Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 401

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

"Você fala como se conhecesse a masmorra." disse Rea, estreitando os olhos rubi em desconfiança. "Você conhece?"

"E como poderia saber de uma coisa dessas?" Kaden desviou da preocupação dela com um sorriso preguiçoso. "Estou apenas curioso sobre a masmorra. Você sabe o nível e o tipo dela?"

"Pelo que eu ouvi," começou Rea, colocando um cabelo branco que escapava atrás da orelha direita, "é uma masmorra de nível Grande-Mestre. Quanto ao tipo, não faço ideia."

Kaden reprimiu um movimento involuntário nos lábios. Pense que, como ser apenas Despertado, a Vontade o enviara para uma masmorra de nível Grande-Mestre.

Por mais vezes que pensasse nisso, Kaden não conseguia deixar de se perguntar o quão azarado tinha sido naquela época.

'Ou será que isso era até mesmo azar?' Ele se perguntou, batendo suavemente os lábios em frustração silenciosa.

"Quanto tempo levará até chegarmos lá?" perguntou, inclinando-se mais confortavelmente na cadeira.

Ao ouvir, Rea hesitou por um momento, então retirou algo de um dos múltiplos anéis que adornavam seus dedos.

Um pergaminho surgiu, com cor amarelo brilhante.

Injetando uma ponta de mana nele, o pergaminho se desenrolou como um tapete, suspenso no ar entre os dois jovens.

Levando uma sobrancelha curiosa, Kaden se levantou e aproximou o rosto do pergaminho, que revelou ser um mapa.

"Ah?" exclamou, maravilhado em silêncio.

"Este é um mapa aproximado do Norte de Fokay." disse Rea, ficando de frente para ele, do outro lado do mapa, com os olhos rubis brilhando como joias.

Ela levantou um dedo delgado e o pressionou contra o pergaminho. "Estamos aqui." disse, indicando a área onde as palavras 'Império Celestial' estavam em letras douradas negritadas.

Ao redor do Império Celestial ficava o Reino dos Lobos ao nordeste e, ao lado dele, a Pagoda.

A Igreja da Tristeza, marcada por uma luz acinzentada, se espalhava sob o império, ocupando várias vilas, cidades e territórios.

Só agora, Kaden percebeu o quanto era vasto o território da Igreja. Para ele, parecia que Silver City ficava bem perto da Cidade da Tristeza.

E, bem no fundo do Norte, na extremidade do mapa, havia um domínio inteiro envolto por uma luz glaciar.

Prometheus reconheceu à vista.

A Terra Congelada.

Um território que ele passou a conhecer durante sua Missão Mítica, nas mãos de um homem sob Lorde Silver.

Segundo aquele homem torturado, foi lá que Lorde Silver teve a ideia de criar os Doundous.

Até hoje, permanecia uma questão que Kaden ainda não compreendia totalmente.

Após alguns segundos de observação da Terra Congelada, Kaden desviou o olhar e deixou sua percepção explorar o resto do mapa.

Ele observou inúmeras florestas, cadeias de montanhas assustadoras, até lagos congelados. Alguns ele tinha ouvido falar pelos sussurros nas ruas, outros que via pela primeira vez.

Assistia tudo enquanto coçava o queixo pensativo, com um entusiasmo claro ardendo em seus olhos vermelhos iluminados por estrelas.

Olhos que fizeram Rea encará-lo por um instante demais, até que ela virou a cabeça de relance ao ouvir a voz ciumenta de Einar.

"Das informações que reuni sobre a masmorra," a voz baixa e levemente trêmula de Rea chamou a atenção de Kaden de volta, fazendo-o focar na desaceleração de seu dedo atravessando o mapa.

"Precisamos passar pela Ponte Congelada do Noroeste." seu dedo passou por uma linha azul bem fina, marcando uma ponte de gelo, "depois seguir até o Ninho da Pomba Caída, cruzá-lo — ou melhor, passar por baixo dele — e, então, chegar ao destino normalmente."

"Normalmente?" Kaden captou a palavra, dando um olhar de lado para Rea. "Você nem mesmo sabe se o caminho é esse?"

"Estou o mais certa possível." respondeu ela. "E esperei por anos. Não posso esperar mais."

Kaden ficou em silêncio, olhando-a. Então, inclinar levemente a cabeça. "É um caminho bem longo, Rea. Precisamos cruzar a Ponte Congelada, depois ir até o Ninho da Pomba Caída."

"E é um percurso que só podemos fazer a pé, sem qualquer meio de transporte."

Suas sobrancelhas franziram. "Tudo isso por quê?"

"Aceitei que você viesse comigo." a voz de Rea saiu mais fria do que ela pretendia.

Instantaneamente, um arrependimento veio, mas já era tarde demais.

Ela cerrava a mandíbula e continuou: "Não me faça perguntas sobre o que estou fazendo ali. Não pergunte nada."

"Você disse que seria como uma sombra." ela fez uma pausa, respirou fundo e acrescentou, "Se não consegue fazer isso, pelo menos não questione meus motivos."

Kaden ficou apenas olhando para ela.

Desde o começo da conversa, nenhum deles havia mencionado a relação que os ligava — o fato de serem noivos.

