Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 260

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Mayari permaneceu lá, leve como uma pluma, encarando duas entidades. Uma era o jovem loiro que a ameaçara, chamado Levi, e a outra era a idosa Cylin Tori, aquela que havia se aproximado do Warborn apenas para encontrar um território árido, devastado pela seca e carente de carne humana.

Ao redor deles, relâmpagos púrpuras piscavam e atingiam constantemente, como se a ira de um deus estivesse descendo sobre os mortais.

O odor inconfundível de queimado persistia no ar.

Sob seus pés, a guerra ainda rugia. Encantamentos pintavam o céu, transformando-o em uma cornucópia de destruição que fazia cada homem comum, que estivesse ao alcance, acreditar que o mundo estava desmoronando. E, pouco a pouco, o rio de sangue se ampliava até se transformar em um oceano de sangue.

Mayari sabia muito bem que mais da metade daquele sangue pertencia aos membros de sua própria família.

Ela cerrara os punhos com força a ponto de estalar, um som semelhante ao trovão rasgando o céu. Seus olhos lançavam relâmpagos densos e roxos enquanto ela fixava o olhar em Levi e Cylin diante dela.

"Não há necessidade de nos encarar assim," disse Levi, sorrindo de lado, os olhos carregados de um brilho condescendente. "Nós te avisamos, Matriarca Elamin."

"Mas, ao invés de aceitar de coração aberto nossa oferta," ele zombou, "você decidiu se opor a nós. Que decisão tola e decepcionante."

Cylin sorriu, seus dentes brancos e nítidos, apesar da idade. "O Cerveau será o novo governante absoluto de Waverith."

Sua voz transbordava de uma confiança irracional.

"E não vamos matá-los. Vamos quase te dar uma surra até te levar até ele. Lá…" ela sussurrou, como se temesse que os próprios deuses pudessem ouvir sua blasfêmia,

"lá faremos de você… de nós. Sua mente será controlada. Seu corpo não será mais seu. Toda a sua vida pertencerá a ele. Você será a marionete do Lorde Cérebro, seu mensageiro no mundo novo que ele construir."

Suas palavras transbordavam de fanatismo.

Não só sua voz, mas até seus olhos estavam vidrados, vazios e extremamente assustadores. Os olhos de Levi eram os mesmos.

A pele de Mayari se arrepiou de nojo. Seus sobrancelhas se franziram, e seus lábios se comprimiram em uma linha fina.

"Você não vai vencer," ela resmungou.

"Vocês não podem se opor a nós dois. Estamos na Dimensão do Epiteto assim como vocês," disse Levi. "Aceite o destino. Aceite o acaso."

Ele abriu os braços amplamente, os olhos estreitando-se de alegria. "Você não consegue perceber como seus soldados morrem como porcos miseráveis? Não vê que esse oceano de sangue existe só por causa deles?"

"Como se sente, Mayari? Como?"

Ele gritou, e os soldados abaixo ouviram-no. Pararam, seus olhos encheram-se de medo, de desespero.

"Seus soldados poderiam viver mais um dia, perseguir seus sonhos, até desenvolver novos com sua decisão."

Cylin interveio. "Ao se render, você salvará a vida desses soldados que juraram lealdade a você, que estavam prontos a morrer por você." Ela virou-se para o exército. Alguns soldados tinham uma esperança reluzindo nos olhos ao olharem para Mayari.

Ninguém queria morrer. Na verdade, nem mesmo sabiam por que lutavam naquela guerra. Viviam suas vidas tranquilamente antes de receberem a ordem de marchar rumo ao desastre inevitável.

Eles não queriam isso. Estavam com medo. E, por isso, imploraram a Mayari. Gritaram para ela se render, aceitar a proposta e acabar com o que acreditavam ser mortes desnecessárias.

Sua vontade já estava fraca, e com a esperança de sobrevivência pendurada na cabeça, agarraram-se a ela sem hesitar.

E justo então, como se o destino estivesse traçado, os exércitos de Caelion apareceram no campo de batalha. Suas cabeças emolduradas pelo vermelho, como uma floresta em chamas, com olhos de esmeralda brilhando, marcharam lentamente com um homem que se parecia assustadoramente com Zaki, sentado a cavalo vermelho adornado de ouro.

Ele apareceu ao lado do exército inimigo e ficou ali silencioso, observando Mayari com uma expressão neutra.

Os Caelion haviam traído os Elamin.

Era claro.

Além disso, o timing de sua chegada foi perfeito, deliberado, combinando com as palavras de Levi e Cylin. Essa traição foi premeditada.

E agora, com Caelion se unindo aos inimigos, centenas de combatentes armados e os soldados Elamin lentamente abaixaram suas armas, ajoelhando-se na vastidão de sangue.

Eles se rendiam.

"VOCÊS! TRAIÇÃO! ousem?" gritou um dos comandantes Elamin, sua voz tremendo apesar da raiva que carregava. Mas foi tudo o que conseguiu. O choque o silenciou.

Como poderiam se render tão facilmente? Só porque apareceram mais inimigos?

