
Capítulo 241
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Era uma visão curiosa. Mas, de alguma forma, era realmente impactante.
Não apenas pelo cenário em si, mas também pelo jovem.
Ele tinha cabelos longos e luxuosos, negros como as asas de um corvo, presos com uma presilha vermelha, deixando seus olhos carmesim brilharem como um vasto oceano de fogo vermelho sob a luz do sol amarelo, que caía sobre seu rosto.
Seu rosto era simétrico, com um nariz afiado e bem definido, perfeitos para suas feições quadradas. Seus lábios não eram nem finos nem cheios, tinham uma forma equilibrada, sua tonalidade rosa suave contrastando de forma marcante com a frieza de seu olhar.
Qualquer garota teria sonhado em provar aqueles lábios pelo menos uma vez. Infelizmente, a aura do homem não convidava proximidade.
Era uma presença fria, letal, cheia de uma fome disfarçada. Estar perto dele era como estar ao lado de um predador que te despiu até não sobrar nada de você. Era como um corvo empoleirado ao entardecer, bicando vorazmente tanto os vivos quanto, principalmente, os mortos.
Logo atrás dele, uma figura vermelha, fumegante, com a forma de uma mulher, se agarrava aos seus ombros, suas mãos envoltas em volta do pescoço dele, o queixo repousando nele, como se sussurrasse tentações infinitas ao ouvido dele.
Ele estava sentado sobre uma rocha enorme — cerca de três metros de altura — com a perna direita lançada casualmente por cima da esquerda, enquanto a outra balançava no ar, ao ritmo despreocupado.
Sobre seu colo, repousava uma katana vermelha, que ele acariciava com uma delicadeza deliberada, seu rosto calmo e relaxado, apesar da aura assustadora que emanava dele.
Sim, era Kaden Warborn.
E o homem tinha ficado ainda mais atraente após sua ascensão ao nível de Mestre. Agora, havia algo nele que não era apenas atraente, mas quase sobrenatural, como se o próprio destino o tivesse esculpido para ser irresistível, inesquecível, perigosamente sedutor.
Um perigo irresistível.
Um tipo de atração que só Meris Elamin ousou beijar. Garota corajosa. Ser honesta com seus sentimentos parece ter sido a decisão certa no final das contas.
'Reditha, consegue se acalmar?' murmurou Kaden, enquanto ela fazia bico, fofamente, contra ele.
'Quero só usar a nova habilidade que conseguimos. Vamos matar e testar,' implorou, apertando-o mais forte, e seu brilho vermelho aumentava.
Reditha era grudenta, inquieta, sempre tentando impor sua vontade a ele.
'Você só quer devorar eles.'
'Isso, e também experimentar a nova habilidade,' ela admitiu sem hesitar.
Kaden balançou a cabeça com um sorriso suave. Na verdade, ele também queria experimentá-la.
A habilidade se chamava Promessa de Sangue.
Seu funcionamento era simples, claro por seu nome: ao misturar seu sangue com o de outra pessoa, ele podia fazer um juramento. Os termos eram suas regras, e a punição pelo descumprimento também ficou a cargo dele.
Era como os contratos de A Vontade, só que agora, as regras eram dele.
E, não só essa nova habilidade, mas suas habilidades antigas também estavam mais afiadas. Agora, ele podia manipular o sangue interno dos outros com maior controle. Por enquanto, era desajeitado, mas com prática, via-se dominando a técnica.
Ele já se imaginava caminhando calmamente por um campo de batalha, enquanto corpos explodiam ao seu redor, sangue inundando o chão, e ele colhendo tudo com a boca aberta.
'Tô ficando meio doido,' riu consigo mesmo.
Sua Chama do Sangue também tinha ficado mais terrível, agora capaz de queimar a expectativa de vida daqueles do Reino do Epíteto, embora fosse mais efetiva contra Grande Mestres.
E sua Vontade — esse instinto voraz — tinha se tornado mais aguçada, alimentando-se tanto de sangue quanto de alma, fortalecendo não só seu corpo, mas também seu espírito.
Ele ainda descobriu um jeito de aumentar o poder da alma.
Estava feliz. O que ele precisava era devorar.
Quanto mais devorava, mais sua Vontade crescia. E, quanto maior ela ficava, mais forte ele se tornava. E, com ele, Reditha também crescia.
Tudo mais forte. Todo mundo feliz.
Exceto seus inimigos.
Ele agora era uma ameaça. Um Mestre diferente de tudo o que já tinha sido visto.
