Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 240

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

A sala parecia ter sido esculpida inteiramente em ouro, como se o próprio tesouro derretido tivesse sido derramado e resfriado para formar paredes, chão, teto e todos os objetos ali dentro.

Em um trono moldado como um dragão em voo estava o homem que havia ordenado que Antsy arrangasse o duelo entre Zaki e Maryam.

Para a maioria, ele era chamado de Gordo, mas no Subterrâneo sua identidade tinha um peso bem maior do que aquele nome zombeteiro.

Ele era Noah Draco, do Clã Draco, também conhecido como o Dragão Ametista Gordo.

Ele se recostava preguiçosamente no trono, sua respiração tranquila, olhava fixamente para a carta na mão.

Sorriu. “O Scarred enviou isso para você?” perguntou ao servo que se curvava diante dele.

Ela era uma jovem com cabelo castanho caramelado preso com cuidado, sua roupa de criada se ajustava de forma quase perigosa ao seu corpo. No pescoço, uma marca gravada — a mesma marca que todos os jogadores que estavam no Subterrâneo da Liberdade carregavam.

“Sim, Senhor,” ela falou rapidamente, se curvando ainda mais. “Scarred, do Clã Orion, enviou isso para você.”

Noah assentiu sutilmente, então abriu a carta. Dentro tinha apenas uma frase:

Você conseguiu o que queria. Ele agora é meu.

Ele sorriu mais amplamente, abafando uma risada que explodiu em uma gargalhada.

“Ah… sinceramente, um duelo tão sem graça. Esperava que eles se massacrassem, que assistíssemos a colegas traindo colegas na frente da morte.”

Normalmente era assim que acontecia.

Naquela ocasião, no entanto, o que lhe deram foi o chamado sacrifício glorioso de uma mulher patética.

“Tsk. Sem sabor.” Ele fez um som com a língua.

“O dragão é uma criatura realmente irracional.” uma voz cortou o ar dourado, afiada o suficiente para silenciar o ambiente.

O olhar de Noah se levantou.

Uma criatura estava ali, que não tinha motivo para ter entrado na sua câmara sem ser notada.

Corpo superior humano, cabelos prateados caindo como fios de aço, olhos azul escuro por trás de óculos que brilhavam com uma luz misteriosa. Mas abaixo da cintura, ele tinha o corpo de um cavalo prateado com quatro patas, cauda piscando, músculos que ondulavam com graça silenciosa.

A criada tremeu, sentindo a presença do intruso. Mas antes que pudesse agir…

“Saia de perto.” Noah ordenou.

Ela desapareceu em um piscar de olhos, saiu correndo e soltou um suspiro de alívio ao fechar a porta.

Noah fixou seus olhos ametista no intruso.

“Você, do Clã Centauro, sempre age como se este mundo fosse seu. Quem te deu coragem para entrar na minha câmara sem permissão, Chevi?” Sua voz era calma, mas a pressão no ambiente aumentou, crescendo como o suspiro de um dragão adormecido prestes a acordar.

Chevi apenas sorriu de leve, indiferente ao peso sufocante que poderia derrubar um Grande Mestre. Desceu lentamente do teto, suas patas de cavalo se transformaram em duas, e ele se acomodou casualmente na cadeira do lado oposto a Noah.

Seu olhar passou além do trono, onde palavras estavam gravadas na parede dourada em letras radiantes:

A Barriga do Dragão é Impiedosa.

O lema do Clã Draco.

Chevi balançou a cabeça. “Você sempre arruma problemas, Noah. Você não deveria ter mudado o jogo.”

“Faço o que quero, Chevi. E você ainda não respondeu minha pergunta. Quem te deu coragem para entrar aqui? Você quer mesmo morrer?” A voz de Noah ficou mais aguda, fria como lâmina vazando sangue.

Sem misericórdia.

“Quem vai me matar?” Chevi perguntou de leve, ajustando os óculos. “Se fosse você, estaria mais preocupado com aquele homenzarrão ali.”

“Preocupar?” Noah bufou. “Ele é apenas um recém-Apanhado miserável.”

“Você deu uma Pedra de Evolução Lendária para ele no duelo,” Chevi corrigiu, com tom calmo como água. “Ele logo será intermediário.”

“Isso só o torna uma formiga maior. Não é coisa que um dragão deva se preocupar. Nem você, Chevi, do Clã Centauro, eu não estou preocupado com você. Por que me preocupar com uma criança imbecil?” A arrogância de Noah transparecia na maneira como falava.

O sorriso leve de Chevi não vacilou.

“Sou mais um estudioso do que um guerreiro. Meu nível de ameaça é baixo. É exatamente por isso que estou aqui para te contar uma coisa, imbecil de um dragão.”

Ele se inclinou, olhos fixos nos olhos ametista de Noah.

“Foi tolice matar aquela garota na frente de todo mundo, Draco.”

Noah abriu os lábios para retrucar, mas Chevi continuou.

“Você nos obrigou a testemunhar — os jogadores do Subterrâneo, os Mestres. O sacrifício de uma garota pura pelo líder dela.”

A voz dele ficou mais aguda, mais dura.

“Sabe o que ela virou por causa disso?”

“Um mártir.”

Silêncio caiu.

“E sabe o poder especial de um mártir?” a voz de Chevi cortou fundo. “Quanto mais triste for sua morte, mais cruel for seu destino, maior será o poder que eles têm sobre as massas. Você plantou uma semente de rebelião nos corações de todos que nos odeiam.”

“Você lhes deu esperança.”

“Não importa,” Noah, por fim, balançou a cabeça condescendente. “São formigas. E os gritos delas não significam nada para dragões.”

