
Capítulo 407
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
"Einar! O que está acontecendo?" Rea perguntou, preocupada, enquanto segurava o Kaden ensanguentado em seus braços.
O fenômeno aconteceu de forma tão rápida e repentina que ela se sentiu atordoada, seus pensamentos girando em espirais vertiginosas ao ver Kaden.
O homem estava no chão, com o corpo pálido, como se estivesse sem sangue. Nada que surpreendesse Rea, pois o chão sob eles havia se transformado em uma poça de sangue carmesim mais rápido do que ela conseguiu pensar.
Ela estava vermelha. E com suas roupas cinzentas, parecia uma noiva testemunhando o assassinato do marido no dia do casamento. Seus braços, pernas e peito estavam impregnados pelo sangue que jorrava de Kaden.
Não era só isso. Os lábios de Kaden tremiam incessantemente, como se estivesse congelado, a boca se abrindo e fechando em tentativas frustradas de dizer algo.
"Eu não sei!" respondeu Einar, surgindo numa versão diminuta, quase como uma fada, observando o estado de Kaden com sobrancelhas franzidas.
"Você precisa se acalmar primeiro, minha Rea! Tudo aconteceu tão rápido que mal consegui ver alguma coisa." Ela fez uma pausa, analisando o rosto de Rea, e depois acrescentou, "E a única coisa que notei antes de tudo isso foi ele olhando para a pintura!"
"Huh?" Os pensamentos de Rea pararam abruptamente, e então sua razão e calma começaram a inundar sua mente, fazendo-a lembrar com mais clareza dos acontecimentos.
'É verdade,' ela pensou, dolorosamente tentando manter o calor do corpo de Kaden, 'ele caiu depois de ver a pintura. Mas por quê?'
A resposta a essa pergunta escapava de Rea. E ao ver o estado de Kaden, ela sabia que não tinha mais tempo para refletir.
Kaden estava morrendo.
Esse pensamento fez seu coração seguir um caminho que nunca imaginara.
Em um mundo onde ela havia cortado qualquer contato com o passado e a família, decidindo que era melhor ficar sozinha, pois desafiar uma deidade era algo que ela ainda não compreendia totalmente.
Num mundo onde ela era vazia em todos os sentidos, somente Kaden era seu elo com o passado.
Ele era o único que a fazia lembrar que ela nem sempre foi esse tipo de ser. Uma que poderia matar e torturar enquanto desfrutava do processo.
Além disso, ela odiava admitir… mas Kaden a fazia se sentir confortável.
Todas essas ideias complexas e contraditórias passavam por sua cabeça, deixando-a tonta. Mas tudo se resumiu a uma única certeza…
'Não quero que você morra, Kaden.' Rea pensou, mordendo o lábio inferior até que seu sangue começasse a escorrer.
Ela olhou mais profundamente para Kaden, vendo linhas negras se arrastando por todo o corpo dele. Começou a pensar em uma forma de ajudá-lo; ao menos, de mantê-lo vivo até que uma decisão verdadeira fosse tomada.
"Sangue!" sugeriu Einar, puxando Rea de seus pensamentos intermináveis, "Dê a ele sangue e também fortaleça seu corpo com seu medo! Pode ajudar!"
Assim que essas palavras penetraram em sua mente, Rea já agia, mesmo sem perceber.
Uma adaga cinza com anéis nas bordas apareceu de um dos seus anéis. Sem hesitar, com olhos vermelhos, ela cortou as veias do seu pulso esquerdo — ela rangeu os dentes — sangue jorrou em uma cascata, sputtering, espumando.
Ela se inclinou rapidamente, abrindo forçadamente a boca de Kaden e fez com que ele bebesse seu sangue. Ao mesmo tempo, intensificou sua própria sangue, garantindo que Kaden se regenerasse.
Tudo aconteceu tão rapidamente que só após o ato estar completo, Rea percebeu o que havia feito.
Mas ela não se arrependeu. Continuou a deixar seu sangue escorrer, sem se importar com a fraqueza gradual que começava a invadir seu corpo.
Claramente, ela não resistiria muito tempo.
…
Enquanto isso, uma situação completamente diferente se desenrolava na mente de Kaden. Ele não sabia o que tinha acontecido ou mesmo o que estava acontecendo, mas Prometheus se viu sendo puxado para um sonho estranho.
Ele não sabia por que tinha essa sensação, mas sabia. E a parte mais estranha era que aquilo não era um sonho dele.
Era o sonho de outro ser.
