Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 329

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Passaram-se dias desde o evento naquele espaço sombrio. Dias em que Kaden e Aurora dedicaram-se a organizar tudo da melhor forma possível para se prepararem para as batalhas que estavam por vir.

A rotina de preparação era enorme, pois precisavam cuidar dos dois príncipes, da Imperatriz do Sol, do Consorte do Imperador, sem esquecer os chefes das três cidades.

A cabeça de Kaden doía profundamente, sua mente lutava para coordenar todos esses eventos e situações em algo que fosse minimamente favorável a eles.

Aurora tinha sido mais do que útil, seu conhecimento sobre a política e as tendências de cada um de seus adversários facilitando o planejamento de sua queda.

Sabedoria é poder, de fato.

Além disso, sua intuição era realmente admirável, quase equiparável à percepção transcendente de Kaden, embora distinta e única à sua maneira.

Sua intuição lhes ajudou bastante a modificar muitos planos, pois ela podia sentir quando algo estaria errado se perseguissem determinado caminho.

Mas ter tantos planos em mente não significava que Kaden negligenciasse a formação de seu domínio. Isso seria um erro. Agora mais do que nunca, ele sabia que precisava compreender completamente seu domínio.

Ele estava enfrentando Elderlings, mas ainda era apenas Mestre.

Aprendera mais sobre o Rank de Epíteto com Aurora, entendendo que o Reino do Epíteto era, simplificando, um reino onde todos os títulos obtidos desde o começo se fundiam em um só, formando um Aspecto.

Um Aspecto que poderia ser uma habilidade, uma arma, uma transformação ou qualquer coisa que refletisse quem você realmente era, pois nenhum título concedido pela Vontade era mentira. Todos mostravam sua verdadeira essência.

Sabendo disso, Kaden se perguntava qual seria seu Epíteto, mas, por ora, ele precisava primeiramente formar seu domínio.

Já não importava mais como ele se sentia ao acolher a Vacuidade dentro de si e deixá-la dominar uma parte importante de seu ser. Porque criar um domínio pode parecer simples por fora, mas por dentro é algo maravilhoso.

O tipo de domínio que você desperta influenciará profundamente tudo a seu respeito, pois ele se tornará, literalmente, parte de você.

Então, o que aconteceria se Kaden se tornasse um com a Vacuidade?

Ele não queria descobrir.

Mas precisaria, sim.


Estava ali, na sua sala no Casa Estrelabranca, com o peito nu, sentado de cruzado, de olhos fechados. Sua respiração era regular e ritmada, pulsando na mesma cadência do ar ao seu redor.

Uma névoa espessa saía de sua boca e nariz, deixando o ar à sua frente enevoado como uma neblina.

Seu foco era profundo, sua concentração inabalável enquanto tentava, repetidas vezes, mergulhar em um sentimento de vazio.

Não era fácil. Era como voluntariamente deixar uma besta devoradora entrar em você, sabendo bem que ela iriaConsumir-lhe por completo.

Porém, a Vontade de Kaden não era um conceito decorativo. Ele acreditava, sem dúvidas, que sua Vontade seria suficiente para resistir a qualquer desvantagem que seu domínio pudesse trazer.

E se não fosse…

'Ainda tenho alguns pontos de atributo sobrando.' pensou, planejando investi-los totalmente na Vontade.

Na verdade, nem esperou tanto; decidiu fazer agora, em vez de depois.

Restavam-lhe cerca de duzentos pontos, então investiu todos na Vontade, elevando-a a impressionantes 1.230 pontos de atributo.

Imediatamente sentiu a diferença. Mas, antes que pudesse se deleitar com essas sensações eufóricas…

Uma voz irritante, porém doce, ecoou de trás dele, ao mesmo tempo em que a porta de seu quarto explodia em pedaços.

Uma chuva de tábuas quebradas voou pelo cômodo.

"Meu querido cavaleiro!" Aurora exclamou com um tom animado.

As sobrancelhas de Kaden se franziram pesadamente, já esperando que a mulher se lançasse sobre ele como sempre fazia.

