Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 414

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Quando Meris entrou na sala estranha, a enorme porta atrás dela se fechou com um estrondo retumbante. Foi tão forte que uma onda de choque se irrompeu, atingindo Meris.

Ela não reagiu. Meris estava mais interessada na sensação que sua pele e suas percepções estavam recebendo dos estímulos ao redor.

De pé, ela tinha a impressão de estar sobre gelo, mas segundos depois — talvez nem mais que isso — era como neve, e novamente ela ouviu e sentiu o som molhado da água sob seus pés.

Meris franziu a testa.

Não eram apenas os pés dela. Todo o entorno parecia aquilo, fazendo seu corpo não conseguir se adaptar a um aspecto antes de mudar para outro.

De forma perigosa, ela começou a sentir um cansaço crescente. Era como se seu cérebro estivesse tentando furiosamente compreender o ambiente ao seu redor, mas falhas repetidas a impediam de conseguir.

A Filha do Gelo começou a se perguntar, olhando ao redor na escuridão, buscando algo que fosse útil.

Mas ela não precisava.

O Vontade tocou internamente.

DING!

O toque foi acompanhado pelo desaparecimento da escuridão que cobria os olhos de Meris. Seus olhos prateados, como espelhos, se arregalaram de espanto ao perceber a magnífica — e horrenda — visão da sala gigantesca diante de seus olhos.

[A Filha do Gelo entrou na masmorra artificial, Prova dos Benditos, criada por Ariane Froid Sed Elamin, A Serva do Gelo, Terceira Ancestral de Elamin.]

[O Bendito chegou. A Condição foi cumprida com sucesso.]

[A Prova começará em breve.]

"-Espera, o quê? Bendito?" — exclamou Meris, quase tropeçando.

Tudo aconteceu tão rápido que Meris não conseguiu reagir devidamente.

Ela olhou ao redor, vendo como o ambiente mudava rapidamente de gelo, depois neve, seguido de água e até vapor e neblina em intervalos e ordens irregulares.

As transmutações eram tão rápidas e anormais que seus sentidos — tentando acompanhar o processo — ficaram para trás, incapazes de acompanhar.

Meris amaldiçoou baixinho, tentando manter os passos firmes enquanto o gelo se transformava em vapor.

Ela falhou e quase caiu, sendo salva apenas por uma escada de gelo que apareceu atrás dela.

"I-isso..."

Suas palavras travaram na garganta enquanto os elementos da sala rangiam, retumbavam, e então colidiam em uma harmonia caótica, se fundindo no centro da sala.

Uma pequena tempestade de gelo, neve, água, vapor e neblina nasceu imediatamente no centro desse espaço gigantesco, levantando-se em direção ao teto.

Meris sentiu um frio profundo, horrível, rastejando por seu corpo. Um frio tão primordial que congelou seus ossos, deixando sua respiração e seus órgãos em formação de geada.

Ela agiu instantaneamente, mexendo o dedo no ritmo certo, fazendo seu próprio gelo explodir para fora como uma rajada de fogo, dissipando o frio.

Meris conseguiu respirar, seus pulmões livres, uma rajada de alívio batendo em seu coração.

Mas não durou muito.

A tempestade de elementos cessou, condensando-se na forma de uma entidade.

A Filha do Gelo voltou seus olhos para a criatura estranha.

Era com aparência humana, mas Meris sabia que aquilo não era nada como um humano. Ou talvez ela devesse dizer que ela mesma não tinha nada de humana.

A entidade à sua frente tinha pele azul que brilhava como água em vidro, com cabelos longos que flutuavam atrás, como uma mistura de neblina e vapor sob um vento forte.

Ela era alta, extremamente alta — cerca de 2,40m —, com olhos alongados como os de um elfo. Seus olhos eram como espelhos, refletindo perfeitamente o rosto desconcertado de Meris.

Apesar disso, Meris podia ver por trás daquele olhar estranho uma camada de emoções e inteligência.

E, de fato,

"Saúdo a Filha do Gelo", disse a mulher, baixando profundamente a cabeça com imenso respeito, "A Bendita pelo Gelo e Herdeira da Caixa de Relâmpagos."

"Que bobagem é essa que você está dizendo?" — replicou Meris, recuando cambaleando. "Quem é você?"

A mulher de pele azul levantou a cabeça novamente, olhando fixamente para Meris.

"Sou Ariane Froid Sed Elamin, Terceira Ancestral da linhagem de Elamin", disse, flexionando a mão, e fazendo surgir na sua mão um chicote,

"Sou também a criadora da Cidade dos Gatos e Guardiã da Semente do Gelo para a Filha do Gelo."

