Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 330

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

A lendária pedra de evolução brilhou com uma luz multicolorida intensa, com uma borda nítida de preto, que se separava da escuridão densa que envolvia o santuário do Discípulo da Perda.

Rea concentrou-se, seus olhos vermelhos exibindo um brilho evidente de loucura, decidida a apostar tudo nesta missão.

O Discípulo da Perda ainda… estava… perdido. E, mesmo assim, ela mesma sabia que tinha sido enganada por sua linda Rea, essa suspeita tornando-se mais verdadeira e profunda à medida que, por fim, a pedra deixou de brilhar e Rea conseguiu alcançar sua missão.

Era estranho, notaram os dois. Pois desta vez, A Vontade mostrou que o conteúdo da missão de Rea era de nível mestre, tanto para ela quanto para o Discípulo da Perda.

{Você ativou uma Pedra de Evolução Lendária.}

{Você cumpriu as condições necessárias para subir de nível.}

A Vontade fez uma pausa, então…

{Rea Thornspire, O Pássaro Sofredor. Sua linhagem é profunda, seu sangue ligado à própria origem da Tristeza. Você foi tocada por um deus ao nascer, sua vida sendo repleta de miséria e angústia.}

{Agora, você escolheu seu caminho, decidindo ir contra um deus.}

{Então, deve percorrê-lo até o fim.}

Mais uma vez, A Vontade fez uma pausa e, lentamente…

{Você recebeu sua missão de evolução.}

{Engula tudo do seu mestre, O Discípulo da Perda.}

Tempo limite: uma semana.

Ambos olhavam para o conteúdo da missão, e suas expressões não resistiram a se contorcer formando um sorriso sinistro.

A manifestação do Discípulo da Perda — o olho cinza — derreteu-se em fumaça cinza, antes que a escuridão se abrisse como uma porta bocejante, deixando algo — ou alguém — ocupar o lugar anterior do olho cinza.

Rea sentiu imediatamente uma pressão ameaçadora, sua respiração preso na garganta.

A criatura era uma mulher. Alta, pelo menos 2,13 metros, a pele tão pálida que parecia que nenhum sangue circulava por baixo dela. Seus olhos eram cinza-escuros, com cabelos grisalhos caindo sobre os ombros.

Ela vestia roupas semelhantes às de uma santa, nas cores da igreja, com uma marca vermelha no ombro esquerdo, indicando sua posição como Discípula.

Seu rosto era de uma beleza que parecia esculpida no mármore mais refinado. Contudo, seus olhos estavam cheios de loucura e fome.

A Escolhida. Alguém escolhida por um deus.

Isso era o que sua linda Rea era.

"Eu sabia," ela gemia, sua voz carregada de emoções pesadas e trêmulas, aproximando-se lentamente de Rea, "Eu sabia que você era especial, minha linda Rea! Eu sabia!"

Ela segurou o rosto de Rea com mãos frias, segurando ambas as bochechas, e depois colocou a testa contra a dela.

"Seja minha, minha linda Rea," ela sussurrou, lágrimas escorrendo de seus olhos, "Você me enganou, mas eu vou te perdoar desde que você jure na Vontade que será minha para sempre. Ninguém vai tocar em você, eu prometo. Vou matar todos eles."

"Eu vou proteger você, minha linda Rea."

O sorriso de Rea não vacilou diante do monólogo de sua mestra. Em vez disso, ela levantou as mãos e também segurou o rosto dela, sorrindo amplamente,

"Então, vamos fazer um pacto, mestra." Ela sussurrou.

"Use seu poder que você tanto ama, e vamos fazer um último acordo entre nós."

"Uma batalha de quem engole quem. Você me engole, eu sou sua para toda eternidade. Mas…"

Ela sorriu com uma loucura absoluta,

"Mas se eu te engolir, então tudo de você será meu."