Porém, após alguns segundos, nada disso aconteceu. Curioso, ele virou lentamente a cabeça para olhá-la por cima do ombro.

Lá, viu seu rosto bonito e hipnotizante, seus olhos repletos de estrelas fixados intensamente nele…

'De volta?' pensou Kaden, antes de seus olhos se arregalarem em compreensão. Instantaneamente, sua costas ficou encoberta por uma névoa espessa de cor vermelha de sua intenção, ocultando sua Marca do Fardo de Aurora.

Aurora não comentou sobre o ato. Ela olhou profundamente em seus olhos vermelhos por quase um minuto tenso, então simplesmente sorriu, enquanto suas pernas se levantavam e caíam ritmicamente, seus pés fazendo suaves sons no chão de pedra, ao se aproximar lentamente de Kaden.

Ela sentou-se na cama.

Kaden, por sua vez, conseguiu vestir uma camisa branca enquanto era alvo do olhar intenso e estrelado de Aurora.

"É rude ficar encarando um homem semi-nu assim," disse, com um sorriso contorcendo seus lábios, incapaz de esconder seu descontentamento, "e ainda mais descortês entrar no quarto de um homem sem convite."

Aurora soltou uma risada. "Esta é minha casa, e você é meu cavaleiro, meu querido," ela disse levantando-se e caminhando em direção a ele como uma predadora que identifica a presa, "e estou bastante triste, sabe? Gostaria de ter visto mais de você."

Ela chegou a uma polegada dele, encostou seu rosto no dele, parando a respiração apenas a um suspiro. Seu perfume golpeou o nariz de Kaden.

Baunilha, deduziu.

Então, ele sorriu de maneira torta: "Você não tem vergonha?" sua fala carregada de um sorriso trocista, "Tenho quinze anos, Aurora."

"Em um lugar especial, isso poderia te prender. Cuidado, ok?"

O rosto de Aurora ficou inexpressivo. Ela tossiu imediatamente, sua pele marrom adquirindo uma cor estranha de vergonha.

De repente, ela recuou, dando um passo difícil.

"Ahem!" Tossiu novamente, tentando afastar o constrangimento. "Estou aqui para te passar informações e saber como estão as coisas com ela," disse, mudando de assunto rapidamente.

Kaden sorriu, deixando o tema de lado.

Ele virou-se e começou a caminhar em direção ao banheiro. Aurora seguiu sem dizer uma palavra.

Ao chegar em frente à porta, Kaden a puxou aberta, deixando Aurora ver o que havia lá dentro.

Lá, estendida suavemente no chão frio, estava o corpo inconsciente de Lady Sora.

Os olhos de Aurora se estreitaram. "Você já começou?"

Kaden balançou a cabeça. "Apenas dei uma olhada. Mas foi estranho, a mente de Lady Sora, ou pelo menos uma parte dela, parecia estar completamente bloqueada por um poder muito estranho."

Kaden franziu a testa. De alguma forma, reconhecia aquele tipo de poder, mas não se lembrava onde tinha visto antes.

Então, "Mas, felizmente, o que queremos ver não está bloqueado. Logo começarei o processo," completou, olhando para Aurora.

"A notícia que você queria entregar?" perguntou.

Aurora tirou de dentro uma carta muito bem feita, brilhando com uma luz dourada sutil. Ela abriu os lábios.

"O Príncipe Primeira foi visitar Lady Green," anunciou. "Solaris está perguntando — ou melhor, nós — sobre o progresso."

Kaden assentiu. "Entendi," disse. "Acho que é hora de conseguir um aliado."

"De preferência um aliado disposto," completou Aurora.

Eles sorriram.

Dizem que quanto mais profunda a noite, mais brilhantes as estrelas. Uma frase inspiradora que Rea distorceu: quanto maior a tristeza, mais perto de Deus você está. E isso… Rea não podia deixar de se relacionar fortemente com isso.