Chevi balançou a cabeça.

“Você lhes deu esperança. E pior, fez um garoto ficar pronto para carregar essa esperança com tudo que tem.”

“Você quer dizer aquele jovem arrogante que se chama Céus?” Noah zombou. “Não preciso te lembrar do nosso lema.” Ele se inclinou, seu tom de voz reverberando como o rugido de um dragão.

“A barriga de um dragão é impiedosa, Chevi. Não há nada que ela não possa devorar. Nem os céus.”

Chevi ficou em silêncio por um longo momento, depois deu de ombros.

“Vamos ver. Mas saiba disso: você não pode mais tocá-lo. O Scarred já está a caminho para reivindicá-lo.”

Seu corpo começou a se dissolver como névoa diante de uma rajada de vento tempestuoso.

Noah rosnou. “Podemos tocar quem quisermos.”

“Você arriscaria uma guerra contra os Orion?” a voz de Chevi ainda ressoava enquanto desaparecia.

Os olhos ametista de Noah se estreitaram, por um momento como os de uma fera.

“Dragões, de fato,” a voz de Chevi ecoou suavemente. “Vocês, arrogantes, nojentos seres.”

E então ele desapareceu.

Noah soltou a língua.

“Porcos do Clã Centauro. Agindo com sabedoria quando são os mais desumanos de todos. Filhos da puta hipócritas. Eu preferiria mil vezes esses traidores de cobras do que eles.” As mãos cerravam-se de tanta vontade de matar, mas ele se segurou.

Mesmo assim, as palavras de Chevi ecoaram na cabeça dele.

‘Mártir, hein…’

Para que serve um mártir? São apenas cadáveres. E os mortos não têm poder sobre os vivos.

Empurrando o pensamento para longe, Noah chamou sua serva, ordens para trazerem vinho. Ele precisava aliviar a mente antes que sua raiva o levasse às bibliotecas de Centauro para matar todos eles.

A fúria de um dragão não se apaga facilmente.

Enquanto isso, em seu quarto…

Zaki estava sentado no chão, encostado na cama onde Maryam já havia dormido. Ainda podia sentir seu cheiro.

Tristan, Saul e Azad estavam por perto, de silêncio, dando a ele tempo. Nenhum deles culpava Zaki; todos sabiam que não era culpa dele, mas dos Mestres.

E, no entanto, algo mudou. O sonho de escapar tinha desaparecido. Agora, só restava a destruição. Queriam causar uma implosão nessa prisão, rasgá-la ao meio, matar quem as controlava.

A mente deles estava consumida pela raiva.

Os olhos de Zaki estavam secos, marcados de sangue. O coração doía ao ver de novo aqueles últimos momentos de Maryam. Quanto mais lembrava, mais aquilo o destruía por dentro.

Se pudesse, abriria seu próprio peito e arrancaria o coração só para parar de sentir dor.

Era demais. Exatamente demais.

Primeiro, sua mãe morreu por ele, assassinada por uma das esposas de seu pai. Agora, Maryam morreu por ele, esmagada pela crueldade dos Mestres.

Uma risada vazia saiu de sua garganta.

Ele estaria destinado apenas à dor?

Nascido numa família que o odiava, marcado como um bastardo. Amado apenas por quem daria a vida por ele. Sua mãe. Maryam. Cada uma morreu por ele, acreditando em algo dentro dele que ele não conseguia enxergar.

Mas então, surgiu uma outra lembrança.

Eimi.

Seus olhos se clarearam. A pequena garota que amava o covarde que ele era, pronta para morrer por ele sem hesitar. A que via valor nele quando ninguém mais via.

Ele tinha prometido ficar forte por ela. Proteger ela do jeito que ela tinha protegido ele um dia. Manter seu sorriso, sua pureza, sua luz contra o mundo grotesco.

Ele tinha fracassado com Maryam.

Mas não iria falhar com Eimi.

Sua vida já não era mais dele. Pertencia à sua mãe, que havia se sacrificado. A Maryam, que entregou seu sonho e esperança para ele. A Eimi, que ainda o aguardava. Ao Kaden, que o fez dar seu primeiro passo.

Ele não era mais Zaki Caelion, bastardo de uma família rica.

Ele era o Céu.

E aqui, nesse inferno, ele era a Ira dos Céus.

Ele olhou para a Pedra de Evolução na mão. Sua luz era radiante, mística, linda. Mas para ele, o último sorriso de Maryam brilhava mais forte do que essa pedra morta jamais poderia.

'Sua vida valeu apenas uma Pedra de Evolução Lendária, Maryam.' pensou amargamente, dando uma risada vazia.

'Que absurdo… neste mundo, a carne gasta mais que ouro.'

Seus pensamentos rodaram até que uma voz gelada os atravessou.

“Sky.”

Zaki ergueu a cabeça.

Um homem estava ali, com pele escura como carvão, olhos vermelhos ardentes, cabeça raspada reluzente. Uma barba de fogo cobre seu queixo como grama em uma fogueira. Sua bochecha esquerda tinha cinco cicatrizes que brilhavam levemente em tom vermelho.

Sua aparência era inesquecível.

“Quem é você?” perguntou Zaki.

O homem o estudou, viu a fúria queimando dentro dele, o fogo pedindo para ser libertado.

Ele sorriu, dentes brancos contra sua pele escura.

“Sou Scarred, do Clã Orion. Estou aqui para convidar você, Céu.”

Ele fez uma pausa, seu sorriso se alargando enquanto observava as chamas nos olhos de Zaki crescerem.

'Ele está pronto.' pensou.

“Chegou a hora de ser o Caçador, não mais o Caçado, Céu.”

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