Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 239

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Kaden não teve tempo de lamentar como gostaria, seu mestre tinha seu corpo dissolvido em filamentos de luz que emergiram dentro dele.

O espaço ao redor tremia, sacudia-se como se fosse desabar a qualquer momento.

Os corpos espalhados pelo chão ricochetearam contra as pedras, mas os pés de Kaden permaneciam firmes, inquebráveis como as correntes que um dia prenderam seu mestre.

Ele manteve-se ereto, ombros pesados pela dor.

Levantar a mão e enxugar as lágrimas que ainda insistiam em escorrer de seus olhos, seu olhar carmesim brilhava intensamente — como o de um assassino experiente que percorreu campos de batalha sem fim.

O espaço ao seu redor fragmentava-se como vidro frágil.

A Vontade ressoou.

{Era um espetáculo magnífico.}

{Você derrotou o sussurro da Vontade de um ser jamais vencido. Seu potencial é inimaginável.}

{Você tomou como mestre aquele destinado a ser Escravo. Você é fenomenal.}

{Conseguiu fazer com que ele aceitasse você, o reconhecesse, e assim, Kaden Warborn, você ganha algo especial.}

{Recebeu a benção de uma das Sete Maravilhas dos Mundos: O Escravo Invencível. Seu caminho é glorioso. Seu caminho é único.}

{Seu caminho é uma Maravilha. Mas também, seu caminho é esmagador.}

A Vontade fez uma breve pausa. Naquele momento, nada era visível ao redor de Kaden, apenas escuridão, vazio e silêncio. Mas sua mente estava fixa nas palavras, cada uma encaixando-se como peças de um quebra-cabeça.

Seu mestre era uma Maravilha.

Essa constatação fez seu peito inflar de orgulho, mesmo sem entender o significado completo, mas antes que pudesse se perder nesse sentimento…

A Vontade prosseguiu com seu julgamento.

{Seu desempenho foi glorioso.}

{Você obteve recompensas adicionais.}

{Primeira informação: Uma Pedra Mítica só pode ser usada quando você encontrar a vestígio de um mito.}

{Segunda informação: O Herói está te observando.}

{Você recebeu um título: O Discípulo do Escravo.}

{Fique firme, Estudante do Escravo, você está ascendendo a Mestre.}


Instantaneamente, os joelhos de Kaden fraquearam quando a transformação começou.

Logo, ele seria um Mestre.

E os mundos… ainda não estavam preparados para um Mestre como ele.

A Colheitadeira estava vindo.

E ele tinha fome.

Fokay — Jogo subterrâneo da liberdade

Era pesado.

A atmosfera sufocante. O chão de granito sob seus pés parecia ávido por engoli-lo de uma vez. O céu acima, geralmente tão acolhedor, agora parecia pronto para desabar e esmagá-lo como o verme que era.

Zaki estava perdido.

Ele não sabia se o que via era verdade. Não sabia se sua mente estava pregando peças com ele.

Mas não, isso era real.

Os espectadores gritavam como sempre, olhos hypnotizados por uma loucura que lhe fazia a pele arrepiar. O chão tremia com seus pés batendo em ritmo de tambores de guerra, incentivando o apresentador a iniciar o duelo.

Ele rezava silenciosamente para que aquilo não começasse.

Mas deveria ter sabido melhor. Suplicar nunca te dá o que você quer nesse mundo repugnante.

Após a chegada dos representantes do Mestre de cada Casa, o apresentador não hesitou.

Sua voz ressoou alto pelo estádio: "DAMA E CAVALHEIROS! ESTAMOS AQUI MAIS UMA VEZ PARA MAIS UM JOGO EMOCIONANTE!"

"UM JOGO SIMPLES, MAS TERRÍVEL SEMPRE."

O corpo de Zaki tremeu ao olhar para seu adversário. Sua cabeça ficou turva.

"É UM DUELLO DE MORTE. PARA VENCER, VOCÊ DEVE MATAR SEU OPOSTOR."

"OOOOHHH!!!"

A multidão rugiu. Alguns babavam de antecipação pelo que estava por vir.

Então o apresentador, Antsy, abaixou a voz… mas ainda assim ecoou forte por todo o estádio.

"Para este primeiro duelo… temos a honra de assistir ao famoso e querido Sky contra a Curandeira Maryam, de sua própria equipe."

Ao ouvir essas palavras, o mundo desabou na cabeça de Zaki.

E então, impiedosamente:

"COMECE!"

O duelo começou.

Zaki não se mexeu. Nem Maryam.

Os dois se olharam, olhos tremendo de medo e horror. Emoções que os espectadores adoraram.

No quarto deles, Tristan, Saul e Azad assistiam à cena por um projetor de visão, com os rostos pálidos.

"Q-Que é isso? Como? Isso não pode estar acontecendo! Não devemos lutar contra nossa própria equipe! Por que Zaki tem que lutar contra Maryam?" perguntou Tristan, com a voz trêmula.

Nem Saul nem Azad responderam.

Eles sabiam muito bem o porquê. Até Tristan sabia, mas se negava a aceitar.

Isto era punição. Retribuição.

Porque tinham derrotado a equipe do Sharky. Porque tinham prejudicado o próprio Sharky.

E agora… e agora…

"Um Mestre está nos targeting…" murmurou Azad, com a voz trêmula.

Nenhum deles disse mais nada enquanto assistiam à cena de destruição diante deles.

No estádio, Zaki observava Maryam.

Ainda assim, nenhum se mexia.

Os espectadores ficavam impacientes.

"Vocês têm cinco minutos para terminar o duelo. E suicídio não é permitido." anunciou Antsy, atendendo às exigências dos Mestres.