A vida dela tinha sido só tristeza, dor, e pouquíssima felicidade de qualquer tipo. Sua mãe morreu ao dá-la à luz, seu avô foi logo após, enterrado, a casa desmoronando em prestígio, e seu pai carregado de problemas.

E aqui estava ela, a pequena garota no meio daquele caos, destinada a levantar a casa entregando-se a um homem que nunca tinha conhecido.

Talvez por isso?

Talvez por isso essa deusa do Tristeza, assustadoramente semelhante, recusava-se a deixá-la ir?

Talvez porque sua alma exalasse um cheiro tão forte de tristeza que até os deuses desejavam prová-lo?

Ou talvez por um motivo completamente diferente?

Rea não sabia. E não se interessava em descobrir. Não mais.

A deusa tinha-se ancorado em sua mente, transformando cada sonho que ela tinha ao fechar os olhos numa batalha interminável de vontade e persistência.

Rea fazia o possível, mas sabia que estava jogando uma batalha perdida.

No entanto, Rea não entrou em pânico. O tempo de preocupações inúteis e tristezas tinha acabado.

Se a deusa gostava tanto de seus sonhos que sempre os invadia…

E se ela sacrificasse esses sonhos?

Era algo que ela quase não acreditava ser possível, mas parecia que o poder de um Discípulo era digno de louvor.

Rea sorriu com um sorriso lento e perigoso ao olhar para a manifestação do Discípulo da Perda diante dela — o olho cinza — que mais uma vez devorara uma parte de seus sonhos. Isso significava que ela também devorara uma parte da deusa que a torturava.

A primeira vez, o Discípulo da Perda estivera em êxtase, saboreando a tristeza e o medo pesados e puros dentro dos sonhos de Rea.

Ela pediu mais. Rea deu ainda mais.

Lentamente, dia após dia, o Discípulo da Perda tornou-se completamente viciado nos sonhos de Rea, mas esse era o efeito mais brando.

"Minha linda Rea! Oh, minha linda Rea! Seus sonhos! Seus sonhos são tão tristes, minha linda Rea! Ah! Eu te amo! Verdadeiramente!" ela gemeu, chorando de alegria, olhando para ela como se desejasse mais.

Rea apenas sorriu às palavras dela. Dentro de sua mente, ela sentia a influência da deusa diminuindo. Ainda presente, mas enfraquecida.

E dentro da pupila do Discípulo da Perda, ela conseguiu ver uma mancha escura. Uma mancha prestes a transbordar.

Ao perceber isso, ela abaixou a cabeça profundamente para esconder seu sorriso, então sussurrou numa voz subversiva:

"Por favor, mestre, tome mais dos meus sonhos se desejar. Sou toda sua."

"OH! MINHA LINDA REA! VOCÊ É MINHA!" ela gritou de êxtase. "VENHA! DÁ-ME TUDO!"

Rea não hesitou.

Se ela queria seus sonhos, então poderia ficar com todos eles. Sua noite talvez fosse vazia, mas isso pouco importava.

E Rea sabia que o Discípulo da Perda não conseguiria manter o controle. De alguma forma, ela era a única capaz de suportar a influência da deusa sem enlouquecer ou perder o sentido de si mesma.

Pois agora, após devorar seus sonhos novamente, o Discípulo da Perda chorava lágrimas negras, sua mente pensando apenas em Rea, numa obsessão estranha e avassaladora.

E ainda assim… o Discípulo da Tristeza não era uma entidade simples. Ao perceber seu próprio desejo avassalador e tais lágrimas negras, ela hesitou. Então, lentamente, elevou sua pupila para olhar para Rea…

Somente para descobrir que ela já segurava a lendária pedra de evolução que lhe fora dada, o sangue de Rea — e, sem que nenhum deles percebesse — as lágrimas negras de corrupção já manchavam a pedra.

A pedra começou a emitir uma luz sinistra, inexplicável.

Rea sorriu com uma expressão profunda e insana.

"Vamos ver, minha linda mestre…"

"…vamos ver qual missão eu vou receber."

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