seu lado.
Aproveitaram a breve trégua para vasculhar o campo de batalha, avaliando os pontos estratégicos, calculando onde atacar primeiro, como transformar aquele massacre a seu favor.
Acima, confrontos rasgavam o céu, cada impacto fazendo o espaço tremer até se partir. Fogo branco ardia com tanta intensidade que o próprio ar parecia pronto para explodir, mas ao lado havia um homem de cabelos negros, com um sorriso largo, cuja presença dobrava o espaço como papel, mantendo as chamas à distância sem sequer sacar uma arma.
Kaden finalmente entendeu o poder que seu pai possuía. E isso sem desenhar uma lâmina. Quando o fizesse…
Kaden não tinha vontade de descobrir.
"Onde?" A voz de Daela mal chegava até ele através do coro de gritos e clamores ao redor.
Os Steelbeasts começavam a notar a presença deles. Uma alcateia avançando com velocidade explosiva, patas ardendo, garras estendidas, bocas repletas de dentes pontiagudos como facas.
Daela levantou as mãos e suas espadas gêmeas se materializaram, brilhando com uma promessa fria. Ela ficou pronta enquanto as criaturas se aproximavam.
Kaden sorriu, seus olhos vermelhos se estreitando para um lado específico do campo de batalha, seu sangue fervendo de excitação.
"Tenho um velho amigo para encontrar," disse, com Reditha zumbindo em sua mão.
A projeção carmesim de Reditha emergiu atrás dele, sua forma fantasmagórica envolvendo suas mãos delicadas ao redor do pescoço de Kaden.
Os olhos de Daela se arregalaram de repente em admiração, mas antes que pudesse falar, Kaden murmurou:
"Irmã, estou com você, onde quer que eu esteja."
Então, ele partiu para o ataque.
Reditha reluziu, e todas as Steelbeasts ao redor foram derrubadas, desacordadas, corpos caindo como marionetes com as cordas cortadas.
Sua forma se borrava em rajadas de luz vermelha enquanto zigzagueava pelo enxame, Reditha ceifando cada besta com um único golpe.
Corpos se empilhavam cada vez mais alto. Sangue jorrava em arcs ao seu redor.
Num piscar de olhos, chegou ao centro do campo de batalha e parou.
Gritos de fúria se aproximavam de todos os lados, bestas avançando com bocas abertas, soldados gritando para que ele fugisse.
Kaden não disse nada.
Ele apenas assumiu a postura, os olhos frios, uma mão repousando na empunhadura de Reditha.
A lâmina brilhou vermelho carmesim, depois uma luz negra escorreu sobre ela, fundindo as cores — um vermelho escuro, agressivo — enquanto ele canalizava seus Dois Intintos e sua Marca da Alma na arma.
Quando as bestas estiverem a um centímetro de seu pescoço, ele exalou. O mundo mergulhou em silêncio. Seus olhos tornaram-se serenos, seu foco, absoluto. Nada mais existia além dos monstros à sua frente.
Então, ele inspirou fundo.
Reditha fez um movimento em larga escala, e fontes de sangue explodiram de cada criatura.
"Eco Carmesim."
O sangue suspenso no ar tremeu, depois traçou seus próprios arcos, ecoando seu golpe e exterminando as bestas instantaneamente. Os corpos se desmancharam em pilhas ao seu redor.
Ele não hesitou. Correu na direção dos soldados humanos sendo massacrados como gado.
Dois Grandmasters estavam ali, chamas saindo de seus corpos monstruosos — um azul, outro de um vermelho furioso.
Kaden reconheceu imediatamente um deles. O Grandmaster que o assassinou durante sua tentativa de resgate.
O outro, ele não conhecia, mas pouco importava. Um sorriso cruel se formou em seus lábios enquanto aparecia na frente deles num só sopro.
O Grande Mestre Laye segurava o coração de um soldado, ainda pulsando, em seu punho de aço, as chamas lambendo ao redor enquanto o esmagava sem hesitar, seus olhos ardentes fixos em Kaden.
Ao seu lado, o Grande Mestre Morre rugia como uma fera, seu corpo inteiro consumido por chamas vermelhas, o olhar fixo também em Kaden.
Eles viram seus olhos confiantes e o leve sorriso dimpled, e a fúria deles incendiou-se.
"Sei que você não se lembra de mim," disse Kaden, com voz tranquila. "Mas logo vai lembrar."
Ele estalou os dedos, com cuidado para não ativar o sangue dos soldados humanos.
O campo de batalha congelou por um instante.
Depois, veio a explosão.
Sangue na areia, sangue nas criaturas, sangue no Laye e no Morre — tudo explodiu como fogo na gasolina. Cadáveres dispersos. Carne e armaduras voando em cascatas pelo céu.
Uma onda de choque atravessou o campo, e uma densa neblina carmesim espalhou-se pela terra.
