
Capítulo 411
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Garganta! Garganta! Garganta!
Rea tossou irritada, enquanto a poeira pálida levantada pelo vendaval cobria toda a paisagem ao redor. Por um momento, nada podia ser visto além de nuvens que bloqueavam completamente sua visão.
Um instante depois, tudo se acalmou, seus olhos voltaram a enxergar. Rea, sentada no chão por causa da tempestade de espadas, ergueu a cabeça para cima.
Seus olhos imediatamente repousaram na dupla de olhos vermelhos iluminados por estrelas, de Kaden, olhando para ela, sorrindo de forma travessa.
"Foi mal," disse Kaden, estendendo a mão em direção a ela. "Acho que exagerei um pouco?"
"Você trapaceou." Rea cuspitou, irritada.
"Eu não," ele se defendeu. "Isto era sessenta por cento da minha força total, quando estava no nível Mestre."
"Não pode ser." ela protestou, com a voz carregada de incredulidade disfarçada, finalmente aceitando sua mão.
Kaden a puxou para cima, fazendo-a ficar de pé diante dele.
Rea sacudiu a poeira acumulada nas roupas. Seus movimentos fizeram o som de sininhos, ao redor de todos os seus anéis.
Kaden os observou, mas não proferiu palavra, embora seus lábios se contorcessem levemente.
"Como você consegue ser tão forte assim?" Rea não conseguiu evitar perguntar, lançando um olhar de relance para ele, de canto de olho.
"Estranho, as pessoas costumam perguntar isso pra mim com bastante frequência." Kaden riu. "Mas é só treinar bastante."
"Devo dizer que era o que se esperava do famoso Filho do Sangue? Aquele que nasceu com uma lenda já no nome."
Kaden fez uma careta, visível um pouco envergonhado. "Não diga isso. É bastante constrangedor. Além disso, Rea, eu não sou mais o Filho do Sangue."
"Hã?" Rea exclamou, confusa.
"Agora me chamam de Senhor do Sangue. Mas não cabe a você me chamar assim, e, como? Aposto que gostaria de ouvir a história, Rea. Afinal, é sobre como o Guerreiro nasceu para governar Waverith, conhecido como a Coroa Vermelha, e sua família, uma das Coroas de Prata."
"Coroa Vermelha? Coroa de Prata?" Rea inclinou levemente a cabeça, de modo estranho e fofo. "O que são essas coisas de que você está falando?"
"Antes de tudo isso," ele começou, sorrindo enquanto se inclinava mais perto de Rea, seu cheiro e calor invadindo sua sensação, "você perdeu, não foi?"
Rea gritou surpresa e recuou dois passos, cambaleando com a proximidade repentina. Seu rosto ficou vermelho, como se sangue tivesse se acumulado ali em grande quantidade.
"I-Eu—!" ela gaguejou.
Seus olhos se arregalaram.
De imediato, ela usou seu controle de medo para estabilizar os nervos, acalmando seu coração acelerado.
'Maldição! Soltei minha guarda e tudo isso aconteceu!' pensou, envergonhada, amaldiçoando-se por sua postura patética.
Em poucos segundos, recompondo-se, ela abriu os lábios mais uma vez, tentando não mostrar nada externamente.
"Eu perdi!" ela disse um pouco forte demais. "Vou cozinhar e montar a tenda, como combinamos."
Sem esperar resposta, virou-se bruscamente e correu em direção às montanhas.
"Vamos lá! Já perdemos tempo demais."
Kaden ficou para trás, observando na direção que ela seguia.
Lentamente, um sorriso surgiu em seus lábios.
"A Rea acabou de corar?" ele perguntou com uma risada, sua voz carregando um tom increduloso.
'A Lady Rea realmente corou,' Reditha riu. 'Ela é muito fofa.'
'É porque, docinho, você é muito bonito!'
Reditha revirou os olhos para Blanche. Essa galinha era como uma fã apaixonada por Kaden.
Se Rea tinha Einar, Kaden tinha Blanche.
Mas o que Reditha não sabia era que existia um grupo ainda pior do que Blanche.
E outro estava prestes a surgir.
A Roda já estava girando.
Kaden riu. "Blanche, faça a sua parte."
Sem palavras, asas de fogo rubi-ouro, semelhantes às de uma fênix, surgiram atrás dele.
Ele as bateu, e desapareceu numa linha tênue de fogo, rasgando o ar perigosamente fácil.
Ao passar por Rea no caminho, ele a pegou sem esforço nos braços e continuou.
Não disseram nada.
Rea ficou em seu abraço, com os olhos arregalados de surpresa, sem conseguir dizer uma palavra sequer.
