Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 326

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Kaden observava Estelle com uma expressão intrigada. O nome da mulher certamente soava familiar para ele, pois era o mesmo de uma das mãos do Império no futuro.

'Era para saber onde estava o FireBorn, mas quem poderia imaginar…' pensou consigo mesmo, olhando para a mulher derrotada à sua frente.

Será que essa mulher de alguma forma conseguiu vingar-se e, com o tempo, alcançar uma posição tão elevada a ponto de criar uma família tão poderosa?

De alguma forma, Kaden não duvidava dessa possibilidade. Porque, mesmo de pé na sua frente, ele podia sentir algo dentro dele reagindo intensamente à mulher diante dele.

Um sentimento como ver um irmão perdido há eras.

Kaden não precisou pensar muito para entender de onde vinha essa sensação.

'Fênix Branca…' pensou mentalmente, incapaz de segurar o sorriso que se espalhava pelo seu rosto ardente. 'Essa mulher tem alguma relação com a Fênix Branca.'

Agora, isso estava ficando interessante.

Ele não era o único a sentir isso também. Estelle percebia algo, embora para ela fosse muito mais intenso, pois tudo isso era novo e, ao mesmo tempo, familiar.

Kaden estendeu a mão e colocou-a sob seu queixo. Lentamente, levantou seu rosto para fazer com que ela o olhasse.

Olhos carmesim contra olhos negros.

Ao olhar fundo em seu olhar, Kaden percebeu que seus olhos piscavam como fogo negro. Profundos e vorazes.

Sua expressão se alargou, "Estelle," chamou, fazendo a mulher estremecer, "vou precisar que você faça uma coisa por mim. Em troca, desbloquearei o poder que você parece não conseguir perceber dentro de si."

Ele sorriu, "Você topa?"

A mente de Estelle se encheu de perguntas, mas anos suportando um marido abusivo lhe deram a força mental para se recompor rapidamente.

Ela mordeu os lábios inchados e rasgados, winced com a dor, mas rangeu a mandíbula e forçou a falar: "Q-Quem… quem é você?" ela gaguejou, precisando saber quem — ou o que — estava diante dela.

Kaden inclinou a cabeça, depois fez uma expressão de revelação, "Ah!" exclamou, "Ainda não me apresentei, né?"

Seu rosto só podia ser visto pelos seus olhos vermelhos. Todo o resto era composto por fogo rubro-dourado tingido por tonalidades que lembravam estrelas, fazendo-o parecer algo que não deveria ter forma humana.

Estelle não pôde deixar de ficar fascinada. Algo naquele fogo parecia chamá-la — sussurrar com ela — como um eco de sangue que ela não sabia que possuía.

Por sua vez, Kaden pensava em um nome para si. Não queria usar seu nome verdadeiro. Nem "O Ceifador" nem nenhuma expressão semelhante.

Sentia vontade de dar a si mesmo outro nome.

Outro rosto.

Assim, vasculhou sua mente, mas, por alguma razão estranha e persistente, seus pensamentos foram puxados por um único nome. Nenhum outro parecia fixar-se de fato.

Então, Kaden aceitou.

"Para quem eu sou," continuou, aproximando seu rosto do de Estelle. O coração da mulher pulou uma batida, sentindo o calor inacreditável e o conforto que sua presença transmitia.

"Pode me chamar de Prometeu." Ele sorriu, sua boca flamejante se torcendo numa expressão de sorriso diabólico.

Chamas escorriam por sua boca.

"E você, Estelle FireBorn, foi escolhida para ser minha agente."

"Pegue minha mão, queime-se por mim, e eu lhe darei a cabeça daquele que é seu amor, servido num prato feito com suas entranhas."

"Não!" Estelle growled, balançando a cabeça em negação veemente, e então empurrou o rosto ainda mais perto de Kaden, apesar do calor insuportável que emanava dele. Sua pele começou a chiar, mas ela não se importou.

"Eu o matarei." Ela pressionou a testa contra a de Kaden, sua pele queimando, seus nervos gritavam de dor, mas ela não vacilou. "Eu mesma o mato, Prometeu! Eu! Ninguém mais!"

Sua voz transbordava fúria. Quanto mais o fogo de Kaden a queimava, mais seus olhos piscavam como chamas negras.

Kaden sorriu ampliando o sorriso.

"Isso," disse, e toda a sua chama explodiu, cercando Estelle e queimando-a de dentro para fora, "também serve."

Um grito de dor ecoou pelo recinto, silenciado instantaneamente pela determinação de Kaden.

Estelle se agarrou a ele, recusando-se a soltar, com os olhos trancados aos dele numa intensidade arrepiante, até que algo dentro dela finalmente se quebrou.

Um sorriso louco torceu seu rosto. "...Cinzas…" ela rosnou, "CINZAS!!!"

A chama de Kaden, tingida pela linhagem da Fênix Branca, começou a despertar em Estelle uma outra linhagem.

Outra linhagem sanguínea… que se acreditava perdida no tempo.

A linhagem da Fênix Negra.

Em outro lugar, envolvido por sombras perpétuas, com uma luz em forma de lua iluminando apenas uma parte, Aurora permanecia ereta, encarando uma figura que ninguém realmente podia ver, apenas sua silhueta.

Um homem, se alguém olhasse com atenção.

Era como se ele estivesse tecido na própria escuridão.

"Por que veio aqui, último descendente das Estrelas?" — falou o homem — Sirius Moonborn, Patriarca da família Moonborn — para Aurora.

A própria mulher observava a escuridão com uma curiosidade que parecia genuína. Ela sorriu às palavras de Sirius, e naquele momento, algo surgiu dentro de sua mão.

