Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 403

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

A Cidade Prateada foi destruída novamente. E após esse evento, as pessoas começaram a acreditar que a própria cidade havia sido amaldiçoada.

Os que conseguiram fugir graças à misericórdia de Kaden falavam sem parar, dizendo que não tinham visto nada além de flashes vermelhos, seguidos por uma destruição total.

Era como se, quase em tom de pregação, dissessem que o culpado por aquela destruição não era um homem comum, como qualquer um deles, mas um deus que veio para impor o castigo.

Não era só isso; todos testemunharam uma mulher no ar, com o rosto tão embaçado a ponto de ser impossível de distinguir de longe, mas podiam ouvir o som de estalos que acompanhava o movimento de seus cabelos, e uma sensação de medo profundo que os consumia a cada olhar.

Era angustiante.

Em um intervalo de tempo tão curto que nem dava tempo de refletir, as notícias sobre o estado dos Antros Negros, antigo nome da Cidade Prateada, se espalharam longe, chegando a todos que interessavam.

Como se o destino estivesse de bom humor, Rome já partira rumo à Cidade Prateada, para preparar a grande exibição de força que sua dama planejara para o dia da coroação dela.

Ao chegar, encontrou apenas rastros de fumaça e um cheiro forte de sangue e morte, fazendo os novos cavaleiros vomitarem tudo que tinham no estômago.

Rome quase voltou atrás, relutante em ficar naquele lugar amaldiçoado por mais tempo. Mas então, um brilho de sangue chamou sua atenção no canto do olho.

Ele parou, respirou fundo, o coração acelerado contra as costelas.

Nos fundos da cabeça, uma música tocava. Ele não se atentou a ela.

Voltando o foco, viu a origem daquela luz.

Lá, no meio da cidade em cinzas, estava o corpo de um lobisomem e seu lobo, presumiu. Estavam ajoelhados no chão, seus buracos negros ardendo com uma chama vermelha-dourada que parecia viva.

Na frente deles, havia um colar com uma lua engolida pelo fogo, ligado ao pescoço deles.

No chão, palavras estavam gravadas.

Rome ordenou que seus cavaleiros aguardassem, e então ele se afastou deles, aproximando-se do colar para ler as palavras.

Achando que estava perto o suficiente, parou e começou a ler.

Já uma rainha? Deus, tenho pena de quem estiver sob seu comando, Voz de Ouro. Mesmo assim, aceite isto como um presente. Foi um dia inesquecível, não foi?

O dia em que matamos a Lua.

Rome leu, e à medida que avançava na leitura, a melodia que ouvia ao fundo se intensificou.

Ele se assustou, de repente percebendo que aquela música era uma das canções de sua dama.

Mas como? ele se perguntou, olhando ao redor pela cena de destruição. E parecia ouvir algo mais na música.

Alguma coisa…

"Traga pra mim."

Rome e seus homens congelaram de pânico repentino, ouvindo enquanto a melodia mudava para transmitir a voz de Sora.

"Traga o colar pra mim. E que seja o mais rápido possível. Quero antes da coroação oficial."

Sim, aquele dia era o dia da coroação de Sora em seu novo papel.

Como uma Imperatriz.

Ao ouvir a voz de Sora, Rome percebeu como a voz de sua dama parecia se romper, como se estivesse se segurando para não chorar.

Ele olhou de volta para o colar e para a cena de horror ao redor, seu pensamento inconscientemente se voltou a um jovem rapaz, sem motivo algum.

Cabelos negros e olhos vermelhos.

Mas ei…

'Um menino?' Rome sorriu secamente, lambendo os lábios secos atrás do capacete. 'Um menino já não. Um homem ainda menos. Um deus, um diabo. Não importa o nome. Mas…'

Ele respirou fundo, agachou-se e pegou o colar com a mão protegida pela luva,

'…ele não pode ser humano.'

A segunda destruição da Cidade Prateada, desta vez, não afetou apenas o Império Celestial. Não, havia aqueles que tinham um plano por trás da transformação da cidade.

Um plano que agora desmoronou tudo por causa de duas criaturas.

"Ainda está emburrado?" uma mulher, uma lobisomem de olhos azulados em forma de fenda e corpo com pelos azuis, sussurrou suavemente para o homem sentado na beira da cama, com queixo apoiado nos dedos entrelaçados, olhos pensativos.

Seus cabelos eram de um preto profundo, quase inacreditável de tão luminosos, uma visão impressionante. Seus olhos, cor de rosa, com pupilas em forma de coração, estavam fixos na escuridão à sua frente.

Sua beleza era de tirar o fôlego. Se Sirius visse aquele homem, duvidaria de sua própria beleza.

E, comparado à loba, o homem era totalmente humano, sem nada de bestial nele.

"Suspiro…"

A lobisomem respirou fundo, retirou a cortina branca que cobria seu corpo nu. Colocou-se de quatro, rastejando lentamente na direção do homem com um passo firme e constante.

