
Capítulo 415
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Inara caminhava sozinha, desta vez sem nenhum de seus monstros a seu lado, exceto Oeil, escondido atrás de uma venda no olho.
De cada lado dela, haviam corredores feitos de pele de cobra desgastada, formando um caminho rumo às profundezas de seu castelo.
Seus passos eram firmes e carregados de autoridade silenciosa, os sons das botinas batendo no chão escamoso ecoando pelo espaço fechado.
Apesar de tudo que demonstrava tranquilidade, Inara sentia-se muito longe disso. Afinal, ela prestes a encontrar uma raiz crucial que a definia.
Aquela que lhe rendeu o epíteto de Herdeira da Mãe dos Monstros, ajudando-a a abandonar sua pele de princesa de cobras comum e tornar-se algo maior.
Com a ajuda de Echidna, Inara tinha sido verdadeiramente renascida.
E, sem nem desejar, uma sensação de admiração e medo tomava conta de seu coração, apertado, ao pensar em Echidna.
Por causa disso, Inara sempre evitou encontrá-la novamente, apesar de saber que poderia.
Agora, as opções não existiam mais.
Inimigos que não eram seus respiravam a seu pescoço como caçadores famintos. E ela não precisava estar cara a cara com eles para saber que não desejavam nada além de desmembrá-la em pedacinhos.
"Que se dane esses bastardos desconhecidos. Não posso, nem de longe, permitir isso," murmurou Inara, seu único olho se enrolando e fragmentando como vidro, "Ainda tenho muitas coisas a fazer. Morte não é uma opção. E nunca será."
A Princesa Serpente fechou as mãos com força, até finalmente parar em suas passadas, chegando ao seu destino.
Ela encarou a lápide diante de si. Como da última vez, uma série de monstros — tantos quanto vermes em comida podre — estavam gravados na pedra como uma cena macabra.
Os mesmos monstros cercando uma mulher sentada em um trono.
Memórias de seu primeiro encontro inundaram sua mente, mas Inara as afastou.
Não era hora de rememorar.
Fechando os olhos por um breve instante, inalou com força pelo nariz e soltou pela boca.
Saíram jatos de fumaça verde, que se enrolavam, sibilavam e mugiam como seres vivos.
Estendeu a mão direita, pressionando a palma contra a superfície fria da lápide.
Ela não usou mana.
Usou seu sangue, e a pedra começou a brilhar com uma luz negra-esmeralda radiante, engolindo Inara por completo.
…
Vazamento—!
Inara caiu de joelhos em um mar de sangue negro, as sobrancelhas cerradas, tentando expulsar da mente as imagens do que causara aquela teleportação brutal.
Essa comodidade não tinha sido concedida a ela.
"Ah, minha discípula finalmente veio me ver," a voz de Echidna reverberou por todo o reino dos monstros mortos, fazendo Inara lentamente levantar a cabeça, fixando os olhos na Mother of Monsters, que era irresistivelmente bela.
Echidna sorria calorosamente, como se feliz por ver Inara depois de tanto tempo.
Mas tudo que Inara via eram centenas — não, milhares ou talvez bilhões? — de olhos fixos na sua alma através da boca de Echidna.
Ela agora era uma entidade mudada, mas Inara não conseguiu segurar um calafrio ao se deparar com aquilo.
"Você cresceu," acrescentou Echidna, com uma expressão satisfeita, "De fato, sangue não mente. E quanto mais você cresce, mais se parece com ela. Maravilhoso. Verdadeiramente maravilhoso. Minha querida princesa, venha e diga para a mamãe como você tem estado."
Inara ficou confusa com as palavras estranhas de Echidna, mas imediatamente se lembrou do motivo pelo qual tinha vindo até ali.
Ela se levantou de repente, com sons de respingos sendo dispersos ao vento com seu movimento.
Ela envolveu seu corpo com sua aura para impedir que o cheiro venenoso e o sangue dos monstros mortos tocassem nela.
O aroma era nojento, para dizer o mínimo. Era como um depósito de lixo úmido, mas pior.
Acima, o céu era de um vermelho escuro, com um enorme olho negro piscando, fixo nela.
Inara piscou. Não era assim na última vez, ela pensou.
Seria por ela estar mais forte, podendo enxergar além do véu?
Inara não sabia. E não era hora de pensar nisso.
"Saúdo a Mãe dos Monstros." Inara fez uma leve reverência, "e embora eu não me incomode de encher sua cabeça com minhas últimas novidades…"
"Ah, minha adorável princesa, você nunca me aborrecerá com sua vida."
"…Tenho assuntos urgentes a tratar com você, mestre." concluiu Inara, fazendo Echidna inclinar a cabeça de forma cúmplice.
"Deixe-me adivinhar. A barreira já caiu?" ela perguntou, sorrindo suavemente.
Mas Inara percebeu uma ponta de frieza por trás daquele sorriso.
"Sim." Inara assentiu, sem se surpreender, "em no máximo três dias, ela desaparecerá completamente. Criei minha própria barreira, mas sei que não resistirá por muito tempo. Por isso estou aqui, mestre."
Ela fixou seus olhos nos de Echidna profundamente. A Princesa Serpente se arrependeu instantaneamente. Virou a cabeça abruptamente, amaldiçoou, mas continuou falando:
"Preciso saber com quem estou lutando." Inara disse, "Preciso entender por que senti como se quisessem nada mais do que destruir completamente minha pessoa, deixando até minhas cinzas."
"Ora, minha princesa," Echidna growled, "você conhece alguém que não deseja nada além de destruir quem o oprime e o colar ao redor do pescoço?"
"Huh?" Inara exclamou, "que diabos—! Quero dizer, o que você quer dizer com isso?"
"É simples, minha doce princesa. Muito simples." Echidna sussurrou, erguendo a cabeça, sua voz carregada de fúria e carinho maternal, "Os criados se esqueceram do Criador. As bestas morderam a mão do Mestre que as alimenta."
Quanto mais Echidna falava, mais os olhos de Inara se arregalavam, e seu coração batia descompassado de apreensão.
Echidna abaixou a cabeça de volta, encarando fundo os olhos de Inara.
E ali, ela mudou.
Seu corpo se transformou, formando uma massa de bilhões de bocas de todos os tipos, tamanhos e cores, todas abertas em extenso sorriso.
Então ela— elas— falaram.
E Inara sentiu o mundo desabar sobre sua cabeça enquanto as vozes irritadas e fragmentadas da Mother of Monsters chegavam à sua mente.
"O Falcão não ouve mais o Falcão-Conte," gritou a Mother of Monsters, fazendo o reino tremer sob sua fúria, "e, por isso, Inara, minha princesa, eles precisam morrer."
Ela gritou com uma raiva avassaladora!
"PRECISAM MORRER POR TRAIREM SUA MÃE!!!!"