
Capítulo 334
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Para não chamar muita atenção para ele, o Príncipe Primeiro Soleil trouxe apenas seu maior cavaleiro, um cavaleiro de nível semelhante ao dele, embora menos poderoso por ter uma linhagem inferior e intenções mais fracas.
Assim era com ele — o Cavaleiro Marcus, assim chamado — que acompanhava a Lady Green em direção a uma pequena cidade chamada Leaf Town, uma localidade sob a administração de Green City, onde eles deveriam encontrar Aurora.
A viagem foi rápida, já que as duas cidades não ficavam muito distantes, e com seu nível de poder, essa simples distância poderia ser atravessada em um suspiro.
Logo, cerca de trinta minutos após a partida, o trio já se encontrava dentro da cidade, passeando calmamente entre as pessoas, vestidos como peças comuns.
"Esqueci de perguntar," Soleil pigarreou enquanto recolocava a camisa esfarrapada, "como essa informação chegou até você?" ele exigiu, suas pernas os conduzindo ao local onde Aurora deveria estar, sua mente já pensando em como deveria matá-la.
O Cavaleiro Marcus caminhava ao lado de seu senhor à sua direita, com a face contorcida em uma carranca apertada. Ele não sabia por quê, mas tinha uma sensação ruim desde o momento em que seu príncipe lhe contou a notícia; essa sensação piorou ainda mais no instante em que pisaram nesta cidade.
Ele moveu os olhos negros dentro das órbitas, observando os povos comuns, as casas de pedra e madeira, os comerciantes, as crianças brincando, as mães gritando, os guardas dando ordens…
…tudo parecia como qualquer cidade normal.
No entanto, o Cavaleiro Marcus sentia suas entranhas se retorcendo, como se algo estivesse apertando seu interior, sufocando sua respiração de dentro para fora.
Algo se armava. E o cheiro era腐朽.
Pelo menos, seus sentidos lhe diziam isso. E toda vez que ouvia a doce voz da Lady Green… essa sensação se intensificava ainda mais.
Sem dúvida,
“Estamos esquecendo de alguma coisa,” rosnou internamente, seu bigode branco com manchas negras tremendo, “algo vital.”
Seus punhos se fecharam instintivamente ao redor de um par de adagas na cintura.
"Ah, como eu posso saber?" Lady Green ecoou a pergunta de Soleil, trazendo Marcus de volta ao foco. "Tenho minhas cidades sob controle rigoroso. Logo, sei exatamente quem entra e quem não entra. Especialmente se Leaf Town for pequena, raramente você notará visitantes. E…"
Ela sorriu e apontou para seus olhos cor-de-rosa, "…sem esquecer meu dom único de perceber e reconhecer facilmente a mana de outras pessoas."
Seus passos eram tranquilos e silenciosos, os sons sendo engolidos pelo silêncio da cidade. Aos poucos, aproximavam-se de um amplo prédio que parecia uma pousada, no final da rua.
Ao ouvir suas palavras, Soleil apenas pigarreou em aprovação, vendo lógica nelas. Olhou mais uma vez para o rosto dela, mais precisamente para as orelhas, e percebeu que não tinham o mesmo comprimento que as humanas comuns.
Elas eram mais pontiagudas e alongadas, embora não tanto quanto as dos elfos. Mas esse traço revelava sua verdadeira natureza.
Lady Green era uma semi-elfa, como todos os seus antepassados. E esses povos eram conhecidos por sua sensibilidade incrível à mana.
Ele assentiu novamente. Contudo, Lady Green não havia terminado: assim que chegaram à porta de madeira do pouso verde-preto, ela partiu os lábios mais uma vez,
"E sim, ela não estava sozinha," murmurou. "Estava com uma criatura que… parecia mais morta do que viva. Os guardas disseram que parecia que sua boca tinha sido costurada fechada."
Ela terminou de falar exatamente quando a porta se abriu de repente, revelando o interior da pousada.