Era como se tivessem chegado a um acordo tácito de não falar sobre isso. Kaden não se incomodava. Falar sobre isso significaria falar de Meris… Vaela… e até Inara.

Por mais que quisesse acreditar que tudo ficaria bem, ele temia a resposta de Rea.

Ela já estava distante dele. Não fria no sentido habitual, mas dentro dela, Kaden podia sentir uma luta, uma hesitação presa entre duas coisas.

Um dilema.

Algo sobre o qual ele não tinha acesso.

Mesmo assim, Prometheus entendeu que Rea tinha concordado com sua presença não pelo que ele realmente era para ela — mas pelo que ele deveria representar.

E isso levantava uma questão…

O que Kaden realmente significava para Rea?

Ele não tinha resposta. E Rea também não.

Ambos estavam perdidos dentro de uma relação para a qual nunca estiveram preparados.

Então,

'Hm, uma linha entre nós. Então tudo bem.' Kaden fechou os olhos, depois os abriu novamente um segundo depois, separando os lábios,

"Eu sou—!"

BOOOOOOOOMMMMM!!!!!

Um lado da sala onde estavam explodiu em uma chuva de pedras e poeira num instante assustador.

O chão tremeu, como se algo estivesse se movendo por baixo, mas Rea e Kaden permaneciam firmes. Como pilares inamovíveis.

Ambos viraram suas cabeças na direção do lado destruído da sala, sentindo algo passar rapidamente por eles.

Com um olhar casual de Kaden, tudo se transformou em poeira cinza, levada pelo vento violento que atingiu a câmara.

Rea já recolhera o mapa de volta ao seu anel de espaço, com a face marcada por uma expressão de profunda carranca, enquanto olhava com Kaden para o buraco largo, aberto na parede.

Mas de repente, ambos sentiram uma pungente sensação de inquietação, virando suas cabeças para trás em perfeita sincronia.

Lá, viram o corpo de um humano, metade destruída em uma bagunça de ossos quebrados e sangue.

"Ah, peço desculpas por incomodar vocês." uma voz ecoou, atraindo novamente sua atenção para o buraco.

Kaden e Rea olharam para o homem de traços lupinos, sentado sobre um lobo de pelagem vermelha e rosnante, com cicatrizes cruzando seus olhos, saliva escorrendo de suas mandíbulas estendidas.

Os olhos do homem eram vermelhos já escamados, seu cabelo preto e a cauda balançando preguiçosamente atrás dele.

Ele os observava com dentes afiados à mostra, dando mais atenção a Rea do que a Kaden, ou até mesmo ao cadáver atrás deles.

"Vocês interromperam algo?" disse, encarando Rea, sua voz semelhante ao rosnado de uma fera feroz. "Desculpe. A humana foi muito escorregadia. Precisei matar tantos seres só para pegá-lo."

A face de Rea virou uma máscara de choque imediatamente.

Fazia tempo que alguém ousava olhá-la daquele jeito, como aquele lobino agora.

Einar começou a se mexer, mas Rea a silenciou com um gesto silencioso.

"E por que vocês estavam caçando ele?" perguntou Kaden, apontando para o cadáver destroçado atrás deles.

"Fique calmo, humano fedido." o lobino cuspiu desprezo na direção de Kaden, sem sequer olhar para ele. "Estou falando com essa bela humana."

Ele continuou com facilidade,

"Detesto humanos, mulher bonita." sorriu. "E os caço toda vez que tenho oportunidade. Mas tenho um ponto fraco pelas bonitas. A carne delas, a forma como arranham melhor que os lobos quando eu penetro... Ahhh!!!"

Sua voz era repulsiva ao ouvir.

Rea sorriu vazia. "O que isso quer dizer?"

"Significa que estou te dando a chance de ficar ao meu lado." respondeu. "Permitimos que vocês, humanos, vagueiem por esta cidade, mas sob nosso comando. Sob nossa lei. E a primeira lei aqui é que lobos podem matar sem repercussões. Então, qual será sua decisão?"

Desde o começo, o lobino tinha dado a Kaden apenas um olhar — e esse foi o começo de tudo.

Kaden observou a cena com olhos calmos.

Naquele instante, informações sobre o lugar onde estavam — enviadas por Blanche, encarregada de uma missão — começaram a inundar sua mente.

O timing foi perfeito. Ele engoliu tudo em um instante.

Conteve um sorriso, pensando brevemente em quanto os Asterion estariam amaldiçoando pelos bastidores.

"Antes de irmos," disse Kaden, virando-se para Rea com um sorriso discreto, "que tal fazermos algo juntos? Uma celebração pelo nosso encontro."

Rea inclinou a cabeça. "Fazer o quê?"

Ele virou-se de volta ao lobino e viu que ele já estava fervendo de raiva pela interrupção, a ira transbordando de ambos, dele e do montaria.

Kaden sorriu.

Reditha apareceu na sua mão direita, gritando de euforia enquanto linhas de intenção de espada se espalhavam pelo ambiente como uma teia de aranha.

"Vamos acabar com alguns lobos fedidos."

Rea sorriu.

"Parece uma atividade que vou gostar."

Comentários