
Capítulo 335
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Ah… que cansativo.
Que porcamente cansativo.
Kaden não pôde deixar de pensar nisso enquanto se encontrava novamente nos braços da morte, de volta ao espaço infinito de escuridão, flutuando pacificamente na ausência de tudo.
Seus pensamentos estavam soltos, descontrolados. E todos eles eram raivosos e amargos.
Sua mente já estava exausta, drenada após ter sido usada para manipular uma cidade inteira. Sua Vontade não ficara melhor, mal sustentando-se devido à sua singularidade. Mas Kaden sabia que tinha abusado dela.
'Ah… estou cansado.' pensou Kaden, com esforço, percebendo que a fadiga o acompanhava mesmo após a morte.
De fato, aquilo não era o que ele esperava da morte. Mas podia compreender o motivo — sua exaustão não era física. Era mental, emocional.
Sua mente derretia. E se alguém olhasse dentro de sua cabeça, perguntaria se ele era instável mentalmente ou se era realmente mentalmente instável.
E não estaria tão errado.
Essa missão lendária o estava levando à beira de sua consciência, deixando Kaden cansado de tudo que estava acontecendo.
Desde o começo dessa missão, Kaden não fez nada além de planejar. Nada além de agir como um daqueles malditos Cerveau, que ele tanto desprezava.
Plantou espiões e usou as fraquezas dos outros para chantagear e colocá-los sob seu controle.
Agora, isso não era algo que ele particularmente se importasse. Era algo que aceitava e considerava necessário, pois somente força bruta não faria você chegar ao céu nos dias de hoje.
Mas Kaden estava cansado. Cansado de usar sua mente repetidamente para encontrar fraquezas. Cansado de manipular a mente de quem se importava para ter sucesso. E, no final, encontrar quase nada de importante.
E ah, sim… ele também estava exausto de mandar meninos e meninas à toca de uma criatura devoradora de luxúria apenas para matar a besta com mais facilidade.
Kaden nunca pensou que se importaria tanto com a desgraça de seres que não conhecia. Mas talvez fosse porque ele era a causa de todas essas desgraças que tudo pesava sobre ele.
Ele tinha apenas 15 anos. Nunca agiu como alguém de sua idade, é verdade, mas mesmo somando suas duas vidas, Kaden não cresceu em um ambiente onde seus atos fossem considerados normais.
Por isso, ele estava cansado. Verdadeiramente cansado.
E já tinha chegado ao limite.
Naquele instante, nos braços da morte, onde nada existia, onde a inexistência penetrava seu ser por completo, Kaden começou a recordar as palavras que seu pai lhe dissera uma vez.
As palavras que lhe dissera antes de retornar a Fokay, naquele dia em que reencontrou a Voz de Ouro.
As palavras do seu pai foram claras e diretas.
Ele era Kaden Warborn, e os Warborn nunca foram conhecidos por serem estrategistas, por deixarem os outros lutarem suas próprias batalhas. Kaden, claro, pensava ser uma exceção. E, de certo modo, era.
Mas às vezes… às vezes esse sentimento não podia deixar de pulsar dentro de seu sangue como um veneno sanguinolento.
Esse sentimento que fazia de toda sua família os monstros que eram. Essa sensação que os transformava em seres sedentos por batalha, que nunca recuavam de um desafio, que buscavam sempre o melhor oponente para lutar e se temperar.
Todos os consideravam idiotas por causa disso, e mesmo assim nenhum ousaria dizer que poderiam vencer um Warborn numa luta direta.
Pois, simplesmente, eles eram Herdeiros da Guerra. A guerra pulsava em seus corações assim como o sangue.
E Kaden era algo mais. Além da Guerra, ele também era o Herdeiro da Morte.
E ele estava cansado. Cansado de planejar.
Não sabia que artefato era aquele que o tornava completamente inútil. Artefato divino ou não, Kaden já não dava a mínima para porra nenhuma.
Essa missão estava consumindo ele mais do que esperava, e sua paciência se esgotara.
"Quantas moedas?" Kaden perguntou roucamente, sua voz trazendo o uivo de uma fera prestes a ser libertada.
[35.000] Respondeu a Morte.
[Pontos adicionais foram concedidos por transformar uma missão mítica com sua Vontade. Foi um feito digno.]
