
Capítulo 363
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
A troca de cena foi rápida, e os dois irmãos perceberam a mudança no ar instantaneamente.
Um segundo estavam rodeados por cinzas, com vento quente passando por suas gargantas. E no instante seguinte, estavam em uma sala.
Quente. Aconchegante. Doce, com o cheiro de família.
Por instinto, os ombros de Kaden relaxaram, sua respiração se regularizou. Logo, a vontade de dormir sussurrou em sua mente como uma súccubus.
Ele reprimiu um bocejo de tentação e observou o espaço onde havia surgido.
As paredes da sala eram pintadas de vermelho, o chão de preto, coberto por uma pele de criatura manchada de sangue.
O cheiro era estranhamente doce.
O teto era alto. Uma luz tênue, em forma de gota de sangue, estava embutida no centro, banhando o ambiente de um brilho avermelhado.
Havia uma cama, feita de uma mistura de madeira e aço. Brilhava e resplandecia como fogo sob a luz. Ao seu lado, havia uma mesa, com várias fotos espalhadas por cima.
Em frente à janela aberta, havia uma mesa larga cercada por uma cadeira. Sentada nela, uma mulher com cabelo preto na altura dos ombros, solto, segurava um caderno.
Ela estava escrevendo. Pelo menos, estava antes de perceber duas novas presenças dentro de seu quarto.
Daela franziu a testa sutilmente, e seus olhos brilharam com uma alegria arrebatadora.
As presenças eram de alguma forma familiares, embora diferentes em certo aspecto. Ainda assim, seu coração pulou uma batida. Antes de virar a cabeça, ela já sabia quem eram os seres que estavam atrás dela.
Mas ela não tinha tempo para se recompor, sentindo braços parecidos com de urso envolvem seu corpo delgado com força total.
Ela tremeu de trauma, mordendo os lábios enquanto uma dor cortante a atingia.
CRAC—!!
O olho de Daela dilatou-se, seus lábios se abriram em uma expressão silenciosa de surpresa e dor.
"Irmã!!!!" Dain rugiu, com uma voz cheia de alegria. O cômodo inteiro vibrava e trepia, algumas mobílias caíram no chão, fragilmente.
"SABO QUE VOCÊ SENTIU Minha FALTA!" Dain continuou, levantando a Daela que lutava, para o alto em um abraço apertado.
Daela mexia suas pernas de um lado para o outro, procurando por terra firme.
A Imperatriz do Silêncio estava chocada, seu cérebro girando diante dessa situação inesperada.
Enquanto isso, Kaden observava com um sorriso cansado no rosto. Sentia a aura que emanava de Daela antes de Dain. Seu sorriso se alargou, esperando algo.
E, de fato,
"Lâminas gêmeas," Daela rosnou, seu olho carmesim inflamando com uma fúria intensa.
Os lábios de Dain se contorceram, sentindo uma ameaça se aproximando. Com velocidade flamejante, ele desfez os braços de volta ao redor de sua irmã e a lançou para longe dele. Uma chama amarela lambeu seu corpo musculoso.
Daela caiu na mesa, que rangeu dolorosamente até se partir em pedaços de madeira estilhaçada.
Ela ergueu-se num salto em um instante, com suas espadas gêmeas na mão. Seu olho de uma só íris começou a brilhar, uma luz branca coloriu a cicatriz e saiu lentamente pela pálpebra fechada.
Enquanto isso, Dain deu um passo pesado no chão; ele torceu em agonia, se despedaçando em lascas de madeira e aço derretido, então saltou para cima.
Naquele momento, sua irmã moveu os pés, seu corpo envolto por uma luz branca, sufocante. As espadas gêmeas brilharam e ela cortou em direção ao irmão, justo quando ele ia alcançar o teto.
"HAHAHAH!" Dain gargalhou, desfrutando a situação.
Ele levantou o dedo indicador e o passou pelo espaço de cima para baixo. O ar sibilou, queimou, e foi cortado ao meio, revelando, entre as rachaduras, a visão de um machado de batalha.
O machado pulsou uma vez. Então, o ataque que vinha foi incinerado até o esquecimento.
Dain alcançou o teto, encostando os pés nele. Esquecendo de controlar sua força na empolgação, o teto explodiu em uma chuva de pedras.
Porém, ele não ligou.
Continuou a rir, cerrando a mão em torno do seu machado. A arma gritou de alegria. Chamas incandescentes saíram dela, rolando pelo espaço como ondas de um oceano.
Dain ergueu sua arma e balançou com uma risada estrondosa.
Fogo irrompeu, mas foi apagado instantaneamente. Ele abriu a boca surpreso, e seu corpo congelou quando um braço grosso como a casca de uma árvore o envolveu pelos ombros.
"A primeira coisa que você faz depois de voltar de anos fora é destruir minha casa?" Garros murmurou, ainda que os órgãos internos de Dain tremerem.
Ele virou a cabeça mecanicamente na direção do pai. Sorriu torto, "Bem, pai," riu nervoso, vendo a ilusão de mundos quebrada em pedaços de vidro nos olhos do pai,
"Acreditaria se eu dissesse que foi minha irmã quem começou tudo?"
"Minha querida filha?" Serena respondeu, surgindo do nada. "Ela jamais."
Ela ficou ao lado de Daela, cujo olho fixava Dain com uma disposição de luta intensa.
Serena riu: "O que você fez para ela ficar assim, Dain?"
"Foi ela!" Dain exclamou, indignado. "Só a abracei e ela tentou me matar. Mãe, pai, sou a vítima aqui!"
