Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 253

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

A terra de Waverith tremeu, grãos de areia saltando para cima e para baixo enquanto o som de inúmeras pisadas golpeando o chão ecoava pela fortaleza.

Uma colossal nuvem de poeira se ergueu, envolvendo Waverith como um manto esticado pelas mãos invisíveis, como se quisesse esconder a misericórdia dos deuses da fortaleza condenada.

Todos que tinham casas já estavam trancados dentro delas — escondidos, chorando, agarrados a falsas esperanças. Mas era uma tentativa inútil. Alguns ajoelhavam e imploravam aos deuses que os salvassem do destino que se aproximava, outros empunhavam armas determinados a não morrerem sem resistência, enquanto outros simplesmente se entregavam e aguardavam a morte.

Cada um reagiu de forma diferente, mas irronicamente, seus destinos seriam os mesmos.

Vaela permanecia dentro do território do Cerveau, justamente onde ela e Kaden tinham uma vez desaparecido em um Ninho.

Ao seu redor estavam o Cavaleiro Arruinado, a Abominação Mascarada e o novo familiar de Kaden… a Aranha Necroeramita.

Após sua ascensão a Mestre, Kaden reunira energia suficiente para ressuscitar a Aranha, e ela estava ali novamente, com sua carapaça negra agora marcada por listras carmesim, gravada com o símbolo do Véu Carmesim.

Todos eles usavam máscaras, suas cabeças pintadas da cor de sangue coagulado. Capas vermelhas cobriam seus corpos, cada uma marcada pelos olhos sangrentos e chorosos, capuzes sombreando seus rostos, fazendo-os parecer cultistas insanos dispostos a sacrificar o mundo para o nascimento de algum Deus exterior.

O som distante de exércitos marchando agitava o ar — o trotar de cavalos, o clangor metálico de armas, o rugido de soldados — ecoando como se o próprio céu estivesse despejando pedras sobre eles.

Vaela virou a cabeça abruptamente, percebendo a aproximação de um exército, então voltou a encarar seus companheiros com uma voz calma e serena.

"Não há necessidade de eu acrescentar mais nada. Vocês sabem o que deve ser feito."

Eles balançaram a cabeça. Até a aranha.

A Abominação sorriu sob sua máscara, olhos amarelados-cinzentos brilhando com um prazer maligno. "Matamos o Cerveau e salvamos as crianças?"

Vaela assentiu com a cabeça.

"E se eles ousarem nos atacar, qual será o nosso plano?" perguntou Ruined, sua voz rígida como uma rocha.

"Alguns já estão condenados, suas vontades quebradas e engolidas. Matenha-os e conceda-lhes a misericórdia da morte. Mas aqueles que ainda podem ser salvos… salve-os."

Um sorriso maldoso se desenhou sob sua máscara.

"Minha querida Ceifadora quer ser uma heroína."

Ruined rangerou, mas manteve a língua calada.

"Uma heroína que devora," riu a Abominação.

Vaela puxou um pequeno frasco e deu a cada um uma garrafinha de seu sangue, depois derramou o próprio no chão. A terra brilhou de azul.

"Oceano de Sangue", ela sussurrou antes de desaparecer.

"Oceano de Sangue", ecoaram os outros.

De repente, os três se moveram rapidamente, apósimagens se dividiram pelo chão rachado enquanto sua velocidade destruía a terra, pedras explodindo atrás deles ao se lançarem em direção aos seus Ninhos designados, olhos frios, ansiosos para matar.

Especialmente a Abominação. Especialmente a Aranha.

Vaela reapareceu na sala branca e estéril onde tinha entrado uma vez antes, mas desta vez seu corpo se tornou rígido instantaneamente.

Alguém mais havia ali.

Um idoso recostado na cadeira principal, pernas apoiadas na mesa, bengala ainda segurada preguiçosamente na mão enrugada, seus olhos fechados como se estivesse dormindo.

Sensing sua presença, ele virou a cabeça lentamente. Olhos neon azuis fixaram nos dela. Um sorriso sem dentes se abriu em seu rosto.

"Estava esperando por você, garotinha," ele raspou, sua voz rangente como uma porta de madeira numa noite de tempestade.

"Mudei de estilo, hein? Sua mãe ficaria desapontada."

Vaela cerrava os punhos de modo a as unhas cortarem sua própria pele. Seus olhos ardentes pareciam prontos para cuspir veneno.

"…Pai," ela disse com frieza.

O sorriso do Cerveau se alargou.

"Venha dar um beijo no papai, garotinha."

Em outro lugar, os demais membros do Véu Carmesim invadiram seus Ninhos designados… cada um já protegido, cada um uma armadilha armada com calma sombria.

Mas eles mal se importavam.

Os seguidores do Ceifador começaram sua matança.

Acima da mansão do Cerveau, o céu se rasgou como uma cortina aberta, e de sua costura desceu uma mulher.

Seu cabelo vermelho esvoaçava atrás dela como uma cascata de sangue, brilhando fracamente, chicoteado pelo vento.

