
Capítulo 371
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Depois, Kaden e Meris passaram o tempo juntos. Começaram a conversar e a rir, cada um compartilhando suas próprias experiências em Fokay.
Era uma visão admirável.
Kaden jamais teria imaginado a possibilidade da existência de uma Cidade dos Gatos. Essa informação o deixou estranhamente empolgado, como uma criança que percebe tardiamente que o Herói era real.
Ele começou a fazer muitas perguntas sobre como era a cidade, os olhos brilhando como estrelas numa noite ensanguentada.
Meris ficou hipnotizada pela beleza de seus olhos, e ainda mais por sua aparência evoluída. Prometheus tinha se tornado como uma fogueira em um inverno intenso. Atraente e encantador. E a Filha do Gelo viu seu gelo derreter com um simples curvar de seus lábios.
'Será que realmente duvidei do meu amor por ele?' Meris perguntou-se, antes de balançar a cabeça ao notar a expressão impaciente de Kaden.
Ela ficou surpresa ao encontrar tamanha empolgação nele. Naquele instante, Kaden parecia mais uma criança do que qualquer coisa.
E se alguém dissesse que aquele era o menino que matou o receptáculo de um deus… essa pessoa seria encontrada no fundo da Igreja da Tristeza, torturada por aqueles loucos.
Meris não sabia de nada daquelas coisas. Mas ela não precisava, pois esse lado de Kaden fazia seus problemas desaparecerem. Mesmo que fosse por um momento.
Ela não era a única.
Kaden fazia o mesmo. Sua atitude de curiosidade e entusiasmo intenso era apenas uma forma de ajudar a apagar da memória o ocorrido com Inara.
Ele queria esquecer. Mesmo que fosse por um instante.
Sem querer, um e outro estavam ajudando a cobrir uma ferida podre no interior de seus corações.
Uma ferida que se abriria novamente no momento em que se encontrassem sozinhos.
Porém, isso não importava, pois naquele momento o mundo era uma confusão de emoções felizes, fazendo com que os dois jovens vivenciassem sua própria esfera de liberdade juvenil.
Assim, ao ver sua empolgação, Meris falou mais sobre sua busca. Ela até contou a Kaden sobre sua habilidade de nível Mestre. Surpreendentemente, era uma habilidade de transformação.
Sua habilidade mestre a ajudava a se transformar em um gato de gelo.[1]
Ela a usou na frente de Kaden, e desde aquele dia… Prometheus passou a desenvolver um amor irracional por gatos.
'Por que você não é um gato? Galinhas são muito fracas.' Kaden sussurrou para Blanche, com um tom de desdém na voz.
Blanche se escondia dentro de uma esquina do coração dele, chorando lágrimas de injustiça.
Ela era uma criatura Mítica, respeitada e temida, e ainda assim se sentia como uma galinha numa fazenda de abate.
O Fênix chorou mais forte.
Reditha zombou dela com ferocidade.
Os dois amantes continuaram suas conversas de forma trivial. Durante o papo, Meris ficou cada vez mais certa de sua próxima decisão.
Uma decisão difícil. Mesmo pensar nela dava calafrios. Mas era a única coisa que conseguia imaginar.
A vida era feita de escolhas.
Ela precisava fazer a dela e assumir as consequências.
Será que ela conseguiria resistir ou ceder diante das consequências de seus atos?
Manter-se firme como uma mulher de gelo, mas carregando todos os seus sentimentos?
Meris não sabia. E, naquele momento, preferia essa ignorância à uma consciência venenosa.
Então ela sorriu e beijou Kaden nos lábios.
O homem ficou surpreso. "E-Isso…"
"Você mudou, Kaden." Meris disse, passando o dedo pelos lábios dele.
"De bom ou de ruim?"
"De bom, claro." Meris riu, embora houvesse uma ponta de vazio na voz. "Gostava de quem você era. E gosto ainda mais de quem você é agora."
"Você passou por coisas, né?" Ela perguntou enfim.
"Como todos nós." Kaden respondeu, beijando de leve o dedo dela.
Meris lançou-lhe um sorriso profundo.
"Ainda assim, você é tão forte, Kaden." Ela disse, lambendo o dedo que ele acabara de beijar. "Você aprende com suas experiências e evolui para ser melhor. Como o oposto de mim."
"Porque eu cometo muitos mais erros que você." Kaden riu, lembrando de suas mortes frequentes. "Mas não é por ser forte. Na verdade, sou mais fraco do que você pensa."
"E não apresse o processo, Meris. Você vai aprender quando chegar a sua hora."
Meris sorriu docemente, se aconchegando a ele, cheirando sua essência, depois gemeu de prazer. Em seguida, abraçou-o, ingerindo seu calor na sua profundidade sem alma.
"Você realmente tem quinze anos?" ela sussurrou, rindo.
"Honestamente, às vezes até me questiono isso. Sou inteligente demais para uma criança de quinze."
"Arrogante, agora, não é?"
