
Capítulo 332
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Se alguém pudesse enxergar o mundo de cima, ou se os deuses — como todos os mortais pareciam acreditar — realmente os observassem lá do céu, veria um mundo com inúmeros tipos de acontecimentos se desenrolando ao redor, formando uma tapeçaria hipnotizante e ao mesmo tempo terrível do destino.
Havia um acontecimento sob uma zona proibida, numa Cidade dos Gatos, onde uma gata roxa deslumbrante com faixas de azul cruzava a cidade congelada, carregando dois peixes na boca, perseguida por outros dois felinos que pareciam decididos a capturá-la.
As patas da gata eram ágeis e rápidas, neve e água se enroscando ao redor delas para aumentar sua velocidade. Além disso, cada movimento da sua cauda no chão gelado fazia a superfície congelada sob ela se curvar para fora, fazendo os gatos que a perseguiam tropeçarem ou pararem no caminho.
Outros gatos observavam às margens das ruas, aparentemente acostumados com esse tipo de cena atualmente. Era até possível ver alguns torcendo pela gata ladra, apesar de sua ação claramente errada.
Mas gatos eram criaturas caprichosas — dir-se-ia até que tinham um toque de feitiço — e isso os tornava imprevisíveis.
Finalmente, a gata conseguiu despistar seus perseguidores, correndo por corredores estreitos até encostar seu corpo numa parede. Então, usou a pata, injetou sua mana em uma pedra de gelo específica na parede e, de repente, entrou em um lugar totalmente novo.
Lá, podia-se ver muitas coisas armazenadas de forma bastante desorganizada.
Havia comida — principalmente peixes —, bolas de gelo, bonecos de gelo, pequenas fontes de água, cristais de gelo, flores de orvalho em forma de flocos de neve.
Todos esses objetos eram…
"Aha! Mais um dia de sucesso na minha vida de ladrão!" Meris comentou animada, antes de se encostar numa almofada de neve macia — que tinha roubado de uma gata idosa, mal capaz de caminhar.
Ela não sentia remorso. Pelo contrário…
"Quem vou roubar amanhã?" pensou, enquanto dormia tranquilamente, após fazer sua dança de problemas com os gatos.
Aquele evento não foi o único.
Havia também um que acontecia em um lugar conhecido por poucos. Dentro de uma barreira feita do lamento de monstros, a própria Herdeira da Mãe dos Monstros estava sentada na terra, cercada por seus muitos monstros, enquanto tentava, com dificuldades, criar seu próprio monstro de força máxima.
Ela ainda não tinha conseguido, embora tivesse criado um monstro de nível intermediário, o que lhe dava esperança. Mas ter esperança não significava que ela pararia de amaldiçoar os deuses a cada dois segundos pela situação em que se encontrava.
No entanto, ela continuava experimentando, e com os fracassos vinha uma compreensão mais profunda da estrutura dos monstros e das múltiplas aplicações de suas habilidades, tornando-os mais poderosos e assustadores.
Ela percebia que seu sangue podia fazer muito mais, e que, para criar um monstro, poderia usar uma parte de si mesma diretamente, ao invés do seu sangue ou da mistura de dois diferentes.
Essa compreensão levou Inara Serpentine — Herdeira de Echidna — a arrancar seu próprio olho esquerdo, adicionando-o à mistura com seu sangue e com o sangue de todos os monstros que criara.
Ela gritou de dor, seu olho direito chorando sangue, mas apertou os lábios com força, fazendo mais sangue escorrer enquanto começava a formar seu monstro de força máxima.
Dessa vez, ela estava determinada a conseguir. Afinal…
"É melhor você não fazer eu perder o olho," ela rosnou, como uma fera enlouquecida, "Se o Hero descobrir, não vai mais gostar de mim!"
Ela sentia um medo profundo, uma dor aguda invadindo sua mente, mas precisava arriscar para alcançar o sucesso.
A barreira não duraria para sempre.
Logo, caçadores viriam e tentariam arrancar seu coração. Então…
"Preparada… Preciso estar pronta!"
Inara fez uma promessa a si mesma, com uma órbita vazia.
Que cena perturbadora.
E, mais uma vez, outro evento se desenrolava exatamente no centro de Fokay, na parte subterrânea. Lá, um jovem pálido de cabelos vermelhos e olhos iguais estava sentado ao lado de uma mulher de pele negra, de tranças negras, ambos empoleirados no topo da árvore mais alta do Campo de Treinamento de Orion.
A conversa entre eles era difícil de imaginar — algo estranho e surreal.
"Tenho uma pergunta, Katy." O Filho dos Céus perguntou, olhando fixamente à sua frente, para as árvores em preto e branco diante dele.
Ao seu lado, o coração de Katy começou a acelerar ao simples mencionar seu nome nos lábios de Zaki. De alguma forma, soava mais agradável ao ouvido dele.
Esforçando-se para não mostrar suas emoções ardentes na sua frente — algo que, sem dúvida, ela não conseguiu — Katy assentiu, sinalizando para Zaki continuar.
O homem sorriu ao perceber o quão adorável ela era e então perguntou: "Diz aí, qual é a coisa mais valiosa que um caçador pode caçar?" tentando adivinhar a presa que marcaria sua cicatriz.
Katy, como membro e descendente da Ordem de Orion, certamente sabia mais sobre isso do que ele. E de fato…
"A coisa mais valiosa? Para nós?" Katy respondeu, colocando a mente no lugar antes que seu rosto se tornasse frio e afiado como uma seta, seus olhos pretos enrubescendo até a pupila desaparecer.
Uma aura voraz emanou dela, digna de uma predadora, enquanto respondia à pergunta de Zaki.
