
Capítulo 405
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Sora entrou pelo portal de energia celestial que girava em tons de azul, dourado e branco. A espaço reluzia como uma névoa de ilusão.
Em um piscar de olhos, ela se viu em um espaço completamente diferente.
O chão sob seus pés era composto por uma areia dourada desconhecida, macia ao toque, mas que brilhava como se guardasse o próprio significado das estrelas.
O espaço ao redor era inundado por uma massa de energia que girava e se contorcia, como o sibilo e o estalar de uma cobra.
Acima, uma visão hipnotizante invadiu a mente de Sora. Sua respiração ficou presa na garganta. Inconscientemente, sua boca formou um círculo O diante da tela.
Lá, o sol e a lua estavam adornados em um céu branco e sem manchas, suas luzes brilhando intensamente sobre ela.
A luz dourada do sol a aquecia, enquanto o brilho prateado e azulado da lua a refrescava. Esses efeitos faziam seu corpo equilibrar-se entre calor e frio; entre céu e inferno.
"Uma mulher?" Uma voz, tão antiga quanto jovem, ressoou pelos ouvidos de Sora. Ela estremeceu, girando a cabeça rapidamente na direção do som.
No alto do céu, entre os dois corpos celestiais, um corpo feito de luz dourada-branca com estrelas cintilando por toda parte estava sentado sobre uma linha estreita criada a partir da essência do próprio sol e da lua.
Nenhum traço facial era visível além de seus olhos: o esquerdo, de formato solar, o direito, metade de lua, e, na testa, uma marca de estrela gravada.
"Desde quando eu recebo uma mulher?" A encarnação de Aster falou. "Ah, sim, aquela pequena garota Apolônia de BrightSky, certo? Ah, não! Confundi a época. Esta é Apolônia Shamsi, a primeira Imperatriz da minha linhagem."
"E quando isso aconteceu…"
Ele fez uma pausa, olhando claramente para Sora, cujo sangue pulsava de maneira tão intensa que parecia gritar, implorando para que ela se curvasse, como se ficar de pé fosse o maior pecado naquele lugar.
Ela recusou-se a se curvar. Seus olhos permaneciam firmes, altos e frios, os lábios comprimidos em uma linha fina e dura, enquanto olhava para Aster.
Aster pareceu rir, embora nada de visível pudesse ser percebido em seu rosto sem traços.
"...a última vez que uma mulher governou meu império, minha querida Sora, tudo foi destruído até o chão. A lua, não, minha lua, morreu no processo."
"Agora, por que eu deveria aceitar seu governo?"
"Por que você não aceitaria?" disse Sora, erguendo-se firme e reta, pelo menos tentando. "Eu sou a Herdeira do Sol, e a única capaz de assumir o trono."
"Se não eu, então quem?"
"Sou a Origem da sua linhagem, garotinha," respondeu Aster, "e há algo que você parece esquecer, ou até mesmo não saber."
No momento em que terminou as palavras finais, a cabeça de Sora caiu, o dorso se inclinou e virou som, seus joelhos tremeram, rangeu, e ela afundou profundamente na areia dourada abaixo.
Seus olhos se arregalaram de horror absoluto. Não havia nenhuma pressão sobre ela, nem um tipo de poder que a forçasse a se curvar.
Porém, ela se curvou.
Parecia que sua própria existência não foi feita para ficar de pé diante de Aster.
"Você está na presença de um deus," continuou Aster, fazendo Sora compreender uma verdade arrepiante naquele instante,
"E você não passa de uma mortal. Então, baixe sua cabeça."
Nenhuma palavra saiu da boca de Sora; sua mente ainda estava atordoada.
O Primeiro Celestial não se preocupou em esperar que ela se recomposse. Continuou, agora olhando mais profundamente para sua descendente, notando algo que antes não havia percebido.
"Kol'Riku…" Aster inclinou a cabeça. "Você recebeu a bênção da Voz da Existência. Agora, não é interessante? Quem diria que um mortal iria interessar a esse recluso? E meu descendente, para mais?"
Ele soltou uma risada forte e orgulhosa, fazendo o reino tremer ao seu redor.
Sora permaneceu em silêncio, seus olhos queimando com um fogo de fúria. Ela rangeu os dentes, fechando as mãos em punhos bem apertados, e faíscas de fogo escaparam de sua mandíbula.
O fogo saiu de seu corpo como fumaça de uma chaminé, subindo em espiral.
Ela abriu os lábios. "Eu vou—!"
