Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 216

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Fokay — Oeste, Império dos Malditos.

Dentro da prisão subterrânea do Castelo Oco, Asael estava lá, de pernas cruzadas, suas roupas rasgadas e usadas, manchadas de sangue e cobertas de sujeira, mostrando que fazia muito tempo desde que tinha tomado um banho.

Mas sua expressão era fria, pétrea, marcada por um desejo assassino tão forte, tão irrestrito, que mesmo sem sua mana havia uma sensação de sufocamento reverberando pela câmara da prisão — as sombras furiosas tremendo na presença do seu príncipe.

As sombras não conseguiam parar de se contorcer e girar dispersamente, como se desejassem avançar e abraçar Asael, mas alguma força invisível as controlava, obrigando-as a rastejar pelo chão como vermes agrupados.

Fazia semanas que Asael tinha sido capturado e acorrentado aqui como um cordeiro perdido, esperando ser salvo e guiado por algum espírito celestial… ou talvez salvo por uma sombra traiçoeira.

Ele esperava que a Imperatriz fosse até ele, zombar dele, ameaçar com sua filha ou com qualquer tormento que pudesse conjurar, mas ela não fez nada disso.

Na verdade, ela nem o tinha visto uma única vez desde que o jogaram ali, como se Asael não fosse digno de seu olhar, nem mesmo de sua despreza.

Asael não se importaria com esse tipo de comportamento em circunstâncias normais, mas dessa vez… isso machucou.

Ele não gostava disso.

Ele não gostava do fato de ser sumariamente descartado por alguém responsável por seu sofrimento.

Eles tiveram a coragem de prendê-lo, levar sua filha e depois fingir que ele não existia, como se fosse algo insignificante, alguém sem importância e sem valor?

Quanto mais pensava nisso, mais uma raiva irracional apoderava-se do seu coração como uma serpente venenosa apertando sua presa.

Ele cerrava a mandíbula, rangendo os dentes até que um rangido ecoasse pela prisão silenciosa, como uma porta de madeira velha rangendo contra o sussurrar do vento.

Mas, mesmo nesse estado, tentou pensar pelo lado positivo… fazia tempo que não via Rose.

E isso, pelo menos, lhe trazia um certo prazer.

‘Nunca mais quero ver aquela maldita—!’

Os pensamentos de Asael pararam abruptamente ao ouvir o som de saltos nos cadarços, marcando o chão ritmicamente.

Seu lábio se contorceu. ‘Não pode ser…’

Passo a passo, o som ficava mais alto até que uma figura apareceu diante dele, uma figura deslumbrante.

Cabelos vermelhos como rubis dispersos ao vento, olhos vermelhos burning como sol sangrando, um vestido preto simples sem mangas caindo até os tornozelos, com uma rosa carmesim inscrita nele, rosto mais suave e pálido que creme.

Rose Drought.

Ela era o tipo de mulher que qualquer homem mataria só para olhar um pouquinho mais, e ela sabia disso, como toda mulher sabe.

Mas ela nunca se importou com nada dessas coisas. Exceto… exceto quando vinha de um homem.

Havia um homem que ela adorava ver como uma maravilha do mundo. Mas agora, enquanto aquele mesmo homem olhava para ela…

… tudo que Rose via era desprezo, desdém e uma ira além da compreensão.

Ela mordeu por dentro os lábios, embora sua expressão externa não mostrasse nada da tempestade interior.

Ela se aproximou das grades da prisão e parou a apenas um centímetro, observando silenciosamente o estado do seu antigo amor.

Dói nela.

Mas ela não podia fazer nada a respeito.

— O que você quer? — Asael perguntou, sua voz gelada, carregada de irritação.

Rose ficou em silêncio por um tempo, aparentemente reorganizando seus pensamentos, antes de abrir os lábios.

— Tenho algo a te dizer — falou suavemente.

— Não me interessa—! — Asael tentou interrompê-la.

— Tem a ver com a nossa filha, Asael. — ela cortou de forma firme.

O rosto de Asael virou pedra. Ele olhou para Rose com ressentimento e fúria.

— Eu te avisei para não chamá-la de sua filha. Você não tem direito — rosnou como uma fera prestes a saltar e dilacerar sua garganta.

Dessa vez, os olhos de Rose ficaram gelados.

Ela deu um passo à frente, agachando-se. Agora ela estava a apenas um polegada de Asael, separados apenas pelas grades de ferro.

Seus olhares se confrontaram, frio contra frio, e a tensão era tão esmagadora que até as sombras recuaram assustadas.

— Eu não tenho direito? Então você tem ainda menos, Asael — ela retrucou com desdém.

