
Capítulo 412
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Rose observava como sua filha se aproximava cada dia mais de sua mãe.
Sabendo de sua mãe, Rose ficou surpresa ao vê-la dedicando seu tempo a Valentine.
Após tudo, a Imperatriz mal passava tempo com ela quando era criança.
De forma constrangedora, isso a deixava tanto feliz quanto com ciúmes ao mesmo tempo.
'Mas já não importa mais.' Rose pensou, com os olhos sem vida, mas cheios de tristeza. 'Só minha filha me mantém neste mundo. Não quero abandoná-la depois do que fiz. Mas…'
Ela fez uma pausa, receosa de continuar seu raciocínio. Ainda assim, falou.
'Se minha mãe aceitar você completamente… então talvez… só talvez eu possa partir e deixá-la aos cuidados dela.'
Era tudo o que ela queria.
Ela já não se importava mais com esse império. Na verdade, ela nunca se importou. Mas agora, era pior.
As únicas coisas que a motivavam a suportar o peso que sua mãe lhe impunha eram sua filha e Asael.
Principalmente Asael.
Rose não mentiria para si mesma. Ela se importava mais com Asael do que com Valentine. Mas Asael se importava mais com Valentine do que com ela.
Que ironia.
Asael estava disposto a fazer tudo por ela. Ela era a mesma — mas só se estivesse ao lado dela, de mãos dadas.
Ele era sua sombra. A que a cobria e facilitava quando seu mundo parecia desmoronar.
Agora tudo isso desapareceu. Já faz dois anos. As feridas e a dor continuavam tão vivas quanto antes.
Suspirando, Rose afastou o olhar de Lydia e Valentine.
Virou-se de costas e foi embora, planejando se afogar nos treinos até que seu corpo e mente colapsassem.
Assim que desapareceu, Lydia virou a cabeça, olhando para o mesmo lugar onde Rose havia acabado de estar.
Ela olhou por um longo tempo antes de exalar suavemente, balançando a cabeça lentamente.
'Amor… Amor… Amor…' pensou internamente, observando sua neta tentando pegar um esquilo com os olhos vendados.
'Deveria ficar feliz com esse desenvolvimento,' continuou ela. 'Mas, estranhamente…'
Ela não estava.
Naquele instante, a Imperatriz dos Condenados se perguntou o quanto tinha mudado nos últimos dois anos. E por que tinha mudado.
Quando essa questão surgiu em sua mente, Lydia se viu sorrindo ao ver Valentine conseguir pegar um esquilo.
"Vovó! Vovó! Consegui!" Valentine pulou toda entusiasmada, rindo de um jeito tão adorable que o coração congelado de Lydia derreteu.
Ela reteve o sorriso e berrou,
"Faltam quatro, Val!"
Valentine imediatamente resmungou baixinho e continuou, murmurando que seu pai passaria horas elogiando ela por isso.
Lydia quase explodiu em risadas incontroláveis.
Felizmente, conseguiu reprimi-la novamente.
Mas seu corpo tremia.
"Mais rápido, Val!"
"Eu sei!!"
…
Enquanto isso, ainda no Oeste de Fokay, dentro da capital do Reino do Rio, Eau, um homem de capuz preto, caminhava entre as pessoas vestidas de forma estranha.
Eau era uma cidade estranha, diferente de tudo que Asael tinha visto. Bem, na verdade, ele quase não tinha visto muita coisa mesmo.
Mas o Reino do Rio ainda era um lugar novo. Instalado bem no meio de montanhas, rios e prados adornados por florestas exuberantes, repletas de recursos e perigos.
Quem poderia imaginar como esse Reino conseguiu não ser dominado por tanto tempo, com tantas riquezas sob seu domínio?
Agora Asael entendia.
A posição do Reino era vantajosa. Com altas colinas e rios profundos ao redor de quase todos os lados, atacar era uma tarefa monumental.
Ninguém era louco o suficiente para enfrentar uma batalha perdida.
Além disso, com tantos recursos, o Reino conseguiu desenvolver sua economia, treinar soldados e generais capazes, e até criar armas de guerra tão terríveis que nomes como esses causavam calafrios nas potências rivais.
Os Quebradores de Mundos, os ferreiros do Reino, arrogavam-se esse nome.
Asael não comentou nada a respeito. Ele olhava ao redor, seus passos não fazendo som algum no chão de madeira.
As pessoas aqui eram todas pálidas, altas, com pernas longas e físicos magros compactos, musculosos. Homens e mulheres trançavam seus cabelos.
Para as mulheres, era um grande nó, e para os homens, fios longos.
Às vezes Asael via mulheres com dois grandes nós. Uma vez perguntou, e lhe disseram que eram mulheres ainda solteiras ou jovens que ainda não eram de maior.
As casas aqui eram feitas de madeira, naturalmente cortada das árvores, com pelagens de animais mortos, decoradas com flores de várias cores.
Era uma paisagem única, mas Asael não podia aproveitar direito, sabendo o que precisava fazer aqui.
'Estou cansado.' Asael murmurou internamente, parando diante de uma porta.