Agora eles não tinham escolha senão agir.

Mas os olhos de Zaki estavam vazios, seu corpo congelado.

Maryam mordeu o lábio até sangrar, então caminhou em direção a ele.

Silêncio total. Um silêncio de cemitério.

Apenas os passos instáveis de Maryam ecoavam, sua respiração ofegante audível enquanto tentava não desmoronar em soluços na frente de milhões.

Ela chegou a um centímetro dele. Zaki ainda não se moveu. A essa distância, poderia tê-lo matado mil vezes.

Mas não o fez.

Pelo contrário, levantou as mãos tremendo e segurou as bochechas dele. O calor do toque a fez estremecer. Seus olhos dilataram ao olhar para ela.

Maryam sorriu tristemente.

"Não temos escolha. Temos que fazer isso." ela sussurrou. Ela tentou soar forte, mas Maryam nunca foi essa garota.

Era tímida, delicada. A garota que sempre corava. A garota que sorriu constrangida quando demorava demais no banheiro. A garota que sempre carregou o sorriso mais brilhante… a estrela matutina da equipe de Zaki em um mundo de monstros.

A garota que todos juraram proteger.

A nossa luz.

E agora…

"Você precisa me matar, Zaki." ela disse, apertando mais as bochechas dele, com o rosto a poucos centímetros do dele.

…aquela luz precisava ser apagada.

"N-Namirm… Eu… Eu não consigo. Não consigo, Maryam. Não, não, não." o coração de Zaki disparava, o corpo tremia, a voz saia em um pedido despedaçado.

Maryam queria segurá-lo, dizer que tudo bem, lembrá-lo de que ele era o líder deles, o que tinha de guiá-los para fora daquele inferno.

Ela era apenas uma curandeira. Valiosa, sim, mas não suficiente para destruir o Underground, não suficiente para libertá-los.

Precisavam de mais. Precisavam do Sky.

"Diga… quem é você?" Maryam perguntou, a voz quebrando.

"Q-que?" Zaki gaguejou. Sua mente fragmentava sob o peso de tudo isso.

"Diga quem você é, Zaki. Você é uma minhoca?"

Zaki congelou. Entendeu o que ela queria que dissesse. Mas lhe faltava coragem. Sentia-se indigno.

Mas o tempo se esgotava.

PALHASM—!

A mão de Maryam acertou um tapa forte em seu rosto. A multidão ofegou, depois rugiu de empolgação.

Zaki virou, atordoado, e viu ela chorando. Lágrimas escorriam em enxurrada pelo rosto dela. Seus olhos verdes estavam nublados de dor, medo… e um amor insuportável.

"Quem é você, Zaki?" ela exigiu novamente.

Desta vez, ele respondeu.

"Eu… Eu sou o Sky."

Maryam sorriu entre as lágrimas. Um sorriso triste, radiante.

Ela puxou uma adaga e a pressionou contra as mãos trêmulas dele. Ele não soltou. Não podia.

Maryam guiou a lâmina até o peito dela, inclinou-se para frente.

Ruídos de rasgos ecoaram pelo estádio enquanto ela o abraçava, a adaga se enterrando fundo no peito. Sangue escorria livremente.

Seus lábios sangravam. Seus olhos choravam. Mas ela ainda sorria, fraca e trêmula.

Ela sussurrou no ouvido dele:

"Você não me matou. Você não me matou, Zaki. Eles que fizeram isso."

"Você é inocente. Você não é culpado. Nunca se esqueça… você é uma vítima, igual a mim, Sky."

Ela tossiu sangue, sua calor se esvaindo.

"Não esqueça quem você é. Você é o Sky. Você não pode ser ninguém sem isso."

Sua voz vacilou.

"V-Você precisa viver. Diga a Tristan para parar de ser covarde, diga a Saul para parar de dormir, e diga ao tio Azad para parar de falar sobre os mistérios da vida…"

O corpo de Zaki vacilou sob o peso de suas palavras.

Maryam sorriu por última vez, uma última sorriso ensanguentado. As câmeras focaram nela.

"M-Mas diga a eles… diga a eles obrigado. Por me protegerem. Por me darem suas refeições. Por lutarem por mim. Por se machucarem. Obrigado, Zaki. Obrigado, Tristan. Saul. Tio Azad."

"Obrigado… mas agora é minha vez."

Sua respiração ficou fraca. Seu corpo se apertou ao redor dele, agarrando-se ao seu calor.

"Zaki… Sky… mostre a eles, por favor… mostre que nem sempre o céu é brilhante. Mostre-lhes a fúria dos céus."

Sua última palavra se quebrou.

"M-Mostrem…"

Silêncio.

Seu corpo ficou mole em seus braços.

Maryam havia morrido.

Tristan, Saul e Azad caíram de joelhos, chorando. Sua luz se foi.

E Zaki… oh, Zaki… também chorava.

Mas não com lágrimas.

Com sangue. Correntes escarlates escorreram de seus olhos, caindo como rios por suas bochechas.

Ele ajoelhou-se, deitando Maryam suavemente no chão de granito. A adaga ainda cravada em seu peito. Seu rosto ainda exibindo seu sorriso intocado.

Lágrimas sanguinolentas caíram ainda mais rápido.

Ele não disse nada. Não gritou injustiça. Não gritou de raiva. Não berrou.

Simplesmente acariciou sua face fria, com a cabeça baixa.

Não saiu uma palavra sequer.

Mas o céu falou por ele.

Acima do Underground, os céus ficaram vermelhos, tingidos por relâmpagos rubros que rasgavam a terra como a ira dos deuses.

Os Mestres do Underground ainda não sabiam.

Mas naquele dia…

…o pior pesadelo deles nasceu.

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