Lá dentro, dezenas de seres estavam espalhados ao redor de mesas, comendo, bebendo e conversando tranquilamente, entre vinho e comida.
A atmosfera era animada e pacífica, repleta de brincadeiras amistosas. E isso persistiu mesmo após a chegada do trio.
Mais uma vez, o Cavaleiro Marcus sentiu que algo estava muito errado. Seu corpo tremia inconscientemente, como se algo frio e estranho estivesse se infiltrando em sua mente.
Enquanto isso, Soleil fixava seus olhos em um par que se encontrava no canto distante, à direita da pousada, com os rostos encapuzados.
Seus olhos dourados ficaram frios, captando a aura única de um Nascido das Estrelas, sua própria linhagem pulsando, mas também a mesma sensação que sentiu nas criaturas sob o comando do Lorde Silver.
Isso só podia significar uma coisa: Aurora tinha trilhado um caminho suficiente para descobrir as atividades do Lorde Silver.
Conforme esses pensamentos se consolidavam na mente dele, Soleil virou abruptamente a cabeça para a Lady Green, seu corpo já se desfocando, o espaço ao redor se dobrando sobre si mesmo.
"Perdoe-me, Lady Green, mas não estou interessado em me preocupar com a vida dessas pessoas ao redor," ele rosnou, fazendo os clientes da pousada olharem para eles, "Salvem-nas, antes que se transformem em cinzas douradas."
Antes que suas palavras ecoassem, ele já pairava sobre os dois encapuzados, com a palma da mão direita iluminada por uma luz dourada e colorida, impedindo-o de ouvir a resposta de Lady Green.
"Ah, perdoe também, Milord."
Os olhos dela se estreitaram em pura maldade enquanto ela virou a cabeça em direção ao Cavaleiro Marcus, cujas adagas já estavam em suas mãos, a face carregada de apreensão desconhecida.
A mão de Lady Green se movimentou como um chicote venenoso e segurou seu pescoço num piscar de olhos. O Cavaleiro Marcus berrou de surpresa, apertando ainda mais suas adagas, que balançou na direção de Lady Green.
Porém, antes que pudesse concluir seu golpe, Lady Green puxou-o violentamente para si, sua testa se cristalizando em um diamante brilhante de cor verde, e lhe deu uma cabeçada estrondosa, causando um som de estalo sinistro, seguido pelo crânio do Cavaleiro escorrendo sangue carmesim.
Lady Green virou a cabeça para trás, os fios verdes balançando selvagemente, e riu.
Enquanto isso, as pessoas na pousada tinham rostos mortos, inquietamente vazios, olhando para a cena com uma calma arrepiante, sem demonstrar emoções.
Soleil já percebia que algo não estava certo, quando sua mão envolveu o pescoço de uma das criaturas encapuzadas e puxou o capuz, revelando o belo rosto marrom, com sardas, de Aurora.
Seu coração pulou uma batida involuntária diante de sua beleza, sentimentos enterrados surgindo de dentro do peito, mas tudo isso se transformou em pavor visceral quando, ao canto do olho, viu o Cavaleiro Marcus deJoelhos, com a cabeça escorrendo sangue grosso, Lady Green rindo maniacalmente ao seu lado e…
"O quê?" Sentiu vontade instinctiva de recuar, mas se viu incapaz.
Aurora sorriu afiadamente.
"Ah, e você ainda se chama príncipe?" Ela afastou a mão do pescoço dele. "Querendo ser imperador, não é? Então, podemos bem deixar nossos inimigos nos conquistar." Sua voz carregava desprezo, cada palavra fazendo Soleil perceber, de forma arrepiante, que nada poderia fazer contra ela.
Seu corpo ficou paralisado, como se não lhe pertencesse mais… como se fosse…
"Escravo." Lady Green gargalhou atrás dele, seus fios verdes balançando com a cabeça.
