
Capítulo 215
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Rea não sabia onde estava, e por um momento… ela nem mesmo sabia quem era.
Quem ela era?
Ela não sabia.
Tudo em sua mente era nada mais do que um sofrimento sem fim, camadas de dor sobre dor. Dores que despedaçavam seu coração como se fosse nada além de pedra quebradiça, tristezas que esmigalhavam sua alma em mil cacos de madeira pontiagudos, e pecados… ah, os pecados eram abomináveis.
Eles tomavam o controle da parte mais profunda de sua mente e jorravam dentro dela como uma enxurrada, enchendo-a até que ela se afogasse na culpa — pecados que ela não cometera, mas que, naquele momento, acreditava ter cometido.
Ela achava que era ela quem havia matado seu próprio filho, só para ferir o homem que a abandonara por uma prostituta que havia encontrado na rua.
Achava que tinha sido ela quem incendiara uma aldeia inteira porque um deles ousara assistir enquanto ela abusava de um garoto cujo rosto estava coberto de lágrimas e escorrendo mucos.
Achava que tinha sido ela quem assistiu seu pai queimar vivo enquanto tomava vinho, com alguém ajoelhado entre suas pernas bebendo seu sangue, enquanto seus gritos abafados alimentavam sua alegria.
Ela pensava… e pensava… e pensava de novo.
Os pecados eram inesgotáveis. Envolviam-na como um abraço materno, mas não ofereciam calor algum — apenas o abismo, apenas o conforto vazio de tornar-se ela própria o abismo.
Seu corpo tremia freneticamente no chão, suas mãos agarrando a cabeça com tanta força que parecia que seu crânio iria explodir. Seus olhos vertiam lágrimas de sangue negro enquanto ela implorava pelo fim.
"A-Ah… ah… p-por favor," ela soluçou.
Ela implorava. Implorava com todas as forças para que alguém, qualquer um, acabasse com essa dor. Ela estava pronta a dar tudo, a sacrificar tudo, se ao menos essa enxurrada de sujeira parasse de afogá-la, se ao menos esses pecados cessassem de manchar sua alma com seu veneno.
Ela implorava ao Vontade, ela implorava por sua deusa, mas ninguém respondeu.
Ninguém se importava com a dor de uma criança miserável quando o mundo já estava abarrotado delas. Ninguém se importava com o sofrimento de uma garotinha retorcendo-se no chão, cercada pelas criaturas mais terríveis, engasgando-se com sua própria respiração, com o rosto marcado de sangue, suor e mucos até parecer uma obra de arte insana, pintada por um deus louco.
Não… ninguém se importava.
E Rea chorou.
"Ahhh…" sua boca se rasgou enquanto ela chorava desesperadamente.
Ela chorou de novo, de novo, de novo.
Ela chorou por ajuda, pelo alívio, pela liberdade do fluxo de emoções que a estava afogando, da dor que ameaçava consumir toda ela.
Ela chorou como um recém-nascido, indefesa e exposta.
Ela soluçava tão forte, tão violentamente, que sufocou com sua própria respiração.
E então, quando as lágrimas secaram, os gritos começaram.
Sua garganta se abriu em um grito lancinante, como uma banshee, suas mãos rasgando seus lindos cabelos brancos, o couro cabeludo sangrando enquanto fios caíam em tufos.
Ela não se importava.
Ela amaldiçoou todos, tudo… amaldiçoou o mundo inteiro.
Seus gritos eram tão crus, tão insuportáveis que até os prisioneiros ficaram em silêncio, olhando horrorizados para Rea rasgando o próprio couro cabeludo, com unhas quebradas e dedos sangrando, sangue escorrendo ao ar enquanto ela se destruía.
Seus corações batiam como tambores de guerra enquanto uma onda enorme de medo os invadia. E então, eles também começaram a gritar, como se o próprio inferno tivesse aberto seus portões diante deles.
A sala se encheu de choros, gritos… dor.
Rea tentou se levantar. As pernas tremeram, depois cederam, ela caiu.
Ela amaldiçoou, seus olhos, que um dia foram vermelhos rubi, agora eram completamente negros, mergulhados em lágrimas.
Ela estava perdendo a si mesma.
Ela tentou novamente, deu um passo cambaleante, escorregou em seu próprio sangue e caiu de bruços, o rosto se arrastando pelo chão negro encharcado de sangue.
Ela vomitou, sangue negro e saliva escorrendo de seus lábios em uma cascata repulsiva, manchando seu rosto enquanto ela engasgava e se sufocava.
Não tinha mais força para se mover.
Sua respiração ficou irregular, desesperada, cada suspiro sufocado pelos seus próprios fluidos enquanto ela engasgava com seu próprio sangue.
Ela… estava no seu ponto mais baixo.