Ela fez uma pausa e disse com uma intensidade que fez um calafrio percorrer a espinha do Discípulo da Perda:

"Tudo."

Um silêncio se instaurou entre eles, os olhos fixos um no outro, com uma fome inabalável, até que lentamente suas faces foram pintadas com sorrisos iguais.

Um sorriso obsessivo, para o Discípulo da Perda.

Para Rea, de uma loucura absoluta.

"Então, venha, minha linda Rea." Murmurou a Discípula da Perda, antes de seu peito se abrir em duas partes, expondo seu coração, órgãos, entranhas e tudo mais dentro de si. Ainda não era tudo; sua cabeça se partiu ainda mais, revelando seu cérebro e toda a estrutura que existia sob o crânio.

Uma onda de medo submergiu o corpo de Rea, mas ela o acolheu com prazer, usando-o para fortalecer todo o seu ser.

E, naquele estado, o Discípulo da Perda falou claramente:

"Entre em mim, ó minha linda Rea, e me engula… ou eu engolirei tudo de você."

Rea não hesitou. Num só movimento, ela entrou totalmente no Discípulo da Perda.

Uma entidade de Reino de Epítetos contra uma de Reino Intermediário.

E assim, de repente…

"OH! MINHA LINDA REA!!!!!!!"

…começou a missão de evolução de mestre de Rea.

Em outro lugar de Fokay, no extremo oeste, dentro de um Império feito para os Malditos, a Imperatriz dos Malditos lentamente tomava seu café da manhã com a manhã melancólica do império.

Lydia Drought estava em seu aposento, sentada na cama enquanto comia calmamente, como se fosse a pessoa mais inocente do mundo, sem nada pesando em sua mente.

Ela ainda usava seu camisão de dormir, expondo seu corpo de forma mais reveladora do que o habitual, mostrando aspectos que ninguém acreditaria possível.

O corpo de Lydia, do peito aos joelhos, estava marcado. Havia cicatrizes de espadas, queimaduras e mordidas ferozes de feras. Algumas partes do corpo tinham cores diferentes, parecendo vitiligo.

Uma visão impressionante, mas aterradora.

Somente seu rosto e partes visíveis do corpo, ao usar seu vestido de imperatriz, permaneciam sem cicatrizes, como se feitos de propósito.

Naquele momento, ela mais parecia uma guerreira viking preparada para a selva do que uma imperatriz pronta para mandar sua filha se prostituir pelo poder.

Algo que uma sombra específica, no entanto, não gostava nada dessa ideia. E justamente por isso…

"Você esqueceu nosso acordo?" A voz de Asael ressoou pelo quarto, enquanto, atrás de Lydia, na parede, uma mancha de sombra começava a surgir e se expandir como tinta espalhada sobre uma folha em branco.

Logo, a cabeça de Asael apareceu, olhando para Lydia, toda marcada pelas cicatrizes.

Lydia não pôde evitar um sorriso frio: "Agora, Sombra, sua mãe não te ensinou a nunca invadir o quarto de uma dama sem permissão?" Sua voz era fria ao erguer a cabeça e encará-lo com seus olhos dourados e vermelhos.

Asael nao disse nada, finalmente percebendo sua roupa e também as cicatrizes no corpo dela. Instintivamente, ele franziu a testa, sua expressão não era de desgosto, mas de fascínio. No fundo, ele ficava hipnotizado por aquela visão.

Algo que Lydia percebeu claramente. E ainda assim,

"Você é surdo agora?"

Asael saiu do transe e voltou o olhar para ela, com o rosto ainda inalterado: "A culpa é sua. Da próxima vez, Lydia, certifique-se de trancar bem seu quarto. Agora você tem uma Sombra." Ele falou com firmeza, sabendo que ela não faria nada além de franzir a testa para ele.

Rapidamente, continuou: "E não era isso que combinamos. Eu te avisei: tudo que possa prejudicar minha filha anulará meu juramento com você. E, assim, agirei sem consequências."

