Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 320

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Solaris observava Aurora saindo da sala, com todo o rosto coberto, exceto pela boca, de marcas vermelhas em forma de lábios.

Aurora parou no limiar da porta, depois virou a cabeça para olhá-lo por cima do ombro. "Quando poderei te ver novamente, meu príncipe?" Sua voz era fraca e suave, como se estivesse lutando contra as lágrimas.

E parecia provável, pois seus olhos brilhavam com lágrimas que se acumulavam naquela íris de estrelas, que pareciam grupos de estrelas em si mesmas.

Solaris sorriu como de costume, sua voz ressoando diretamente em sua mente. "Em breve, minha querida. Dei a você tudo que sei sobre minha mãe, e darei mais se conseguir descobrir outras informações."

"Agora, a sua vez." O sorriso dele se alargou, os olhos dourados brilhando intensamente. "Nosso futuro juntos depende de você."

O rosto de Aurora se endureceu, tornando-se o epítome da determinação. Ela levantou a mão, enxugou rapidamente as lágrimas e acenou para Solaris. "Não descansarei, meu príncipe, até o dia em que a própria noite seja nosso cobertor," ela disse, com um tom que carregava uma nota rara de seriedade.

Solaris sorriu, satisfeito. "Então, vou preparar a cama."

Aurora sorriu suavemente, finalmente virou-se e saiu da sala, fechando a porta ao seu lado com um suave clique, quase inaudível.

Silêncio invadiu o ambiente.

Solaris permaneceu imóvel, seu olhar fixo na porta por alguns momentos, seu cérebro revivendo sua conversa com Aurora em fragmentos desordenados antes que seus sentidos retornassem ao presente, quando sentiu que um par de braços o envolvia por trás.

Sorrindo, desta vez, não era o sorriso frio e venenoso que reservava para seu irmão, nem o sorriso tenso e enganador que usava diante de Aurora.

Era um sorriso genuíno, nascido de afeição, uma sensação que ninguém que realmente o conhecesse jamais acreditaria que ele possuía.

"Ah? Com ciúmes, minha querida?" ele provocou a mulher atrás dele, segurando suavemente suas mãos com as próprias.

A mulher tinha cabelos azuis e olhos azuis frios, quase apáticos, mas dentro daquela calma mortal ardia um calor inconfundível sempre que seus olhos encontravam os olhos negros de Solaris.

Ela resmungou com suas palavras. "Não me chame do mesmo nome que você chamou ela, idiota," disse, dando um soco brincalhão nas costas dele. Solaris fingiu um "ai" exagerado e riu.

Ele virou-se para encará-la, seu olhar amolecendo ainda mais.

Aurora poderia ser mais bonita pelos padrões do mundo, mas para ele, a mulher diante dele possuía uma beleza que transcendia o físico.

A mulher, Neila, levantou uma mão com um guardanapo azul e começou a limpar meticulosamente as inúmeras marcas de batom deixadas por Aurora.

Seus olhos estavam claramente irritados, mas ela não disse nada, apenas continuou limpando seu rosto com lenta precisão.

"Não tive escolha," Solaris sussurrou, desta vez, sem influência mental na frase. "Espero que você entenda isso."

"Entendo," respondeu Neila, com os lábios formando um sorriso frio. "Por isso mesmo que suas duas joias ainda estão em bom estado."

Solaris deu uma risada suave. "Você não ouse," disse, com um sorriso. "Você quer ter meus filhos, afinal."

Neila terminou de limpar seu rosto, então se inclinou e o beijou, exatamente onde Aurora havia beijado. A precisão de seus lábios era perturbadora. Quando terminou, puxou-o para um beijo profundo e prolongado, uma mistura de respirações e saliva, onde nenhum podia distinguir o fim de um e o começo do outro.

Segundos se passaram, e quando o primeiro minuto se aproximou, ela quebrou o beijo e sorriu de lado. "Eu quero tê-los. É o único sonho que o mundo me permitiu guardar. Mas não se esqueça, Solaris,"

Ela se aproximou, sua respiração quase tocando sua orelha, "você é meu."