A mente vazia, tremendo na beira do ponto sem retorno, do ponto em que esqueceria completamente de si mesma.
Sim.
Não era isso que ela tinha declarado estar pronta para enfrentar?
Perder a si mesma se isso significasse alcançar o sucesso?
Então, por que…
'…p-por que… medo?' Rea pensou fragmentadamente, agarrando o último fragmento de si que ainda restava, uma migalha que parecia uma formiga frágil diante das mandíbulas de um dragão.
Ela não tinha mais tempo.
Ela não deveria estar infeliz, não deveria sentir medo, especialmente quando ela própria tinha declarado que estava pronta para perder tudo.
Mas por quê?
Por que ela tinha medo?
Ah…
A resposta veio.
Porque ela não queria ser alguém diferente.
Ela não queria que seu pai amasse outra filha no lugar dela.
Ela não queria que a vingança do seu avô fosse executada por outra mão.
Ela não queria que o mundo apagasse sua vida, que a tratasse como se ela fosse insignificante, sem valor mesmo de memória.
Suas emoções, suas ambições, suas inseguranças…
Ela não queria que fossem enterradas sob a pele de outra pessoa.
Ela queria ser ela mesma. Queria percorrer esse caminho de dor e tristeza com seus próprios pés.
Ela queria ser a Santa da Tristeza, acumulando suas riquezas, suas moedas, seus tesouros — tudo — por si mesma.
Não mais por alguém.
Ela.
Porque esse era o seu caminho.
O caminho do medo, da tristeza.
A mente de Rea se acalmou lentamente. Ela deixou que a maré das emoções negativas a invadisse, aceitando o que vinha.
Porque agora ela compreendia: o medo não era uma maldição.
O medo era necessário.
Afinal, como alguém poderia ser corajoso sem medo?
Coragem não era a ausência de medo, era sentir esse medo perfurar a alma e, mesmo assim, apertar os dentes, manter a postura, e avançar para enfrentá-lo.
Sim.
Isso é o que separa os líderes dos seguidores.
E enquanto Rea deixava a maré de emoções a envolver, uma outra verdade acendeu dentro dela.
Sua alma brilhava como uma ferida rasgando o céu, com a luz do sol atravessando, ardente e inquestionável.
Medo… medo demais poderia esmagá-la.
Então ela precisava de algo que equilibrasse isso. Algo que a impedisse de desabar.
E a resposta era simples.
Esperança.
Ela precisava desejar. Desejar um futuro melhor, desejar tornar-se a Santa, desejar encontrar os criminosos do seu avô, desejar ser a mulher mais rica que já existiu em ambos os mundos — maior até do que a lenda da Mulher Dourada.
Ela tinha que desejar amor. Uma família própria.
Sim… ela tinha que desejar.
Mas também, ela precisava temer.
Temer e desejar, juntos.
Seu coração se expandiu. Sua paz interior voltou. Seu corpo deixou de tremer. Sua respiração estabilizou.
Seu cabelo rasgado parou de sangrar, suas mãos cairam moles ao lado do corpo.
Uma luz cinza brilhante irrompeu de seu corpo, inundando a sala e atingindo os prisioneiros com uma dor intensa.
Rea alcançou a iluminação.
O sangue e as lágrimas que ela vertia subiram do chão, sendo puxados de volta para sua carne como se o próprio mundo sussurrasse: chega, você já sofreu o suficiente.
Seu cabelo curou, recuperando seu brilho.
No interior de sua mente, uma tempestade de pensamentos se formou e, então, se acalmou, clareando.
Medo não era mal, pois só com medo existia coragem.
Porém, só o medo consumiria tudo, então precisava ser equilibrado com esperança, sempre lembrando do caminho que escolheu seguir.
Essa era a vida.
A vida era como um pássaro. O coração era sua cabeça, enquanto medo e esperança eram suas asas. Para voar com segurança, devem estar em equilíbrio… medo demais te esmagará, esperança demais te cega.
E sempre, o coração aponta a direção.
E qual era a direção dela?
Rea abriu os olhos, brilhando como rubis celestiais, e sussurrou:
"Santa da Tristeza… Avô… Família…"
A direção dela estava definida.
Seus medos eram abundantes.
Sua esperança começava a brotar.
E assim, Rea começou a voar.
Desajeitadamente, por enquanto.
Mas ela tinha dado o primeiro bater de asas… e logo o próximo viria.
Ela voaria, e cobriria os mundos com suas asas.
E assim…
DING!
Rea atingiu o Rank Intermediário.
{Parabéns, Rea Thornspire. Você completou sua missão.}
{Você recebeu um título.}
{Título conquistado: O Pássaro Triste.}
{Deixe o Medo e a Esperança serem suas asas e a Tristeza sua Coroa.}
—Fim do Capítulo 215—