Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 312

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

‘Ah… vou aproveitar para torturar essa vadia filha da puta,’ Inara amaldiçoou interiormente enquanto jazia de costas, no chão feito de vermes rastejantes, seu corpo inteiramente infestados por eles.

Vermes rastejavam pelo seu nariz, boca, olhos, pele, ouvidos, penetrando fundo por todas as aberturas, bebendo seu sangue como uma piscina para se banhar, e lambendo seu cérebro como se fosse doce de dar água na boca.

Naquele momento, Inara era composta inteiramente por vermes negros e brancos que se contorciam e rastejavam — do cabeça aos pés, de dentro para fora — sua mente mal sustentando-se sob a pressão.

A voz enganadoramente doce do monstro sibilou em sua mente, linda e assombrosa.

"Mostre-me, Herdeira," ela sussurrou com ansiedade. "Mostre-me que você é minha senhora."

Seu tom carregava uma esperança quase desesperada, como se a falha de Inara a ferisse mais profundamente do que seu sofrimento jamais poderia.

Inara não respondeu. A dor era demasiadamente intensa e ela não podia desperdiçar nem uma gota de energia com pensamentos inúteis. Sua mente se concentrava exclusivamente em sobreviver.

Ela queria ter aquele monstro sob seu controle, preso à sua vontade. Mas, desde que sua busca começou, esse foi o primeiro que ofereceu segui-la, se ela conseguisse realizar uma única coisa.

E isso era engoli-lo inteiro antes que ele a engolisse.

Era um jogo criado para monstros e um teste para medir se Inara era realmente digna do título de Mãe dos Monstros.

Ela tinha aceitado, confiante em sua própria habilidade. Mas agora percebia que tinha sido impulsiva, e, mesmo assim, isso já tinha pouco importância.

Pois, se ela nem ao menos fosse capaz de impedir que um monstro a engolisse, então não tinha o direito de ser chamada de Mãe dos Monstros.

'Eu sou Inara Serpentina,' ela sussurrou, seus olhos abrindo-se de repente, vermelhos e brancos com vermes rastejando dentro e fora de suas órbitas enquanto sangue escorria por seu rosto. 'Eu sou a Mãe dos Monstros.'

Dentro dela, sentia seu poder sendo lentamente drenado.

Uma dor atroçmente intensa percorreu todo seu ser, arrancando um grito agudo de sua garganta. Sua boca se abriu de forma anormal, revelando vermes devorando seus lábios, dentes e até a língua.

A dor ameaçava consumi-la, arrancando sua essência e usando o próprio monstro como gatilho. Teria conseguido, se não fosse pela resistência de Echidna.

E durante aquele teste, ela aprendeu uma verdade… que, para ser a Mãe dos Monstros, precisava ser uma monstra ela mesma.

Esse enxame de vermes buscava devorá-la, esvair sua força, capturar sua consciência e reivindicar seu lugar. Queria se tornar a Herdeira em seu lugar.

Enquanto esses pensamentos passavam por sua mente, Inara sorriu, sua boca agora nada mais do que osso, sem dentes, sem língua, mas sua voz ecoou pelo salão feito de vermes, vibrando até os alicerces como uma tempestade sob uma noite calma.

"Você ousa entrar dentro de mim…" Inara começou, sua voz reverberando como uma maldição. "Eu… a Mãe dos Monstros?"

Seu sorriso se alargou até seu rosto se partir, e dentro de seu crânio oco, oito pares de olhos brilhantes piscavam, observando das profundezas de suas entranhas.

Seus monstros abriram suas bocas largas, falando em uníssono, sua voz ecoando por todos eles.

"Então venha, minha querida."

As palavras rolavam pelo salão, monstruosas, calamitosas e maternais, seguidas por uma risada maníaca que fez os vermes gritar de dor, uma sinfonia de loucura ressoando com uma divindade de loucura.

"Volte ao meu útero! Deixe-me mostrar o lugar de onde você veio!"

Imediatamente, uma luz verde intensa irrompeu, devorando seu corpo inteiro enquanto atravessava o salão, transformando todos os vermes em vermes verdes luminiscentes antes de triturá-los em jatos de sangue viscoso e pegajoso sob o peso da Vontade de Inara.

Apenas um verme sobreviveu, o núcleo do monstro.

Ele tremeu à beira da boca ossuda de Inara, encarando o abismo dentro dela, onde incontáveis monstros se contorciam e sussurravam, seu olhar cheio de medo… e de excitação.