Ela vestia armadura negra que aderiam ao corpo como uma segunda pele, cada curva visível, embora a intenção de matar que emanava dela fosse tão densa que parecia sufocar o mundo.

Seus olhos negros varreram a mansão abaixo, onde três figuras esperavam: Neron, Ziriel e Calix, seus olhares frios e implacáveis.

Ao redor deles estavam não só o Cerveau, mas vassalos de outras casas também, armas erguidas, rostos destituídos de emoção… era um exército preparado para morrer.

Os lábios de Serena se curvaram em um sorriso amplo e insano.

"Tudo isso por mim? Por favor, vocês não precisavam. Estou ficando emocional." Suas palavras derramaram doçura, mas suas ações traíam a verdade.

Ela estendeu a mão.

Um lança preto apareceu, longa e impossivelmente fina, com uma ponta serrilhada como dente de tubarão. Runas vermelhas se contorciam ao longo de seu eixo como cicatrizes vivas.

O espaço ao redor dela se dobrou de medo. Paredes se distorceram, objetos desapareceram em nada, engolidos por mandíbulas invisíveis.

'Serena, sem misericórdia hoje?'

A voz da lança — Nixie — sussurrou na mente dela.

Sorriso de Serena se alargou. "Nenhuma. Hoje é dia de carnificina. Vamos pintar esta mansão de vermelho para os deuses admirarem."

Nixie tremeu de prazer.

Num instante, Serena girou com graça feroz e arremessou a lança.

Ela rasgou o céu, gritando como uma banshee, detonando o ar atrás de si em uma trilha de ondas de choque explodindo.

Atingiu a barreira invisível do Cerveau, devorando-a por completo, e caiu na mansão com força apocalíptica.

Carne, sangue, osso, intestinos e pedra explodiram no ar como um mural grotesco pintado pelos céus por uma deusa insana. Gritos de dor quebraram o silêncio.

Serena jogou a cabeça para trás e riu, então desceu rapidamente com sua lança na mão, olhos negros fixos em Neron, Ziriel e Calix.

"VENHAM! VENHAM TODOS JUNTOS!"

Sua voz retumbou no ar como maré tempestuosa.

Os três do Cerveau não recuaram. Ajustaram suas posições, frios e distantes, enquanto uma onda de escravos de nível mestre e grande mestre avançava para protegê-los.

Logo atrás de Serena, o exército de Elamin chegou, seus estandartes tremulando como facas no vento.

A batalha de Serena tinha começado.

Selva.

Kaden apareceu no coração do acampamento militar. E, imediatamente, percebeu…

O chão treme com cada impacto de punhos monstruosos, explosões como erupções vulcânicas e a risada insana de duas bestas monstruosas ecoando pelos sertões.

'O pai já está saindo do controle. Preciso correr.'

Ao redor dele, restavam apenas alguns soldados. Seus olhos brilhavam com uma loucura quase contida enquanto esperavam ansiosos para serem libertos. Quando o viram, seu fervor aumentou, e eles se curvaram profundamente.

Kaden assentiu uma vez e caminhou até a maior tenda carmesim no centro do acampamento.

Dentro, Daela estava sozinha, limpando suas espadas gêmeas com delicadeza e precisão.

Reditha pulsava em sua mão, vibrando em saudação às lâminas.

"Sua namorada acabou de partir," disse Daela friamente.

Kaden sorriu discretamente ao se aproximar. "Para onde ela foi?"

"Com a rainha das cobras do passado e sua filha. Elas estão conosco agora, após jurarem lealdade durante a guerra. Foram juntas à tribo das cobras para matar."

"Ah? Traição entre cobras? Encaixa." Kaden riu com graça.

Daela fez uma pequena reverência, depois se levantou e deu passos em direção a ele até estar a poucos centímetros. Ela era mais alta que o irmão, olhava para ele sem piscar.

Kaden achou isso fofo.

"Vamos marchar para o campo de batalha. Será sua primeira guerra," ela disse.

"Bem… não exatamente a primeira, na teoria."

Daela ignorou suas palavras.

"Não quero que morra, maninho."

"Não vou." Sua voz permaneceu firme. "Você lembra o que te falei na minha primeira missão, quando veio comigo?"

Resposta de Daela foi imediata. "Você disse que a morte é uma amiga sua."

Ela nunca esqueceria nenhuma das palavras dele.

"Então você já tem a sua resposta." Ele riu. "Então, não se preocupe, irmã. Seu irmão não vai morrer."

Ele levantou a mão, colocou um dedo em sua testa.

"E você, irmã, também não vai morrer. Nenhuma de vocês."

Daela permitiu-se um sorriso invisível, quase imperceptível.

"Por quê?" ela perguntou, meio curiosa, meio divertida.

Kaden virou-se, seus passos levando-o adiante, sua voz cortante como o aço deixado para trás.

"Porque a Morte é uma amiga minha, irmã."

Daela riu suavemente, seguindo-o para fora.

"Venha, irmã. Temos bestas para slaughter."

E assim partiram.

—Fim do Capítulo 253—

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