"Espera—!"

"E hoje", Ariane não deixou Meris terminar de falar, assumindo sua postura de combate, "estou aqui como sua Prova pela Semente."

Meris caiu por causa da súbita mudança de água para neve. Ela amaldiçoou com raiva, tentando se levantar rapidamente. Caiu novamente quando a neve se transmutou em neblina.

"ARGHHHH! PORRA!" — berrou Meris, com raiva ardente.

Ariane sorriu friamente diante da cena lamentável,

"Vamos ver se você é digna do seu Direito de Nascença, Ó Filha do Primordial."

Instantaneamente,

[A Prova começou.]

O Vontade sussurrou nos ouvidos de Meris.

[Faça-se uma com o Gelo, ou morra sob o Ataque do Terceiro Ancestral.]

Foi só então que Meris percebeu uma verdade congelante.

Ela estava ali, preocupada com o que fazer assim que perdesse todas as emoções. Mas havia uma coisa fundamental que esqueceu.

Antes de chegar naquele ponto, Meris precisava obter a Semente do Gelo, que agora sabia que poderia fazer com que ela fosse morta.

'Posso nem viver para ver o dia pelo qual tanto me preocupei.' — pensou, achando a situação irônica.

Meris engoliu em seco, reunindo toda a força que conseguiu naquele momento, e bloqueou a chicotada apocalíptica de Ariane, levantando a mão para impedir a força com que ela caía como uma cobra ensandecida.

Crach!—!

A mão esquerda de Meris quebrou, os ossos se projetando para fora.

"ARGHHH!"

Os olhos de Ariane não mudaram, nem se suavizaram.

Ela estava totalmente unida ao Gelo naquele instante.

"Mostre-me, Bendita!" — gritou ela, levantando o chicote novamente,

"MOSTRE-ME O PODER DE UM PRIME!"

Simultaneamente, no Cemitério dos Monstros, Inara estava no topo de seu castelo, que tinha a forma de uma língua bifurcada.

O castelo era como uma serpente siseante, construído pessoalmente por Maggot, Hound e Bird.

Inara havia muito orgulho deles, enchendo-os de amor, o que fez esses monstros chorarem de alegria em um canto.

Era adoravelmente assustador.

A serpente verde de Inara, que ela chamava de Serpente, estava enrolada ao redor do seu pescoço.

Agora, ela tinha grande porte, suas escamas variando entre verde e branco dependendo da luz do sol.

O monstro ficava na altura de sua mãe, uma líder de elite. Ela também já podia falar, mas naquele instante decidiu não fazê-lo, olhando para a face tensa de Inara.

A Herdeira da Mãe dos Monstros olhava para a barreira no alto, que estava quase destruída. Em dois ou três dias, ela se esfaceleria como poeira.

'Por sorte, as paredes estão prontas a tempo.' — pensou Inara, olhando para as muralhas titânicas de pele de monstro ao redor de todo o Cemitério, com seu castelo no centro.

'Mas essas muralhas não durarão para sempre.' — continuou, franzindo ainda mais o rosto. 'Pelo que posso sentir fora da barreira enfraquecida, mal vai durar um dia.'

Eram muitas e fortes.

Porém, o que mais incomodava Inara não era nem a quantidade nem a força deles, mas sim o fato de serem desconhecidos.

Não havia nada mais assustador do que lutar contra um inimigo desconhecido.

'Eu não sei nada sobre eles', pensou Inara, 'e não posso lutar contra seres cujo propósito ou origem desconheço.'

Ela perguntou a Maggot e a qualquer outro possível informante, mas ninguém tinha a resposta. Todos disseram que suas memórias daquele tempo eram confusas e fragmentadas.

Isso deixou Inara com uma única escolha.

Uma que ela não achava que estivesse pronta para enfrentar, mas o mundo não se importava se ela estivesse ou não.

Ela suspirou, amaldiçoando.

"Tudo pronto?" — perguntou Inara a Serpente.

"Sim, mãe." — chiarrou Serpente.

Inara agora olhou para a profundidade de seu castelo, na base dele.

Ela levantou a venda do olho, libertando Oeil, permitindo que ela enxergasse com maior profundidade.

Lá, os olhos monstruosos de Inara repousaram sobre uma lápide que emitia uma calma sensação de poder e de uma impiedade silenciosa.

O Túmulo de Echidna, A Mãe dos Monstros.

Inara suspirou, preparando-se mentalmente,

"Hora de nos encontrarmos novamente, mestre."

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