Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 324

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

A árvore negra, os corpos humanos semelhantes a cascas e tudo dentro do domínio foram triturados em bilhões de minúsculos fragmentos, mas tudo ainda permanecia suspenso no ar, presos pelo tempo parado.

Não havia gritos de dor, nem de sofrimento, nem mesmo de fúria da Árvore Que Devora Mentes. Não havia necessidade.

Neste domínio, qualquer coisa que não fosse digna de palavras se desintegraria em um silêncio angustiante capaz de sufocar mundos.

Daela caminhava lentamente em direção à árvore negra, com os pés tocando o próprio ar. Ela ignorou os corpos esqueléticos ao redor, mas mesmo o leve cheiro ou o movimento sussurrante de seus passos tornavam o ar afiado o suficiente para matar.

A essência da árvore ainda permanecia congelada na postura de apontar para ela, com a boca aberta como se estivesse dando uma ordem, e seus olhos marcados por um medo e ansiedade inconfundíveis.

Quando Daela estava a uma polegada de distância, levantou a mão e a enfiou profundamente no peito do espírito, procurando por algo. Alguns segundos depois, ela retirou a mão, trazendo consigo algo escorregadio, banhado em sangue verde escuro.

Parecia uma raiz, mas transparente, com tendões negros que pareciam veias pulsando dentro dela, acompanhada pelos espectros de inúmeras criaturas clamando em uma dor eterna. Seus gritos foram engolidos pelo silêncio. Mesmo em seu mundo parado, a raiz ainda emitia essência psíquica suficiente para fazer o ar tremer.

Esta era a Raiz da Mente que ela tinha recebido a missão de obter.

E, assim que a conseguiu…

{Você completou sua Missão de Evolução de Grão-Mestre, Daela Warborn.}

{Avaliação: Gloriosa.}

{Você está pronta para assumir completamente o nível de Grão-Mestre.}

{Você conquistou recompensas adicionais por essa conquista gloriosa.}

A Vontade fez uma pausa, como se fosse altruísta o suficiente para permitir que Daela assimilasse a informação, antes de continuar lentamente…

{Informação 1: A Raiz da Mente pode temperar sua mente, concedendo considerável imunidade a sussurros mentais e àqueles que sabem.}

{Informação 2: A Mente Quebrada está se reativando. Tenha cuidado com seus sussurros.}

Daela leu tudo sem alterar sua expressão fria e impassível. Sem pensar muito, virou lentamente a cabeça na direção da borda de seu domínio, seu olho com a espada em forma de X fixando-se em uma legião de elfos que a aguardavam, armas levantadas prontos para matar.

Ela os observou por um longo momento, então, sem dizer palavra, desapareceu de Fokay, levando consigo o Império do Silêncio.

Só após sua ausência, o grito da Árvore Que Devora Mentes rasgou a realidade, o espaço aéreo convulsionando violentamente sob o clamor de fúria e desespero antes de se despedaçar em milhares de pedaços que caíram ao chão, levantando poeira e sangue em uma nuvem sufocante.

Os elfos encararam a cena horrorizados. Alguns recuaram inconscientemente, com os corações incapazes de suportar tanta destruição.

O silêncio encheu todo o espaço.

"O que… é isso?" sussurrou um, com medo, receoso de quebrar o silêncio, embora mais ainda de não o fazer.

"Foi um domínio? Mas como um domínio pode ser assim?"

Sussurros percorriam entre eles, cada um buscando consolo no outro, mas entre a multidão havia uma estranha figura. Um humano, de cabelo azul e olhos que combinavam, segurando um artefato de gravação diante dele.

Após alguns segundos para se recompor, ele falou, com a voz rouca:

"Senhor, viu tudo?"

Instantaneamente, os elfos ficaram em silêncio.

Um segundo se passou, depois dois, e justo quando o terceiro ia começar, uma voz ecoou de todos os dispositivos rúnicos de comunicação — brincos feitos exclusivamente para receber ordens.

"Eu vi." a voz tinha um tom de diversão, apesar da apatia que a permeava. "Ela voltará eventualmente. Fique aí até ela aparecer."

Então a voz se silenciou, e o espaço voltou ao silêncio.

