
Capítulo 406
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Os dias passaram rapidamente. Kaden e Rea estavam correndo, caminhando, trotando — a única coisa que não fizeram foi rastejar — durante todo o percurso.
Passaram por diversos tipos de ambientes, indo de trilhas rochosas a olharem ao redor, cansados, para uma extensão de campo repleta de plantas murchas, ou até queimarem uma floresta para ganhar tempo…
Bem, isso foi coisa só do Kaden.
Finalmente, agora, eles estavam parados em um lugar onde a areia branca cobria a terra abaixo.
Já haviam se passado três dias, e a dupla se encontrava na beira da Ponte Glacial.
Kaden pensou que três dias de viagem juntos seriam suficientes para quebrar o gelo, mas parecia que ele havia subestimado a situação atual.
As barreiras de Rea eram mais difíceis do que até mesmo o gelo.
Tudo aquilo fazia a jornada empolgante que ele esperava ser, na verdade, algo extremamente desconfortável.
Às vezes, durante o caminho, Kaden se permitia imaginar como seria se estivesse com Meris… Vaela… ou até Inara.
Mas então ele sempre sacudia a cabeça, afastando esses pensamentos, repreendendo a si mesmo por pensar em outras mulheres enquanto estava noivo.
Ele se sentia um amante traiçoeiro e patético.
E era mesmo. Mas a verdade era uma ferida difícil de engolir.
Até para Kaden.
"Daqui," falou Rea, chamando a atenção de Kaden para a situação atual, "precisamos encontrar a ponte e chegar ao outro lado para continuar nosso caminho."
Kaden assentiu, olhando ao redor.
A temperatura havia caído desde que chegaram ali, ficando mais fria, mesmo estando na porta daquele lugar estranho.
Ao seu redor, nada existia além da areia branca que enrolava ao redor de suas botas e algumas rochas dispersas — todas de uma cor branca assustadora.
Olhando mais adiante, Kaden percebeu o ascenso de alguns morros, mais precisamente oito deles.
Aqueles oito morros, todos com forma irregular e pontiaguda, estavam dispostos de uma maneira estranha. Estranharamente, Kaden conseguia memorizar a sequência exata dessas montanhas.
Ele se perguntava o motivo.
Estavam todos cobertos por uma camada de gelo, mas algo nele parecia diferente. Até a neve sob seus pés tinha uma sensação diferente, como se fosse gelo — mas não exatamente.
Como se fosse gelo, mas ao mesmo tempo, não fosse.
Seu rosto se fez uma expressão de curiosidade, e sua percepção começou a se aguçar, preparando-se para qualquer tipo de emboscada.
Apesar de…
Kaden olhou para cima, vendo o sol já se escondendo, enquanto a lua lentamente subia no céu.
A noite logo se aproximaria. E, com as sombras caindo sobre eles, tanto Rea quanto Kaden sentiram a temperatura subir de forma exponencial e anormal.
"Acho que," começou Kaden, olhando para Rea de canto de olho, "é melhor continuarmos amanhã de manhã. A noite está chegando, e eu não quero caminhar por um lugar desconhecido no escuro."
Rea concordou com a cabeça, já observando ao redor com seus olhos vermelhos. "Sim. Mas precisamos encontrar um lugar adequado, no entanto."
Seu olhar finalmente se fixou em Kaden.
"Você consegue fazer isso? Sua percepção parece ser melhor do que a minha."
Kaden fez um gesto de reconhecimento com um som de afirmação, então ficou sério. Num instante, um mapa do local começou a se formar na sua mente.
Quanto mais ele descobria, mais sua sobrancelha se aprofundava, formando uma rachadura entre elas. Ele rangeu a língua, percebendo uma névoa surgindo de dentro da paisagem, espalhando-se na direção deles.
Sua percepção ficou mais lenta quando tocou a névoa. Não era só isso. Tocá-la com sua percepção era como tocar uma criatura viva.
Kaden parecia ouvir uma voz aguda vindo dela. E o batimento de um coração.
Rea virou a cabeça rapidamente em direção à névoa que se aproximava. Seus lábios se comprimiram numa linha fina.
"E então?" ela perguntou a Kaden.
"Encontrei um lugar," disse Kaden. Seu corpo ficou difuso, movendo-se imediatamente em direção ao ponto antes que a névoa alcançasse ambos.
