
Capítulo 361
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Dois seres, um masculino e um feminino, estavam lado a lado, com Pupilas prateadas e fendas, encarando a cena diante deles.
A mulher tinha cabelo prateado cortado curto, enquanto o homem tinha cabelo preto amarrado em uma rabeira.
Eles vestiam uniformes roxos que brilhavam como escamas dracônicas sob o sol do meio-dia. No peito deles, costurado, havia o focinho de um dragão feroz, bem aberto.
Os dois, membros da Ordem Drago, tremiam, seus corpos tentando — mas fracassando horrivelmente — controlar a raiva pura e incontrolável que fervia dentro de si enquanto fixavam o olhar na cena à sua frente.
O Príncipe Vermelho deles, filho da Fatídica Dragão Ambar, estava morto.
O chão estava coberto de sangue, tingindo suas botas de vermelho.
"Quem ousou?" rosnou o homem, suas Pupilas fendas se estreitando até quase desaparecerem.
"Olha." A mulher apontou com o dedo trêmulo para o pescoço do príncipe, revelando a marca de duas presas.
Eles olharam para ela, depois lentamente viraram a cabeça, fixando os olhos um no outro.
"Ordens Hidra?" disseram em uníssono, mas então o homem franziu a testa.
"É muito óbvio." Observou, suas sobrancelhas franzindo ainda mais. "Pode ser uma armadilha contra eles. Hidra não ataca a gente assim. Sabem do nosso temperamento. E certamente sabem que irritar o Grande é suicídio."
Ele ficou sombriamente em silêncio. "A ira dele nunca se apaga facilmente."
"Mas você os conhece." A mulher insistiu. "Sabe que a Hidra é traiçoeira. Jamais hesitariam em nos atacar se tivessem uma mísera chance de nos ferir."
Ela balançou a cabeça. "E não ouviu os sussurros das más notícias do Esfinge?" Sua voz ficou mais baixa, instintivamente. "Dizem que os monstros estão se levantando. Um herdeiro nasceu, Cole."
"Os jogos são mais diabólicos, e os Mestres querem que a gente vença ou morra." Ela estufou os lábios. "Eles estão ficando cada vez mais inquietos. Então, um ataque da Hidra não é surpreendente."
Cole ficou em silêncio, reconhecendo a veracidade das palavras dela.
Hoje em dia, as coisas estavam diferentes. Cada membro de alta patente da Ordem se tornava mais perigoso.
A mulher continuou suavemente, "E você não consegue usar seu faro?" Ela trouxe a atenção dele de volta à situação presente, farejando. "Se tudo pudesse ser falsificado, o cheiro nojento da Hidra nunca seria. O odor deles é único."
O homem pausou, fechou os olhos e cheirou.
De repente, tossiu, cobrindo o nariz com a mão.
Ele amaldiçoou e cuspou com nojo.
"É eles! Esse cheiro venenoso horrível só pode ser deles!" rosnou, irritado e furioso. "Vamos, Keisha! Vamos levar o cadáver do Príncipe ao Mestre."
Keisha balançou a cabeça. "Você é idiota? O Mestre vai nos matar de raiva se fizermos isso, Cole."
Cole arqueou uma sobrancelha frustrada. "Então, o que faremos?"
Keisha sorriu de forma estranha, com dentes afiados brilhando enquanto olhava para o cadáver sob seus pés. "Vai acontecer a inspeção diária na floresta pela Ordem Lira." Ela explicou. "Vamos deixá-los os mensageiros da má notícia."
Cole sentiu algo muito errado nessa ideia. "Nossas pegadas seriam descobertas, e seríamos questionados. Não preciso nem explicar o que aconteceria depois."
Keisha riu. "Descobertos? É só esconder. Igualzinho aos Caçadores de pele negra que sempre fazem isso."
"Faça—!"
"O tempo está acabando, Cole. Não temos escolha. Ou isso, ou morremos ao entregar a notícia para o Mestre de que o filho dele foi morto como um miserável humano."
Ela fixou profundamente o olhar nele. "Escolha, Cole. Morte dentro do ventre impiedoso do dragão, ou alguns dias a mais de vida."
Cole ficou em silêncio, depois amaldiçoou. "Vai se ferrar, Keisha! Se nos pegarem, eu te mato!"
Ele imediatamente começou a apagar suas pegadas enquanto Keisha ria. "Duvido que você tenha tempo de me matar então."
"Cale a boca e faça seu trabalho! Apague tudo! Aquela piranha de harpia estará aqui em breve!"
Eles trabalharam rápido, apagando sua presença, enquanto, não muito longe, em uma caverna escondida no fundo da floresta, duas criaturas — uma mulher de pele negra e um homem pálido — estavam encostadas numa parede áspera, lado a lado.
A caverna estava silenciosa, quebrada apenas pelo som de suas respirações rítmicas e gotas de água pingando no chão.
A mulher de pele negra se aproximou do casal, fechando a pequena distância entre eles. Ela mordeu os lábios, depois lentamente, com o coração batendo forte, apoiou a cabeça no ombro dele.
Ela esperou, achando que Sky iria repreendê-la duramente, mas nada aconteceu.
Katy tremeu de felicidade, radiante por dentro. 'Consegui!'
Ela finalmente descansou a cabeça nele. Um de seus incontáveis sonhos tinha se realizado.
Uma brisa suave de felicidade bagunçou o coração dela.
Ela fechou os olhos, ganhou coragem e se aninhou mais perto de Sky.
O homem não disse nada. Não sabia o que falar. Devia algo a Katy pelo apoio em sua busca imprudente de caçar um dragão.
Se fossem pegos, ela morreria, ou sofreria horrores, e morreria. De qualquer jeito, ela iria morrer.