Os olhos de Sirius se arregalaram ao ver aquilo.

Aurora não o via, mas percebia a surpresa emanando dele.

E tal reação era esperada, pois o que ela segurava era um fragmento de Luz Estelar[1]. Algo que somente a sua família poderia criar. Algo formado à beira da morte.

E aquele que ela tinha na mão… era o fragmento que seu pai havia criado. Mas estava incompleto, a maior parte de seu brilho devorado pela Emperatriz do Sol.

"Isto… por quê?" — Sirius conseguiu dizer, finalmente.

Aurora sorriu suavemente. "Você foi um bom amigo para o meu pai," disse, "e ele quis lhe dar a última parte dele, antes de se juntar às estrelas."

O corpo de Sirius tremeu ligeiramente.

"Então, pegue. E assim cumprirei meu dever como filha dele."

O silêncio tomou o vazio até Sirius quebrá-lo com um sussurro rouco: "Imprudente, menininha." — Disse como se tentasse esconder a tremedeira na voz. "Posso usar isso para fazer coisas terríveis."

Aurora deu de ombros. "Então, faça, tio."

Mais uma vez, Sirius permaneceu em silêncio. Um instante depois, o Fragmento de Luz Estelar desapareceu da mão de Aurora.

Aurora sorriu e esmagou com rapidez um token de teleporte rúnico, completando sua missão. Quando seu corpo começou a desaparecer, ouviu as últimas palavras de Sirius se perdendo na escuridão.

"Você despertou… finalmente." — sussurrou ele, agora com uma nota inconfundível de felicidade. "Estou feliz."

Aurora sorriu, conseguindo falar antes de desaparecer completamente.

"Eu também, tio. E eles logo sentirão as consequências."

Ela desapareceu, deixando uma escuridão infinita e sem fim.

Sirius respirou fundo lentamente.

"Então, como Lua," murmurou, "vou te deixar brilhar."

Em uma viela escura, Aurora reapareceu, seus olhos estrelados imediatamente se voltando para a figura encostada na parede, com os braços cruzados.

Ela sorriu, "Sentiu minha falta, meu querido cavaleiro?"

Kaden bufou. "Demorou demais."

Aurora encolheu os ombros e se aproximou, brincando ao segurar seu braço. "Sentiu minha falta?" ela perguntou de novo.

Kaden suspirou. "Sim, claro, minha dama. Não suporto a ideia de estar longe de sua ilustre presença."

Aurora conteve uma risada. "Mesmo que seja mentira, é agradável de ouvir e eu aceite com prazer." Então, com um tom um pouco mais sério, perguntou: "E assim, como foi?"

Kaden sorriu de lado. "Melhor do que imaginei."

"Você matou ele e fez o que planejou?" ela perguntou de novo, com a mão firmemente presa ao braço direito dele, que perigosamente permanecia próximo ao peito dela.

Ele balançou a cabeça. "Não," respondeu, "achei a esposa interessante. E ela quis fazer tudo sozinha."

Aurora levantou uma sobrancelha. "A esposa?" ela repetiu. "Ela é capaz?"

"Acredito que sim. Ou melhor… logo será."

"Não tem tanta certeza? Então por que deixá-la fazer isso? Pensei que você odiava bastante o cavaleiro."

"Odiar?" Kaden balançou a cabeça. "Essa é uma palavra grande pra alguém como ele. Eu só não queria ver a cara dele de novo, então decidi fazer um favor a mim mesmo e erradicar ela do rosto do mundo."

"Mesquinho," Aurora abafou uma risada, "mas você deixa a mulher fazer isso. Por quê? Talvez esteja mais interessado no rosto da esposa do que no do marido?" — sua voz ficou fria, com uma cadência que, estranhamente, fez Kaden lembrar de alguém em sua vida.

Quem?

Antes que a ideia se formasse, Aurora o cutucou com olhos frios, interrompendo-o.

Kaden sorriu. "Ela está consumida por vingança," disse. "É sempre mais fácil controlar a mente dessas pessoas. Dê a ela os meios para fazer isso e observe. Quando tudo o que a impulsiona parar de funcionar… o próximo passo é agradecer a quem deu a oportunidade." Sua mente funcionava de maneira estranha, meticulosa.

'Com meu juramento de sangue sobre ela, ela não tem escolha. Ela é minha.' — pensou consigo mesmo.

Aurora ficou surpresa com seu raciocínio. 'Quantos anos ele tem?' quis perguntar, mas preferiu não se auto-flagelar com a resposta. Afinal, isso significava que seu coração batia muito mais rápido do que deveria para alguém de sua idade.

Melhor não saber. Ignorância é felicidade, como dizem.

"Vai fazer o mesmo que eu?" ela retrucou.

"Você é minha dama," Kaden disse, olhando com olhos calorosos, "nunca faria isso."

Aurora mordeu o interior dos lábios e controlou seu corpo o suficiente para não mostrar o efeito dessas palavras nela.

Ela mal conseguiu.

"Então, preparado para o próximo?" ele perguntou suavemente.

Aurora se concentrou, exalou para aliviar a tensão e assentiu. "Por favor, querido cavaleiro."

Kaden sorriu e retirou os dois artefatos que tinha antes, ativando-os e causando o surgimento de um portal prateado que ondulou à sua frente.

"Desta vez, minha dama, faremos do meu jeito," advertiu. Aurora, ainda relutante em soltar seu braço, concordou com um sorriso largo.

"Desta vez, meu querido… serei eu quem dará as ordens."

Kaden soltou uma risada.

E assim, ambos entraram no portal prateado.

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