
Capítulo 331
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Luminary e Mahina caminhavam descalços no chão.
O som de seus passos era silencioso contra o tapete dourado, e sua respiração ainda mais silenciosa, quase inexistente, fazendo questionar-se se eles precisavam mesmo respirar para permanecer vivos.
Já tinham alcançado um nível em que essa tarefa aparentemente banal não era mais necessária, mas havia um conforto peculiar nessas ações simples.
Caminhar descalço no chão era uma das coisas que Luminary adorava fazer, pois era algo que seu próprio pai sempre lhe obrigava a fazer quando era criança, quando seu pai ainda… estava vivo.
No entanto, isso era algo que Mahina ainda não conseguia compreender totalmente.
"Nunca entendi essa sua tradição," disse Mahina, observando calmamente ao redor da sala em que estavam, com seus olhos em forma de lua.
Como toda sala de Asterion, ela era pintada de ouro, das paredes ao chão. No teto, havia o símbolo de Asterion ao lado de uma enorme pintura do primeiro Imperador, Vesper Asterion — O Conhecedor de Estrelas.
A sala tinha formato oval, grande o suficiente para acomodar facilmente centenas de seres, e as paredes estavam repletas de retratos. E, por alguma razão estranha, todos eram homens. Não havia uma única mulher naquele lugar.
Mesmo que esses retratos mostrassem os diferentes imperadores que governaram o Império Celestial desde o começo de sua história.
Depois de vários minutos caminhando, Luminary finalmente parou diante de um retrato em particular, que mostrava um homem que tinha uma estranha semelhança com ele. Na base do quadro, estava um nome: Apollo Luminary Asterion.
Seu pai.
Ele encarou o retrato em silêncio por alguns segundos, então finalmente disse: "Meu pai costumava me fazer andar descalço toda vez que via que minha cabeça estava cheia de pensamentos obsessivos."
Mahina ouviu, achando raro ver seu marido falar sobre seu relacionamento com o pai. Ele nunca gostava de conversar sobre isso, sempre com uma expressão de dor ao recordar-se dele.
"Ele dizia que andar com os pés descalços no chão me ajudava a me manter conectado, lembrando que, mesmo sendo herdeiro, mesmo sendo o Sol..."
Ele lentamente virou a cabeça rumo a Mahina e sorriu suavemente, "…ainda sou humano, feito de terra e argila, e para a terra retornarei. E ele me ensinou que, mesmo os sóis podem queimar, então preciso ter algo, ou alguém, que me ancore quando o calor ficar demais."
Mahina sorriu suavemente, "Um homem sábio, sem dúvida," ela elogiou, olhando para o retrato, depois perguntou: "e não é você quem te mantém aterrada, querido marido?"
"Você?" Luminary riu, "Você só me dá dor de cabeça, Mahina."
Os lábios de Mahina tremeram. Seu marido nunca escondia suas emoções. Ele realmente não tinha tato, mas talvez fosse exatamente por isso que ela o amava.
Como alguém que achava difícil colocar em palavras tudo que pulsava dentro de si, estar na companhia de Luminary era revigorante.
Mas…
"Por que você me trouxe aqui?" ela finalmente perguntou. "Eu ia sair."
Ela tinha sentido algo estranho relacionado a Smith. Algo que ela sentia que precisava verificar, pois uma má sensação crescia dentro de seu coração. Mas Luminary a interceptou naquele momento, puxando-a para cá.
"Sabe por que eu dei o nome Sora para minha filha?" Luminary ignorou sua pergunta e fez outra.
"Não, não sei," respondeu Mahina, aparentemente acostumada com esse jeito dele. "Mas deixe-me adivinhar. Seu pai, talvez?"
Luminary confirmou com a cabeça, "Exatamente." Ele explicou: "Meu pai sempre quis ter uma filha para poder nomeá-la Sora."
"Por quê?" Mahina questionou, intrigada. "Houve alguma Sora na linhagem Asterion?"
"Não vi nenhuma," Luminary balançou a cabeça. "Na verdade, o período antes de meu pai assumir o poder parece vazio, sem muitos detalhes, exceto uma coisa."