"Eu apenas instrui minha filha em um assunto," Lydia respondeu calmamente, empurrando lentamente sua bandeja de pão e aveia para o lado e se levantando devagar, exibindo seu corpo curvilíneo, porém tonificado e musculoso, com seu camisão preto que mal chegava às coxas.

"E o que isso te interessa?" ela continuou, virando-se de leve para olhar Asael por cima do ombro. "Ou você ainda ama minha filha? Espero que não. Seria decepcionante, sabe, se fosse o caso, Sombra."

Asael franziu o cenho, voltando o rosto para não olhar mais para o corpo marcado e sedutor de Lydia. Então, disse: "A dor dela afetará Valentine. E isso é o que mais me importa,"

"Mas não tenho outra escolha," Lydia disse com um encolher de ombros, enquanto caminhava em direção à sua estante de espelhos, onde um monte de cartas espalhava-se ao redor.

"Nosso império passa por seca, e o Reino dos Rios tem a melhor localização geográfica no Ocidente, com rios e florestas comestíveis ao redor, tornando-se um reino auto-sustentável, completamente diferente do nosso."

"Obter o apoio deles desbloqueará rotas comerciais, permitindo que nos sustentemos, introduzindo mais transações com nosso povo e nos preparando para as batalhas que virão. É ótimo guerrear, mas sem comida para alimentar meus soldados, estou cavando minha própria morte e a deste império."

Ela pegou uma das cartas, mostrando para Asael, que não estava mais na parede, mas em pé, encarando-a.

"Esta é a carta do Rei do Rio, dizendo como seu filho mais velho gosta de Rose e de toda a conversa inútil que os nobres adoram inventar. Mas o ponto é que ele prometeu muitos benefícios para nós, se essa união acontecer."

Naquele momento, Asael estava atrás dela, os olhos fixos na dela através do espelho.

Lydia sorriu: "Então, veja bem, Sombra. É necessário fazer."

"Não é preciso," Asael respondeu, "Não preciso sacrificar Rose. Eu mesmo vou te entregar o Reino dos Rios."

Ele fixou o olhar fundo nos olhos dela: "Não é isso que você quer, não é?"

Ela apenas sorriu, virou o corpo para encará-lo, e, como eles tinham a mesma altura, ficaram frente a frente, olho no olho.

Ela deu um passo mais perto: "Estou quase com ciúmes de quão longe você está disposto a ir pela minha filha."

"Por minha filha," Asael franziu a testa.

Outro passo: "Tem certeza?" ela sussurrou, com os lábios quase se tocando aos dele.

"Ou é que você quer que eu olhe para minha neta com ciúmes?"

Naquela distância, cada uma de suas respirações se misturava de forma sensual.

"Isso não é da sua conta, Lydia," Asael respondeu com dureza, "Você quer o Reino dos Rios, eu te darei. Mas, antes de partir, eu vou eliminar todos os nossos inimigos neste império."

Lydia sorriu: "Nosso? Você realmente quer tirar meu coração, parece. Continue, você está no caminho certo."

Asael suspirou, cansado da seriedade sem graça de Lydia toda vez que ela estava com ele. Algo que ela nem com sua própria filha.

Sem querer perder mais tempo, ele deu uma última olhada no corpo dela e lentamente começou a desaparecer nas sombras abaixo dele.

"São meus inimigos porque eles ameaçarão minha filha. Nada mais, nada além disso."

"Não se esqueça disso, Lydia. É tudo por ela."

Ele fez uma pausa, e, com uma intensidade que fez Lydia sorrir com fome voraz, separou os lábios:

"Tudo."

Depois, desapareceu de vez, deixando Lydia com seu sorriso.

"Que inveja," ela sussurrou, olhando para suas cicatrizes no espelho. Levantou a mão e lentamente passou os dedos por elas.

Seu sorriso se aprofundou.

"Que inveja podre."

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