Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 328

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Os riscos eram maiores, e o sussurrar da morte ficava mais forte e de alguma forma mais tentador.

Kaden e Aurora passaram a entender melhor o que significava desafiar o Império. Era preciso enfrentar Elderlings, seres com poderes que nenhum deles poderia sequer conceber.

Mas, se havia uma coisa que o mundo não tinha, apesar de sua miséria, era esperança. Uma coisa desagradável de sentir, mas que eles precisavam manter para seguir em frente.

Kaden e Aurora ainda tinham esperança. E essa esperança vinha unicamente de seus diferentes tipos de poder.

Aurora talvez não conseguisse ver o caminho, mas tinha outras habilidades menores que não ameaçariam sua vida. Sua primeira habilidade era intuição, mais afiada que qualquer coisa, guiada pelas próprias estrelas. Sua segunda habilidade era manipulação de luz das estrelas, uma habilidade útil principalmente durante a noite. Mas isso era mais do que suficiente, ela acreditava.

As habilidades de Kaden, por sua vez, eram muitas e variadas, cada uma capaz de virar essa situação desfavorável a seu favor, e em grande parte. Uma em particular no que se referia a esse feito era a sua Semente de Prometeu.

Kaden achava curiosa essa coincidência. Sua situação atual — desafiar um império inteiro e seres quase divinos para salvar uma mulher — era muito parecida com a história de Prometeu, se bem que ele se lembrava corretamente.

Para isso, usava esse nome como identidade na missão. Estranho, pensou.

Por um instante, seus pensamentos vagaram numa tempestade de ideias, questionando se havia alguma relação nisso tudo, ou se era apenas coincidência. A segunda hipótese era algo bastante idiota de acreditar neste mundo. Mas ele balançou a cabeça, decidindo focar na situação atual.

Pelos seus lados, estavam os corpos dos homens vestindo túnicas prateadas, agora sem máscaras, revelando homens e mulheres bonitos, na maioria idosos.

Aurora estava sentada ao seu lado, observando a mesma cena.

"Somos mais fracos do que eles," começou Kaden, "então precisamos evitar ataques frontais ao máximo."

"Verdade." Aurora concordou. "Vai usar espiões?" ela perguntou. Sua intuição atuava de forma passiva, e como ela a usava ativamente, o efeito era surpreendente.

"Similar." Kaden assentiu. "Até o monstro mais terrível se importa com algo. Pode ser uma pessoa, uma besta… ou nada além de um objeto."

"E se importar significa ter algo a perder, e isso é uma fraqueza. Seja física ou moral. E a moral é exatamente o que buscamos."

"Falar é fácil," Aurora retrucou. "Seres como Lord Silver não são crianças. Eles vivem tempo suficiente para esconder suas fraquezas com maestria."

Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.

"Mas até um leão pode faltar um dia… ou dois."

Kaden correspondeu ao sorriso dela, então olhou para os homens adormecidos à sua frente.

Eles não estavam mortos. Ainda não. Ainda tinham seus papéis a cumprir.

"Vamos ser os vermes que encontram as rachaduras na pele da cobra e rastejam por dentro," disse Kaden, virando a cabeça para encarar Aurora.

"Senhor Aurora e Senhora Amanhecer?" Aurora perguntou. "Lady Green pode ser uma aliada, se abordada com cuidado. E o Senhor Amanhecer também é bastante peculiar. Pelo que Solaris me contou uma vez, esse homem sempre tentou infiltrar-se na família real por casamento."

Ela sorriu de lado.

"E conseguiu, veja só." Aurora disse, fazendo Kaden erguer uma sobrancelha.

"Quem?"

"O Imperador. Ou melhor, o Cônjuge do Imperador. Ele é de Morningstar, mais precisamente, o pai do atual chefe Morningstar."

Aurora inclinou-se para frente. "E ouvi dizer que ele é exatamente como qualquer Morningstar."

Kaden virou a cabeça. "Quer dizer?"

"Desejado." Aurora deu uma risadinha, sarcasmo visível na voz. "E seu gosto é bastante peculiar também. Não importa se é homem ou mulher. Ele aceita tudo. E, ah! Gosta de jovens também."

Kaden sorriu de canto. "Que conveniente," ele sussurrou.

"O Império é cheio de garotos e garotas lindos."

Aurora riu.

Logo, a chama de Kaden surgiu de suas mãos e envolveu todos os homensadormecidos.

As memórias deles foram modificadas. Suas emoções manipuladas.

No final, Kaden e Aurora desapareceram do subterrâneo, tendo plantado sua primeira semente.

Logo, os homens despertaram, surpresos, descobrindo que todos estavam vivos, sem entender o que tinha acontecido para eles dormirem ali no chão.

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Desconsideraram, seguiram com sua rotina habitual, sem sentir nada de estranho, sem perceber que já não eram mais as mesmas pessoas…

…mas seres completamente diferentes, transformados por um menino de quinze anos.

"Onde ele está?" perguntou uma mulher, sua voz carregada de desprezo e repugnância, "Ainda na sua câmara, suponho."

Cabelos curtos, quase ao nível das orelhas, brilhando com um dourado intenso, parecendo líquido. Seus olhos tinham a mesma cor, dourados com um leve toque de branco, ardentes como o sol que paira acima do império durante o dia.

