Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 386

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Palavras teimaram em não escapar da boca de Kaden. O rumo da conversa tinha tomado um caminho que ele nunca imaginara.

No entanto, as palavras do velho mendigo ecoavam fundo na sua mente, enquanto, lentamente, começava a imaginar como seria morrer daquela forma.

Uma morte lenta e dolorosa. Uma morte bem diferente de tudo que já experimentara.

No fim das contas, quase todas as suas mortes foram rápidas. Dolorosas, sim, mas rápidas o suficiente para que ele não as sentisse por muito tempo.

E mesmo aquelas que eram lentas não envolviam a perda de sua dignidade como humano antes que a morte o engolisse.

Porque esse era o real significado.

Primeiro, você morria ao voltar a um tempo em que era um bebê indefeso, mas com a mente de um homem que tinha amadurecido e vivido muitas coisas.

Isso te destruía.

Um final desse tipo seria particularmente terrível para alguém que alcançou uma força imensa.

Pensando em tudo isso, Kaden começou a temer — de alguma forma — aquela espécie de morte.

Mas ainda assim…

"Por quê", começou Prometeus, franzindo as sobrancelhas, "você está me contando tudo isso, velho mendigo?"

O velho lhe lançou um sorriso predatório, seus olhos ainda voltados ao céu, como se pudesse enxergar coisas que nem mesmo Kaden conseguia.

"Eu te falei, garoto suicida, não foi? Sim, eu falei", disse. "Só falo sobre o que me inspira. Não controlo minha boca. Não controlo minhas palavras. Eu só abro e tudo sai por conta própria."

"Devo entender algo dessas palavras?" indagou Kaden mais uma vez. "Se sim, parece que a lição me escapou."

"Nem toda lição é pra ser entendida no momento em que a aprendemos", sussurrou o velho mendigo, agora olhando diretamente pra Kaden. "Nem todas, garoto. Mas lembre-se disso, ok?"

"Nem toda morte é tão honrosa quanto sua família gosta de fazer parecer", ele disse, sorrindo.

"Você acha mesmo?" Kaden deixou um leve sorriso, embora fosse tenso.

"Acho", assentiu destemido, olhando para a névoa de pessoas que começava a dançar ao longe. "Muitos de nós não morreremos com uma arma na mão, protegendo nossa casa ou nossos entes queridos. Não, garoto, de jeito nenhum. Muitos morrerão como vítimas colaterais nas guerras que você lutará. E, se não, morreremos enquanto apodrecemos em nossas camas, pensando no que poderia ter sido."

Ele riu com desprezo. "Se não for na cama", tocou o solo duro com a mão direita ensanguentada, "então, esse aqui serve bem."

"Nós não lutamos porque buscamos isso", retrucou Kaden, com os olhos mais estreitos. "Lutamos para proteger esta fortaleza, nossos valores e nossa liberdade. Não porque somos agressores."

"Faz diferença?" o velho mendigo deu uma risada sarcástica, depois cuspiu para a esquerda, sem se importar. "O ponto é que vão morrer. Vão morrer pensando que morreram com honra, como Guerreiros de Guerra. Só porque os sussurros disseram que era assim."

"Você nos julga?"

"Não", ele balançou a cabeça. "Sei das necessidades da guerra e de suas crueldades. E sei o quão importante é manter nossas mentes — de gente simples e pobre — presas a uma certa crença."

"Mas eu sou diferente, garoto suicida."

"Isso", disse Kaden, "é algo que eu não sou cego o bastante para não perceber. Mas fica a dúvida: por quê? O que te faz diferente? Um poder único?"

"Poder?" o mendigo zombou, cuspindo mais uma vez. "Garoto suicida, um homem poderoso também pode ser um tolo. Você vê os pequenos nobres vivendo em suas casas luxuosas? Eles estão mais ligados na realidade? Nem de longe! Não mesmo!"

"Afinal, só são seus cães, não são?"

Ele falou com tanta força que a saliva voou pelo ar.

"Então ouça bem, garoto! Escuta, e não se esqueça. Talvez um dia você entenda isso."

Os olhos do velho brilharam de repente com uma intensidade profunda.

"Não sou enganado porque tenho consciência deste mundo. Vivo sob meus próprios termos, com minhas próprias regras, não seguindo outros que andam por aí meio adormecidos, engolindo tudo que o mundo lhes dá!"

"E, o mais importante de tudo, garoto." Ele levantou a mão com enorme dificuldade e apontou para a cabeça. "Tenho consciência da morte."

