
Capítulo 373
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
"Rab, estou ouvindo." Sirius anunciou, andando de um lado para o outro pelo amplo espaço de seu quarto dourado.
Ele estava descalço.
Luna, agora sua namorada oficial, estava ao seu lado, sentada na beira da cama, observando a ansiedade que transparecia do seu rosto.
Ela sorriu, achando aquilo uma sensação bastante nova.
Ela não vestia mais o uniforme de empregada. Em vez disso, usava uma roupa simples que mal chegava aos joelhos, moldando seu corpo sensual e curvilíneo. Erasem mangas, de ombro a ombro, na cor favorita de Sirius: azul.
Ela cruzou as pernas, as mãos apoiadas atrás, inclinando-se levemente, observando o Primeiro Príncipe com um sorriso discreto.
Se Sirius não estivesse tão concentrado, teria percebido que Luna não usava nada para esconder seu lugar íntimo.
Isso não o surpreenderia. Luna tinha um fetiche estranho.
"Posso ouvir também?" Luna perguntou, interrompendo Sirius em seu passo imprudente de vaivém.
Ele parou ao ouvir sua voz, esticando o pescoço para lançá-la um olhar de relance.
Seus olhos se fixaram um no outro antes de Sirius caminhar em direção a Luna, seus passos subitamente assustadoramente firmes. Aproximando-se, ele se agachou na frente dela e apoiou a cabeça em seu colo.
Sorrindo como uma flor bem cuidada, Luna ajustou suas pernas para que Sirius pudesse ficar mais confortável. Depois, endireitou-se e começou a acariciar seus cabelos.
Silêncio suave e confortável se instaurou, quebrado apenas pelos seus unhas afiadas rangendo contra o couro cabeludo de Sirius.
Ele gostava daquela sensação.
Então, uma voz ecoou.
"Mestre," disse Rab, com uma voz que parecia um rosnado de raposa e, ao mesmo tempo, o resfolegar de um porco. Era estranho.
"No sudeste, nas profundezas do Poço da Carne. Esse é o nosso destino," continuou o parasita.
Ambos, Luna e Sirius, franziram as sobrancelhas juntos. O destino era longe. Estavam no norte, e eles deveriam atravessar todo o caminho até o sudeste?
"O que tem lá?" Sirius perguntou, virando seu corpo para que suas costas ficassem entre as pernas de Luna. "E o que exatamente é você, Rab?"
"Desde o começo, você não falou nada sobre si mesmo. Assim, não tenho ideia de quem você é. E isso, não me agrada muito, querido."
"Você é um parasita, certo. Você me dá poder, certo. Mas o que você é primeiro?"
A voz de Sirius tinha uma ponta de perigo.
"Algo me compeliu a aceitar você inconscientemente. Por mais estranho que pareça, minha mente estava confusa demais para refletir. Mas agora, preciso de respostas antes de avançar."
O Primeiro Príncipe gostava de aventura, mas não de caminhar às cegas. Ao menos, precisava entender o que vivia dentro dele antes de dar um passo fora de seu império.
Rab ficou em silêncio. De repente, a testa de Sirius começou a mexer e torcer-se. Logo depois, a carne se rasgou, revelando uma pequena criatura viscosa azul.
Luna observou com evidente descontentamento. Ela nunca gostou do parasita.
Talvez por ser estranho. Ou talvez simplesmente porque ele vivia dentro do seu príncipe, algo que ela teria matado para ter o poder de fazer.
Os dois amantes mudaram de posição. Levantaram-se, permitindo que Rab repousasse na cama, enquanto o observavam.
Rab pareceu respirar fundo — uma visão estranha — antes de falar novamente.
"Você está certo," disse Rab. "Você precisa saber quem eu sou para estar preparado para o que está por vir."
Luna e Sirius ficaram calados, ouvindo.
"Existem muitas formas, muitos nomes que posso usar para me descrever. E um deles já te contei, mestre."
Sirius arqueou a sobrancelha esquerda.
"Sou um ser criado pelos pecados de tudo que existe," continuou. De alguma forma, seu corpo brilhava.
"Vivo na parte mais profunda do mundo, em um lugar onde poucos pisaram. E ainda menos conseguiram escapar sem se perder."
"Não contei meu nome, pois fazê-lo significaria me prender a você. Nomes têm poder, mestre. Isso é ainda mais verdadeiro para nós."
Sirius começava a ficar impaciente. Ainda assim, sorriu de forma torta, sentindo a aproximação de uma grande revelação.
"Diga, Rab," insistiu.
