
Capítulo 413
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
No domínio da Ordem Draco, dentro de uma sala repleta de dragões e objetos dourados, uma mulher jazia sobre sua cama em formato de boca de dragão.
Aquilo estava limpo e organizado, o teto tinha uma pintura realista de um dragão. Se Kaden tivesse visto essa pintura, reconheceria imediatamente a criatura.
No chão, havia somente um piso feito de rocha processada. Era macio, mas firme ao toque.
A mulher usava uma blusa curta preta, justa, que se encaixava perfeitamente em suas curvas, complementada por um top vermelho fofo. Com seu corpo voluptuoso e pecaminoso, a visão era de tirar o fôlego, para dizer o mínimo.
Seus olhos prateados de dragão olhavam para o teto — admirando seu ídolo — enquanto sua mente remexia tudo o que acontecera desde que descobriu o cadáver do Príncipe Vermelho com sua amiga, Cole.
Keisha nunca imaginou que aquele incidente chegaria a esse ponto.
Mas, na verdade, o que ela esperava quando sua família, sua Ordem, estava envolvida?
O Dragão Gordo tinha colocado a Ordem Draco em relações tanto geladas quanto desagradáveis com Hydra e Lyra.
As duas Ordens não hesitariam um segundo para atacá-los.
E, considerando o ódio profundo do prodigioso Sky, da Ordem Orion, contra o Dragão Gordo, então a Ordem Orion também poderia estar na lista de inimigos.
Só sobrava a Ordem Centauro, mas esses caras nunca hesitariam em apoiar os outros a atacarem.
Eles falavam em ser inteligentes e acima de guerras... mas esses hipócritas.
'A única coisa que os impede é a Esfinge e suas notícias preocupantes.' Keisha pensou, franzindo as sobrancelhas prateadas. 'Por enquanto, a notícia do nascimento do Herdeiro do Monstro é mais importante para eles do que brigar entre si.'
Era estranho para Keisha ver todas as Ordens concordando unânimes em primeiro matar o Herdeiro.
Ela se perguntava o porquê.
E por que a maioria, especialmente as gerações mais antigas, estavam tão tensas e assustadas.
Keisha não sabia, mas o que ela tinha certeza é que O Gordo não era alguém que se importava com o bem-estar geral de seu povo.
Ele se importava apenas consigo mesmo. Um tipo de dragão que poderia devorar o mundo se isso garantisse viver mais um segundo.
Seu tamanho dizia tudo a respeito dele.
'Ele certamente vai fazer alguma coisa.' Keisha pensou, cerrando a mandíbula.
E isso a preocupava demais, a ponto de roubar seu sono.
Porque o Gordo tinha começado recentemente uma pesquisa intensiva e irritante sobre tudo o que aconteceu naquele dia.
Ou seja, ele eventualmente descobriria que ela e Cole estavam de guarda no perímetro ao redor da Ordem naquele dia.
E sabendo disso…
Os olhos de Keisha ficaram mortos de frio imediatamente.
"Não posso permitir que ele ponha o foco em mim." ela disse, abafando um arrepio de medo. "Cole está assustado. Agora, mal sai do quarto, com medo de ser pego. Se continuarmos nesse ritmo, seremos descobertos por causa da sua estupidez."
Ela amaldiçoou, agarrando seu travesseiro prateado e rasgando-o com suas unhas afiadas.
Seus olhos ficaram mais fundos, uma decisão se cristalizando em sua mente.
"Eu não queria fazer isso." ela sussurrou, fechando os olhos, tentando acalmar seu coração pulsante.
Mas uma aliada covarde era pior do que não ter nenhuma aliada. Cole era covarde. E se ele escorregasse — e a Mãe dos Dragões sabia que ele iria — então ele nunca cairia sozinho.
Ele levaria consigo todos os seus aliados. Em outras palavras, arrastaria ela para um poço sem fundo.
E isso…
"…eu nunca aceitarei."
…
"Você tem certeza da sua decisão?" Solace perguntou, com uma voz que lembrava o miado de um gato preguiçoso, observando Meris em pé diante de uma porta enorme e imensa.
A porta era roxa com inscrições prateadas descrevendo gelo e gatos entrelaçados em uma dança hipnotizante.
No topo dela, uma frase.
'Nunca pare de dançar.'
Solacefitou intensamente o rosto de Meris com seus olhos felinos, tentando compreender — entender — o que poderia ter causado uma mudança tão drástica nela.
Ansiavam-se anos, mas ela nunca quisabe que Meris recuperasse sua essência e não se perdesse.
E, no entanto, ela havia conseguido.
"Claro que estou." Meris respondeu com um sorriso discreto, "Estou tão segura quanto posso estar."
"Agora você me deixou curiosa." Solace comentou.
"Curiosidade matou o gato." Meris riu baixinho, "Você sabia disso?"