Dain tentou se defender.
Mas, mesmo após anos, Garros e Serena conheciam seu filho o suficiente para saber que ele era o causador de confusão.
Vendo que ninguém acreditava nele, Dain jogou a culpa em Kaden. "Pergunta ao mais novo!" apontou para Kaden.
O próprio homem estava sentado numa cadeira, legs cruzadas, com um chá na mão enquanto lia um livro que encontrou na mesa da irmã.
Também usava óculos.
Estava visivelmente fofo naquele momento. Principalmente com seus olhos sonolentos.
Ao ouvir seu nome, Kaden levantou a cabeça preguiçosamente, observando como todos olhavam para ele com olhares estranhos.
Ele inclinou a cabeça, "O que foi?"
"O que você está fazendo?" Dain perguntou incrédulo.
"Lendo."
"Como consegue ler nesse momento?"
"Consigo focar em qualquer situação."
"E onde você achou o chá e os óculos?"
"São detalhes, irmão. Não se preocupe com isso."
Os lábios de Dain se contorceram, enquanto Garros gargalhava sem controle.
Daela também esqueceu toda raiva de Dain, ficando perto de Kaden enquanto chutava sua bochecha com um dedo de brincadeira.
Seu rosto tinha uma expressão de bico fofo, sem emoção.
"Tempo," ela murmurou abruptamente. "Tempo demais."
Kaden sorriu e disse: "Desculpe, aconteceu alguma coisa."
"Meu bebê, minha mãe sentiu sua falta," Serena gemeu, segurando a cabeça de Kaden contra seus seios.
Daela franziu a testa, desgostosa com a monopolização da mãe sobre seu irmãozinho.
"Também senti sua falta, mãe. Estava com saudade," respondeu o mais novo, tocando suavemente os braços da mãe para que ela o soltasse.
Ela apertou ainda mais.
Daela agiu.
Acima, Dain e Garros observavam a cena com expressão vazia.
"Será que isso é justo?" Dain cochichou para o pai.
Ao seu questionamento, Garros ficou feliz, tão feliz que lágrimas escorreram pelas bochechas. "Estou tão feliz que você voltou, filho!" gritou, abraçando Dain apertado.
Dain ficou surpreso, mas mesmo assim sorriu. Mas logo o sorriso desapareceu do rosto dele,
"Com você aqui, não vou mais sofrer sozinho. Vamos sofrer juntos com o monopólio do mais novo sobre minha esposa e minha filha!"
Dain congelou, finalmente entendendo. Olhou para Kaden e começou a chorar junto com o pai, gritando o quão injusto era ele receber todo o amor das mulheres.
Serena e Daela ignoraram os dois.
Enquanto isso, Kaden olhava para Daela com um olhar estranho. Mais precisamente, olhava para seu olho de uma só íris.
Suas sobrancelhas se franziram.
"O que aconteceu?" perguntou.
O quarto ficou em silêncio, e todos focaram em Daela. Até Dain, que finalmente percebeu o olho cortado da irmã. Seus olhos esfriaram, todo humor sumiu.
Daela levantou lentamente o dedo, passou-o pela pálpebra fechada.
Garros e Serena não disseram nada, deixando a filha escolher o que dizer. Mas foi bem fácil:
"Nada aconteceu," ela murmurou com um sorriso fraco, bagunçando carinhosamente o cabelo de Kaden. "Só uma cicatriz. Ficou feio?"
Kaden ficou em silêncio, depois balançou a cabeça com um sorriso. "Feio? Você parece uma versão melhor da vovó Scarlet."
Mostrou os dentes e fez um joinha. "Deusa da guerra mesmo!"
Daela assentiu fortemente, sorrindo, bagunçando cada vez mais o cabelo de Kaden.
Enquanto isso, a boca de Dain se abriu formando um "O", ao ver Não só Daela sorrindo, mas também demonstrando um ato evidente de afeto.
Pela primeira vez, ele pensou que estava sonhando. Mas não estava.
"O que eu perdi?" sussurrou, fascinado com a cena de Daela cuidando de Kaden como se fosse seu bebê.
Serena reclamou ao lado.
Dain riu de brincadeira com o favoritismo flagrante.
"Você perdeu muitas coisas," disse Garros, olhando para o filho, "mas você tem coisas para nos contar, filho."
Dain assentiu, sorrindo de canto. "De fato, tenho."
"Por onde começar? Quando goleei todos os Filhos do Fogo e fiz amizade com o patriarca deles, ou quando provoquei um wyvern de nível Epíteto a uma perseguição?"
Abaixo, Kaden deu uma risadinha,
"Que tal começar por como você se viu preso numa masmorra no porão depois de ser manipulado pela Imperatriz?"
Novamente, silêncio reinou na sala.
Dain observava a expressão insuportável de Kaden, entre Daela e Serena.
Seu lábio se contorceu, veias pulsando na testa. Garros deu um tapinha com simpatia,
"Entendo seus sentimentos, filho," ele sussurrou, olhando para Kaden,
"Até eu às vezes tenho vontade de dar um tapa na face arrogante do mais novo."
"Vamos fazer isso, pai!"
"Quem?" Serena e Daela perguntaram em uníssono, com olhares ferozes de combate.
"Dar um tapa em quem?"
Os homens ficaram em silêncio.
Kaden deu uma risadinha.
Que bom que estava em casa.
Antes que se dessem conta, Kaden adormeceu, aconchegado pela mãe e pela irmã.
Prometheus tinha voltado para casa.