Solaris sorriu, mas seu sorriso vacilou imediatamente ao perceber uma marca vermelha no pescoço pálido de Neila.

Uma marca deixada por um chicote, ele reconheceria facilmente.

Seus olhos dourados ficaram instantaneamente frios, embora a sala estivesse longe de ser fria. A temperatura subiu drasticamente, o ar tremer com calor. Neila percebeu e, instintivamente, levantou a mão para o pescoço, tentando esconder a marca.

Uma tentativa inútil.

"Ele fez isso de novo?" Solaris rosnou, segurando a mão dela e afastando-a, seus olhos dourados ardentes fixos na ferida.

Neila mordia os lábios, incapaz de impedir que ele visse o que ela queria esconder. Ela não tinha força para resistir, nenhuma nenhuma pelo menos.

Ela nem era da categoria dos Despertados.

Era uma das criaturas mais raras que existiam. Tão rara quanto uma Portadora Mítica, porém o universo delas eram mundos diferentes.

Ela era uma simples mortal sem Origem. Uma Desaproveitada, como eram cruelmente chamadas.

No entanto, ela era uma mortal que teve sorte — ou talvez fosse amaldiçoada — de conquistar o amor do Sol Dourado, apenas para cair nas garras de um monstro muito maior.

Ela balançou a cabeça, percebendo o quanto o tempo passava rápido. "Preciso ir," ela sussurrou, a voz tremendo enquanto encarava o rosto repleto de fúria de Solaris.

"Preciso ir," repetiu, desta vez, com mais firmeza, e a força de sua voz tirou Solaris de sua cólera. Seus olhos suavizaram, doloridos.

Sem palavras, ele a apertou com força nos braços. "Espere por mim," ele sussurrou, o corpo tremendo com uma raiva contida. "Logo serei imperador e, quando for, te tirarei dele. Eu vou te salvar, Neila, e então finalmente estaremos juntos."

Neila assentiu, seus olhos azuis brilhando de exaustão e uma dor oculta. Lentamente, ela quebrou o abraço, seus movimentos relutantes, e ofereceu a Solaris um sorriso suave, porém frágil.

"Preciso ir," ela sussurrou novamente, a voz carregada de tristeza que penetrou direto no coração de Solaris.

Ele cerrava a mandíbula forte o suficiente para seus dentes rangendo.

Dessa vez, Solaris não tentou impedi-la. Simplesmente a observou enquanto Neila caminhava até a parede atrás de sua cadeira, batendo duas vezes no lado direito dela. Como planejado, a parede se abriu como uma porta escondida. Ela entrou, virou a cabeça para olhar de volta para Solaris, enviou-lhe um beijo no ar e desapareceu, engolida pela escuridão.

A parede se fechou atrás dela.

Solaris ficou ali, olhando fixamente para a parede selada. Lentamente, sua mão se fechou em um punho apertado, os nós dos dedos clareando até começar a sair sangue.

"Eu vou fazer isso," ele sussurrou. "Não importa o preço, eu vou fazer."

Que as estrelas se destruam em bilhões de pedaços, espalhados pelo vazio, para nunca mais iluminar a noite.

Que a lua seja consumida pela escuridão, para nunca mais ser vista.

Que o sol se afogue em um mar carmesim, fazendo a própria manhã esquecer como se levantar.

Não importam as consequências. Não importam os custos.

'Serei o Imperador.'

E estaremos juntos.

Enquanto isso, lá fora, Aurora deu ao Cavaleiro Tib um sorriso radiante antes de lentamente se afastar, deixando o pobre cavaleiro completamente atordoado.

Kaden a seguiu, mas não antes de lançar a ela um sorriso estranho, quase inquietante. "Vamos nos encontrar de novo, Tib, vamos?" ele disse com uma familiaridade desconcertante, fazendo o cavaleiro estreitar os olhos. Mas antes que pudesse dizer uma palavra, Kaden já avançava, acompanhando sua senhora, com Lady Sora liderando o caminho.

Ele saíram da mansão dourada do mesmo jeito que entraram, recebendo os mesmos olhares de desprezo e superioridade de antes.

Nenhum deles se importava.

