Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 321

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Kaden permaneceu em silêncio diante da revelação, sua mente ainda abalada pelas palavras que Aurora acabara de pronunciar, inúmeras ideias bailando descontroladamente dentro de sua cabeça.

Um escravo? Um Asterion escravo de outro Asterion?

"Como isso é possível?"—escapou-lhe, a voz carregada de descrença, as sobrancelhas profundamente franzidas. Ele se aproximou de Aurora e se sentou diante dela numa cadeira formada de sangue condensado, de repente sentindo-se pesado demais para ficar de pé.

Aurora se inclinou para frente, segurando sua mão direita e brincando distraidamente com seus dedos, sua voz suave ao ecoar,

"Lady Sora fez algo considerado humilhante e inaceitável para os Asterion na juventude dela," revelou Aurora.

A expressão de Kaden se aprofundou. "Não me diga que tem relação com a sua criação de música? Não pode ser isso, de jeito nenhum. Seria demais para acreditar!"

Aurora soltou uma risada sem humor. "Você já não conhece eles o suficiente?" ela sussurrou, os dedos passando pela suavidade da palma da sua mão. "Os Asterion acham que estão acima de todos, até acima de nós, os Nascidos das Estrelas e das Luas, apesar de compartilharmos as mesmas raízes."

Ela lentamente levantou os olhos para encontrarem os dele, um sorriso fraco curvando seus lábios. "Se o filho dela está disposto a me matar por um objetivo, ela certamente pode amaldiçoar e escravizar a própria irmã para apaziguar a ira dos nobres insatisfeitos."

"Não pode ser só isso,"—Kaden tentou contestar.

"Claro que não," Aurora concordou. "Ela fez isso para garantir que sua posição permanecesse inquestionável."

"Você talvez não conheça as tradições dos Asterion, então deixe-me explicar," ela disse, entrelaçando seus dedos com os dele. Seus lábios se curvando para cima antes de continuar, "Os Asterion são uma família que pode casar com qualquer pessoa de fora de sua linhagem e ainda assim fazer com que carreguem a descendência deles."

Kaden inclinou a cabeça, a confusão e o choque claramente estampados no rosto. "O quê?"

Aurora prosseguiu, "Eles possuem um ritual ancestral que transforma uma pessoa comum em alguém portador do sangue deles. É assim que garantem que só nasçam Filhos do Sol, e por isso, não importa quem vença suas disputas pelo trono, sempre um Sol governará o império."

"E mais, Fraud, por que eles são proibidos de se casar com uma Regaluna ou uma Lua? O ritual não funciona conosco. Nossos sangue são iguais aos deles, provenientes das mesmas raízes. Se algum dia nos integrassem, um Lua ou uma Estrela poderia governar o império ao invés deles."

Ela não pôde evitar uma risada amarga. "Como fui cega por não perceber a falha na promessa de Solaris de se casar comigo?"

Kaden ouvia em silêncio, as novas informações encaixando peças na sua mente.

Era isso então.

Aquele homem, Luminary, tinha desafiado as regras ancestrais deles.

Mas ainda assim…

"Por quê?"—ele questionou. "Por que o Sol deve governar?"

Aurora deu de ombros. "Dizem que foi a instrução de Vesper Asterion, o Conhecedor de Estrelas," ela sussurrou. "Ele deve ter visto alguma coisa nas estrelas que o levou a permitir que apenas os Asterion mantenham o trono. Então, obedecemos, embora nunca tenhamos entendido por quê, ou se aquela visão realmente foi verdadeira."

"Pelo que sabemos, os Asterion criaram o mito para manter o trono só para si. Mas não podemos ter certeza."

De certa forma, era até engraçado.

Mas era como as coisas eram.

Era tolice acreditar que é preciso entender algo para ser afetado por isso. Ainda mais tolice acreditar que algo precisa ser real para influenciar você.

'Bem, algo não precisa ser real para sway as pessoas. Basta que seja acreditado por um número suficiente de pessoas,' Aurora sussurrou por dentro, depois continuou em voz alta.

"Como eu disse, os Asterion tinham apenas duas filhas, a atual Imperatriz do Sol e Lady Sora. A disputa pelo trono era entre elas, então a Imperatriz do Sol fez tudo que pôde para esmagar sua rival, mesmo que essa rival fosse sua própria irmã."—ela concluiu, aprofundando a compreensão de Kaden.