Kaden parou por um instante, inclinando a cabeça levemente de lado. Partiu os lábios.

"Todo mundo sabe que vai morrer, mendigo." Sua voz saiu mais fria do que planejava. Internamente, repreendeu-se, perguntando-se por que as palavras do mendigo o irritavam tanto.

Ao ouvir isso, o velho mendigo soltou uma risada, seguida de uma forte tosse, enquanto sangue misturado com saliva escapava de sua boca.

Num piscar de olhos, ficou sem fôlego, arfando como um peixe fora d’água.

Kaden deu um passo à frente para ajudá-lo, mas o mendigo fez um gesto de recuo. Ele parou e observou.

Observou como a morte se apegava fortemente a esse mortal, buscando puxá-lo para a próxima vida.

Porém, o velho persistia. Segurou-se firme, sem hesitar, conseguindo respirar novamente — devagar e rouco, mas o suficiente para continuar vivendo.

Seu rosto encharcado de suor, os olhos fundos, carregados por pesos invisíveis, pesados e cansados. Mesmo assim, Kaden ficou impressionado com o brilho que ardia dentro deles.

Um brilho intenso de compreensão, de serenidade, que fazia a ideia de morte dele tremer de admiração.

O mendigo abriu seus lábios secos, rachados.

"Viu", ele respirou, fraco e superficial, "é isso que eu quis dizer, garoto. Eu tenho consciência da morte. De verdade. Como eu não poderia? Sinto ela respirando no meu pescoço e na minha coluna a cada segundo."

Kaden ficou em silêncio.

"E você acha que todo mundo sabe que vai morrer?" O velho quase riu de novo, mas se conteve. "Você é um tolo, Ó Herói?"

Sua fala soou zombeteira. Na verdade, era zombeteira. Como se um avô estivesse repreendendo o próprio neto por uma decisão tola.

Kaden não soube explicar exatamente por que aquele sentimento o atingiu. Mas não deixou que orgulho ou arrogância o fizessem reagir impulsivamente à simples zombaria.

Permaneceu imóvel, atento.

Como um aluno diante de seu mestre.

Como um neto diante do avô.

"Você capta bem, garoto", disse o mendigo, então cuspiu. "Muito bem. Agora escuta isso bem, ok?"

Levantou a mão trêmula e apontou para a multidão que dançava sob a luz do luar, sorrindo e rindo.

"Você está certo, garoto."

"Todo mundo sabe que vai morrer", disse o velho mendigo. "Mas ninguém acredita."

BADUM—!

A intenção de morte de Kaden acendeu forte, depois parou abruptamente. Como se a compreensão estivesse incompleta, ou sua percepção ainda fosse superficial.

O mendigo continuou suavemente, indiferente ao turbilhão interior de Kaden.

"Por isso digo, estou ciente. Porque estou perto da morte. Sei que ela é real. Sei que vai me levar."

"Mas para eles — jovens, saudáveis, com todos os membros funcionando e um futuro pela frente…" Ele abaixou lentamente a mão. "Para eles, a morte é só um mito. Mesmo que tenham visto isso pelo menos uma vez."

"Os humanos são assim mesmo, estranhos", comentou ele, rindo.

"E o que isso muda?" finalmente perguntou Kaden. "O que muda saber que a morte é real, estar realmente consciente dela?"

"Tudo", respondeu o mendigo. "Tudo, garoto. Você vai ver o mundo como ele realmente é. Os véus e adornos vão desaparecer. E só assim você poderá viver."

"Não é irônico?" Ele baixou os olhos. "Só vivo livre e bem depois de perceber isso."

Ficou em silêncio, encarando Kaden, cuja expressão estava perturbada.

O velho exalou um palavrão.

"Então, vou te dar um conselho de última hora. Leve isso bem fundo, ok? Um dia, você vai entender de verdade o que isso significa. Tomara. É, tomara."'

Ele fez uma pausa, depois falou lentamente, com a voz carregada de uma clareza oculta,

"Quando aprender a morrer, aprenderá a viver."

BADUM—!

Algo se agitou dentro de Kaden novamente, mas antes que sua mente pudesse compreender, uma presença apareceu ao seu lado, seguida por uma voz doce e tímida.

"Desculpa", disse Inara, olhando para ele. "Tardei."

A sensação de iluminação desapareceu como fogo abafado na água fria. A frustração apertava o peito de Kaden.

No entanto, forçou um sorriso, virou-se para ela e respondeu suavemente,

"Você chegou na hora certa."

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