O grupo de elfos não reclamou. Afinal, não tinham coragem. Simplesmente cumpriam sua função com uma seriedade fria, relutantes em despertar a ira da Mente Indivisível.

Enquanto tudo isso acontecia, no coração do Reino dos Elfos, em uma mansão construída de folhas e galhos de árvores escondida entre os galhos mais altos do reino, um jovem de cabelo azul e olhos semelhantes, sentado à beira de sua cama — nu —, a própria cama feita de folhas fofas, musgos e flores de todas as formas.

O quarto era uma visão de tirar o fôlego, como se alguém tivesse escavado a Árvore-mundo e escolhido habitar dentro dela.

Era tudo verde… das folhas às flores, passando pelos musgos, com ervas daninhas esporádicas vagando por ali.

"Sonho de novo?" A voz de uma mulher, doce como almíscar, sussurrou de trás dele, na mesma cama. Era uma elfa de beleza insuportável, com cabelo e olhos verdes. Seu corpo pálido, nu, tinha tatuagens tribais verdes que fluíam por sua pele, visíveis para todos.

"Parece que sim," respondeu o jovem, sorrindo de modo frio. "Ainda está um pouco difuso, mas dá para ver que é uma mulher de cabelo e olhos azuis parecidíssima comigo. Ah… e ela parece ter uma cicatriz na testa. Bem feia, por sinal." Ele olhou para sua mão, onde um anel descansava.

A última herança de sua família.

A princesa élfa apareceu atrás dele, envolvendo os braços ao redor do pescoço dele, pressionando seus seios redondos contra suas costas. "Talvez seja alguém da sua família? Te amaldiçoando por não sentir nada no coração vazio enquanto sua família foi exterminada." Ela sussurrou no ouvido, com tom divertido.

O homem soltou uma risada curta, sombria. "Quem se importa com a raiva dos mortos? Que se queixem ao Deus da Morte." ele grunhiu. "E eles não deveriam estar felizes? Estou prestes a cuidar de um daqueles responsáveis pela queda deles."

"A mulher de olhos vermelhos e frio?" perguntou a princesa, e então esboçou uma máscara cruel. "O quê? Vai matá-la?"

"Vocês me conhecem melhor agora, Luelle," disse ele. "Eu não mato."

Luelle, a princesa élfa — herdeira do reino — riu suavemente. "Claro que não. Você faz coisas muito piores. Você domina as mentes delas e as usa como marionetes."

"Não gosta da minha misericórdia?"

Luelle encostou na orelha dele e a lambeu. "Ah, mas eu gosto," sussurrou, deslizando as mãos para baixo, "e isso me excita."

O homem apenas sorriu, sem tentar impedí-la. "Estou cansado do seu corpo, Luelle. Me apresente sua mãe."

Luelle mordeu sua orelha. "Só se você me deixar brincar com aquela garota de olhos vermelhos. Ela irrita minha paciência. Quero ela aos meus pés e entre minhas pernas."

"Trapaceando comigo de novo?"

"Não é traição se você permitir… e até assistir."

O homem riu antes de falar: "Se quiser, faça. Mas tome cuidado, ela é uma Warborn."

Seus olhos azuis brilhavam com uma tonalidade fria e indiferente. "Elas são um grupo perigoso. Especialmente a mais nova, pelo que tenho ouvido ultimamente."

"Um homem?" ela lambeu os lábios.

"Sua mente está cheia de sexo o tempo todo?"

"Você me deixou viciada, mestre. Agora assuma as consequências do que você me transformou."

Eles continuaram conversando, cada palavra vazia de sentimento.

Eram como carne oca, usando um ao outro para saciar inúmeros desejos, nunca hesitando em abandonar um pelo prazer de encontrar uma experiência mais intensa, uma distração mais profunda, qualquer coisa para preencher o vazio que os devora por dentro.

Talvez fosse por isso que trabalhavam juntos.

E talvez fosse por isso que deveriam estar juntos.

Finalmente…

Só um monstro poderia reconhecer um monstro.

"Está na hora de seu pai abdicar do trono," ele disse de repente.

Luelle deu de ombros. "Primeiro, me dê o que quero," respondeu. "E também precisamos resolver essa confusão. A Árvore que Devora Mentes foi a ferramenta de tortura perfeita para nós. Agora ela desapareceu."

