
Capítulo 381
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
“Eles fizeram o quê?” perguntou Sora, seus olhos ardentes fixos na figura de Roma, de pé diante dela.
Ela estava dentro de sua sala de estudos, decorada em ouro, vestindo roupas imperiais douradas adornadas com joias luxuosas.
Já havia crescido, agora com dezoito anos, exibindo um rosto mais maduro.
Sua beleza tinha aumentado, assim como sua aura.
Se antes, sua presença lembrava estar ao lado de um fogo ardente, agora, ficar ao lado de Voz de Ouro era como mergulhar dentro de lava em chamas.
Ela se apoiou na cadeira, com cabelos loiros presos em um grande coque atrás, segurado por um adereço dourado em forma de disco solar. Algumas mechas escorriam dos dois lados do rosto.
A princesa atualmente tinha o nível de Grande Mestre. E não qualquer Grande Mestre.
Ao ouvir sua pergunta, Roma abaixou a cabeça e respondeu:
"Sim, minha senhora. Mudaram o nome de Cidade Prata para Moradias Negras."
As sobrancelhas de Sora se franziram ainda mais diante da notícia.
"E a população aceitou isso sem resistência?"
"Não tinham escolha. Ou aceitavam a mudança ou eram mortos," respondeu Roma com voz calma. "E ninguém se permitiria morrer por causa de um nome, se me permite opinar desnecessariamente sobre o assunto."
Sora abanou a mão de forma preguiçosa. "Não me importo," ela disse, recostando-se mais na cadeira dourada. Seus olhos se perderam em um profundo momento de reflexão.
Roma ficou em silêncio, mas, após um instante, não pôde mais se conter. Separou os lábios e falou:
"Peço desculpas, minha senhora."
Seu tom fez Sora entreabrir os olhos, fixando-o nela.
Roma reprimiu um sorriso. Ela havia apenas ficado observando-o com o olhar, mas ele sentiu como se todo o seu corpo estivesse em chamas.
Nada lhe trazia tanta alegria quanto ver sua senhora crescer. Isso o preenchia com uma sensação estranha de felicidade. Algo semelhante ao orgulho.
Ele balançou levemente a cabeça, expulsando esses pensamentos e voltando ao foco.
"Por que não acabamos com eles de uma vez?" propôs Roma. "Posso liderar seu exército e devastar Cidade Prata. Seu nome será cantado a cada uma de suas mortes."
"Talvez," começou Sora, com as unhas douradas batendo na mesa, "exatamente isso que eles querem de nós."
Roma arqueou a sobrancelha esquerda.
Voz de Ouro continuou com suavidade:
"Eles têm sido muito abertos em suas ações, não acha? É verdade que são bestas, mas não são idiotas. E o que estão fazendo, afrontando-nos abertamente, não passa de uma burrice."
Ela parou de mexer os dedos, oferecendo a Roma um sorriso discreto.
"Então, o que você acha que eles estão buscando, afinal?"
Era uma pergunta retórica, com uma única resposta possível. Roma a deu:
"Eles querem que reagamos," disse.
"Exatamente."
"Mas por quê?" continuou o guardião leal, com suavidade. "Por que eles fariam isso?"
"Isso é o que quero levantar a questão," afirmou Sora, então sorriu, sua voz de repente carregada de um estranho eco. "E agora, eu vou descobrir, Roma."
Ela se levantou, a cadeira rangendo ao se mover. Lentamente, saiu da sala de estudos. Roma imediatamente se posicionou atrás dela, seguindo seu ritmo a uma distância respeitosa.
"Quantas canções criei nesses últimos dois anos?" ela perguntou, com o som dos saltos ressoando no chão de forma rítmica.
Paredes douradas decoradas com retratos e artefatos luxuosos ladeavam o corredor.
"Dezessete canções, minha senhora," respondeu Roma, sua máscara fazia sua voz soar mais demoníaca do que sagrada, apesar do brilho de sua armadura.
"O império inteiro as ouve," ele continuou. "E com essas canções, uma nova era foi instaurada, minha senhora. Agora há mais pessoas querendo seguir esse caminho. E seu povo a ama."
Sora sorriu discretamente.
De fato, eles a amavam. Qualquer um que escutasse suas músicas sentiria uma parte dela em cada letra.
De certa forma, ela se abriu para eles, mostrando um vislumbre de quem era.
Um ser como ela, tão exaltada quanto parecia, se mostrando para os mortais? Por simples agricultores, comerciantes e até mendigos?
A população se sentia especial, e agora a tinha como uma grande referência.
Sora pensou brevemente no que seu irmão pensaria dela agora.
Ela já conseguia imaginar a cena.
Seu rosto arrogante e aquele sorriso irritante, explicando por que ela tinha orgulho de algo assim, só para agradar aos fortes.
Ela o amaldiçoaria. Ele retribuiria com um beijo no ar e seguiria seu caminho.
Como sempre.
Isso, sem falhas, a deixava furiosa na hora. E ainda a deixava. Mas, de alguma forma, ela sentia falta daqueles pequenos momentos.
Sentia falta do irmão arrogante, mesmo que nunca fosse dizer isso em voz alta.
Ao lado dele, também estava Kaden. Faziam dois anos que ela não o via, e parecia que essa distância tinha um efeito estranho nela, alimentando suas emoções de uma forma da qual Sora queria se matar por ter.
