
Capítulo 410
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
A manhã chegou, com o primeiro raio de luz banhando os rostos de Kaden e Rea.
Eles estavam na entrada da casa estranha, com os olhares fixos nas oito montanhas distantes, que pareciam se erguer no horizonte.
Dentro da casa, nada restava.
Kaden havia levado todas as pinturas — sem sequer olhar para elas, nem mesmo com sua percepção — o sofá e até mesmo o tapete multicolorido estranho.
Ele não parou por aí. Aumentou sua ganância e arrancou a chama azul que queimava suavemente sob a lareira.
Ordenou que Blanche a pegasse. À primeira, a fênix branca hesitou bastante, achando o fogo bastante… repulsivo.
Para ela, Blanche descreveu que aquele fogo, com aroma semelhante a ovos podres, seria intolerável para os humanos. Não era algo que ela desejasse incorporar em si.
Porém, Kaden insistiu, fazendo a Fênix Branca chorar de injustiça antes de finalmente obedecer ao seu mestre.
No entanto, ela não absorveu a chama; apenas a armazenou dentro de si.
Kaden não se importou.
"Você tem certeza dessas informações?" perguntou Rea, com os olhos semicerrados, olhando para os oito pântanos de montanhas pálidas ao longe.
Em comparação com ontem, quando chegaram, agora Rea sentia que poderiam alcançá-las.
Como era estranho, ela pensou brevemente.
"É a única pista que temos." Kaden deu de ombros. "Não acho que tenhamos outra alternativa além de seguir essa."
"E além disso," continuou, "não vamos perder nada tentando."
"Verdade." Rea assentiu, reconhecendo a verdade nas palavras de Kaden.
Ela exalou, fechando brevemente os olhos. Logo, os abriu novamente — seus olhos rubis mais decididos e frios.
"Por qual montanha começamos?"
"Pela terceira."
"Como preferir." Rea assentiu e retirou de seu anel de espaço um par de adagas cinza, roliças.
Neste instante, Kaden não conseguiu se conter mais.
"Você gosta de anéis ou o quê?" seu sobrancelha levantou-se. "Você tem tantos deles. Minha nossa, até seu cabelo e suas adagas estão cheios de anéis."
'Isso é meio preocupante,' pensou inwardly, forçando-se a não demonstrar julgamento algum em seu rosto.
Realmente era uma tarefa difícil — e, vergonhosamente, ele falhou.
"Você está criticando meu estilo?" perguntou Rea, com os olhos entrecerrados.
"Só estou perguntando."
"Não, você está julgando. Por quê? Será que eu falei alguma coisa sobre o seu?"
"O meu é bem normal, pra ser honesto."
"Então o meu não é?"
"Quer dizer…", Kaden não terminou a frase, olhando para o rosto irritado de Rea. Claramente ela não gostava dele apontando sua estranha forma de se vestir.
Ele lentamente virou a cabeça pra frente e tossiu com força.
"Acho melhor começarmos a partir de agora." rapidamente mudou de assunto. "Não temos muito tempo pra perder."
"E eu sei que você também consegue sentir eles." acrescentou, agora sorrindo de leve. "Vamos ver quem elimina mais."
"Por que eu?"
"Você não é lá muito divertida, Rea." Kaden resmungou. "Mas, de qualquer forma, quem perder cozinha e faz a tenda passar a noite."
Ele lançou um olhar de lado pra ela. "Que tal?"
Rea hesitou um instante.
No caminho, Kaden tinha cozinhado uma vez, dando comida a ela mesmo ela ficando envergonhada.
Estava delicioso.
Fazia um tempão que ela não provava algo tão bom, pois a Igreja da Pesar sempre gostava de fazer tudo parecer tristeza… até mesmo comer dava vontade de chorar.
Ou melhor, de forma mais adequada, não de uma maneira boa.
Ela tinha ficado tímida para pedir que ele cozinhasse, especialmente por causa de sua atitude para com ele. Mas, ao ouvir aquilo, Rea agora tinha uma chance de saborear de novo aquelas habilidades culinárias.
Visivelmente, sua aura mudou, tornando-se mais focada e determinada.
"Vamos fazer justo." Rea acrescentou, sabendo que Kaden era mais forte que ela. "Você vai baixar seu poder para nível Mestre."
Kaden segurou uma risada.
"Acha que isso vai mudar o resultado?"
"Temer?"
"Hum, tentando provocar minha raiva?" Kaden falou. "Bem, tudo bem. Eu aceito—!"
SHOOSHHH—!
Rea desapareceu, tornando-se um borrão de luz brilha enquanto mergulhava fundo na paisagem branca como a neve.
Kaden soltou uma risada. Bateu os dedos, fazendo a casa atrás dele se transformar em cinzas brancos que desapareceram com o vento gritando.
Depois, invocou Reditha, com os olhos fixos nos monstros de névoa que se moviam ao redor.
"Vai se mexer, Kaden." Reditha surgiu por trás dele. "Lady Rea já foi embora."
"Não sou cego." Kaden respondeu. "Só estou dando vantagem razoável para ela. Sou justo. Você sabe que, mesmo no nível Mestre, ela não consegue me igualar."