Dentro de seu brinco, Einar ficou ainda mais sem fala. Ela nunca tinha visto sua linda Rea agir assim. E, além disso, era a primeira vez que via um homem como Kaden.
Mas, exatamente nesse momento, estranhamente, sua mente invocou uma memória. A recordação de um homem que ela viu uma vez com o Discípulo do Luto.
'…Dançarino,' Einar se lembrou do nome, franzindo a testa. 'Onde mesmo está aquele sujeito safado?'
…
Enquanto isso, no Império dos Malditos, uma cena bastante estranha se desenrolava dentro do cômodo particular da Imperatriz.
"Você poderia pelo menos me deixar em paz, uma única vez?" Lydia disse irritada, olhando para Valentine, que agora crescida, se agarrava firmemente ao seu vestido.
Ela parecia uma princesa jovem e respeitável, com cabelos rubis magníficos e olhos fundos, como poços de sombra.
Valentine usava um roupão branco ajustado, adornado com lirios vermelhos que giravam, encarando desafiadoramente sua avó.
"Por favor, brinca comigo, Vovó! Igual ontem! Por favor! Por favor!" ela pipocou, segurando o vestido de Lydia e puxando-o com movimentos descontrolados, recusando-se a soltar.
A Imperatriz dos Malditos estava exausta. Ela suspirou, controlando-se para não arremessar a garota contra a parede.
Desde que Asael foi embora, Valentine se recusou a largar dela.
Ela sempre a procurava, insistindo para brincar. No começo, Lydia sempre negava, nem sequer olhava para aquela criança que nunca reconheceu.
Lydia parecia ter esquecido o quão teimoso uma criança pode ser.
E Valentine era pior, pois Asael nunca negou nada a ela. Ela se tornara uma criança mimada, incapaz de aceitar um não.
Assim, a jovem princesa passou dias, meses, até um ano, sem desistir de procurar por ela.
Finalmente, Lydia cedeu, pois não podia ferir Valentine de nenhuma forma, por causa do juramento que tinha com Asael.
Ela brincou com ela uma única vez. Lydia achou a experiência totalmente irritante e cansativa.
Jurou nunca mais fazer aquilo.
Porém, dias depois, aceitou novamente, após Valentine usar sua habilidade de 'boretá-ela até ela aceitar' contra ela.
Na segunda vez, ainda era muito frustrante. Mas um descanso do peso do império era bem-vindo.
Na terceira, Lydia aceitou com mais facilidade e disse que Valentine era mais irritante quatro vezes menos do que de costume.
Na quarta... na quinta... e assim, Lydia passou a brincar com sua neta pelo menos uma vez por semana.
Hoje, ela tinha menos reclamações e até começou a aproveitar esses momentos pequenos. Porque, às vezes, ela esquecia de tudo e focava em quão insuportável sua neta podia ser.
Lydia até criou um caderno pessoal onde anotava, toda vez que brincava com ela, as coisas que Valentine fazia de mais irritantes.
Porém, a Imperatriz dos Malditos não podia sempre deixar sua neta fazer o que ela quisesse.
Com Asael fora, e Rose dando atenção mínima à filha — focando exclusivamente em seu treinamento e nas tarefas dadas a ela — Valentine precisava de alguém para educá-la de forma adequada.
Então, Lydia olhava para Valentine, abrindo a boca para repreendê-la, mas nenhuma palavra saía, pois os olhos negros de Valentine a fitavam profundamente.
De repente, sua mente se encheu da lembrança de Asael. Seu coração suavizou. Ela amaldiçoou-se interiormente, irritada, antes de suspirar.
"Trinta minutos," Lydia falou firme, levantando três dedos para cima. "Só trinta minutos, Val."
Valentine sorriu vibrante. "SIM!" Ela pulou ao redor, como um coelhinho muito animado. "Deixe eu escolher o jogo hoje, Vovó!"
"Não. Eu escolho. E não adianta discutir. Pode ficar tranquila, vamos jogar aquele que você mais gosta."
Ela sorriu de forma maldosa. Valentine tremeu de medo.
"V-vozinha?" ela gaguejou, devagar, recuando lentamente.
"Hoje vamos aumentar a dificuldade," Lydia anunciou. "Em vez de três, serão cinco esquilos. Você vai pegá-los com todos os seus sentidos, exceto a visão."
Valentine desabou.
"NÃO!"
Lydia se aproximou, estendeu a mão direita, segurou firmemente a gola do vestido de Valentine e puxou-a em direção à sala de treinamento.
Valentine não parou de berrar até chegarem lá, reclamando que odiava aquele 'jogo'.
Enquanto isso, Rose observava de longe, mordendo o lábio inferior até sentir sangue.