
Capítulo 242
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
—Por favor, não me olhe dessa forma. As pessoas vão pensar que estou inventando um nome de código ruim para você, — Kaden falou com lábios trêmulos ao perceber o olhar vazio de Rocky.
Ele ainda não sabia o nome dele. Nem se tinha algum. Então, chamou-o de Rocky.
Eles estavam sentados à mesa de pedra. Mas à primeira vista, não pareceria; o design era intrincado, liso como madeira polida, com árvores delicadamente esculpidas na superfície.
Cada um tinha uma xícara de chá fumegante na frente, o aroma perfumado de jasmim preenchendo o ar, aquecendo a atmosfera, envoltos numa paz enganosa.
—Como você diz que um feixe de pedras não é um nome ruim? — Rocky resmungou. Agora, parecia um homem alto e corpulento, de pele morena com tatuagens vermelhas, cabeça raspada e olhos vermelhos que brilhavam.
Ele tinha uma beleza estranha. Mas não era surpresa; Kaden nunca tinha conhecido um despertado feio, quanto mais um grande mestre feio.
—Você não é um feixe de pedras? — questionou Kaden, inclinando a cabeça com genuíno espanto.
—Acho que é bastante descritivo, camarada.
—Esse não é o ponto, garoto. Preciso de um nome de código que seja digno de um mito, — Rocky retrucou.
—Como o Escravo Invicto? Foi um nome que o mestre escolheu para si ou foi dado por A Vontade? —
—Garoto, — Rocky insistiu, acentuando a palavra com peso, — quem chamaria a si mesmo de Escravo?
Kaden deu de ombros, tomou um gole do chá. —Os mundos estão cheios de pessoas questionáveis. Não ficaria surpreso se alguém se chamasse de O Sábio, mesmo sendo o maior idiota a pisar nesta terra.
—Isso foi desnecessário, — murmurou Rocky.
—Eu sei, — Kaden riu de leve.
—Mas tenho uma pergunta que vem me martelando desde que completei minha missão. A Vontade disse algo como 'O Herói está te observando.'
De modo sutil, quase imperceptível, Rocky estremeceu ao ouvir o nome de O Herói.
—Você sabe alguma coisa sobre esse Herói? — finalmente, Kaden perguntou.
Rocky ficou em silêncio por um longo momento, então falou.
—Você já deve estar ciente das Sete Maravilhas. — Sua voz tinha um tom estranhamente sério. — Eu não conheço todas, mas sei de três. Pelo menos, sei seus títulos.
Depois, ele sorriu, exibindo dentes amarelos que brilhavam de forma estranha, quase dourados sob a luz, bonitos, mesmo com tudo o que se poderia esperar.
—E você provavelmente já sabe que um título é metade da essência de quem o carrega. —
Kaden assentiu, olhos vermelhos brilhando de interesse. Seu mestre lhe dissera para aprender tudo o que pudesse, e ele pretendia obedecer.
Assim, com entusiasmo na voz, perguntou: —Diga. Quem são eles? Quais são seus títulos? —
Reditha apareceu por trás dele, envolveu seus braços ao seu redor como sempre, seu queixo pressionado contra seu ombro, como se não aceitasse outro lugar além deste.
Rocky falou:
—O primeiro você já conhece. O Escravo Invicto. Seu título diz bastante. Um escravo que nunca foi derrotado. Mas, como você pode ver… a verdade é mais profunda do que isso.
—Às vezes, um título não faz justiça ao que realmente somos, — disse de repente, com uma melancolia passageira, que rapidamente mascarou e seguiu adiante.
Kaden acenou novamente, sinalizando que ele continuasse. Reditha o imitou, concordando com uma reverência exagerada.
—O segundo é alguém — ou algo — que não conheço bem. Pandora. —
As sobrancelhas de Kaden se franziram. O nome soava como um sino distante em sua memória.
Nunca foi fã de mitologia na Terra, mas a caixa de Pandora era uma história gravada na própria história.
Sua atenção se aguçou. Se fosse a mesma Pandora, então as coisas eram muito mais perigosas e interessantes do que pensava.
'A caixa de Pandora… um recipiente que dizia conter todos os males e sofrimentos do mundo. Será que isso é verdade aqui também? Ou era algo diferente?'
Porém, naquele momento, ele cometeu um erro.
—Você parece saber algo sobre Pandora, — observou Rocky, com os olhos vermelhos estreitando ao perceber a expressão que passou pelo rosto de Kaden.