A cama rangeu sob seus movimentos, acompanhada de suaves sons de embrulho.

Logo ela já estava atrás dele, sua respiração acariciando o pescoço do belo homem.

"Não gosto de te ver assim, Dançarino," ela sussurrou no seu ouvido direito, com voz sedutora. "Se quiser que eu use minha posição e poder, posso fazer isso por você."

Ela beijou seu pescoço. Sua cauda se mexeu animada atrás dela.

"Só precisa pedir."

"Só tenho curiosidade," disse o homem, chamado Dançarino, com voz como uma brisa na praia. "Como é possível? Não foi isso que planejamos. A cidade devia ser destruída de uma forma que a nova Imperatriz demonstrasse seu poder, ou pelo ex-Imperador que decidiu acabar com toda essa farsa."

"De qualquer jeito," continuou, com a voz mais profunda, "teríamos conseguido o resultado desejado. Sei que esses homens arrogantes querem fazer uma demonstração. Mas…"

Ele fez uma pausa, expulsando o ar lentamente para recuperar o fôlego e acalmar o coração acelerado.

"Mas tudo o que consegui foi um massacre, Sophie."

"O culpado deixou algumas pessoas vivas," Sophie comentou, "e consegui capturar algumas delas. Mas, nada do que disseram serve de muita coisa para nós."

Ela deu um sorriso irritado.

"São só velhas, crianças e coisas assim."

"As mais vulneráveis," comentou Dançarino, com descaso.

"Então dá pra entender o que temos aqui," Sophie disse, sorrindo de leve, apertando ainda mais o peito no de Dançarino, enquanto suas mãos percorriam o corpo dele.

"É só alguém que gosta de fingir ser um Herói," ela continuou.

"O tipo de ser que eu mais detesto," disse Dançarino, suspirando.

"Por quê?" Sophie murmurou. "Você não é meio que um herói também?"

Ela o abraçou com força, com voz cheia de carinho.

"Encontrar-me presa na minha gaiola dourada, e ainda assim me libertar, ensinando-me a ser mulher; fazendo-me perceber que mereço amor. Se alguém tem que ser herói, certamente é você."

Dançarino balançou a cabeça, lentamente apertando a mão macia de Sophie. Ela ronronou, sua presilha de lobo afundando amorosamente na carne dele.

"Detesto heróis, e tudo que seja parecido," reiterou Dançarino, com uma nota de claro desdém na voz.

"Por quê?"

"É sempre igual, Sophie. Todos iguais, sempre pregando o mesmo conceito. Conceitos de honra, de fé, de amor, de lealdade."

Ele fez um gesto com a boca, quase como se quisesse cuspir, mas engoliu de volta.

"Nada mais são do que seres movidos pelo ego, que precisam fazer algo, serem reverenciados, para se sentirem importantes. Mas tudo isso, Sophie, não passa de besteira diante do verdadeiro problema."

Ele fez uma pausa, então virou o rosto para encarar Sophie de frente. O coração dela quase saiu pela garganta.

Que homem lindo, ela pensou, num estado de sonho.

"Me diga, meu amor?" ela se inclinou ainda mais para ele.

"É uma coisa simples, na verdade," ele disse, com os olhos ligeiramente distantes.

"E é que o mundo só precisa de um herói por um tempo. Depois disso, o que ele precisa não é de um herói, mas de uma lenda. Um mito para as próximas gerações seguirem."

"Sabe o que isso significa?"

Ele não esperou resposta.

"O Herói de ontem se tornará o Tirano de amanhã, a menos que se crucifique hoje."

"O herói precisa morrer. Se não, perderá o epíteto de herói."

Sophie virou a cabeça. As palavras de Dançarino eram profundas. Mas, na realidade, o que passava na cabeça dela naquele momento era o corpo dele.

Não o que um herói é, nem seu destino eventual.

Mesmo assim, ela sorriu e deu a resposta mais sincera que pôde.

"Você é meu herói. E não vou permitir que você, nem ninguém, crucifique você."

Ela se inclinou e o beijou.

"Você é minha luz, Dançarino. E não posso perdê-lo, pois aí perderei minha direção. Então, me diga, o que quer que eu faça? Se desejar, farei de tudo para encontrar o culpado. Herói ou não."

Dançarino sorriu com suas palavras, sabendo que era hora de deixar de lado o assunto pesado sobre heróis.

Ao invés disso, disse: "Só preciso que você faça uma coisa rápida, Sophie."

Ele beijou os lábios dela.

"Me diga tudo," ela implorou.

"Hora de dançar, Sophie. De joelhos."

Sophie sorriu amplamente, lambendo os lábios com sensualidade. Aproximou-se ainda mais de Dançarino, colando seus corpos nus.

"Conforme você desejar, meu amor."

E os gemidos começaram.

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