— Eu carreguei Valentine dentro de mim por dez meses inteiros. Suportei dor, sofrimento, suor, enquanto ela me fazia a vida difícil no ventre. Suportei a dor do parto e fiz tudo que pude para que ela chegasse ao mundo. —

Ela fechou os punhos com força até que as juntas ficassem brancas, rangendo os dentes, lutando para não deixar lágrimas caírem diante de Asael.

Porque era imoral demais.

— Se você acha que simplesmente trazer uma criança ao mundo faz de você uma mãe, então é um idiota, Rose — Asael falou com frieza.

— Que tipo de mãe abandona seu recém-nascido? Me diga. Que tipo de mãe deixa seu filho sozinho nos primeiros dias — quando ela mais precisa dela — e corre de volta para aquele castelo vazio? — ele gritou, a raiva inflamando enquanto memórias se tatuavam profundamente em sua mente.

As noites em que buscou desesperadamente alguém para alimentar seu filho. Os choros incessantes que só o colo de uma mãe poderia acalmar.

Um pai pode fazer muito, mas uma mãe tem aquela doçura natural que derrete até corações mais duros com um simples toque.

Mas Valentine não tinha isso.

E Asael se lembrou de tudo que enfrentou por sua filha, das lutas contra inimigos ao redor de seu território frágil, e do momento em que percebeu o quão fraco realmente era como Mestre — o momento em que decidiu se tornar um Grande Mestre.

Mas, ao apressar-se, ao agir com pressa, acabou sendo capturado e posto na prisão por causa daquele calabouço.

E agora, aqui estava de novo, preso por causa de sua impulsividade.

Parece que ele não aprendeu a lição na primeira vez.

Ele cerrou os dentes, baixando a cabeça ao chão, recusando-se a olhar para o rosto de Rose.

O coração dela foi destruído naquele instante, como se mãos invisíveis o tivessem apunhalado e apertado com crueldade.

Dói.

— Eu fiz isso por você… Eu fiz isso para te proteger… é tudo por você. Pela minha filha. Por você, meu amor. Eu fiz tudo isso por você — pensou ela.

Ela queria gritar isso.

Ela queria abraçar Asael, contar tudo — que tudo que fez foi para protegê-lo e a Valentine da fome e da crueldade da mãe dela.

Ela não queria que eles fossem arrastados para a confusão desse império, sob uma Imperatriz pronta para queimar o mundo se fosse preciso para que seu maldito império crescesse das terras áridas.

Mas, ao invés de protegê-los mantendo-os inconscientes do problema, ela os prendeu na ignorância.

O arrependimento crescia dentro dela como um balão prestes a estourar. Mas já era tarde.

A fúria de Asael não deixou espaço para suas palavras.

Então, ela falou, pelo motivo que a trouxe até ali, além da necessidade desesperada de ver seu amado.

— Conversei com minha mãe. Convenci ela a te libertar — disse ela.

Asael não se moveu. Sua cabeça permaneceu baixa.

— Você poderá ver Valentine de novo, ficar com ela. Ela… ela pede por você quando dorme. Quer ouvir suas histórias. Ela não te esqueceu, Asael — falou com esperança.

Dessa vez, Asael hesitou.

— O preço — sussurrou.

Sabia que a Imperatriz nunca o libertaria sem algo em troca.

Rose mordeu o lábio, achando difícil dizer as palavras, mas não tinha escolha.

Ela tentou convencer sua mãe e falhou. Essa era a melhor coisa que conseguiu, a única maneira de proteger Valentine, a única esperança de reconstruir sua família destroçada.

— Você… — sua voz tremeu.

— …tem que jurar perante a Vontade que nunca prejudicará o Império de qualquer forma até o fim da vida… e que obedecerá a todas as ordens dela — ela exigiu.

O silêncio tomou conta da prisão.

Um silêncio tão tenso que parecia prenúncio de calamidade.

Então, lentamente, Asael levantou a cabeça. Seus olhos vogais, como dois abismos, cruzaram com os olhos vermelhos de Rose, seu rosto carregado de ira ardente.

— …você quer que eu seja um escravo do Império? — Ele rosnou.

— Eu? Asael Shadeborn, Herdeiro das Sombras? —

Ele se ergueu de sua posição de pernas cruzadas e avançou até as grades, segurando-as com as duas mãos, apertando com força a ferro que chiaria, ameaçando se partir sob sua força.

Mas Rose não se moveu. Ela permaneceu firme, absorvendo sua fúria, seu ódio.

Ela o encarou com olhos doloridos e balançou a cabeça lentamente.

— …Sim. Por nossa filha, Asael… — ela falou baixinho.

Ela fez uma pausa, depois sussurrou, implorando.

— Faça por ela. Precisamos protegê-la.

Sua voz vacilou sob o peso do coração.

— A guerra se aproxima, Asael. E… —

A voz dela quebrou.

— …e não posso fazer isso sem você.

Não posso proteger Valentine da ganância da minha mãe… sozinha.

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