"Vamos cuidar disso," ele disse. "E o que você quer… quer Daela Warborn, não é?"

"Parece que esse é o nome dela."

"Então, está feito."

Na próxima instante, estavam de volta na cama, bocas unidas, quadris balançando, suas mentes envoltas por uma névoa pesada de luxúria.

Mas só sentiam mais fome.

Porém, seus corações permaneciam vazios.

Um vazio que fariam qualquer coisa para preencher.

Mesmo que isso significasse sacrificar um reino inteiro.

Mesmo que isso quisesse dizer participar dos atos mais terríveis conhecidos pela humanidade.

Em outro lugar, numa sala de reunião cujo teto era decorado como estrelas matutinas e as paredes brilhavam com um tom de laranja quente, um jovem de cabelos dourados e olhos azuis em forma de luas gêmeas estava reclinado na extremidade da mesa.

Na orelha esquerda, usava um brinco em forma de lua, que emitia um poder naturalmente arrepiante que impregnava o ambiente, conferindo-lhe uma aparência régia.

Ao seu lado estava uma mulher com uniforme de empregada, com uma expressão que carregava um sorriso sutil.

Sirius Asterion, era ele, sentado ali, frente a alguém — especificamente, um homem.

Ele era baixo — não mais que 1,50m — com corpo arredondado e rosto rechonchudo. Seus cabelos eram azul-escuros, com olhos um amarelo tênue. Vestia um terno preto que parecia apertado demais, deixando-o sem fôlego, com gotas de suor escorrendo pela testa.

Ele pegou um guardanapo oferecido pelo cavaleiro ao seu lado e limpou o rosto, depois ofereceu um sorriso ao Sirius. "Senhor Sirius, que prazer conhecê-lo nesta minha humilde casa."

"Ah, e por favor, perdoe a falta de festividades em sua honra. Sua visita foi… bem…", ele sorriu de lado, com uma expressão estranha, "…uma surpresa inesperada. Uma boa surpresa, sem dúvida. Mas mesmo assim, uma surpresa."

Sirius retribuiu o sorriso, embora, nele, parecesse injustamente bonito. "Bem, Senhor MorningStar, não sou muito de formalidades. Portanto, fique tranquilo." Ele falou com calma. "Quanto ao motivo da minha visita, algo que um homem sábio como você certamente já sabe."

Lord MorningStar sorriu de lado. "Diz-se que sábios, sim, até um tolo saberia disso, Senhor Sirius. Mas desculpe, esse não é o assunto de hoje." Ele fez um gesto leve. "Então presumo que tenha uma proposta para mim? Fale, por favor."

Sirius ignorou a ironia e foi direto ao ponto. "A Lua me sussurrou que as Estrelas Matutinas desejam resplandecer ainda mais… tornar seu brilho mais intenso."

Lord MorningStar estreitou os olhos amarelos, focado.

Sirius continuou, sorrindo: "E descobri que um Espeiro de Luz Estelar repousa na herança da família Moonborn — a de minha mãe."

Isso fez o Senhor franzir as sobrancelhas, intrigado.

"Jurue seu compromisso comigo e terá acesso a ele."

Lord MorningStar não respondeu de imediato. Sempre soube que um dos herdeiros de Asterion viria até ele; o jogo pelo trono já estava em andamento, e desde o começo sabia exatamente o que queria.

Não se importava quem se tornaria o melhor governante, nem quem elevaria o império à glória. Não, o que importava era a glória de sua linhagem.

E assim…

"Uma proposta bastante interessante, Senhor Sirius," disse, limpando o suor novamente. "Mas tenho uma proposta minha, se me permitir, claro." Ele sorriu maliciosamente.

"Tenho minha atenção," respondeu Sirius.

Lord MorningStar deixou a garganta fazer um som breve, então custou a se abrir lentamente.

"Tenho uma filha, minha princesa," disse ele. Então, rapidamente: "Quero que você a tome como esposa."

Os olhos de Sirius arregalaram-se levemente de surpresa, enquanto Luna, atrás dele, lançou um olhar frio e mortal para o Lord e seu cavaleiro, quase sem disfarçar a raiva.

Contudo, MorningStar continuou…

"Consente comigo, e meu poder será seu."

—FIM do Capítulo 324—

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