"Diria que sou consciente de mim mesmo."
"Puahhh!" Meris riu alto.
E, de repente, uma emoção intensa a tomou: ela se ajoelhou, colocou as mãos no peito de Kaden e o empurrou deitado.
A cama rangeu.
Depois, ela se montou sobre ele, sorrindo como uma diaba.
Sem dar tempo para reação, Meris inclinou a cabeça e agarrou seus lábios com os próprios. Os olhos de Kaden se dilataram, surpresa marcando seu rosto. Mas isso não durou.
Logo depois, ele se controlou, envolveu os braços ao redor da cintura dela, retribuindo e até mesmo buscando a língua na brecha entre os dentes dela.
Meris gemeu.
O beijo era apaixonado e barulhento. Os sons, como água deslizando sobre pedra seca, ecoaram pelo quarto estéril.
Era possível ouvir o dançar sensual de suas línguas, os suspiros abafados de prazer e a respiração ofegante, carregada de desejo que pulsava em suas veias.
Então, eles se separaram lentamente, os lábios se afastando com relutância. Nesse processo, um rastro de saliva ficou na boca de Meris.
Ele escorreu pelo queixo dela. Ela o lambeu, com olhos prateados inalteráveis fixos em Kaden.
Prometheus engoliu em seco.
A cabeça de Meris permaneceu a um palmo de Kaden, seu rosto avermelhado e quente.
Ela sorriu de forma sarcástica. "Mesmo que eu me transforme em nada além de gelo, nunca me esquecerei de você, meu Kaden. Sabe por quê?"
Kaden sorriu, estendendo a mão para acariciar sua face. "Ilumine-me."
"Porque você é minha luz orientadora." Ela deu um tapa nos lábios dele. "Meu fogo." Outro tapa. "Meu monstro."
Mais um tapa.
Kaden sorriu. "Tenha cuidado. Você está me provocando demais, Meris. Eu sou bom em me controlar, mas vamos deixar de dar brecha para o diabo fazer uma reviravolta aqui."
"Hahaha!!" Meris riu alto, jogando a cabeça para trás, com os cabelos balançando. "Mas deixa o diabo fazer isso! Ou você tem medo, amor?"
"Ainda sou jovem demais para isso, não é?" disse Kaden.
"Somos jovens demais até para matar? Mas matamos, amor."
"É o mundo em que vivemos, não é?" Prometheus interveio. "Aprendemos a matar antes de aprender a amar."
"Só posso concordar com isso."
"Mas só mais alguns anos." disse Kaden. "Aos dezoito."
Meris hesitou, depois sorriu. "Então, aos dezoito, sim."
Ela deitou a cabeça no peito dele, sorrindo.
'Se eu ainda estiver aqui. E se ainda for a Meris que você ama e entrega seu coração.' Meris pensou consigo mesma.
Porque o que ela planejava fazer poderia apagar as últimas brasas de sentimento dentro dela.
Kaden olhou para o teto. "Eu estarei sempre aqui. Assim como você sempre estará comigo, mesmo que duvide dessa verdade."
Meris sorriu levemente.
"Eu posso matar bilhões de pessoas por você." Meris acrescentou.
"É isso que eu chamo de um amor de sangue." Kaden abafou uma risada. "Então por que você duvidava do meu amor?"
Meris ficou imóvel por um momento, depois disse: "Eu… Eu tinha medo." Sua voz era meek, simples.
Kaden assentiu e acariciou sua cabeça. "Não tenha mais medo. Medo é uma nuvem. Ela te cega para as coisas mais óbvias do mundo."
Sua voz era calmante. Tão suave que Meris começou a cochilar, um sorriso ainda no rosto.
Prometheus fechou os olhos em seguida, aquecendo sua noiva com seu coração ardente.
Enquanto isso, bem do lado de fora da porta do quarto de Meris, Mayari permanecia lá, com os olhos violetas brilhando com emoções avassaladoras, cobertas por raios roxos relampejantes.
A cabeça levemente caída, cabelo caindo como uma cachoeira de flores roxas, um sorriso tênue estampado no rosto.
Ela estava feliz.
Realmente feliz por ver sua filha rir novamente.
Mayari pensou que o selo que colocaram nela já tinha sido destruído, quebrado. Mas ainda havia esperança.
Porém… por quanto tempo?
'Será que ela vai suportar seu Gelo? Por que você deu a ela sua herança?'
Mayari pensou frustrada.Ela não culpava seu amor passado por querer que sua descendência herdasse seu poder, mas nem todos eram capazes de suportar uma força tão grande assim.
Às vezes, ela duvidava que sua filha pudesse.
Porém, já era tarde.
Mayari só podia rezar para que sua filha fosse forte o suficiente para controlar seu Gelo.
Se não…
Ela não se atrevia a continuar os pensamentos. Em vez disso, lançou um último olhar aos dois amantes e desapareceu em um estalo de raios roxos.
Ela tinha um compromisso a cumprir.
—Fim do Capítulo 371—