Kaden ouviu apenas o número de moedas, depois, lentamente,
"Me dê o status de inteligência dele", ordenou, "Preciso para o meu domínio. Ainda estou sem entendimento suficiente."
[Entendido.]
O efeito foi imediato.
[Você obteve 300 pontos de inteligência.]
[A que momento deseja retornar?] Perguntou a Morte mais uma vez.
"No instante em que pus o pé dentro de Silver City. E me reviva, Morte."
[Conforme sua vontade, Herdeiro da Morte.]
[Custo: 2.000 moedas de morte.]
Tick—!
Instantaneamente, Kaden voltou à vida e o mundo retrocedeu ao momento em que entrou em Silver City pela primeira vez.
Dessa vez, ele não tentou furtivamente invadir o castelo do Lorde Silver com seus espiões para descobrir a fraqueza de Lord Silver, que agora sabia ser aquele artefato estranho.
Não, desta vez ele simplesmente percorreu as ruas da cidade e ficou em seu centro, onde havia uma estátua de uma espécie de besta alada, segurando Reditha na mão direita.
Ele ergueu lentamente a cabeça e olhou para o céu acima, os lábios formando um sorriso. Um sorriso que se dá quando de repente se é liberto de algo irritante.
As pessoas ao redor começaram a notá-lo.
"Ah, Kaden, estamos finalmente cansados de agir de uma forma que não somos?" sussurrou Reditha, que apareceu atrás dele mais uma vez, envolvendo os braços ao redor do pescoço de Kaden com um sorriso lunático.
Cabelos vermelhos caíam sobre o rosto de Kaden.
Sem dizer palavra, Kaden levantou Reditha aos céus, depois virou a mão de modo que a ponta dela ficasse apontada para baixo e a fincou no chão.
Instantaneamente, um terremoto ensurdecedor abalou toda a cidade, como se o solo estivesse se movimentando e se dobrando sobre si mesmo. Gritos penetrantes ecoaram por toda parte e sufocaram o ar.
Os guardas logo foram alertados.
Kaden abriu os lábios, seu rosto agora encoberto pelo fogo,
"Sou Prometeu", sua voz ecoou por toda a cidade como uma voz divina descendo dos Céus, "venho atacar esta cidade, e temo que não terei misericórdia daqueles que decidirem ficar aqui nos próximos segundos."
"Tomem isto como minha última misericórdia e abandonem esta cidade."
Suas palavras vieram acompanhadas de manipulação mental, fazendo com que a maioria das pessoas corresse imediatamente para longe.
Logo, Kaden estava cercado por inimigos de todos os lados, com o próprio Lorde Silver aparecendo no céu, acima dele, com sua rapieira prateada na cintura, olhando para ele como um deus que observa um mortal sujo.
Kaden sorriu de canto, pulsando um instante após, uma luz negra e carmesim se partiu na realidade como trovões estilhaçando, obscurecendo todo o céu de Silver City, deixando tudo tingido de vermelho e preto.
Seus olhos carmesim assumiram a forma de lâmina e, na testa, um oceano negro girava com efeitos sinistros.
Olha calmamente para seus inimigos, com Reditha rindo atrás dele como uma deusa louca, Kaden falou:
"Vamos começar, vadias."
Naquele dia, Kaden faria jus ao seu sangue.
Aquele dia, Kaden Warborn seria um verdadeiro Warborn.
E assim…
Kaden enfrentou sozinho uma cidade inteira.
…
Enquanto isso, na Imagem Celestial, em um quarto pertencente a um casal…
"Q-Que você está fazendo?" Estelle respirou, com a voz trêmula de raiva ao olhar para o bêbado Cavaleiro Tib.
Seu rosto estava vermelho, olhos semi-cerrados, a boca curvada em um sorriso cruel e lascivo, "Você é meu marido. Um marido vagabundo, mas bom em agradar homens." Ele rosnou, segurando os braços de Estelle com um braço musculoso, enquanto o outro levava às roupas dela.
Os olhos de Estelle se arregalaram.
RIPPP—!
O Cavaleiro Tib rasgou as roupas dela. Uma vez. Duas vezes. Três vezes. Na quarta, nada restava do corpo pálido e machucado de Estelle.
Ela gritou de terror absoluto, lutando com toda a força que tinha para escapar do abraço dele, mas sem sucesso. Sua luta só fez o Cavaleiro Tib ficar ainda mais excitado por motivos repugnantes.