Kaden ficou descuidado, seu corpo traindo o pensamento que cruzara sua mente. Percebendo tarde demais.
Mas, ao invés de recuar, ao invés de fingir ignorância, sorriu com suavidade e se inclinou para frente.
—Ah, sim, algo veio à minha cabeça quando você falou de Pandora. Conheci uma mulher há um tempo, numa pequena aldeia ao noroeste, que se chamava Dora. O nome me divertiu. — Sua voz era firme, a respiração equilibrada, o olhar claro — uma imagem de honestidade.
Ele tomou um gole de seu chá.
Claro que não conhecia nenhuma Dora. Nem sabia por que seus pensamentos insistiam nela. Mas isso não importava.
Rocky pareceu aceitar, descartando o comentário ao continuar.
—Como eu disse, Pandora é uma figura misteriosa. Mas a terceira… a terceira não é menos misteriosa. —
Seus olhos caíram sobre o chá, que permanecia quente, intocado pelo tempo.
—Quem? — pressionou Kaden.
Rocky não respondeu imediatamente. O clima ficou tenso, pesado, como se o próprio mundo se inclinasse para ouvir suas palavras.
Por fim, ele olhou para cima, a voz afiada.
—Aquela de quem A Vontade te falou. A que está te observando. — Ele fixou o olhar diretamente em Kaden. — O Herói de Mil Rosto.
De repente, Kaden sentiu um peso esmagador pressionar contra o peito. Seu coração acelerou descontroladamente antes que a pressão sumisse tão rápido quanto veio.
Ele exalou com força, se recompondo, a mente acelerada.
'Que porra foi essa?'
Ele ergueu o olhar, olhos vermelhos fixos em Rocky. — Quem é ele? —
Rocky apenas deu de ombros. — Um herói. Com mil faces. —
Kaden franziu o cenho, uma inquietação se formando no peito. —Ele é um herói, né? Então deve ser uma pessoa de bem, — sua voz carregava uma dúvida que não conseguia enterrar.
Imediatamente, o sorriso de Rocky se curvou como uma sombra.
—Um herói… é uma pessoa boa? Essa ideia cega os homens, garoto.
—O que você quer dizer? —
—Depende de onde você está. Do que escolhe enxergar. — Rocky falou com calma, quase frio. — Para uns, um herói é salvação. Para outros, ele é destruição. Um herói também pode ser vilão, e um vilão pode ser herói. A perspectiva é que decide a máscara. —
Ele se reclinou, sorrindo maliciosamente.
—Então, quando você diz que um herói é bom… eu digo que depende do que você ousa chamar de 'bom'. —
Seu sorriso ficou mais afiado, a voz como aço.
—Posso ser um salvador aos seus olhos e, em outro, o maior monstro já existido na Terra. —
As palavras penetraram fundo, apertando o peito de Kaden. O peso desse Herói invisível ficava mais sombrio, mais pesado, muito mais perigoso do que ele gostaria de admitir.
O que mais o inquietava era o pensamento: se seu mestre já era imortal, aquele que não podia ser derrotado…
…então, o que seria o Herói?
O que o tornava especial?
E o que, de fato, significavam aquelas mil faces em seu título?
Kaden amaldiçoou mentalmente: 'Por que diabos aquele cara está me observando? Olhe em outro lugar, droga. Não sou tão interessante assim.'
Reclamando consigo mesmo, decidiu acabar logo com essa conversa sobre Maravilhas.
Podem ser especiais, sim, mas ele não era inferior. Era o homem que não podia ficar morto, que ficava mais forte a cada eliminação, a cada gole de sangue, a cada alma devorada. Ele não se curvaria diante de ninguém.
Seu mestre lhe dissera isso claramente. Ele carregava algo mais do que apenas uma Vontade. Então, deveria se tornar mais do que era.
Mais que uma Maravilha.
Por ora, contudo…
—Decidi seu nome de código, — Kaden falou de repente, os olhos vermelhos estreitando. — Você parece conhecedor de história, de mitos, até de deuses. Mesmo que pareça que não consegue falar deles, — deduzi que pelos seus tatuagens. —
Rocky apenas assentiu.
—Então, — Kaden sorriu de forma mais cortante, — de agora em diante você é O Antropólogo do Véu Carmesim. —
As palavras soaram como uma ordem.
—Agora, para concluir, vou precisar do seu sangue, Antropólogo. —
Seus olhos vermelhos brilharam.
—Você consegue sangrar, né? Se não, não se preocupe. Vou te ensinar a sangrar. —