"Esqueceu que ela usa o medo para se fortalecer?" Reditha interveio. "Sabe até onde esse poder vai? Talvez não tenha limite."
"Deve haver um limite. Todo poder tem um."
"Ainda assim, pode ser suficiente para ela vencer. E você não percebe isso?" A voz de Reditha baixou, instintivamente. "O aroma ao redor da Lady Rea."
O rosto de Kaden ficou um pouco mais sério.
"Sim, percebo." ele afirmou. "Desde a primeira vez que a vi naquela taverna. O aroma de Divindade é denso ao redor dela. Especialmente na cabeça, e onde deveria estar sua Origem."
"E é uma Divindade que já encontramos antes." Reditha acrescentou. "De Pesar."
Kaden não respondeu. Isso o fez lembrar do evento em que o tio de Rea quis matá-la.
Também a visão em que viu Luke ajoelhado perante uma mulher com pele de cálice. Kaden não era ele mesmo naquela ocasião, mas agora, ao pensar nisso, soube que aquela mulher tinha a Divindade da Pesar.
Pesar… Pesar… Pesar…
"Blanche, você conhece a deusa do Pesar?" perguntou Kaden.
'Só pelo nome.' Blanche pigarreou. 'Ela é chamada de A Triste. Uma deidade de alto nível entre os deuses.'
'De alto nível?'
'Sim. Nem todos os deuses são iguais. Existem rancos, embora eu não saiba nada sobre eles. Eu não sou deidade.'
Kaden inclinou a cabeça. 'Achava que você era. Sua família, quero dizer.'
Blanche riu. 'Somos Mitológicas. Somos criadas de muitos aspectos dos Mundos Visíveis e Invisíveis. Isso nos dá um poder único e um nível alto desde o nascimento. Mas não podemos avançar. A única maneira de avançar é…'
'Se ligar a outro ser.' adivinhou Kaden.
'Exatamente,' assentiu Blanche. 'Por isso nossa família realiza rituais e testes para encontrar nosso Hospedeiro. Rituais de Sangue e Cinzas, chamávamos. Um ritual de morte e renascimento por meio de sangue e cinzas. Mas…'
A voz de Blanche ficou carregada de emoções não resolvidas.
'…mas todos nós nos tornamos pó dispersado pelo vento do tempo. Mal me lembro do que aconteceu nos últimos milhares de anos. E não consigo mais encontrar meus irmãos. Onde estão? Estão bem? E por que esqueci de tudo isso?'
'Agora estou sozinha. Eu…'
Pela primeira vez, Blanche entrou em pânico abertamente.
Ela vinha tentando agir forte até então, mas não havia nada tão terrível quanto não se lembrar de grande parte da própria vida.
Sentia um vazio mais profundo que tudo, uma ausência que não sabia como preencher.
Kaden e Reditha ficaram em silêncio, reconhecendo suas inseguranças e medos.
Após alguns segundos,
"Você não está sozinha, querida." disse Reditha. "Ou a gente não conta?"
Kaden sorriu. "Sim, Blanche. Quer dizer, agora estamos grudados, né? E não se preocupe, vou procurar todos seus irmãos."
'Vai mesmo?' Blanche gritou feliz.
"Claro." Kaden assentiu. "Era algo que ia fazer de qualquer jeito. Preciso do fogo da sua família, afinal. Mas agora, vai também por você. Tenho certeza que eles estão vivos em algum lugar."
Ela ficou em silêncio por um instante, mas logo soltou um grito, surgindo de uma explosão de chamas e beijando Kaden na bochecha direita.
"Obrigada, meu amor!"
Kaden deu uma risada. Reditha sorriu.
Porém, então, seus sorrisos congelaram ao perceber algo…
"Kaden…"
Reditha sussurrou.
"Sim… Eu sei." os lábios de Kaden se contraíram pesadamente. "Na verdade, eu esqueci a competição com Rea."
Ele riu de maneira constrangedora, segurou Reditha apertado, mudando sua posição para um golpe de arremesso.
Recolheu a mão direita para trás, seus músculos flexionaram e estalaram, causando uma faísca ao redor.
"Acho que vou ter que ser um pouco mais duro com ela."
Sorriu maliciosamente.
"Vai lá, Reditha. Elimine todos."
Kaden virou-se em torno de si mesmo, girando e jogando Reditha bem alto no ar.
Uma explosão, semelhante a uma edificação colapsando, reverberou ao redor quando Reditha rasgou o ar, indo ao alto.
Quando atingiu o ponto mais alto, ela parou e ajustou sua postura, apontando a ponta para baixo.
Sangue emergiu dela, pintando o céu como tinta vermelha sobre uma folha de papel em branco.
O sangue borbulhou, rodou, e se transmutou em espadas cinzentas.
Num momento assustador, o céu ficou cheio de espadas.
Rea interrompeu sua matança, olhando para cima.
Seus lábios se contraíram pesadamente ao ver a tempestade de espadas caindo do céu sem parar, sem misericórdia.
"Seu Kaden idiota."