Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 402

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Tudo virou sangue e carne rasgada.

No instante em que Rea aceitou, Reditha já estava roçando a carne do lobisomem, sua pele espirrando e borbulhando como água quente sob a lâmina ardente de Reditha.

Os olhos da fera se arregalaram — puro, inexorável choque o engolindo por completo — incapaz de acreditar na velocidade de Kaden.

Antes que pudesse reagir, Reditha mergulhou fundo em seu pescoço, rasgando carne, osso e ligamentos ao mesmo tempo, separando-os do corpo com frieza mortal.

Na mesma ação, o pé direito de Kaden pressionou sobre a cabeça do lobo. Seu controle de sangue cresceu, e a besta foi perfurada por dezenas de espinhos de sangue que surgiram de seu próprio corpo.

Um latido de dor, carregado pelo último suspiro, mal escapou de sua garganta dilacerada antes de a morte levar sua alma.

Kaden estendeu a mão direita e agarrou a cabeça decapitada do lobisomem. Com um toque simples, ela se transformou em uma poça de sangue.

O sangue subiu, chegando ao lugar onde o restante do sangue do lobo já esperava.

Formou-se uma nuvem de sangue.

De dentro dela, Prometheus criou pequenos insetos alados envoltos em suas próprias chamas. Eram numerosos, zumbindo com asas batendo como criaturas vivas e furiosas.

Kaden ordenou que avançassem, enviando-os voando pelo buraco e direto para a cidade lá embaixo.

Pouco tempo depois, começaram a ecoar explosões.

Tudo isso aconteceu em menos de dez segundos.

Kaden virou a cabeça, dando uma olhada para Rea por sobre o ombro esquerdo. Sem dizer uma palavra, sorriu de forma provocante e então desapareceu num borrão carmesmo, com Reditha na mão direita.

Já ecoavam gritos de choque e medo por toda a cidade, embora fossem rapidamente silenciados.

Reditha tinha sede de sangue.

Rea ficou para trás. Ela virou a cabeça de um lado para o outro, um sorriso pequeno e maníaco colado nos lábios.

"Einar," ela sussurrou.

"Sim, minha bela Rea."

"Ele acabou de me provocar?"

"Parece que sim."

Rea riu, então deu um passo. O espaço se distorceu. Em um instante, ela já tinha saído do buraco, pairando bem acima da cidade.

A Deusa-Tocada parecia uma deusa naquele momento.

Ela olhou para baixo, observando sangue explodir e se espalhar pelo mundo abaixo, o caos ainda se espalhando. Quem fosse lobo, era morto sem piedade.

Somente os humanos foram poupados. E mesmo assim, Kaden especialmente poupara os completamente indefesos e os idosos.

Logo, o chão foi coberto por poças de sangue, depois rios… em pouco tempo, um mar ameaçava inundar a cidade.

Prédios explodiam em torrents de cinzas, o chão tremia a cada passo de Kaden, como se um ser vivo estivesse se contorcendo de dor.

Ele era inacreditavelmente rápido.

Rea só conseguia vislumbrar o borrão do corpo dele e flashes da sua espada toda vez que ele atacava.

Um calafrio percorreu sua nuca.

Foi então que, de repente, a Deusa-Tocada percebeu algo.

Todo o sangue derramado estava se formando no ar, suspenso em completa quietude.

Logo acima dela.

Ela assistiu, fascinada, enquanto chamas rubro-douradas ligavam cada gota, formando um tapeçaria brilhante de medo e gore.

Já podia ouvir o bater de asas de corvos ansiosos descendo sobre a cidade.

O pavor que emanava de baixo era absurdo, do tipo de medo que Rea adorava se banhar.

Enquanto observava o bico de uma fênix começar a se formar de sangue e fogo no céu, ela agrupou todo o medo da cidade e intensificou seu poder a níveis impossíveis.

Maná. Resistência. Compreensão. Força. Até Vontade.

Tudo se elevou.

Seu corpo tremeu em êxtase extático.

O bico da fênix se abriu em um sorriso largo, uma bola de fogo branco se formando bem dentro da garganta dela.

O calor aumentou violentamente, ondas de ar fervente colidindo para baixo.

Rea, pairando pouco abaixo da fera, ergueu as mãos e formou um sigilo que lembrava um pássaro sem pernas.

Sua voz ressoou enquanto o hálito da fênix explodia de suas mandíbulas e mergulhava na cidade abaixo.

"Flor do Medo."

A cidade virou fogo e sangue.

Dentro daquelas áreas que Rea focava, algo começou a florescer dentro do peito dos habitantes.

Uma flor.

Uma flor alimentada pelo medo, que o consumia enquanto devorava tudo dentro de seu hospedeiro, como uma sanguessuga sugando a própria vida.

No final, só sobraram as ossadas, uma bela flor cinza desabrochando de cada peito.

E então, até esses restos foram reduzidos a cinzas, enquanto o fogo inundava a cidade como uma enxurrada.