Ela sabia disso, e mesmo assim não hesitou.
O amor é realmente tão poderoso?
Sky sabia que sim.
No entanto, ele se viu sem palavras, sua mente fragmentada, lutando sob o peso dos sentimentos de Katy... e os seus próprios em crescimento.
Mas mais que tudo, seu coração sangrava.
Suas lembranças foram para uma jovem de cabelo negro e olhos dourados inocentes. Uma garota que sempre o protegeu quando ele era um covarde. Um bando miserável.
Ele se perguntou se ela ainda gostava dele. Se ainda amava o homem que se tornou, pronto para matar por uma vingança tortuosa.
Zaki Caelion, o bastard, não existia mais.
Só Sky permanecia. Um caçador que caçava dragões.
E mesmo com tudo isso, ele não conseguiu deixar de sentir que estava traindo Eimi ao deixar Katy tão perto dele. Ao permitir que seu coração se amolecesse em relação à garota ao seu lado.
Sky mordeu o lábio e fechou os olhos com força.
Dizia-se que um império cheio de caos interno nunca sobreviveria.
E o coração?
Ele tinha medo da resposta.
Então, desligou sua mente e deixou-se esquecer.
Era mais fácil.
Sim.
Muito mais fácil.
Cidade da Dor — Igreja da Dor
O clima dentro da igreja nos últimos dias estava tenso. Ninguém sabia exatamente o porquê, e ninguém se incomodou em investigar.
Cada um preferia viver sua rotina habitual, deixando-se levar por uma tristeza solene.
Tudo pela Deusa. Tudo para se aproximar do Amado Solitário.
Porém, uma pessoa era diferente.
Desde que completara sua missão de nível Mestre, Rea passava a maior parte do tempo trancada na biblioteca da Igreja, procurando pelo Templo Quebrado da Santa Chorona.[1] — Explicação: referência a uma entidade ou local da lore do universo que pode ter nome ou significado específico.
Ela não poupava recursos para conseguir informações, com a ajuda de Einar, o Discípulo da Perda.[1]
Externamente, nada havia mudado nela. Continuava aquela mulher enigmática, que controlava um vasto séquito de devotos na palma da mão. Porém, a realidade era bem diferente.
Einar agora era nada mais que um filhote que a seguiu como um cachorrinho.
Ela aprendeu a obsessão imensa que tinha por Rea. Uma obsessão pouco saudável.
Ela não conseguia fazer nada sem ela. Precisava de suas palavras para tudo. Sabia do seu estado, e ainda assim se entregava ao seu mestre.
Hoje, o único pensamento que dominava sua cabeça era como podia agradar Rea.
Só isso.
Além disso, ela ficava incapaz de viver longe dela. Então, transformou uma parte de si mesma em um brincos e usou no ouvido esquerdo de Rea.[1]
Um brinco em formato de lágrima, cinza sem vida.
Rea não disse nada. A Discípula da Perda agora era propriedade dela, e isso ia além de coisas físicas.
Ela possuía todo o seu poder, status, conquistas atuais e futuras.[1]
Rea poderia usar seu poder se quisesse, mas era fraca demais para suportar a força de um Epíteto.[1] Mas tudo bem, ela iria crescer e aprender seus poderes.
No momento, Rea estava mais interessada em treinar sua nova habilidade de Mestre, que era a capacidade de instaurar categorias inteiras de medo dentro de suas vítimas.
Ela já tinha começado.
Rea suspirou, fechou o grosso livro que lia e, mais uma vez, não achou nada do que buscava.
Essa maldita deusa estava zombando dela?
Rea duvidava, mas não podia deixar de se perguntar. A deusa imunda ainda não interrompia seus ataques mentais, mas agora as muralhas de Rea estavam firmes.[1]
Sussurros simples não a perturbavam mais. Agora, eram como canções de embalar.[1]
Perfeitas para dormir.
'Nada de novo, minha linda Rea?' perguntou Einar, interrompendo os pensamentos profanos de Rea sobre sua deusa.[1]
'Nada.' Respondeu, alongando seu corpo magro enquanto se levantava lentamente da cadeira. 'Vou continuar amanhã. Mas você preparou o lote de hoje?'
'Sim, minha linda Rea!' disse Einar com entusiasmo. 'Preparei criaturas suficientes para você torturar hoje!'
Rea revirou os olhos vermelhos. 'Não diga assim.' Ela bufou por dentro. 'Estou apenas treinando.'
'Claro!' Einar concordou interiormente. 'Também peguei mil gold dos meus seguidores para você. Pode ficar com tudo!'
Rea parou no meio do passo, com os olhos arregalados. Lentamente, sua boca se abriu, babando na comissura.
'Diga isso de novo.'
'Mil gold!'
Seu corpo tremia de puro desejo.?
'De novo!'
'Mil gold!'
A mente de Rea imaginou-se nadando num mar de ouro. Ela fechou os olhos para aproveitar o momento e, depois, os abriu sorrindo, satisfeita.
"Ainda estou ocupada," ela sussurrou. "Mas posso mandar todo esse dinheiro para ele para a casa."
Decidiu, despediu-se da antiga bibliotecária e saiu do prédio.
Seu coração estava cheio de felicidade. Agora ela tinha mais motivação para torturar aqueles pobrezinhos.
Hm. Não era tortura.
Era treino.
Sim. Ela definitivamente não estava gostando disso. Definitivamente não.
Enquanto isso, a velha bibliotecária a observava se afastar com olhos estranhos.
'O Templo Quebrado da Santa Chorona…'
O Sacerdote Brilhante sorriu.
'Oh, minha doce Rea…'
Seus olhos ganharam um brilho demoníaco.
'Deixe que esse velho te ajude.'
—Fim do Capítulo 361—