"Mas quem?" perguntou Kaden, olhando ao redor. Encontrou-se em um campo de batalha destruído, com sangue e carne por toda parte.
O cheiro de ruína e morte era tão intenso que até Kaden começou a se sentir enjoado, quase vomitando o próprio estômago.
Ele limpou os olhos, concentrando-se na situação atual. Sentia seu corpo enfraquecendo lentamente, envenenado pelo que quer que estivesse absorvendo naquele lugar infernal.
Divindade, ele suspeitava.
"Preciso sair daqui," disse Kaden, lambendo lentamente os lábios, "mas como?"
Ele usou sua percepção, tentando encontrar algo que pudesse ser uma pista. Ao mesmo tempo, começou a caminhar.
Seus passos ecoavam com sons de respingos sinistros. Às vezes pisava no centro de uma besta estranha, outras vezes via cadáveres tão dilacerados que tinha que desviar o olhar.
Mesmo assim, continuou andando, mantendo sua percepção bem aberta.
Durante o caminho, notou cadáveres de monstros de pele negra. Franziu a testa discretamente, de alguma forma reconhecendo esses monstros.
Porém, balançou a cabeça e seguiu em frente.
Kaden não sabia quanto tempo caminhou, mas logo percebeu que era uma tentativa inútil.
O espaço em que estava parecia se transformar numa espécie de círculo infinito, como se, por mais que caminhasse, nada mudasse e ele não chegasse a lugar algum.
Além disso, podia sentir algo. No começo, era vago, mas agora tinha certeza.
Estava sendo observado.
E após caminhar sem rumo por quem sabe quanto tempo, Kaden conseguiu localizar a direção de onde vinha a presença.
"Tudo bem." Kaden finalmente cedeu.
Ele tinha tentado usar suas habilidades mais cedo, percebendo que só habilidades relacionadas a sangue e morte funcionariam ali. Sua tocha de Prometeus era completamente inútil.
Porém, ele não precisava de Blanche aqui.
Reditha era mais que suficiente.
Ele fechou os olhos, respirando fundo, profundamente, como se quisesse absorver todo o ar ao redor.
O reino estranho ao seu redor parou por um instante, e sua concentração e foco aumentaram a um nível ridículo, sua cabeça leve, quase nebulosa.
Naquele instante, algo atravessou sua percepção. Foi breve, até demais, mas Kaden agiu ainda mais rápido.
Reditha não precisava ser manejada. Ela era uma entidade por si só.
Então, tudo o que Kaden precisava fazer era compartilhar sua vontade e…
CRACK—!
Reditha quebrou o crânio de um esqueleto negro.
Kaden abriu os olhos novamente, expirando ao mesmo tempo que soltava o ar preso no peito.
O vapor que saía de sua boca era carmesim, manchado de preto, e ao tocar o ar exterior,
Era como fogo sobre óleo.
Uma série de explosões ressoou pelo campo de sangue, atingindo especialmente todos os esqueletos ao redor.
O número deles era dez.
E quando todos se transformaram em pó, a realidade ao seu redor começou a brilhar como uma ilusão sendo desfeita.
A visão do campo de batalha desapareceu como uma cortina sendo puxada, revelando um lugar totalmente diferente.
Kaden se viu em um mundo carmesim, olhando na sua frente. Lá, tinha um ser acorrentado por todo o corpo. As correntes eram enormes, de cores variadas e brilhando com uma força ilimitada.
Só de olhar aquilo, o olho esquerdo de Kaden começou a sangrar.
Ele amaldiçoou, usando o pouco de poder que tinha acessado, e olhou para o ser acorrentado.
A pele do ser era de um preto profundo e infinito, e suas costas eram framadas por asas esqueléticas.
Com a cabeça abaixada, mas Kaden não precisava ver seu rosto para reconhecê-lo.
No instante em que entrou naquele lugar carmesim, algo dentro dele começou a tremer.
Era um Traço. Um traço que ele tinha há muito tempo esquecido.
[Sangue Corrosivo está atuando.]
Kaden inalou fundo enquanto uma voz ecoava em sua cabeça,
"Ohohoho! Sabia que era você. Ah, Kaden, Kaden, Kaden…"
Ele ergueu a cabeça e olhou para Kaden com um sorriso grande e assustador,
"Você cresceu tanto, meu favorito."
Kaden fez biquinho, os lábios se formando numa linha fina, olhando para o homem acorrentado com evidente repulsa.
"…Nocthar."
—Fim do Capítulo 407—