Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 374

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

"Quanto tempo faz?" perguntou Tristan, com os olhos olhando através das janelas da sala.

Tudo era pintado de preto, com móveis mínimos.

Sua pergunta ficou sem resposta, apesar de ter sido ouvida por Saul e tio Azad.

Tristan não se deixou abater.

"Desde a morte de Maryam, Zaki mal falou conosco." Continuou, com a voz carregada de angústia, "No começo ele ainda trocava notícias com a gente. Mas agora…"

Ele riu sem humor, a mão direita cerrando-se com força, "…agora ele nem se incomoda mais em fingir que se importa com a gente."

"Você não pode culpá-lo." disse Azad, com a voz baixa, "ele deve estar se sentindo perdido e culpado pelo que aconteceu com a Maryam."

"Mas não é culpa dele!" Tristan rosnou, virando-se para encará-lo, com veias de raiva serpenteando na testa,

"Nós sabemos que não é ele! Sabemos que foi a Ordem Draco que fez ele matar nosso companheiro! Isso mesmo, nós sabemos!"

"E nós já lhe dissemos várias vezes que não o culpamos, que é uma besteira! Então, qual é o problema?"

Tristan bateu com a mão na mesa à sua frente, fazendo-a se partir em pedaços de madeira estilhaçada.

Azad não disse nada. Saul apenas observava.

Não era a primeira vez que tinham essa discussão. Nem Azad nem Saul lembravam de quantas vezes tinham que assistir Tristan surtando.

Antes, ele era um covarde. Agora, era um homem de raiva. Mas, comparado à calma e à raiva fervente de Sky, a sua era volátil e perigosa.

Azad e Saul sabiam que, daquele jeito, Tristan perderia a paciência. E então agiria, trazendo a ruína de todos eles.

O único que os mantinha de pé era a existência de Sky.

'Mas Sky está nos ignorando.' pensou Azad, 'Seja por culpa ou por outra coisa, não importa. Tristan está chegando no limite.'

E nenhum deles poderia detê-lo se ele decidisse agir.

Eles precisavam de um líder. Mas seu líder os abandonou, e em vez disso…

"Dessa maldita garota." Tristan resmungou, e imediatamente Azad e Saul começaram a sentir uma nuvem de mau presságio se formando na sala.

"Tristan, não—!"

"É tudo por causa dela, né?" Tristan riu frio, interrompendo a fala lenta de Saul, "Qual o nome dela? Katy? É por isso que ele nos ignora? É por isso que parece ter esquecido o sacrifício que a Maryam fez? Por causa de outra menina?"

"Você não sabe de nada." Azad advertiu, com tom sério, "não deixe sua raiva te cegar, Tristan."

"Tudo aponta para isso!" Tristan berrou, "Você não ouviu? Eles sumiram juntos, só eles, por mais de uma semana, sem ninguém saber onde estavam. E, depois que voltaram, estão sempre juntos. Como duas faces da mesma moeda que não vive sem a outra."

Ele fechou os punhos, os nós ficando brancos.

"No que eu devo acreditar agora, hein?" Tristan pediu, "Me diga, Azad. Me diga, Saul. No que eu devo acreditar?"

Os dois não tinham respostas.

Zaki agora permanecia em silêncio quanto a isso. Isso levava suas mentes a criarem várias razões para dar sentido às ações dele.

E esses motivos nem sempre eram bondosos.

Tristan não era o único duvidando de Zaki. Azad também duvidava. Saul também.

Mas os dois sabiam que era melhor não dizer o que pensavam, pois conheciam a fragilidade do laço que os mantinha unidos.

Foi nesse momento que Azad percebeu uma verdade assustadora. Uma que o impedira de dormir à noite. Algo que eles já sabiam, mas agora era tão evidente que doía admitir.

Os meninos não eram nada sem Maryam.

Foi ela quem os manteve unidos. Porque, em Maryam, eles encontraram algo que valia a pena proteger. Uma pureza que não deveria ser manchada pela feiura do mundo.

Sentiam uma causa comum, e todos colocavam suas mentes e corações nisso.

Ela era sua âncora.

E sua âncora morreu.

Mas, para Tristan, ia muito além disso. Para ele, Maryam era mais que uma âncora. Ela era quem faz seu coração acelerar toda vez que ela sorria.

A que o curava com suas mãos suaves quando o jogo quase o matava, tudo enquanto sussurrava palavras gentis e chorava por sua dor.

Ela era a mulher que se sacrificou por Zaki. Um homem que agora vivia sua vida tranquilamente com outra.

Uma raiva irracional e uma pitada de ódio começaram a florescer no coração de Tristan. Ele fechou os olhos, acalmou a respiração e walkou em direção à saída da sala.

"Tristan." Azad chamou-o.

Tristan parou a um centímetro da porta, de costas ainda voltadas para eles.

Azad exalou, o gesto enchendo-o de um medo desconhecido em vez de consolo: "Por favor, não faça nada. Podemos conversar com Sky. Podemos tentar entender o que ele está fazendo. Mas, por favor, não faça besteira." pediu quase implorando ao amigo.

