
Capítulo 238
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
A canção de aço encheu o ar, golpes ressoando enquanto cada um se abaixava, desviava, contra-atacava com precisão impecável.
Kaden tinha esquecido completamente que aquilo era uma missão, uma provação para derrotar o Invencível.
Tudo que importava era isto: ele lutava contra seu mestre, não um escravo, e precisava mostrar a ele que seu discípulo tinha entendido.
E o sorriso do Escravo se estendeu ainda mais.
Era ironia.
Ele nasceu escravo, depois se tornou o escravo do mundo, amarrado porque sua Vontade era perigosa demais, incomum demais.
Durante toda a vida, nunca experimentou a liberdade. Nunca soube o que era agir sem correntes. Escolher sem que lhe dissessem o que fazer.
Nunca teve discípulo. Sempre vagou sozinho, buscando uma maneira de romper as correntes que o prendiam a sua alma.
Sua vida era miséria. Sua vida era dor. Sua vida eram correntes. Sua vida era raiva.
Mas agora, ao ver aquele jovem lutando desesperadamente para impressioná-lo — um garoto que podia bloquear seus golpes, que poderia feri-lo — ele riu.
"Hahahahahaha!"
Ele não sabia como a Vontade daquele menino tinha crescido e se tornado única, como a dele. Não deveria ser possível.
Ele deveria ser o único. Uma Maravilha.
Mas naquele momento, ele não se importava.
Ele só queria aproveitar aquele instante passageiro. Então, deixou de lado tudo, focando apenas em seu discípulo.
Um escravo… sendo chamado de mestre.
Ele riu novamente.
O som dos joelhos batendo no chão ecoou. Ele se virou, viu Kaden. O rosto e o corpo dele estavam dilacerados, sangue escorrendo, mas seus ferimentos já se curavam com sua Vontade.
"Mestre…" a voz de Kaden saiu suave, cheia de tristeza.
Ele não conhecia bem esse ser, mas parecia que o conhecia há uma eternidade. Essa era a marca que o Escravo deixara nele.
O Escravo riu de novo, com os lábios tremendo, sangue escorrendo. "É… estranho… chamar de mestre… quando minha vida toda fui chamado de escravo."
Reditha ainda estava alojada em seu peito.
Os lábios de Kaden se apertaram em uma linha fina, trêmula.
"Diga-me… qual é o seu nome, Herdeiro da Morte?"
"Kaden… Sou Kaden Guerreiro da Origem, mestre."
"V-Você realmente quer que eu seja seu mestre?" Seu rosto ficou pálido, a voz fraca. A perda de sangue estava levando-o.
Kaden segurou sua mão, apertando-o com as duas. Estava gelada. Chegava a ser fria demais. Um aperto de morte.
Ele tremeu, mordeu o lábio, e assentiu. "Sim. Quero." A voz saiu trêmula.
Por que ele estava tão emocional? Nem sabia direito. Mas aquele Escravo abriu uma ferida dentro dele.
"Para um assassino… você é bastante emocional, v-discípulo," o Escravo cochichou, hesitando na palavra, quase envergonhado.
Era quase cute. Quase… humano.
"Não tenho muito tempo," disse ele, e o aperto de Kaden se apertou ainda mais, a concentração total.
"Escute-me, meu discípulo."
"Não irei sobrecarrá-lo com despedidas pesadas, mas seria um mestre indigno se o deixasse mimado."
Ele riu seco, com sangue saindo dos lábios.
"Seu objetivo… é perigoso. A força de cortar correntes? Nunca ninguém conseguiu. Nem eu, seu mestre, conseguiu."
Kaden ouviu.
"Mas…" seu sorriso voltou.
"Serei irracional, e acreditarei. Acredito que você, Kaden Guerreiro da Origem — aquele que chamou um escravo de 'mestre' — irá vencer."
"Acredito no meu primeiro e último discípulo. Porque se um mestre não consegue acreditar no seu discípulo… então quem irá?"
Kaden tremeu. Uma dor mais profunda que as feridas rasgou seu interior.
"Então não se preocupe. Não hesite. Sua Vontade é igual à minha, invisível em todos os mundos. Mas você possui mais do que minha Vontade, então irá me superar. Você se tornará o homem que eu não pude ser."
Ele tentou respirar, os pulmões ardendo, as palavras rasgando sua garganta, mas seguiu em frente. Tinha que terminar.
Quem o chamou de mestre uma vez, merecia isso.
"Levante-se… e vá além. Explore todos os lugares, tanto nos mundos quanto nos reinos. Aprenda as histórias, os deuses, as verdades. Deixe nada de fora."
"É uma tarefa pesada, porque quanto mais você sabe… menos saberá. Mas faça isso."
"E, por fim… me encontre. O verdadeiro eu."
"Você não… morreu?" Kaden perguntou, surpreso.
O Escravo soltou uma risada fraca.
"Meu discípulo, sou o Escravo Invencível. Depois de certo nível… a única maneira de morrer é sendo morto. E eu não posso ser morto. Sou imortal." Sua voz carregava um traço de orgulho, como se estivesse lembrando seu discípulo da grandeza de seu mestre.
Kaden riu também, mesmo com o coração apertado.
"Você é o melhor, mestre." disse, forçando um sorriso.
"Vou te encontrar. Vou achar seu verdadeiro corpo. E farei ele me aceitar como discípulo também. Não vou te falhar."
O único pensamento em seu coração era simple e devastador:
Seu mestre estava morto.
Ele se arrastou para frente, levantou suavemente a cabeça, colocou-a no colo dele. Olhou para o rosto tranquilo do Escravo e sorriu, partido.
Não sabia se chorava…