'Você está me ouvindo, Mestre?' Reditha puxou-o novamente.
Ele assentiu lentamente. 'Estou. Mas deixa eu acabar com esse monte de pedra primeiro.'
Justo quando falou isso, uma voz que parecia sacudir a terra ecoou pelo bosque de árvores de folhas vermelhas.
"Até quando você vai ficar na minha cabeça?"
Kaden baixou o olhar e viu um par de olhos vermelhos brilhando para cima, encarando-o do gigante de pedra em que estava sentado. Estranhamente, não havia hostilidade neles.
Isso intrigou Kaden. "Você não parece muito incomodado pelo fato de eu estar aqui, saco de pedras. Espera… você tem uma fixação por ficar sentado?" Sua voz se transformou em repulsa.
A face de pedra do golem tremeu. Difícil dizer com rocha, mas a indignação preenchia sua voz.
"Não me difame, garotinho. A única razão de eu tolerar isso é porque você carrega a benção do meu amigo. Senão, você já estaria uma meleca de carne espalhada pelo chão."
Kaden sorriu suavemente ao ouvir aquilo.
'Então ele consegue perceber, hein.'
"O que você acha que pode fazer comigo?" disse Kaden, tranquilamente. "Agora sou um Mestre, rochoso. Tenho certeza de que posso encarar você sem suar."
O apelido fez o golem estremecer de novo. Mas, mais do que isso, foi a confiança na voz de Kaden que o surpreendeu. Contra seu próprio julgamento, ele se viu acreditando naquilo.
Pois, afinal, esse era quem tinha recebido a benção de uma Maravilha, e a mais difícil de agradar de todas.
Sua presença já superava a de muitos Mestres que o golem conhecera.
"Aquele bastardão me deixou aqui, e ainda consegue me incomodar dando confiança a garotos insolentes," resmungou o golem, sombriamente.
Kaden ignorou a reclamação. "Você não sabe onde está meu mestre?"
" acha que se soubesse, eu estaria preso aqui o tempo todo?" retrucou o golem. "Esperava que quem passou pelo teste resolvesse me guiar até ele."
Infelizmente, Kaden também não sabia.
Por um momento, silêncio. Depois, Kaden falou novamente.
"E agora? O portal desapareceu. Você não tem mais nada para proteger."
"Vou vagar," respondeu o golem. "Perdi muito tempo. Quero reaprender o mundo. Talvez, nesse processo, ache alguma pista sobre ele."
Kaden levantou-se, Reditha recuou, entrando novamente em seu interior, e pulou para baixo com um impacto silencioso, seus pés tocando suavemente o chão, e seu corpo quicando levemente antes de virar-se para encarar o gigante.
O golem era enorme, seu corpo de pedra coberto por tatuagens vermelhas que pulsavam suavemente, dando-lhe uma aparência impressionante e assustadora.
Kaden sorriu de leve.
"Você parece perdido, rochoso. Que tal vir comigo?"
As sobrancelhas inexistentes do golem se ergueram levemente, seu rosto de pedra torcendo-se.
"Ir com você para onde?"
"Criei uma organização," respondeu Kaden tranquilamente. "Uma que atua quando eu não posso e que reúne informações dos dois mundos."
"Já tenho três membros. Você vai gostar deles, são um grupo e tanto. Então, venha fazer parte. Você seria uma adição valiosa."
O golem parecia ponderar, embora sua postura demonstrasse pouco entusiasmo pela ideia de juntar-se a um grupo assim.
Kaden percebeu e insistiu.
"É uma organização que lida com informações em ambos os mundos. Duvido que você tenha acesso ao Darklore. Além disso, temos um Vidente conosco, um Vidente do Reino do Epíteto. Você terá muito mais chances de encontrar meu mestre conosco."
Agora, o interesse do golem se acendeu. Seus dentes amarelos e irregulares brilharam quando ele sorriu.
"Perfeito. Perfeito! Um Vidente? Você acertou em cheio, herdeiro da Morte. Videntes são raríssimos."
Ele riu alto, o som ressoando até o vento que uivava como lobos sob a luz da lua.
"Preciso levar algo? Tem algum rito de passagem?"
Kaden sorriu com malícia.
"Não. Nada disso. Para fazer parte, você só precisa de um nome em código e uma máscara."
Ele estalou o pescoço, acrescentando: "Mas primeiro, encolha seu corpo. Não estou acostumado a levantar a cabeça só pra olhar alguém."