"Não posso ficar neste lugar por muito tempo. Então, vamos acabar com isso," disse Aster, sua voz agora mais séria. "Aconteceu um evento, pequena Sora. Um evento numa linha do tempo que levou à destruição do meu império. Onde Apolônia me decepcionou."
Sora tremeram, sua mente imediatamente se voltou às memórias que herdara de Lady Sora.
Aster viu e sorriu de lado. "Então você sabe do que estou falando. Agora, como? Ah, Sora… Sora…"
Ele sorriu ainda mais, um sorriso largo, quase assustador.
"Ah, Providência, tão promíscua ultimamente. Mas é perfeito."
"Apolônia me decepcionou," disse Aster. "Ela era talentosa e astuta, sua compreensão do Caminho Celestial além do normal. Mas vejo em você um talento ainda mais poderoso, e vejo em você uma maneira de recuperar o que perdi."
"Q-Que?" tentou Sora, com a expressão contorcida.
"Meu império foi destruído, a Fênix Branca que capturei agora está livre," a voz de Aster carregada de uma fúria oculta. "Até a Fênix Negra, que eu seladamente aprisionei dentro de uma entidade, foi libertada. E tudo por causa de uma única criatura."
O próximo nome caiu como um golpe fatal na cabeça de Sora.
"Prometeus."
Ela deixou de respirar, ouvindo as palavras de Aster como uma mortal ouvindo a pregação de seu deus.
"Então, a coisa é a seguinte, pequena Sora," ele continuou, e, nesse momento, Sora sentiu como se pudesse erguer a cabeça.
Ela ergueu. Viu dois olhos celestiais fixando-se nela, fazendo-a sentir como uma pedra inútil bloqueando o caminho.
"Você será a 2ª Imperatriz do Império," decretou. "Eu vou te abençoar com um aumento na pureza do sangue, fortalecendo sua origem. E quero uma coisa de você."
Ele levantou o dedo indicador para o alto, e o céu se abriu como um manto sendo puxado para fora.
"Quero o Coração de Prometeus, a Chama da Humanidade."
"Não!" gritou Sora, sua voz ressoando de raiva. "Eu não vou—!"
"Agora, quem disse que você tem escolha nisso?" O rosto de Aster se abriu em um sorriso estranho, tão largo que parecia tocar seus olhos.
Sora tremeu de medo. Seu corpo ficou imóvel, incapaz de se mover, enquanto sua mente começava a ficar turva e confusa, como se estivesse passando dias e noites bebendo álcool.
Logo, o ambiente ao redor começou a se desfocar, seus olhos se fechando antes que ela perdesse completamente a consciência. A última coisa que ouviu foi a voz fria e arrogante de Aster,
"Não há escolha para um mortal. Ainda menos para alguém da minha linhagem."
Thud—!
Ela caiu de cara no chão. Aster piscou o dedo, e uma luz dourada, líquida e profunda irrompeu diante dele, atingindo Sora e penetrando em seu corpo como água na terra.
Aster sorriu, fechando os olhos, sentindo algo que nenhum mortal poderia compreender.
Entretanto, sob a dobra das roupas de Sora, a joia mágica de Kaden brilhava subtilmente, emitindo um brilho furtivo.
…
Enquanto isso, longe da capital, dois jovens, um homem e uma mulher, corriam por um campo de rochas escarpadas.
Um silêncio, interrompido apenas pelo vento que raspava seus rostos, prevalecia entre Rea e Kaden.
Um silêncio ao qual cada um deles já tinha se acostumado.
Desde que partiram de Silver City, nenhuma palavra foi trocada além de comentários mínimos.
Rea parecia preferir ficar na sua. Às vezes, Kaden via seus lábios se movendo, como se estivesse falando. Ele sabia que era com Einar.
Ele nunca comentou, mas às vezes tentava iniciar uma conversa para aliviar o tédio do percurso.
Rea, no entanto, parecia pouco entusiasmada com isso.
Então, ele desistiu. E agora…
"Se corrermos rápido, chegaremos na Ponte Congelada em três dias. Se for devagar, leva uns cinco," ela falou, depois voltou a ficar em silêncio.
Hoje, ela mais falava para passar informações sobre o caminho.
Kaden suspirou, questionando por que sempre se encontrava associado a mulheres estranhas.
"Porra!"
Dizem que se você souber para onde vai, a viagem será tranquila.
Mas esses sábios pareciam se esquecer da pergunta mais importante: com quem você vai durante o percurso.
Kaden amaldiçoou mais uma vez.