"A coisa mais valiosa que podemos caçar é, obviamente, um humano." Ela rosnou, com a voz fria, antes de virar a cabeça para Zaki,
"Não estou certa, céu?"
Zaki sorriu,
"Não posso discordar."
O próximo movimento dele ficou claro: caçar um humano. Mas Zaki iria além disso, muito além, e faria algo mais.
Ele não caçaria um humano.
Ele caçaria um maldito dragão.
'Ainda não acabei com você,' ele sussurrou internamente, com os olhos brilhando com um tom frio, sem esquecer a morte do amigo pelas mãos daqueles dragões implacáveis.
E lá estava ele, lutando contra um dragão por um amigo morto… enquanto, ao oeste de Fokay, um pai lentamente devorava casas inteiras na escuridão de sombras densas, matando adultos e crianças, inocentes e culpados, tudo por causa da segurança de sua filha.
Ele tinha razão? Estava errado?
Alguns diriam que ele tinha razão. Outros, que ele estava equivocado.
Mas, no fim das contas, nada disso importava para o Príncipe das Sombras, pois se ele abdicou de sua liberdade pela própria filha…
…então certamente poderia abandonar sua moralidade por ela também.
'Apenas por ela,' sussurrou Asael, enquanto cortava a cabeça de um homem com um golpe limpo, deixando-o se juntar ao mar de sangue sob seus pés.
Ele prosseguiu, pesado, mas firme… cortando a cabeça de uma mãe, arrancando o coração de um pai, afogando, sob a misericórdia das sombras, as crianças assustadas, e torcendo o pescoço de um tio.
Não havia misericórdia em seus olhos. Nenhum hesitar.
Era o caminho que ele havia escolhido.
E assim, caminharia até se reencontrar nos braços das sombras novamente.
'Que a OmbreNuit, Origem das Sombras, tenha misericórdia de minha alma.'
Ele rezou para sua deusa e continuou sua matança.
Enquanto isso, dentro de uma igreja, uma jovem de nível intermediário enfrentava um reino de Epítetos numa batalha em que o perdedor seria engolido pela outra side.
Seus soluços de medo ecoavam dos céus, mas era possível ouvir, ao lado deles, sua própria insanidade.
E tudo isso enquanto uma jovem princesa dourada sonhava em sua grande cama de ouro. No sonho, ela aguardava ansiosamente por algo, sem saber exatamente o porquê ou o quê exatamente aguardava. O conhecimento estava dentro dela, mas bloqueado por algo que ela não conseguia compreender.
Tudo o que via era uma moeda de ouro.
Uma que ela tanto temia quanto amava profundamente.
A moeda de ouro permanecia imóvel.
Porém, ela precisava girar. Precisa girar para—!
E então acordou, com o suor escorrendo pelo corpo como se fosse atingida por uma avalanche de chuva. Ela amaldiçoou Celeste, sua mente pesada de incerteza.
E tudo isso enquanto um jovem com amor no coração e cinzas nas veias estava na frente de um jardim exuberante, em busca de audiência com Lady Verde, pronto para concluir sua missão e reencontrar quem ama. Seus olhos ardiam como uma chama negra devoradora, pronta para lançar o mundo inteiro em fogo de cinzas.
E, numa cidade destruída, uma mulher com a habilidade de ver o futuro — tornando-se quase incapaz de enxergar — lutava numa batalha apocalíptica contra uma Estrela de Prata, com um Cavaleiro Arruinado ao seu lado.
Ela estava num que parecia um céu — um céu prateado — a gravidade esmagando todos os seus ossos, e um frio cortante congelando-a de dentro para fora.
Seu rosto estava ensanguentado, com manchas de carmesim escorrendo livremente por suas lágrimas, mas ela mantinha um sorriso largo. Seus olhos azuis hipnotizantes não estavam mais vendo seu adversário, mas os futuros dele.
Se usar seu poder a deixaria cega, mas ela sabia que precisava usá-lo para sobreviver e ajudar sua preciosa… então, não hesitaria mais.
Ela era Vaela Crimson, da Véu Escarlate.
A Adivinha da Colheita, e parceira de toda a vida de Kaden Warborn.
Ela não temeria mais a cegueira.
Pois, mesmo cega, via constelações muito mais brilhantes e belas do que nunca antes.
Ela riu, com os dentes ensanguentados, levantando as mãos ao céu, seus olhos vendo coisas que iluminaram sua mente, aceitando seu destino.
Partiu os lábios, e junto ao Cavaleiro da Morte…
"Domínio — Morte Arruinada." O Arruinado rosnou.
"Ativação do Domínio…"
A risada de Vaela ecoou,
"Réquiem da Última Estrela."
Seu domínio foi alterado.
E há um que sobra.
Uma criatura que, por alguma razão estranha, é o começo, o meio ou o fim de todos esses eventos que acontecem em cada canto de Fokay.
Ele é o mais jovem dos Warborn.
O Favorito do Sangue. O Escolhido pela Morte. A Criança da Guerra.
Ele é O Colheitador. O Mestre. O Líder. O Herói.
É o Discípulo de uma Maravilha, e portador de sua singularidade.
Ele é o que caminhará rumo à transcendência, com a Marca do Fardo gravada nas costas.
Ele é Prometeu.
Ele é Kaden Warborn.
E está destruindo um império até suas raízes, com sua companheira eterna, Aurora Starborn of Last Star… tudo por ela.
E assim cada um desses prodígios seguiu seu caminho.
Cada um se encontrou numa trajetória que nunca escolhera para si mesmo.
Mas cada um decidiu traçá-la do seu jeito.
A vida foi injusta com todos.
E foi exatamente isso que a deixou justa.