"O Imperador Sol Insano?" Mahina adivinhou.
"Sim," ele assentiu. "É tudo o que temos daquele tempo. Eu tinha curiosidade, então perguntei ao meu pai."
Um sorriso irônico apareceu nos lábios dele. "Ele me disse que há capítulos da história que deveriam permanecer enterrados, porque descobri-los faz mais mal do que bem."
Mahina deixou-se usar por um leve sorriso. "Aquele momento em que o conhecimento deixa de ser poder… e vira uma maldição."
Luminary espelhou seu sorriso e assentiu. "Curioso, não? Meu pai foi um grande homem. Nada nele lembrava um Asterion, como se fosse criado longe deles. E isso o tornou o pior Imperador Asterion que já governou."
Ele sorriu de lado. "Mas, ainda assim, foi o maior imperador que este império já conheceu."
"Maior que Vesper Asterion?" Mahina perguntou, incrédula.
"Diria que muito maior do que ele," ele afirmou sem vergonha, então virou-se completamente para sua esposa. "Mas, além de imperador, foi o melhor pai. Afinal, nenhum outro Asterion permitiria que eu me casasse com uma Filha da Lua, sob a condição de que eu me tornasse imperador."
"E você sabe o que isso significa, Mahina?" ele perguntou.
Mahina balançou a cabeça. "Ilumine-me, marido."
Luminary deu um passo à frente, aproximando-se dela. Inclinei a cabeça para frente e sussurrou em seu ouvido esquerdo:
"Significa que valorizo tudo o que meu pai valorizava. E meu pai amava Sora por algum motivo, então nomeei minha filha assim, sem sequer saber quem ela era."
Mahina levantou uma sobrancelha, sorrindo, já percebendo onde seu marido queria chegar.
"Você não está jogando limpo, marido," ela respondeu sussurrando, envolvente com braços sensualmente ao redor do pescoço dele.
"Você começou, esposa. Não pense que não estou percebendo sua atenção para o Mercador do Tirano ultimamente," ele murmurou. "Hoje, esposa, você fica comigo."
"E se, querido marido, eu já estiver cansada do seu cheiro e de olhar para você hoje?"
"Isso me machucaria profundamente," ele retrucou. "E sabe o que acontece quando um Sol é gravemente ferido?"
O sorriso dele se alargou, tornando-se maníaco.
"Tudo queima, Mahina."
Mahina ficou em silêncio, então lentamente colocou a cabeça no peito dele. "Você ganha desta vez."
Luminary a abraçou de volta.
"Eu sempre ganho, esposa astuta."
"Espero que sua preciosa filha seja igual," ela zombou, "mas não tenho esperança quanto a isso."
"Pare de favoritar Sirius. É por causa dele que seu nome vem de um de seus maiores ancestrais?"
"E você, não é o mesmo? Favoritando Sora por causa de um nome cuja origem você nem consegue rastrear?" Mahina exalou lentamente.
"Isso é perigoso, marido. Nomes nunca vêm sem custo. Trazer um peso… uma bênção… ou uma maldição."
Luminary suspirou, exausto. "Sei bem disso. Mas o que foi feito, está feito. E, por enquanto, não vejo nada estranho em Sora."
Mahina apertou-o com mais força, ficando em silêncio. Depois de alguns minutos assim, ela falou:
"Acredite, marido, farei qualquer coisa para manter nossa família unida. Nenhum trono vai tirar esse calor de mim." Seu tom era aquele que Luminary reconhecia muito bem nela.
Um tom que dizia que nada a impediria.
Nem mesmo os deuses.
Luminary apenas sorriu.
"Eu sei," ele sussurrou.
"Eu sei, Mahina."
…
Em outro lugar, dentro de uma masmorra pertencente ao Ceifador, Antropóloga, Abominação e Smith estavam formando um círculo, olhando para o corpo de Dain ainda derretendo.
"É temporário," disse Antropóloga, franzindo a testa. "A fada logo vai acordar, e não medirá esforços para fazer Dain pagar. Não posso usar sempre minha técnica. Então precisamos de uma forma de resolver isso."
"Mas a única saída é Dain absorver o artefato mítica e fazer dele seu," respondeu Abominação com um sorriso seco.
