Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 416

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Sky ouviu surpreso, com a expressão séria no rosto. Seus olhos vasaram rapidamente os seres semelhantes a monstros presentes na sala, parando nos dois membros dos Sete-Cicatrizes.

Eles eram duas mulheres, gêmeas, pelo assustador parecido mesmo com os rostos ossudos.

Sky só conseguiu distinguir as gêmeas pela cor do cabelo. Uma trançou completamente, enquanto a outra deixou os fios em um círculo volumoso de cabelo.

Era algo estranhamente belo. Não era a primeira vez que via aquele penteado, e a Katy uma vez lhe disse que chamavam aquilo de Afro.

Balançando a cabeça para focar novamente no presente, Sky escutou a mulher de cabelo afro. Ela se chamava Aminata. Sua gêmea trançada era Awa.

"Somos uma espécie chamada Caçadores de Ossos," disse Aminata, fixando seus olhos negros intensamente no rosto de Sky, enquanto névoas vermelhas envolviam-na, "não vou entediá-lo com toda a história de como viemos a existir."

Seu rosto ossudo parecia se retorcer, com uma expressão de desgosto. Sky não conseguiu perceber exatamente, tinha dificuldade em interpretar suas expressões faciais.

"Mas, assim como as outras Ordens, somos monstros."

"Agora você deve estar se perguntando por que estamos lhe contando tudo isso agora." Awa retomou, com a voz mais leve que a da irmã.

Sky assentiu.

Ela sorriu e continuou: "não é apenas porque você alcançou o status de Três-Cicatrizes. Muitos dentro da nossa Ordem conquistaram isso ao longo dos anos passados. Muitos que não nasceram entre nós. Assim como você."

"Porém, querido Sky, apenas você está aqui, na Sala, neste nível."

Awa riu, um som como ossos rangendo, ecoando forte,

"Sabe por quê?"

"Porque eu sou talentoso." Sky respondeu, sem mudar sua expressão, de forma objetiva. "Porque eu sou diferente dos outros."

Seu mestre sorriu, exibindo uma expressão orgulhosa e satisfeita.

Nenhum ser de Três-Cicatrizes ousaria falar desse modo e com esse tom para um Sete-Cicatrizes. Mas Sky falou. E, mesmo assim, nenhum deles se surpreendeu.

Eles aceitavam a arrogância de Sky como parte dele. Mas, na verdade, só o aceitavam por causa do poder e do talento monstruoso dele.

Qualquer outro teria sido atravessado na parede com ossos presos na cabeça.

Desde o nascimento daquele monstro, eles nunca tinham visto uma criatura como Sky.

E exatamente por isso,

"Você está certo," Awa disse, e Aminata continuou mais severa,

"Por causa do seu talento, não precisamos esperar mais do que o necessário para convidá-lo formalmente para nossa Ordem. Na verdade, teríamos feito isso assim que você conquistasse suas Segunda-Cicatrizes, mas...”

Ela deixou a frase no ar, depois balançou a língua rapidamente.

"A questão é, queremos que você faça parte de nós."

Ficou um silêncio pesado. Sky franziu brevemente a testa. 'Isso é complicado.'

"Pense bem antes de responder." acrescentou seu mestre, conhecendo-o o suficiente para sentir seu clima por uma simples mexida no rosto. "E considere os benefícios de aceitar."

"Benefícios?"

"Sim, benefícios." Awa respondeu, sorrindo timidamente. "Afinal, só pode se casar dentro da nossa Ordem quem é um de nós."

Os olhos de Sky se arregalaram ao captar, de imediato, a mensagem subentendida na fala de Awa.

Ele a encarou intensamente, depois olhou para as outras duas.

"E, ao se tornar um membro oficial da nossa Ordem, você terá direito a nos pedir uma coisa que não iremos recusar."

"Em outras palavras..."

Seu mestre sorriu maliciosamente,

"Se desejar a cabeça do Gordo, meu discípulo, a Ordem Orion fará o máximo de esforço para servi-la em um prato feito de seus ossos gordurosos."

"Se ele algum dia tiver algum." Awa completou, rindo, sua névoa azul girando ao redor do corpo.

"Então, não tenha pressa," Aminata acrescentou, cruzando os braços em seu seio generoso, ignorando a irmã, "pois não iremos te fazer uma segunda pergunta."

"E se eu recusar?" Sky finalmente falou, inclinando a cabeça de leve. "E se eu, vamos dizer, gostar de ser humano mesmo?"

Seus palavras soaram como gelo, deixando a sala no silêncio absoluto, enquanto Awa, Aminata e seu mestre fixaram seus olhos monstruosos nele.

Nesse instante, Sky sentiu-se como uma presa prestes a ser engolida por três caçadores famintos. Gaguejou inconscientemente, com os ossos dentro do corpo rangendo.

Parecia que eles iam saltar sobre ele, matando-o de forma rápida.

Sky sorriu, forçado, mexendo a mão de leve. "É uma pergunta simples," disse, tentando aliviar a tensão ao redor, "no final, meu mestre sempre me ensinou a considerar os dois lados antes de escolher."

Como um balão furado, a tensão se esvaziou, como se nunca tivesse existido.

"Verdade, verdade." Disse seu mestre, a barba balançando com a cabeça. "Eu ensinei isso a você."

"Mas, Sky," interveio Awa, sorrindo calorosamente, "você certamente não quer saber o que aconteceria se você recusasse depois de nos ver. Acredite, há uma razão pela qual gostamos de brincar de humano."