"Não." Solace brincou, com os lábios se contorcendo.
"Agora sabe. Ouvi isso do meu Gaden lindo."
As sobrancelhas de Solace arquejaram. Era perigosamente fofo na face felina dela.
"Ele é a razão de você estar assim? De estar… menos conflitante consigo mesma?"
Meris assentiu de forma simples.
Sua expressão era calma e serena, seus olhos prateados nublados enquanto recordava a dança com Kaden no céu.
Seu sorriso se aprofundou.
"Sim," ela disse, "ele é o escolhido."
"Por quê? Não, como ele conseguiu?"
Solace podia ver bem fundo no peito de Meris. A situação dela não tinha mudado. Ela ainda era Sem Alma, com apenas gelo nela.
De certa forma, sua situação até piorou.
O gelo evoluiu nos últimos dois anos. E, com seu objetivo de tomar a Semente do Gelo, poderia significar que Meris seria apenas uma entidade de gelo.
Porém, havia uma pequena mudança nela. Ao lado de seu coração, parcialmente de gelo — literalmente — uma pequena chama rubro-dourada, como a de uma vela, cintilava suavemente ao redor.
Os olhos brilhantes de Solace se arregalaram diante do fogo.
A voz de Meris soou, cheia de convicção e fé:
"Porque ele me disse algo, avó Solace." ela sussurrou, levantou a mão e colocou a palma contra a superfície gelada da porta. "Ele me disse que, seja o que eu me tornar, e por mais fria que eu fique...
"...sua chama sempre poderá me derreter e abrir caminho no meu peito por ele."
"E você acredita nisso?" Solace questionou, tentando manter a calma. Ela percebeu a peculiaridade do fogo.
'A Família do Fênix. Um deles escolheu um hospedeiro? Pensei que todos fossem presos por Ele? Mas isso não basta. As chamas deles não se comparam a um Primordial.'
"Você bem sabe o quão perigosa e única é o seu gelo." Solace continuou. "E se você decidir entrar nesta sala por causa do que seu amor lhe contou, é melhor repensar. Só entre quando estiver preparada para pagar o preço de perder o que te faz humana."
Pousou a pausa, então, lentamente,
"Perder suas emoções, em si mesma."
Meris virou lentamente a cabeça, fixando seus olhos prateados nos violeta de Solace.
Ela sorriu de forma afiada, exibindo seus dentes brancos reluzentes,
"Eu conheço bem as consequências do que vou fazer." Meris afirmou, ativando sua mana prateada e transferindo-a para a porta pela mão.
"Mas, isso importa, avó Solace?" ela continuou. "Não importa o quanto eu acredite no Kaden. Não importa quantas vezes tenha dito a mim mesma que não vou perder o amor pela minha mãe e por ele. Não importa quantas vezes afasto meu medo…"
A porta começou a brilhar como um farol de luz.
"…ele sempre volta." ela sussurrou, mergulhada na angústia. "Estou afogando no medo, avó Solace."
O rosto de Solace se contorceu, os olhos apontando para baixo. Ela podia ver muito bem.
Os olhos de Meris podiam parecer frios ou até brincalhões para os outros. Mas para ela, com seus olhos únicos, ela podia perceber o medo corroendo seu cérebro e coração.
E ainda…
"Tenho que fazer isso." Meris disse, com os lábios pressionados em uma linha de determinação. "Tenho que fazer isso por mim mesma. Porque não quero viver sabendo que fujo de algo por medo."
"Eu sou Meris Elamin, Filha de Mayari, Herdeira de Elamin."
A porta rangeu ao se abrir.
"Não posso permitir que fuja. E não vou fugir de mim mesma."
Meris virou a cabeça na sua direção, olhando para a escuridão sufocante que escutava pela fresta da porta.
Ela fechou os olhos, inspirando e expirando para acalmar seus nervos gritando.
"Se eu sair como um ser sem emoções, sem volta para quem eu era." Meris sussurrou para Solace, "quero que você me mate."
Solace ficou em silêncio.
Meris não disse mais nada.
Ela se endireitou, avançando, deixando que a escuridão se grudasse nela como suor na pele.
Logo em seguida, a porta se fechou com um baque alto e retumbante, como se tivesse vontade própria.
Solace ficou ali, seus olhos violetas fixos na porta por um tempo.
Depois lentamente, deitou-se no chão diante da porta, com postura semelhante à das antigas rainhas felinas de tempos antigos.
Ela fechou os olhos serenamente, lembrando das últimas palavras de Meris. Sacudiu a cabeça, divertida.
"Quer te matar?" Solace exalou, ronronando.
"Você não sabe, Meris, que você é da realeza? Nascida da essência mais pura dos mundos?"
Solace suspirou.
E, além disso…
"Como posso eu matar a Filha do Gelo, sendo uma criatura de Gelo?"
—Fim do Capítulo 413—