Ela usava uma camisola branca que parava logo acima dos joelhos, sem mangas, levemente transparente sob a luz ofuscante do cômodo dourado.

Ela era Shamsi Appolonia Asterion, a Imperatriz do Sol.

Suas palavras eram dirigidas à mulher à sua frente, vestida com o tradicional uniforme de criada, mas a presença de sua força era suficiente para fazer a maioria das casas nobres se ajoelhar de medo.

Seu cabelo branco-vermelho caía sobre o rosto, seus olhos roxos eram afiados e frios. Seu olho esquerdo estava escondido sob a franja.

Ela baixou a cabeça. "Sim, minha senhora," disse, "O Senhor Klaus está dentro de sua câmara."

"Quantos ele trouxe hoje?" perguntou Shamsi, com uma voz cortante, carregada de uma frieza que ninguém esperaria vindo de uma Imperatriz do Sol.

A criada hesitou por um momento, antes de suspirar internamente e abrir os lábios de cor vermelha. "Sete, minha senhora."

Os olhos dourado-brancos de Shamsi ficaram mortos, qualquer emoção enterrada sob sua máscara de controle absoluto… controle forte o bastante para impedir que sua raiva explodisse e destruísse o castelo em um piscar de olhos.

Ela permaneceu ali, amaldiçoando não só seu falecido pai por obrigá-la a se casar com um Morningstar, mas também a si mesma por ter aceitado isso.

Ela nem mesmo sabia como tinha conseguido suportar a visão do rosto dele ao longo de todos esses anos, muito menos criar dois filhos para ele.

A simples ideia dele tocar nela fazia seu estômago embrulhar de nojo venenoso, e uma repentina antipatia por seus próprios filhos crescia dentro do coração dela, recusando-se a ser engolida. Algo que ela sempre tentou esconder, e sempre falhava.

Somente Solaris, de alguma forma, era uma exceção, pois ela via mais do que Klaus nele.

Mas isso era tudo.

Ela não via nele o modo de agir de um imperador. Aos olhos dela, ele era apenas uma criança mimada que achava que o mundo existia para que ele fizesse o que bem entendesse. Que o mundo se curvaria por causa de seu nascimento.

Tão patético, ela pensou com desprezo.

E, no entanto, Soleil não era muito melhor. Era mais um soldado do que um imperador, com a habilidade inata de seguir ordens.

Inata? Ah, talvez não tão inata assim. Talvez alguém tivesse garantido que ele se tornasse o que é agora.

Mas ainda assim, se estivesse recebendo boas ordens, as coisas seriam diferentes. Mas quando quem sussurra no ouvido dele era um gigolô…

Então, dá para adivinhar como ele pensa e seu eventual declínio.

Nenhum dos dois filhos dela era satisfatório. Nenhum deles digno do trono pelo qual lutavam com tanta determinação.

"Como esperado," cuspou Shamsi, "Não espero nada de um pai como ele, mas eles se mostraram ainda mais decepcionantes."

A criada não respondeu. Estava acostumada ao desprezo da senhora pela própria família.

Então, repentinamente, como se uma mudança tivesse atravessado seu rosto, a expressão de Shamsi suavizou, tornando-se mais gentil.

"Onde ele está?" ela perguntou de repente. "Nada aconteceu com ele?"

"Nada, minha senhora," respondeu a criada. "Como uma boa muda, cresce forte e saudável."

Shamsi assentiu, satisfeita.

"Fique de olho nele e certifique-se de que ninguém descubra quem ele é." Ela falou com uma luz furiosa ameaçando surgir por um instante, seus olhos brilhando com um tom flamejante.

A criada fez uma reverência em sinal de reconhecimento.

Shamsi encostou-se na cama, fechando os olhos para acalmar seus pensamentos turbulentos. Sem querer, conseguia ouvir na sala atrás dela os gritos e gemidos de homens e mulheres.

Sua face se contorceu de repugnância. Suas mãos apertaram suas roupas de ambos os lados do corpo.

Ela estava ali, e seu suposto marido mantinha uma orgia bem ao seu lado. Em sua própria casa. Usando a autoridade que conquistou casando-se com ela para reunir homens e mulheres como gado.

Em momentos assim, Shamsi não conseguia deixar de desejar que sua irmã gêmea Sora tivesse se tornado a imperatriz. Às vezes, ela se permitia imaginar como sua vida teria sido.

Seria mais feliz? Estaria ao lado de quem ela realmente amava, e não desses homens inúteis que a cercavam?

Ela se perguntava.

Mas já era tarde demais.

Ela escolheu o trono, e assim deve suportar o lado negativo de ser o Sol.

E, ainda que como Sol…

Nunca permitiria que sua dignidade e orgulho fossem pisoteados sem consequências.

'Aproveite enquanto pode,' sussurrou internamente, então fechou os olhos, pensando em dormir ao som de seus próprios gemidos sendo satisfeitos como uma canção de ninar.

A criada balançou a cabeça levemente com pena e se despediu.

Não por pena da Imperatriz do Sol.

Mas por aqueles que estavam prestes a suportar a ira acumulada dela.

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