"Esqueceu seu juramento, garotinho? Nunca deve trair um aliado. E atacar alguém com intenção de matar é…"
A Aurora se levantou lentamente da cadeira e sussurrou em seu ouvido,
"…traí-lo, querido príncipe."
Outro ser encapuzado, diante de Aurora, retirou o capuz, revelando um humano comum, sem marcas de doundou, mas com o mesmo rosto vazio de todos os demais ao redor.
Naquele instante, Soleil percebeu, de forma assustadora, que havia sido enganado. Uma raiva profunda e fervente começou a ferver dentro dele, tão intensa que, se estivesse fora de controle, poderia colocar toda a cidade em chamas que atingiriam o céu.
Ele olhou para Lady Green com um ódio puro demais para ser algo recém-nascido: "Você me traiu," disse entre os dentes cerrados, "ousou me trair!" gritou.
Porém, lentamente, Lady Green caminhou atrás do Cavaleiro Marcus ainda vivo, colocou as mãos em ambos os lados da cabeça dele e, sorrindo amplamente, dirigiu-se a Soleil,
"Eu nunca traí você," e torceu completamente a cabeça de Marcus em 360 graus.
"Prin—!"
SPLASH—!
Um baque.
Crac.
"Era com Lady Aurora e Lorde Prometeu desde o começo." Ela sorriu. "Na verdade, desde que você ousou me desprezar e disse que iria se casar comigo, como se fosse uma honra."
"Depois de toda aquela semana esperando minha resposta…"
A Aurora começou a se afastar lentamente, Soleil a seguindo como um cachorro ao dono, sem querer,
"…porque ela estava conosco," continuou Aurora, repetindo as palavras de Lady Green, "discutindo como fazer do Príncipe Primeiro do Império Celestial um escravo. E agora…"
A Aurora saiu da pousada. Lá fora, todas as pessoas tinham o rosto vazio, olhando para elas de forma assustadora e sem emoções.
Soleil tremeu ao ver aquilo.
"Não podemos deixar vestígios disso, certo?" Aurora sussurrou.
"Lorde Prometeu é realmente assustador," Lady Green sorriu ferozmente. "Imaginar que ele possa manipular a mente de toda essa cidade. Quão alto é o poder de sua Vontade?"
A Aurora sorriu de forma desafiadora. "Bastante alta para convencer você a ser sua agente, com a Semente da Floresta como troca." Seu sorriso ficou amoroso. "Alta o suficiente para ir contra um império inteiro por mim."
Depois, ela se virou, olhando para Soleil com desprezo e desdém,
"Alto o suficiente para estar ali, naquele momento, sozinho com um Elderling, tentando derrubá-lo."
Nesse momento, Soleil virou a cabeça na direção dela, chocado ao ouvir tais palavras. Elderling? Quem ousaria afrontar um ser assim?
Até Lady Green tinha um sorriso contido. Ela mesma conhecia o horror de um Elderling. Afinal, ela mesma estava a apenas dois por cento de sua compreensão da divindade de atingir esse estágio.
E, mesmo sem alcançá-lo, ela poderia matar dezenas de seres do Reino do Epíteto se estivesse séria. Então…
"Ele vai ficar bem?" ela perguntou. Não por preocupação com ele, mas pelo Semente da Floresta que prometeu entregar, pois precisaria dela para preencher a lacuna em sua compreensão da divindade e se tornar uma Elderling.
E ela já tinha traído um príncipe; precisava daquela semente, senão as coisas ficariam complicadas.
Ao ouvir sua pergunta, Aurora sorriu com confiança e começou a se afastar. "Não tenho dúvidas sobre ele," ela disse. "Vamos. Em dois minutos, as mentes dessas pessoas voltarão ao normal. Precisamos desaparecer antes disso."
Então, com Lady Green segurando o pescoço de Soleil num sorriso zombeteiro e o corpo cambaleante do Cavaleiro Marcus, ela desapareceu junto com Aurora.