Enquanto isso, Smith apenas mordia os lábios, o medo corroendo seus ossos, medo do próprio destino agora que tinha traído Mahina, mas também medo pelo seu amigo.
Mahina poderia matá-la sem dúvida, especialmente com a marca de escrava que tinha.
E quanto mais ela agia livremente, mais a ansiedade de Smith aumentava. E essa ansiedade a fez dizer algo que nunca pensou em dizer novamente.
Algo que ela tinha jurado nunca mencionar, nem sequer pensar.
Mas o medo tinha uma maneira horrível de arrancar a compostura de maneira repugnante.
"Eu posso ajudá-lo," murmurou Smith, tremendo. "Mas… preciso da sua ajuda para salvar minha vida."
"Quero que me salve da morte, da crueldade da Imperatriz."
Antropóloga e Abominação a olharam profundamente nos olhos assustados, então lentamente assentiram.
"Dain é muito querido por nosso líder, então ajude-o e você nunca se arrependerá," disse Antropóloga, depois. "Mas como você pode ajudá-lo?"
Smith respirou fundo e deu um passo em direção a Dain. Instantaneamente, sua aura mudou, tornando-se profunda, insondável e extremamente quente.
O ar da masmorra começou a cintilar e se torcer sobre si mesmo.
"Sou Nihilia Ra Smith, da Família Smith, descendente do Arquiteto Divino," ela rosnou, seu comportamento mudando como um interruptor ligado ou desligado.
Ela agora estava ao lado do ombro de Dain. Logo, ergueu a mão direita em direção ao céu, fazendo surgir na sua posse um martelo colossal, do tamanho de uma montanha.
O martelo tinha runas douradas derretidas, e sua presença fazia a estrutura do espaço se romper. O braço de Smith se torcia como uma cobra deslizando, veias negras pulsando sob a pele.
Antropóloga e Abominação recuaram em choque.
Nihilia continuou, sua voz ecoando ao redor, como o clangor de carcaças de aço,
"Eu forjo tudo."
Ela ergueu o martelo ainda mais alto.
"Até pessoas."
E o martelo caiu.
CLANK—!
…
Darklore — Waverith.
"Será que o olho dela pode ser curado?" perguntou Garros, Filho do Rei, ao lado do curandeiro, seus olhos vermelhos fixos na Daela que dormia na cama.
Serena estava sentada ao lado da cabeça dela, acariciando Daela com um sorriso de amor e orgulho, embora carregado de uma ponta de dor.
"Desculpe, Rei Filho," disse a curandeira — uma mulher idosa com cabelos cor-de-rosa e olhos verdes — "o olho direito dela não vai mais funcionar nem enxergar, exceto quando ela usar uma habilidade, presumo, do poder que a forçou a fechá-lo. Ela continuará cega pelo resto da vida."
Sua voz tinha uma tonalidade triste, mas Garros apenas assentiu. Depois, a curandeira saiu do cômodo, deixando mãe e pai encarando a filha.
Após um momento, Garros sorriu e disse: "Estranho," ele comentou, "ela me lembra minha tia, Scarlet Warborn."
Serena riu suavemente, "Minha filha é mais bonita e certamente mais talentosa."
"Claro!" Garros abafou sua risada alta. "Tenho os melhores filhos!"
Depois, caminhou até o outro lado da cama, sentou-se em silêncio, estendeu a mão calejada e tocou suavemente o olho direito de Daela.
Sorriu mais uma vez.
"Tenho orgulho de você, Daela. Ah, e sim…"
O sorriso de Garros virou tenso e triste.
"Desculpe por fazer você crescer sozinha," ele sussurrou, achando que Daela não o ouvia, mas…
"Tudo bem," disse Daela de repente, com voz firme, seu olho esquerdo vermelho se abrindo,
"Mas eu sinto falta do meu irmãozinho."
Garros e Serena ficaram em silêncio, depois reviraram os olhos, exasperados, antes de começarem a rir.
Daela realmente só se importava com seu irmão mais novo.
Só com ele.
Só…
"Cadê o Kaden?"
—Fim do Capítulo 331—