"Claro que sim, mestre," respondeu Rab, então fez uma pausa. Depois, disse:
"Fui traído pela minha própria espécie, pelos meus subordinados. Por isso, me tornei quem está bem diante de você."
"Mas, antes de tudo isso, sou um dos Demônios Originais, um dos mais antigos e poderosos."
SSHHH—!
Olhos de Sirius e Luna se arregalaram. Uma força invisível emanou do parasita, envolvendo toda a câmara.
"Sou Duke Agares, o Demônio das Línguas Antigas."
A sala tremia, o poder descendo como uma queda do céu sobre os dois amantes. Seus peitos se apertaram, a respiração tornando-se um luxo quase inalcançável.
As pernas de Luna tropeçaram, quase beijando o chão, só sendo segurada por Sirius. O Primeiro Príncipe permanecia lá, com seus olhos azuis, como uma lua, brilhando com um fulgor frio.
Seu corpo estava curvado, mas não por muito tempo. Com um rangido intenso, Sirius se levantou, firmando-se sob a pressão esmagadora.
Seu corpo quase quebrou. Seus dentes trituraram até virar pó. Sangue escorria do nariz e dos lábios.
Ele não se importava.
Ninguém o faria abaixar a cabeça.
Poderia ceder pela família. Mas nunca diante do poder.
"Então," Sirius sussurrou, cobrindo Luna com seu poder para protegê-la, "é isso que você é. Um demônio?"
"Eu achava que eles não existiam."
"Somos a coisa mais surpreendente neste mundo."
Sirius e Luna não disseram nada.
O parasita, um fragmento do cadáver apodrecido de Agares, assentiu. "Agora você sabe quem eu sou. E me conecto a você, Sirius Asterion. Darei minha obediência, respeito e poder. Guiá-lo-ei rumo ao seu destino."
"Em troca, siga-me até o Reino Demoníaco."
Nesse instante, quase se podia ouvir o som de uma roda girando. Lentamente, acelerando cada vez mais.
"E me devolver à minha antiga glória," finalizou Agares.
A roda girava mais rápido, apesar de ainda parecer desajeitada. As engrenagens estavam todas no lugar, exceto uma importante.
Sirius ficou lá, observando e ouvindo. Sentia uma força se propagando de Agares. Uma força que lentamente o cobria, esperando apenas sua palavra para penetrar profundamente.
Nome era poder, tinha dito o demônio.
Sirius entendeu agora o motivo.
Ele abaixou a cabeça e olhou para Luna. Ela também olhava para ele.
Seus olhos se fixaram um no outro. Nenhuma palavra foi dita, mas tudo foi falado.
Luna apertou sua mão, fazendo seu amante sorrir.
Sirius voltou sua atenção para Agares, seu rosto se transformando numa expressão de sorriso afiado.
"Aceito," disse ele.
Agora, não havia mais como recuar.
Imediatamente, o poder penetrou fundo nele. No dorso de sua mão direita, um símbolo começou a ser marcado.
Por fim, a Roda começou a girar mais rapidamente, mais suavemente. Todas as engrenagens estavam no lugar.
E exatamente naquele momento…
DING!
A Vontade soou.
{Você deu o primeiro passo rumo ao seu destino. É um caminho sem volta, Ó Filho da Lua.}
{Você nasceu da Primeira Celeste, a Ilustre, mas agora caminha para o lugar mais impuro e miserável.}
{Esteja atento ao que você se tornará ao longo dessa trajetória.}
A Vontade fez uma pausa, então…
{Você recebeu um novo título.}
{Título: O Demônio-Construtor.}
{Você vinculou Agares, o Demônio das Línguas Antigas.}
{Obtive uma habilidade de Agares.}
{Habilidade: Língua Perdida dos Demônios.}
Sirius olhou para as palavras da Vontade. Sentia um peso ominoso por trás delas, que o deixou inquieto, fazendo-o tremer sob os pés.
Mas então, sacudiu a cabeça, buscando manter a calma ao aceitar qualquer custo que esse caminho exigisse. Fixou o olhar na nova titulação, depois na habilidade, e, por fim, girou mecanicamente a cabeça de direção a Agares.
Houve um silêncio longo, até que…
"Pronto para começar?"
Luna e Agares tiveram uma expressão de desconforto diante da voz.
Para Luna, era principalmente por como a voz lhes soava desconfortável nos ouvidos.
Agares torceu-se com o sotaque horrível de Sirius na língua demoníaca.
"Sim," ele acenou com a cabeça em seguida.
"Estou pronto."