Kaden avançou como um espectro, Reditha rasgando os dois Grandmasters, enquanto rugidos de raiva e dor escapavam de suas gargantas.
Ele seguiu em frente, com a intenção de matar dois Grandmasters mais como um Mestre recém-ascendido do que uma ameaça real.
Ao mesmo tempo, Daela enfrentava outro General — a Steelbeast de chamas rosas, Jeni.
Ela não perdeu tempo com palavras. Partiu direto ao ataque.
Seu chute quebrou o chão ao aparecer diante da Steelbeast, suas espadas gêmeas formando uma tempestade de golpes, o ar chiando como serpentes estranguladas sob o peso de suas investidas.
A batalha virou um caos total.
E o mundo mergulhou ainda mais na loucura.
…
Meris observava curiosamente as duas mulheres de cabelos verdes próximas a ela: à sua esquerda, Lari apoiada no peito, e à sua direita, com uma expressão de ferro.
Notando o olhar de Meris, a mais jovem das duas desviou o olhar e fez uma careta.
"O que você está olhando?" Inara franziu o cenho, incomodada com a atenção de Meris. Ela não era vista como pessoa, mas como uma criatura exótica, um animal estranho sob uma cúpula de vidro.
Isso a irritava.
Medusa já tinha se acostumado ao jeito que os humanos ficavam boquiabertos. Seus rostos não eram comuns. Afinal, eles não tinham caudas como verdadeiros povos de serpentes, nem eram cobertos de escamas. Pareciam muito humanos, e isso os tornava inquietantes.
Seus cabelos eram de um verde luxuriante, não o verde calmo das folhas da floresta, mas a tonalidade venenosa de uma neblina condensada. Escamas brilhavam só em manchas na pele, refletindo verde-esmeralda, olhos em fendas como de serpentes, e suas roupas eram feitas de peles de animais.
Eles eram perigosamente belos.
Inara, em particular, tinha um magnetismo semelhante ao de Kaden, atraente e inquietante, uma beleza que parecia uma armadilha.
Quando Inara fixou o olhar nela, Meris sentiu como se vários olhos observassem-na ao mesmo tempo. A pequena cobra de escamas verdes ao redor do pescoço de Inara tectava a língua, emitindo um aviso silencioso.
Meris apenas sorriu, sem se incomodar.
Ela não respondeu de imediato. Em vez disso, olhou além delas e viu, bem ao longe, um assentamento onde serpentes humanos corriam, gritavam e se preparavam para a guerra que viria.
As quatro estavam escondidas sob um grosso mato de grama da floresta, o peito pressionado contra o chão, suas formas ocultas.
"Então, meninas, como fazemos isso?" perguntou Meris, com voz travessa e cheia de ânsia pelo que estava por vir.
Medusa lhe lançou um olhar, depois voltou a fixar seu foco na frente. "Minha filha já os envenenou. Muitos não lutarão direito."
"Mas há dois na Região do Epiteto, dois no Grande Mestre e muitos no Mestre."
"Vou cuidar dos dois do Epiteto," disse Medusa, com os olhos ardendo como coiledas de miasma.
Parecia que o ar ficava mais pesado, carregado de veneno.
Ela olhou para sua filha. "Você queria tanto a Bety, não? Vá. Ela está no nível de Grande Mestre."
Depois, virou-se para Meris. "Você pode ajudar minha filha nesse objetivo?"
Meris inclinou a cabeça. "Sou apenas intermediária, e você pede que eu mate um Grande Mestre com outra intermediária?" Sua voz reclamava, mas um sorriso largo se abriu na boca dela.
Medusa sorriu de leve. "A herdeira daqueles abençoados pelos elementos não achará dificuldade em matar uma simples vagabunda."
Meris riu. "Está me desafiando?"
Depois, virou-se para Lari. "Você cuida do outro Grande Mestre."
Lari inclinou a cabeça, séria, sem mostrar expressão além da determinação. "Deixarei ela morta rápido e voltarei ao seu lado, minha senhora."
Meris fez um gesto de descaso com a mão, dizendo para ela não se preocupar.
Inara se aproximou de Meris. "Sou Inara Serpentine, Herdeira dos Monstros. Prazer em conhecê-la." Ela sorriu, os olhos brilhando com uma luz monstruosa. "Vamos matar aquela vadia do pior jeito possível!"
Meris sorriu, mas o sorriso era frio, feito de gelo, sem calor algum.
"Sou Meris Elamin, amante de Kaden Warborn, Herdeira da família Elamin. Prazer em conhecê-la, e…"
Elas trocaram expressões instintivamente, refletindo uma na outra.
Frio. Assassino. Monstruoso. Impiedoso.
Que cena aterrorizante: uma, o ventre de monstros; a outra, a personificação do silêncio do inverno, ambas à beira do ralo de sangue.
"Sem misericórdia."
"Sem porra de misericórdia."