Ele a jogou sem piedade na cama, sua cabeça batendo contra o cabeceira de madeira com um som surdo. Ela chorou. O Cavaleiro Tib riu.
Depois, tirou as roupas até ficar completamente nu, aproximando-se lentamente da cama, olhando para o corpo de Estelle com olhos famintos e loucos.
"Sei porque todos os homens adoram você." Ele grunhiu, "Que corpo digno de uma prostituta."
Sem esperar, usou todo o peso e prendeu Estelle na cama, fazendo-a sufocar com seu próprio ar. Ela rangeu os dentes e cuspiu no rosto dele com raiva ardente.
Ele riu alto, lambeu a baba, então segurou o rosto de Estelle, abriu sua boca forçosamente enquanto ela lutava desesperadamente, e colocou sua boca sobre a dela, ao mesmo tempo tentando forçar seu membro em sua parte íntima.
Mas nada aconteceu.
Como se um interruptor tivesse sido ligado, os olhos de Estelle perderam todo medo, ficando tão frios quanto a própria morte. Uma chama negra brilhou dentro de suas pupilas, e logo…
"Cinzas…" ela murmurou dentro da boca do Cavaleiro Tib, e então cuspiu toda a sua chama negra diretamente em seu corpo, lançando-a pela boca como uma maldição do abismo.
"AAARGHHHHHHHH!" O grito do Cavaleiro Tib foi instantâneo e bestial. Ele tentou se levantar imediatamente, escapar de Estelle. Mas ela o segurou firmemente e queimou-se com fogo negro ainda mais forte, junto dele, como se ambos fossem um casal ardente na heresia.
O Cavaleiro Tib continuou a gritar, a se debater loucamente. Bateu novamente no rosto de Estelle, deixando-a toda sangrando, mas ela apenas murmurava Cinzas repetidamente, sem soltar a força.
Logo, a garganta do Cavaleiro Tib derreteu.
Ninguém conseguiu ouvir sua voz.
Assim, ninguém ouviu a dor que ele passou enquanto tudo dentro dele era devorado pelo fogo negro, deixando apenas cinzas em seu rastro.
O fogo retornou a Estelle, protegendo-a e dando-lhe tudo que havia tomado do Cavaleiro Tib.
Tudo.
Tudo, exceto sua inocência.
…
Em outro lugar, nas profundezas do Castelo Real, dentro de uma sala cheia de seres, jovens e velhos, homens e mulheres, um homem de cerca de trinta anos estava cercado por todos eles.
Eles estavam nus, seus corpos reluzindo com uma substância branca.
O homem — Klaus Morningstar Asterion, alto, com ombros largos e os traços característicos de um Asterion, embora seu tom dourado fosse bem menos radiante — olhava para a mulher ajoelhada à sua frente, na sua direção.
"Chupe isso." Ele rosnou, com uma lascívia semelhante a um demônio de luxúria, segurando seus cabelos azuis com força, forçando-a a obedecer à sua ordem.
A mulher não ouviu, seus olhos azuis cheios de indignação ao pensar em chupar aquela coisa nojenta que tinha sido inserida nas bocas de todos ali.
Mas a paciência de Klaus era curta, e ele não gostava de ser desobedecido na frente de seus brinquedos.
Então, com raiva pulsando, ele agarrou Neila — amante de Solaris — e a lançou com crueldade e força surpreendentes contra uma prateleira próxima, fazendo sua testa bater com violência no canto afiado da mesa.
Sua boca se abriu num eco de agonia, sua testa se rasgou instantaneamente, sangue escorrendo como uma enxurrada, lágrimas caindo de seus olhos.
Klaus nem a olhou. Maldisse-a como uma boneca defeituosa e imediatamente ordenou que outra mulher chupasse seu membro.
Ela obedeceu prontamente, até com carinho.
Enquanto isso, Neila jazia no chão, chorando. Tocou sua testa, os dedos pintados de vermelho. Aflita, gemeu ainda mais forte, com medo do que Solaris faria ao ver seu rosto.
Sabendo que, sendo uma Desperdiçada, essa ferida deixaria uma cicatriz.
Uma cicatriz profunda e feia.
Que jamais desapareceria.
—Fim do Capítulo 335—