Mesmo assim, ele garantiu manter uma velocidade razoável para que Rea pudesse seguir.
O cenário virou uma mancha borrada enquanto eles atravessavam o espaço de neve branca.
Logo, chegaram a um…
Eles inclinaram as cabeças.
"Uma casa?"
…
Rea e Kaden deram uma volta ao redor da construção. Bem, chamar aquilo de casa talvez fosse um pouco exagerado. Era mais parecido com uma pequena habitação em forma de caverna, feita de rochas brancas, com o teto em formato triangular.
Havia uma lareira pequena, com uma chama azul brilhando suavemente, iluminando a morada com um brilho acolhedor.
Dentro, os dois viram um sofá pequeno, murchado, no centro, sobre um tapete que parecia a pele morta de uma besta.
Mas que besta teria pele com tantas cores? De um olhar rápido, Kaden percebeu mais de dez tonalidades diferentes.
A visão não agradou a estética de Kaden. Ele fez uma careta, desviou os olhos e seguiu examinando o interior.
Seus olhos vermelhos, como estrelas, se fixaram em Rea, que olhava fixamente para algumas pinturas penduradas nas paredes.
Só então Kaden percebeu que as paredes estavam completamente decoradas com quadros, retratando cenas que ele reconhecia e outras que não.
De novo, ele franziu a testa. As pinturas traziam memórias boas e ruins ao seu interior.
Ele não gostava, se não fosse feita por Vaela. Isso o irritava.
Apesar disso, decidiu dar uma olhada, começando do lado oposto ao de Rea.
A primeira que viu era uma tela em branco, branca. Ele não disse nada e seguiu adiante. A próxima era parecida, exceto por um pequeno ponto preto no centro.
Era minúsculo. Kaden quase perdeu de vista.
Continuou, com os passos pesados, arrastando-se pelo chão feito de coisas que Prometeu talvez nunca conhecesse.
Quanto mais avançava, mais pontos pretos cobriam a tela branca. No centro da sala, a tela agora estava completamente preta.
Kaden parou ali, com a mente numa sensação estranha de formigamento. Parecia estar prestes a entender algo sobre aquelas pinturas. Mas era algo efêmero, muito rápido.
Como se tentasse, sem vontade, segurar na mão uma névoa que se esvaía, fazendo-o perder a mensagem que aquilo queria transmitir.
De novo, sem ter o contexto ou qualquer referência, Kaden estava completamente perdido.
Por outro lado, ele estava intrigado. Seguiu em frente, ansioso, até a próxima, vendo Rea já ali, olhando fixamente para o quadro.
Com a luz azul acariciando seu rosto, de um lado, com seus brincos e piercings, Kaden tinha que admitir que Rea tinha um charme único.
Ela era bonita.
Mas só isso.
Ele focou na pintura, e seu coração acelerou loucamente no peito.
A próxima cena que viu foi ele mesmo caindo no chão, com Rea virando a cabeça para ele, surpresa.
"Kaden?" A voz dela, preocupada, não conseguiu chegar até ele.
O que só passava por sua cabeça era o rastro de sangue escorrendo da tela agora negra.
Era só uma linha de sangue.
Mas a linhagem Warborn e seu aspecto de meio-morto dentro dele assobiaram emoções desconhecidas.
Seus olhos giraram para dentro, ficando brancos, até que Kaden se viu em um lugar completamente diferente.
Dessa vez, o sol não estava sangrando.
O próprio céu parecia se desfechar, partido e destruído, com sangue, guerra e morte por toda parte.
E lá, Kaden ouviu a canção.
Ó… que canção terrível era essa!
…Eu sou o conquistador sem horizonte, aquele que afoga mundos em conflito sem fim, cuja marcha treme a medula do céu e da terra.
Eu sou a Guerra feita carne.
Eu sou o Sangue feito eterno.
Eu sou….
Tudo parou, e a consciência de Kaden mergulhou cada vez mais fundo nesse sonho estranho.
Rea já estava ao seu lado, com olhos confusos e preocupados. E essa preocupação se intensificou ao perceber…
Que Kaden estava sangrando por todos os poros do corpo.
"O que está acontecendo? Einar! O que está acontecendo?"