"Agora você tem dois dias." Aminata acrescentou, levantando dois dedos delgados, de ébano. "Dois dias para pensar na sua resposta."

"Porque, em dois dias, precisaremos saber onde você está na luta contra o Herdeiro."

"Pode voltar para seus aposentos se não tiver mais perguntas."

Sky sorriu de forma cordial, inclinando a cabeça com respeito. "Darei minha resposta antes disso."

Sem mais palavras, virou-se e saiu da sala, sua mente fervilhando com muitas outras preocupações inquietantes.

'Porra.'


De volta à Tumba de Echidna, Inara observava o estado mais calmo de sua mestra.

Por mais que parecesse ser tranquila, Inara sentia que uma palavra errada e ela podia acabar de uma vez.

"O rei de sete cabeças de Hidra, a Mãe das Dragões de Draco, a Primal Caçadora de Ossos de Orion, a Centauro Sábia e Guerreira da Guerra de Centauro, a Canção da Tentação de Lyra e, por fim..."

A Princesa da Serpente fez uma pausa, depois continuou, com voz tensa,

"…A Esfinge."

"Sim," disse Echidna, estreitando os olhos, "são eles."

"Mas por quê?" Inara perguntou, confusa. "Por que eles te traíram sabendo que você os criou? E como conseguiram tamanha força?"

"Pense por si mesma, minha princesa." Echidna reagiu carrancuda. "Qual outro motivo poderia existir, senão liberdade?"

"Liberdade?"

"Sim, liberdade." Echidna afirmou. "Era tudo o que eles queriam. Libertar-se do meu controle absoluto, da certeza de que podem recuperar tudo o que dou, e que nada seriam sem mim."

"Você consegue entender isso?" A Mãe dos Monstros perguntou, inclinando-se para frente, com olhos mais gelados. "A consciência de que, um dia, você pode acordar e não ser mais nada, simplesmente porque alguém desejou assim?"

Inara calou-se, a imagem completa da situação finalmente se formando diante dela.

Era uma cena angustiante.

"Eles se recusaram a viver com tanto medo. Então, buscaram liberdade."

"Como?" Inara perguntou novamente. "Não achei que um monstro pudesse se virar contra sua própria mãe."

"Aprenda isso hoje. Nada é impossível, Princesa. Nada mesmo." Echidna rosnou. "Só precisa encontrar um caminho. E eles o encontraram. Tudo por causa daquela maldita Estrela."

"Estrela?" Inara repetiu.

Mas Echidna apenas levantou a cabeça, fixando novamente o olho piscante no céu. Parecia acalmar sua mente,

"O tempo é curto, minha princesa." Echidna sussurrou. "E, se quisermos sucesso nisso, precisaremos fazer uma última coisa juntas."

Ela olhou de volta para ela, e Inara sentiu o peso da situação. Mas a Herdeira não recuou. Endureceu a postura, encarando sua mestre como uma soldada pronta para uma guerra que talvez nem sobrevivesse.

"O que precisamos fazer?" Inara perguntou, com as mãos cerradas em punhos brancos.

Echidna sorriu levemente, ao perceber sua determinação.

"Você morrerá com seu poder atual se lutar contra eles neste nível. E minha estratégia, que planejei há tanto tempo, será em vão se você fizer isso."

Sorriu ao se levantar lentamente do trono, indo em direção a Inara com passos medidos.

"Você precisa alcançar o Grande Mestre." continuou a Mãe dos Monstros. "Precisa conquistar seu Domínio, para aumentarmos nossas chances de sucesso. E não é só isso, minha princesa..."

Num piscar de olhos, mais rápido do que Inara imaginava, Echidna já estava a poucos centímetros dela.

Ela ergueu o dedo indicador, colocou sob queixo de Inara e o levantou suavemente, fazendo com que seus olhos se encontrassem profundamente.

Inara reprimiu um calafrio ao ver a visão profana nos olhos de sua mestra.

"…Eu também preciso que você me traga de volta à vida. Você é a chave, Princesa. Sempre foi."

"Como?" Inara perguntou com cautela. "Não tenho uma Pedra de Evolução para subir de nível, nem ideia de como te ressuscitar. Isso é mesmo possível?"

"Pedra de Evolução é apenas uma ferramenta para facilitar o processo de sublimidade do seu eu, de modo a estar pronta para a evolução e receber uma missão de A Vontade."

"Se você conseguir atingir esse estado de sublimidade por si própria," Echidna sorriu monstruosamente, "então não precisará de pedras."

"Mas—!"

"Da profundidade do abismo vem a voz da sublimidade," interrompeu ela, sua cabeça se fracturando em quatro partes, exibindo uma cena tão horrenda que os olhos de Inara sangraram, sua mente quase se destruindo.

Ela abriu a boca para berrar.

Porém, Echidna agarrou sua boca com a mão.

"Não fale. Apenas ouça."

Echidna obrigou Inara a testemunhar de forma forçada o que estava na sua mente. Inara gemeu, com os olhos arregalados de horror.

A atmosfera ao redor começou a se transformar, os cadáveres de monstros mortos tremiam.

Por fim, a voz de Echidna ecoou na mente de Inara,

"Bem-vinda ao meu Abismo, Inara Serpentine. Ouça a voz da sublimidade, ou morramos com orgulho."

Inara foi sugada para dentro da mente de Echidna; dentro do seu labirinto fraturado e quebrado.

E ambos caíram no chão, como marionetes partidas.

—Fim do Capítulo 416—

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