Ele assentiu lentamente, revendo tudo o que tinha acabado de ouvir, e então perguntou: "É só isso que sabemos sobre ela?" Ainda pensando em Lady Sora, na horrível realidade de que ela era, de certo modo, escrava da própria irmã.

Aurora suspirou e acenou com a cabeça. "Um ser como ela nunca se revelaria para ninguém, nem mesmo para o próprio filho," ela disse. "Mas temos uma pista." Ela olhou para ele, Kaden percebendo a intenção na sua expressão.

Ele franziu a testa levemente.

"Talvez você não goste da ideia," Aurora disse, apertando sua mão com mais força, "mas Lady Sora é o nosso caminho até a Imperatriz do Sol."

"Isso não significa necessariamente que precisemos machucá-la." Ela se inclinou, apoiando o queixo no ombro esquerdo dele. "Significa que precisamos ser cuidadosos e astutos o bastante para usar o relacionamento dela com a Imperatriz do Sol a nosso favor."

"Não perca de vista nossos objetivos, Fraud," Aurora sussurrou.

"Consegue imaginar?"—a voz dela ficou fria, e o corpo tremeu silenciosamente de fúria. "Perdi anos da minha vida, tenho apenas duas para viver, por causa das maquinações dos Asterion. Não sou a única. Meus pais morreram por causa deles. E Lady Sora está nessa situação por causa deles."

Ela fez uma pausa para se recompor.

"Eu quero os Asterion derrotados, Fraud. E você quer a mesma coisa que eu, não quer?"

Kaden assentiu e sorriu de leve. "Sim, quero."

"Então, está pronto?"

"Tenho que estar."

Aurora sorriu e o abraçou, a bravata desfeita, revelando a jovem frágil e determinada que ela se tornou.

"Vamos conseguir?"—ela respirou, ciente de toda a insanidade do plano. Estavam prestes a agir contra um império inteiro, e ela ia trair sua própria família, algo que Aurora nunca imaginara.

Acreditava que deveria morrer pelo que lhe deram de amor, mas só depois percebeu que tudo tinha sido uma mentira.

Então, ela lutaria. Desejava vingança contra os Asterion.

Diziam que o desejo de vingança envenena a alma.

Os braços de Aurora se apertaram ao redor de Kaden. 'Então, que minha alma seja veneno,' ela sussurrou froidamente.

Kaden sentiu a turbulência dela e sorriu fracamente, achando que, enfim, era hora de enlouquecer.

"Não se preocupe," disse ele. "Vai dar tudo certo."

Se as coisas dessem errado, sempre poderiam recomeçar.

Depois de tudo…

"Já te disse, manter-me morto é algo que até os deuses teriam que suar para conseguir."

Aurora riu da arrogância dele, e, paradoxalmente, aquela arrogância a fez sentir-se estranhamente segura.

"Nosso primeiro alvo?"—perguntou Aurora de brincadeira.

Sorriso de Kaden se ampliou.

"Temos uma pendência com Lorde Silver, não é?"

Fokay — Asterion, Mercador do Mercado.

Nihilia Ra Smith.

Nome completo dela. Desde quando alguém a chamava assim? Ou melhor, desde quando ela mesma ousou pronunciá-lo?

Ah… ela sabia exatamente quando. Foi naquele dia… o dia em que jurou por A Vontade se tornar escrava de Mahina Moonborn.

Desde então, a Velha Smith proibira-se de dizer seu nome, como se, ao não fazê-lo, pudesse de alguma forma — por um milagre — esquecer a verdade de que agora ela era propriedade de outra.

Propriedade de alguém cujo coração era frio para tudo e todos, exceto para sua própria família. Alguém que não se importava com o quanto você sangrava, quanto sofria, ou quanto chorava, contanto que o trabalho fosse feito exatamente como ordenado.

Sim, ela queria esquecer. Porque esquecer era muito mais fácil do que viver com o peso de ser uma escrava.

Mas até o esquecimento era uma misericórdia que uma desertora como ela não merecia.

Ela abaixou a cabeça, olhando para a parede do lado direito do seu quarto. Atrás dela, permaneciam Silenciosamente o Antropólogo e a Abominação, ainda esperando que ela os conduzisse até Dain.

Ela não sabia ao certo o que estava fazendo. Não sabia o que aconteceria se esses monstros encontrassem Dain. Mas, apesar de gostar do rapaz, ela ainda não desejava morrer.