Estava ficando cada vez mais difícil passar um dia sem se olhar no espelho e imaginar uma conversa com ele.
Um dia, ela fez uma cópia de Kaden com sua manipulação de fogo solar. Destruiu imediatamente, irritada por não conseguir captar sua aparência.
Ela era uma cantora. Não uma escultora nem uma pintora. Mas, naquela época, ela queria ser uma delas.
No entanto, ela podia imortalizar sua versão de Kaden com ela própria, à sua maneira.
Seus dezessete músicas, mais da metade eram dedicadas a Kaden, falavam sobre ele ou eram inspiradas por ele.
De uma maneira vergonhosa, Kaden era sua musa.
Mas isso… isso era algo que ela preferiria morrer a admitir em voz alta.
Voz de Ouro exalou e voltou seu foco para a situação atual.
"Você disse que minhas músicas estão por toda parte," ela falou. "Até em Cidade Prata?"
"Sim, minha senhora."
Ela sorriu de forma estranha. "Então, é perfeito. Que elas aproveitem."
Virou à esquerda e foi direto para sua sala de treinamento.
"Elas serão como um pedra de amolar após minha coroação. Preciso de algo para melhorar minha reputação, não é?"
Roma sorriu.
"Desculpe, minha senhora. Fui de visão curta."
Sora abanou a mão de forma preguiçosa.
"Tudo bem. Mas o Kenan já foi?"
"Sim. Ele despediu-se há duas semanas."
Sora torceu os lábios com desgosto. "O momento em que preciso dele é quando ele desaparece."
"Você pelo menos sabe para onde ele foi?"
Roma balanceou a cabeça. "Não soube dizer."
Sora prendeu uma maldição, mordendo a língua. "Pense em uma punição quando ele voltar."
Roma sorriu de lado.
"Sob suas ordens, minha senhora."
Ela agarrou a maçaneta da sala de treinamento, girou e puxou com força a porta.
Dentro, uma dimensão de fogo a aguardava, como uma bênção ou um desafio.
…
Darklore — Waverith.
Dentro do prédio de Ouroboros, Inara olhava para a carta carmesim repousando na mesinha da frente, deitada no sofá verde, vestindo um top preto e uma saia curta combinando.
"Você ficou olhando para ela por duas horas," disse Medusa, sentada em frente, olhando para a filha de forma estranha. Diversas cobras enroscavam-se por todo o corpo dela.
"O que está escrito nela?" perguntou Inara.
"Um convite." respondeu Medusa. "Um convite de Kaden."
Medusa olhou fixamente para a filha em silêncio. "Você irá?"
Inara lançou um olhar estranho, fazendo uma careta feia. "Ir? Que me envie para o inferno se eu for mesmo."
"Ainda assim, você ficou olhando por tanto tempo." Medusa acariciou uma das suas cobras. "Por que está mentindo?"
"Só gosto da estética. O que? Agora isso é um crime?"
"Já fazem dois anos, Inara." Medusa fez uma careta. "O jovem mestre tenta falar com você há dois anos. E você sempre recusou. Para qualquer outro, pareceria que você o odeia."
"Eu o odeio." confirmou Inara.
"Você não odeia. Tem medo do que vai sentir quando o encontrar cara a cara, sozinha. Tem medo da dor de vê-lo, sabendo que ele a rejeitou."
Inara apertou os dentes, encarando a mãe com raiva.
Medusa deu de ombros. "A verdade dói, minha filha."
"Então, mantenha sua verdade para si, mãe. Não quero ouvi-la."
"Falar assim comigo de novo, Inara?"
Inara, com sabedoria, não repetiu. Sua mãe ainda tinha poder para deixá-la vermelha de vergonha, se quisesse.
Medusa suspirou depois.
"Em breve voltará para Fokay." ela disse. "Antes disso, minha filha, fale com ele."
"Curando suas feridas e voltando. Porque você não sabe se haverá outra chance."
Ela fez uma pausa, olhando sério para a filha. "Nunca subestime as pessoas. A vida é imprevisível."
"E a morte não envia aviso antes de bater na porta de alguém."
Inara abaixou a cabeça. Sua mãe tinha razão. Ela mesma não tinha certeza se voltaria. Sua vida e morte eram tão incertas quanto qualquer coisa.
E ainda assim…
'É difícil.' Ela choramingou internamente. 'É tão malditamente difícil.'
Dois anos haviam passado.
Dizem que o tempo cura todas as feridas.
Mas as dela ainda estavam abertas, tão vivas quanto naquele dia.
Ela amaldiçoou silenciosamente, virou o corpo e caiu no chão.
Toc, toc.
"Por que o amor dói tanto, mãe?"
Medusa balançou a cabeça.
"Dói mesmo?" ela respondeu. "O amor é muito simples, Inara. Somos nós que complicamos tudo."
"Então, não pense demais e siga seu coração."
"Da última vez, ganhei uma ferida que nunca se fechará." interrompeu Inara.
"Quem sabe desta vez," Medusa deu de ombros, insistindo, "você conseguirá algo que cure todas as suas feridas."
Inara fez uma pausa, escondendo o rosto com as mãos. Então…
"Mãe."
"Sim."
"Eu o odeio."
"Se isso te ajuda a dormir melhor."