Afora, eles embarcaram na carruagem da Casa Starborn, com Lady Sora segurando as rédeas na frente, enquanto Kaden e Aurora sentavam-se atrás.

Lady Sora puxou as cordas suavemente, fazendo os dois cavalos de prata relinchar, bufar e começar seu passo lento rumo à propriedade Starborn.

A carruagem seguiu em silêncio, interrompida apenas pelo som rítmico das ferraduras de metal batendo sobre o chão rochoso.

Logo atrás, Kaden e Aurora nem trocaram olhares. Aurora, com um sorriso de orelha a orelha, cochichava consigo mesma como seu príncipe era bonito e como já sentia saudades dele.

Lady Sora sorriu de leve ao ouvir aquilo, embora uma ponta de pena acariciasse seus lábios.

Parecia que a idade estava chegando, amolecendo seu coração para aqueles destinados à tristeza.

Quão cruel era, pensou ela, que uma jovem mulher, que queria apenas conforto e amor, fosse usada como uma escada para a glória de alguém mais.

Mas, se sua idade a enchia de pena, também lhe concedia compreensão, um conhecimento íntimo dos fios que tecem o que se chama de vida.

Especialmente daqueles pertencentes à nobreza.

Eles se importam apenas com poder e a busca pela glória eterna. E usam qualquer um ou qualquer coisa para conseguir isso.

'Mesmo que isso signifique sacrificar uma jovem ou...' seus olhos se turvaram e ela mergulhou no passado, 'amaldiçoar sua própria irmã por crimes que ela não cometeu, tudo para obter os favores da nobreza.'

Achava aquilo cômico, e profundamente triste ao mesmo tempo.

Ela lançou um olhar para trás rapidamente, vendo o cavaleiro bonito conversando com Aurora, brincando com ela.

Sua doce expressão retornou.

'Sim. Pelo menos uma conexão verdadeira antes de você se juntar às estrelas,' ela sussurrou internamente. 'Deixe que esse jovem seja quem destruirá sua solidão…'

'…antes que o sol se aproxime e arrase sua vida pelo céu.'

E assim, o trio chegou à Casa Starborn.

Kaden e Aurora agradeceram a Lady Sora, antes de irem para o quarto, enquanto Lady Sora decidiu descansar seu velho corpo.

No interior do quarto, Aurora sentou-se na beira da cama. Pegou um guardanapo e, lentamente, limpou a boca, seus olhos vazios da exibição de entusiasmo e entusiasmo excessivos que carregava o dia todo.

Ela ergueu seus olhos estrelados e olhou para Kaden, que estava encostado na parede, observando-a com um sorriso suave.

Aurora espelhou seu sorriso. "Meus lábios tocaram algo desagradável hoje," ela disse. "E você, Fraud, que tal anular isso?"

Kaden riu, depois tossiu para esconder seu nervosismo. "Quer um pouco de água, talvez?"

Aurora riu da reação dele, então voltou sua atenção para seu quadro de pintura. "Fraud," ela disse, "agora temos informações sobre a Imperatriz do Sol."

Kaden focou.

"E o que descobri certamente não vai agradar você," ela continuou, com os olhos fixos na tela que exibia o retrato perfeito de Lady Sora, com seus dentes estranhos e tudo mais.

"A Imperatriz do Sol é a personificação do cinismo, uma que não confia nem mesmo no próprio sangue, quanto mais nos outros," ela explicou.

"Ela se viu em Solaris e, por isso, o favoreceu, dando apenas um vislumbre de quem ela realmente é."

Ela fez uma pausa, deixando Kaden assimilar suas palavras.

"Resumindo," ela continuou, "se quisermos agir contra Solaris, ou até contra Soleil, como retaliação pelas ferramentas que fazem de nós, Starborn, e por seu desejo de revolução..."

Finalmente, virou o rosto para ele.

"Então, primeiro, precisamos cuidar de Lady Sora."

Os olhos de Kaden se arregalaram com a frase súbita, o coração pulando uma batida.

"Porque ela é a escrava da Imperatriz do Sol."

A voz dela ficou fria.

"Ela morrerá por ela. Mesmo que não queira."

—Fim do capítulo 320—

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