Tristan ficou em silêncio. Depois, segurou a maçaneta da porta, a puxou com força e saiu da sala.

Nenhuma resposta foi dada.

Mas Azad e Saul sentiram como se uma resposta tivesse sido dada.

Olharam um para o outro mecanicamente, sentindo o último fio que os unia se romper.

"O que vamos fazer agora?" perguntou Saul, exausto e desgastado.

Azad não disse nada. Em vez disso, caiu de joelhos no chão e cobriu o rosto com as mãos.

Este lugar tinha roubado sua liberdade.

Agora, ameaçava destruir algo ainda mais importante.

O corpo de Azad tremia enquanto tentava conter as lágrimas que vinham à tona.

Maryam…

Ah, Maryam…

'Por que você nos deixou?'

'Você se foi, e junto com você nossa luz nesta escuridão sufocante. Eu deveria ter morrido. Sou velho. Não tenho mais ninguém me esperando. Não tenho mais motivos para viver. Mas você era tão jovem, tão gentil e doce. Estava cheia de vida e esperança.'

'E mesmo assim morreu. Sua luz apagada por um dragão impiedoso.'

'Por que as pessoas boas sempre morrem primeiro?'

'Agora estamos perdidos.'

'Estamos perdidos, Maryam.'

Enquanto isso, Saul levantou os olhos para o teto, no fundo de seus olhos negros uma máscara branca com inscrições rúnicas permanecia silenciosa.

'Devo?'

A máscara tremeu.

Ele cerrava os punhos, a mandíbula apertada.

'Devo?'

Enquanto isso, Sky estava dentro de um campo de treinamento, com o peito descoberto, suado, dando andamento à meditação.

Ele tinha conseguido uma cicatriz. Não só ele, mas Katy também.

Porém, seu mestre tinha deliberadamente atrasado o ritual da Cicatriz, pois alguém poderia associá-lo à morte do Dragão Vermelho.

Já, o Dragão Amatista Gordo estava em um estágio de fúria. Os rumores diziam que ele havia matado membros da Ordem Lyra que lhe entregaram a triste notícia.

Agora, a relação da Ordem Draco com Hydra e Lyra era volátil. Claramente, bastava uma faísca, e toda a floresta se incendiaria.

Sky estava muito satisfeito com essa notícia. Saber que o homem que arquitetou a morte de Maryam havia perdido seu filho por sua mão lhe causava uma felicidade venenosa.

O único arrependimento era não ter matado o Dragão Vermelho na frente do pai dele. Gostaria de ter visto aquela cena.

'Mas paciência.' sussurrou Sky para si mesmo, 'As coisas já estão em movimento. Preciso apenas fortalecer minhas forças e me preparar.'

A cabeça do Gordo seria dele. Não importava como ou o que precisasse fazer para isso acontecer.

O Gordo estaria morto. E toda a Ordem Draco seguiria.

Depois, as outras ordens seriam a próxima etapa.

O Gordo matou Maryam. Mas foi este maldito lugar que tornou tudo isso possível.

Sky destruiria tudo.

Essa era exatamente a razão pela qual não podia se deixar envolver com ninguém dentro dessas Ordens.

Os únicos que importavam eram os miseráveis. Aquelas pessoas que desejavam liberdade, mas não tinham coragem de lutar por ela. Ou os ambiciosos, que queriam apenas glória e sangue.

Eram seus homens.

E ele precisava estar forte para controlá-los.

Por isso, mantinha-se distante dos seus amigos. Pois seu caminho era perigoso e a morte seria sua companheira mais próxima.

Ele não queria Tristan morto. Nem Saul. Nem Azad.

Seu coração não suportaria mais uma perda. Outra Maryam.

'Preciso apenas de subordinados.' sussurrou para si mesmo, mas todas essas palavras e pensamentos de convicção vacilaram no instante em que sentiu uma presença diferente dentro de sua sala de treinamento.

Ele virou a cabeça e viu o rosto tímido e sorridente de Katy, acenando para ele enquanto se aproximava.

"Sky!" exclamou Katy.

Sky a olhou.

Sabia que não devia ficar perto de Katy.

Ele sabia.

Mas, ao mesmo tempo, se viu dando um passo na direção dela, enquanto queria dar um passo para trás, longe dela.

Ele odiava isso. Odiava vê-la sorrindo tão suavemente para ele.

Pois temia que aquele sorriso se tornasse frio algum dia, que o mundo em que ela vivia desde que nasceu fosse destruído pelo veneno da vingança que crescia dentro de sua alma.

Ele temia esse futuro.

E era exatamente por isso que Sky queria aproveitar esse calor que o mundo lhe concedia por ora. Pois era o único que tinha nesta fria perdição.

Então, forçou um sorriso, acenando de volta para Katy,

"Oi!"

O sorriso de Katy floresceu ainda mais.

Aumentando o medo de Sky.

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