Ele puxou o capuz para baixo, respirando fundo. Relaxou o rosto, deixando suas feições lindas brilharem através do peso nos olhos.
Em seguida, Asael ergueu a mão direita e bateu na porta três vezes iguais.
Rapidamente, a porta se abriu lentamente, revelando uma mulher pálida, com dois nós no cabelo, vestida com um vestido de empregada e meias longas até os joelhos. Seus olhos eram curvados como os de um gato travesso, e seu cabelo era verde.
"Pois bem," ela falou desconcertada, "o que você está fazendo aí parado com essa cara de sono, Asael?"
Ela se encostou ao lado, mostrando o interior de sua casa.
"Posso entrar?"
Asael sorriu de forma falsa e deu um passo para dentro. "Obrigada, Romia."
Romia fechou a porta atrás dele, apoiou-se nela e encarou Asael, que permanecia em frente a ela.
"Tudo está pronto?" perguntou Asael imediatamente, observando ao redor.
A casa era simples. Pintada de verde, com móveis básicos como um sofá, uma mesa e outros enfeites únicos.
"Sim." disse Romia, brincando com suas duas tranças. "O príncipe perdeu sua Guardiã pessoal durante uma luta do lado de fora contra um Senhor da Floresta. Agora ele procura uma nova para preencher o lugar vago."
Ela sorriu.
"Essa é sua chance de entrar na Família Real, Asael."
Asael assentiu. "De fato, chegou a hora." Ele reconheceu, observando Romia com desconfiança. "Ainda assim, me diga, como conseguiu fazer a Guardiã morrer? Como eles acreditaram na história do Senhor da Floresta? Sabem bem que esses seres não são tão fáceis de alcançar."
"E você vai me contar como conseguiu descobrir minha identidade se eu te contar?"
Asael lhe lançou um sorriso sarcástico. "Você deseja muito isso, né?"
"Acho que sim." Romia encolheu os ombros. "Então, não posso dizer nada. Mas, Asael…"
Ela avançou alguns passos, com os pés rangendo no chão de madeira cansada, parando a alguns metros dele.
Ela ergueu as mãos e começou a ajustar suas roupas. Asael ainda não se acostumara com o estilo delas.
"…Espero que você cumpra sua palavra." Romia sussurrou. "Seria uma pena se não."
Asael a encarou com olhos impassíveis. "Fique em silêncio," ele ditou, "e eu também ficarei."
Sorrisos largos se abriram nos lábios de Romia.
"Ficar de boca fechada é uma coisa que eu tenho certeza que faço bem," ela disse.
"Como uma assassina, não?"
"Sua voz soou muito sombraba, Asael."
"Você ouviu errado, então." Asael respondeu. "Quando será a seleção para a nova Guardiã?"
"Daqui a três dias." respondeu Romia, recuando alguns passos. "Você estará pronto? Você é um Grande Mestre, mas vai competir com os Epítetos."
"Eu não estarei pronto." Asael disse. "Mas já estou."
Ele estalou o pescoço. "E isso, independente do nível dos meus adversários."
Terminado, exatamente naquele momento, um som sussurrou na sala.
Ao ouvirem, Direta e sincronizadamente, Asael e Romia olharam para uma pequena roda de madeira girando, girando, girando.
Quando seus olhos se fixaram nela, a roda caiu.
"O que é isso?" Asael inclinou a cabeça, sentindo uma sensação estranha crescer em seu coração.
"É algo que eu encontrei aqui." disse Romia, franzindo a testa levemente.
Depois, eles balançaram as cabeças, focando em uma questão mais importante.
Asael levantou a mão e estendeu para um cumprimento em direção a Romia. Ela olhou para o gesto desconfiada, sem entender seu significado.
Asael fez uma expressão de compreensão, lembrando que foi Kaden quem lhe ensinou isso. Esse pensamento o deixou estranhamente melancólico.
"Isto se chama aperto de mão." Asael explicou. "É usado para — hum— não sei… talvez entre parceiros ou algo assim, para selar um acordo ou coisas do tipo?"
Romia riu da expressão indecisa de Asael. "Parece uma coisa legal." Ela disse, estendendo a mão para segurar a dele.
O homem retractou a mão justo antes dela tocá-lo.
Ele a encarou com desprezo. "Por uma vez, pode parar de usar suas armas escondidas, sua assassina de baixa categoria?"
Romia gargalhou. "Você sentiu de novo! Hahaha! Asael, você é tão bom. Que tal virar um assassino? Você tem o talento, eu juro! Eu te recepcionaria na Ordem dos Assassinos de Threnovar!"
"Vai se foder." Asael cuspiu, preparando-se para sair, lamentando ter mostrado seu aperto de mão para uma assassina tão idiota.
Romia riu ao vê-lo sair de sua casa sem uma palavra a mais.
Depois que ele desapareceu, ela lentamente levantou a mão e olhou para ela. Seu rosto perdeu todas as emoções que antes o pintavam.
"Um aperto de mão, hein…"
Ela sorriu de forma estranha.
"Interessante."