Kaden estava no meio do inferno de fogo, ileso, e até curtindo isso.

Com cada vítima, ele extraía o Núcleo da Origem, pretendendo saturar o dele próprio.

Ele mal tinha começado a rasgar mais uma vítima, a mão ensanguentada, quando parou na metade do movimento.

"HOOOOOWLLLLLLL!!"

Um uivo profundo e lamentoso rasgou a cidade ao meio.

Kaden e Rea viraram as cabeças para o som.

Lá estava um enorme lobisomem, olhos ardendo de ódio enquanto os encarava.

A aura que exalava era de tirar o fôlego. A um simples olhar, Kaden reconheceu: era do Reino dos Epitetos.

E ele não estava sozinho. Ao seu lado, um outro lobisomem de mesmo nível.

Dois seres de nível Epíteto.

Kaden sorriu e estalou o pescoço.

"Bem, não dá pra perder tempo," murmurou, decidido a terminar logo.

Ele se endireitou, fechou os olhos e ouviu os uivos e rosnados enquanto ambos os lobisomens e a criatura avançavam a velocidades insanas.

Acima, o céu da cidade escureceu de forma anormal.

Estrelas carmesmas se abriram no vazio como olhos observadores, banhando a cidade destruída com luz vermelha, como se ela já estivesse em chamas.

Rea observou, com o peito apertado de medo. Einar estava congelada, incapaz de falar, encarando o terror enquanto…

"Chuva de Estrelas."

A voz de Kaden ecoou como a de um deus.

O céu sePartiu, como se fosse rasgado por mãos colossal.

Estrelas vermelhas começaram a cair como chuva, atravessando o ar com força estridente.

Parecia que o próprio céu estava desabando.

Mas Kaden permaneceu firme, de olhos fechados, acolhendo a Chuva de Estrelas que havia convocado.

Elas atingiram.

O chão se abriu. A terra se ergueu, fogo explodiu, nuvens espessas de poeira vermelha engoliram a cidade inteira.

O coração de Rea deu um salto na garganta, incrédula.

Kaden ficou entre os escombros, cinzas e sangue, com os olhos fixos nos dois corpos do lobisomem e da criatura que o acompanhava.

Não tinha ferimentos, nem esforço nos trajes, apesar do caos que acabara de acontecer.

Mesmo com a ferocidade do ataque, Kaden mais uma vez permitiu que os inocentes escapassem, relutante em manchar as mãos com mais sangue do que o necessário.

Passos esmagando pedras soltas fizeram suas orelhas tremerem. Kaden não virou a cabeça, já sabendo quem se aproximava.

"Você é mais forte do que eu esperava," disse Rea, agora ao lado direito de Kaden, com olhos rubis fixos na mesma cena que seu noivo.

"Pois é, acho que agora você não se recusa tanto a me deixar te acompanhar," Kaden sorriu de leve.

"Confesso que é mais seguro ter alguém forte ao meu lado."

"Verdade. A sua mulher tagarela aí é totalmente inútil, aposto."

"O quê?!" Einar berrou, com indignação. "Deixe-me lembrar que—!"

Rea tampou a boca de Einar com a mão, cortando a fala dela. Ainda assim, Einar se debateu, com olhos ardentes de vontade de falar.

Um olhar vazio de Rea a fez congelar.

Um gemido suave escapou antes de ela se transformar em fumaça e se retirar de volta ao brinco.

Enquanto isso, Kaden já estava ajoelhado. Se notasse algo, seu rosto não revelava.

Estava recolhendo os Núcleos da Origem do lobisomem e do lobo.

Com um movimento de cabeça, pensou em como o sangue ao redor ainda poderia ser aproveitado.

Entre as informações que Blanche forneceu, estava que a coroação de Sora como Imperatriz do Império Celestial aconteceria no dia seguinte.

Kaden não pôde deixar de rir, achando difícil relacionar a imagem de Voz de Ouro com qualquer coisa além de uma princesa mimada.

No entanto, já que a situação em Cidade Prata havia sido em grande parte sua culpa, ele pretendia assumir a responsabilidade e deixar um presente de parabéns para Voz de Ouro.

Decidido, Kaden começou imediatamente, enquanto Rea o observava com atenção pesada.

Estranhamente, apesar da destruição da cidade, ainda tocava uma canção.

Uma canção de arrependimento e amor.

A voz soava estranhamente familiar para Kaden.

Com Rea incentivando, sem tempo para pensar demais, Kaden terminou de preparar seu presente e desapareceu junto dela.

Por trás, só restaram sangue e morte.

Durante a viagem, Rea não pôde segurar a pergunta que insistia em martelar sua mente.

"O que foi aquilo?" ela perguntou, com os olhos semicerrados e evidente descontentamento. "E pra quem era?"

Kaden parecia não perceber o tom dela e respondeu de leve,

"Um presente," ele disse. "Para uma cantora em ascensão."

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