Foi nesses momentos que se entende o terror do Warborn. Pois, se fosse eles, ninguém teria cedido.

Alguns poucos soldados Elamin que ainda seguravam suas armas sentiam vergonha e raiva pulsando em seus corações.

Mayari observava tudo com seu olhar severo habitual. Se ela estivesse decepcionada ou furiosa, isso não transpareceria. Seus olhos fixaram-se em Landry Caelion.

"Você me traiu?" ela perguntou com tom neutro, sem se preocupar com os soldados que haviam se rendido.

Landry deu de ombros. "Eles pagaram mais."

Mayari sorriu, mas sua expressão virou uma frigideira de gelo. "Espero que tenha sido suficiente para organizar um funeral digno."

O céu escureceu imediatamente, a luz sendo engolida por nuvens de tempestade carregadas de relâmpagos púrpuras tão opressivos que fizeram todos que olhavam para cima tremerem.

"Vocês disseram que também estão na Dimensão do Epiteto?" a voz de Mayari era como um relâmpago. Na verdade, ela não falava; o relâmpago ao seu redor falava por ela.

Seu propósito era fazer tudo.

"Devem ser idiotas por achar que somos iguais só por causa disso. Eu sou Mayari Elamin…"

CRACK—!

Os céus rangiam com relâmpagos enquanto o território Elamin se transformava em um casulo de supressão, tecido de raios infinitos.

"Sou a Abençoada pelo Relâmpago, aquela que obteve a Semente do Relâmpago, a que conquistou o Trono do Relâmpago e se tornou sua Rainha. Eu sou…"

O corpo de Mayari se transformou em pura relâmpago roxo. Do cabeça aos pés, do cabelo aos órgãos e coração, ela virou a encarnação do relâmpago.

Ela não era mais humana.

Seus olhos ardiam em forma de raios enquanto ela olhava fixamente para Levi e Cylin.

"Eu sou a Luz do Relâmpago."

"E todos vocês vão morrer hoje. Traidores, covardes, escravos… todos vocês…"

Suas palavras rufavam como trovões, e num piscar de olhos ela apareceu na frente de Landry Caelion. Sua velocidade superava qualquer raciocínio. Sua imagem refletida ainda pairava no céu, encarando Levi e Cylin.

Sua mão se enrolou ao redor do pescoço de Landry como uma serpente, e…

"…você é o primeiro, traidor."

CRACK—!

"AARRRGHHH!!!" gritou Landry enquanto a relâmpagos de Mayari queimavam-no de dentro para fora, reduzindo-o a poeira que se dispersou pelo vento turbulento.

Todos ficaram chocados.

Porém, a ira de Mayari não se extinguia. Os céus despejavam raios como cataratas, exterminando traidores e inimigos com cada golpe unicamente.

Mayari se moved novamente, aparecendo atrás de Levi e desferindo um golpe. Sua velocidade era incompreensível, mas o corpo dourado de Levi bloqueou o ataque — apenas para ser lançado como um brinquedo de pano, destruindo as fileiras de soldados e espalhando carne desfeita por toda parte.

Cylin grunhiu, ossos surgindo de seu corpo em ondas, mas eles atravessaram Mayari como se ela fosse invisível.

Mayari permaneceu imóvel. Apenas estalou os dedos, e um relâmpago caiu do céu, atingindo Cylin antes que ela pudesse reagir.

Agora, Mayari permanecia só, no alto, cercada por relâmpagos de todos os lados como uma Deusa da Ira. Seus olhos em forma de relâmpagos encararam as duas no chão, que lutavam para se levantar, com os corpos queimados e destruídos.

As expressões deles eram sérias.

"Vai em frente," disse Mayari. O céu ribombou, e homens desfaleceram com o som que, por si só, parecia fry suas mentes.

"Ativem seus Domínios. Ativem os Aspectos de seus Epitetos."

"Você acha que não vamos?" zombou Levi, seu corpo dourado brilhando como um sol. Mas, dentro do campo de relâmpagos de Mayari, parecia mais com metal esperando ser derretido.

Mesmo assim, não hesitaram.

"Ativação do Domínio — Túmulo de Ossos."

"Ativação do Domínio — Cidade de Ouro."

O campo de batalha mudou à medida que seus domínios se expandiam, mas…

Mayari levantou um dedo ao céu, fixando o olhar neles, sua voz retumbando como os céus próprios.

"Julgamento dos Céus."

Ela abaixou o dedo.

O mundo parou.

Acima, um colossal dedo feminino com unha afiada, feito de relâmpagos roxos que se contorciam violentamente, desceu dos céus. Sua velocidade era paradoxal… lenta demais para ser real, rápida demais para compreender.

Levi, Cylin e seus exércitos ficaram imóveis enquanto o dedo caía, o horror surgindo à medida que percebiam que aquilo era apenas a intenção de Mayari, nem mesmo seu domínio, nem mesmo seu Epiteto.

Seus corações pararam.

"Senhoras do Céu… que monstro—!"

BOOOOOOOOOOOOOOMMMM!!!

—Fim do Capítulo 260—

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