Havia demais a fazer. Demais pecados a serem expiados antes que pudesse permitir que alguém — ou algo — reivindicasse sua vida.

Sua vida não era só dela. Então, ela não podia entregá-la enquanto suas tarefas não estivessem completas.

Que fosse uma escrava. Que fosse nada mais do que uma ferreira olhada de lado por outros.

Mas ela precisava de sua vida.

Seu pulso subiu até a garganta ao pressionar sua mão direita ensanguentada contra a parede. Uma runa acendeu-se — amarela — pulsou uma, duas vezes. No terceiro pulso, uma luz dourada cegante se espalhou pelo cômodo, seguida pela parede que se abriu como uma cortina.

Um caminho revelou-se, uma passagem subterrânea coberta por sombras inquietas.

Old Smith virou a cabeça, assentindo firmemente aos dois seres atrás dela antes de dar passos lentos além do limiar.

"A-Atenção,"—sussurrou, a voz trêmula. "A Imperatriz deixou a sua intenção aqui para ver quem entra e quem não entra."

Porém, os membros do Véu Carmesim estavam preparados.

Vantagem de ter um Vidente.

Eles ativaram um artefato em forma de anel, e, com seu poder combinado e sua intenção amplificando o efeito, passaram facilmente pela vontade residual de Mahina.

Old Smith ficou ainda mais apavorada, percebendo com uma clareza arrepiante que eles pareciam saber de tudo.

Sem dizer uma palavra, conduziu-os mais fundo nas sombras. Quanto mais avançavam, mais a temperatura aumentava, de forma quase insuportável, e o som de martelos batendo no aço ressoava ao redor deles, ritmado e afiado, como uma música forjada no fogo.

Curiosos, eles continuaram descendo por vários minutos, escalando uma escada até chegar a um chão sólido. Naquele momento, o calor era tão intenso que derreteria os ossos de qualquer ser de nível Intermediário num instantâneo.

Até o Antropólogo, com seu corpo naturalmente rochoso, achou o ambiente insuportável, sua expressão de pedra se contorcendo numa raríssima carranca.

Porém, toda aquela aflição foi esquecida quando seus olhos finalmente captaram a cena à sua frente. Instintivamente, seus corações congelaram com a visão terrível.

A alguns metros à frente, cercado por uma zona de fogo derretente, estava um homem, com cerca de dois metros de altura, sua estrutura imensa e poderosa — embora apenas o eco disso permanecesse.

Todo o corpo dele estava consumido por chamas douradas e amareladas, tão ardentes que sua carne se derreteu totalmente, deixando ao redor ossos vermelhos em chamas, veidados por rachaduras, cada fissura exalando vapor espesso e silvante.

Seus cabelos não eram mais cabelos, mas uma torrente de fogo dourado e amarelo em combate violento.

A pele do rosto dele estava metade derretida, metade intacta, parecendo uma fusão grotesca de carne, osso e fogo.

Parecia uma divindade furiosa do fogo, os olhos lançando luz fundida, a boca exalando infernos condensados.

Na sua mão direita, ele segurava um martelo colossal, usado e gasta, mantido unido por pura força de vontade, a boca e os olhos ardendo com chama divina.

E, então, o martelo caiu.

"HAHAHAHAHA!!" — o jovem riu de forma insana, enquanto seu corpo lentamente se transformava em cinzas.

"VAMOS VER, GRIFFIN! VAMOS VER quem irá prevalecer!"—ele rugiu, baixando novamente o martelo com precisão aterradora.

O griffin piou, seu grito cortante de raiva e dor, suas garras ardendo com fúria dourada enquanto atacava. "EU VOU TE MATAR, DAIN! EU VOU TE MATAR, DAIN WARBORN!"

Old Smith, o Antropólogo e a Abominação assistiram, boquiabertos, à cena impossível.

Como um ser apenas de nível Grandmaster conseguia resistir à vontade de um artefato mítico, banhado na luz de um deus?

Será que esse homem realmente…?

O homem, Dain Warlord — Primeiro daquela linhagem, irmão mais velho de Daela e Kaden Warlord — só riu ainda mais das ameaças do griffin.

Ele ergueu seu martelo fragmentado, mantido unido por pura determinação, sua boca e olhos em chamas divinas.

Então, o martelo caiu.

"HAHAHAHAHAHA!!"

CLANK—!

—Fim do Capítulo 321—

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