A visão diante dela era semelhante à de sua criadora, sua verdadeira mãe. Mas agora, ela sabia que teria que voltar, regressar… ser ressuscitada. Mas desta vez…

"Eu sou Inara Serpentina," ela disse novamente, seus olhos se fragmentando em incontáveis pedaços de cor e as pupilas mudando de forma. "Eu sou a Mãe dos Monstros."

Ela declarou isso e, então, engoliu o verme inteiro, enviando-o diretamente ao abismo onde residiam seus monstros.

O verme clamou de alegria, e, em um surto de fé divina e obsessão febril, sua voz ecoou mesmo das profundezas do corpo de Inara:

"VIVA A MÃE DOS MONSTROS!"

"VIVA A ORIGEM! AO COMEÇO! AO FIM DE TODOS OS MONSTROS!"

"VIVA À MÃE DA LOUCURA!"

E com isso, Inara finalmente conquistou sua primeira besta Grandalhão.

Um monstro obcecado e excessivamente barulhento, parecia.

"VIVA—!"

"Cale a boca, seu verme filho da puta," Inara interrompeu, silenciando-o com intensidade cortante enquanto seu corpo começava a se recompor.

E o verme…

"Minha deusa, minha mãe… me amaldiçoou?" ele sussurrou tonto. Os outros monstros olharam-na como se fosse uma tola. Então, lentamente, o verme começou a se contorcer, uma leve tonalidade de rosa colorindo sua forma escorregadia enquanto gemia com uma voz trêmula e extasiada,

"Me amaldiçoe mais, ó Mãe!"

Inara sentiu que estava prestes a perder a cabeça de vez.

Meus olhos… meus olhos…

Meus olhos.

'…Estou ficando cega,' pensou Vaela, sua respiração curta e entrecortada enquanto concluía mais uma vez sua visão do futuro. Seu rosto suava intensamente, seu corpo tremendo como uma folha ao vento.

Ficar cada vez mais difícil enxergar o futuro com ela por perto.

Ela lentamente levantou a cabeça, observando ao redor, mas sua visão se embaraçava, formas se derretendo em névoa, contornos se torcendo em neblina. Para enxergar, precisava forçar, focar, entrecerrar os olhos enfraquecidos até que a dor pulsasse atrás deles.

O medo começou a escalar por seu coração como o veneno de uma cobra, mas ela mordeu os lábios mais forte, sangrando, usando a dor para afogar o medo.

'É por ele,' ela sussurrou, sua mão segurando as ervas verdes sob ela. 'Não importa, Vaela. Não importa. Ele foi o primeiro a me ver, a me abraçar, a beliscar minhas bochechas, a olhar para mim como um humano olharia para outro humano.'

'Ele foi quem me fez sentir amor, e aceitou meu amor avassalador sem reclamar.'

'Ele foi quem partilhou minha vida. Se eu morrer, ele morreu. E mesmo assim, nunca reclamou. Ainda sorri para mim… e me tornou seus olhos para ver por ele.'

Sua amada certamente não sabia o preço de enxergar o futuro, mas ela não precisava saber. Vaela tinha certeza de que, se ele soubesse, impediria ela de usar seu poder novamente.

Se isso acontecesse, qual seria então a utilidade dela?

Ela não podia aceitar isso.

Por isso…

"Não importa," ela falou, fazendo o Antropólogo, alguns metros atrás, balançar a cabeça em pena.

"Acho que tentar te convencer é uma perda de tempo," ele disse, observando Vaela ajoelhada na terra, oculta dos outros. Ao redor, as árvores se estendiam interminavelmente rumo ao céu.

Vaela não respondeu às palavras dele, sua mente ainda lutando para se manter unida, tentando juntar as peças das informações recém-adquiridas.

O Antropólogo silenciou por um momento, então falou suavemente: "Duvido que o Ceifador fique feliz ao ver seu estado atual."

"Ele não precisa saber," Vaela retrucou de forma incisiva, levantando-se lentamente. Seu corpo oscilava, seus passos vacilantes. "Ele não precisa saber, pois meu querido já tem problemas demais."

"Não preciso preocupá-lo com os meus."

Ela finalmente conseguiu ficar de pé.

"Mas você vai perder seus olhos," disse o Antropólogo. "E eu já te avisei, esse foi o primeiro sintoma. Depois que você sacrificar sua visão, virão os outros sentidos, depois a sua mente, e por fim, seu corpo se devorará."

"Não vai parar até que você se torne uma casca vazia, tudo consumido pelo peso dos inúmeros futuros que viu."

Ele a fitou com severidade. "Você não aprendeu nada com a história do Imperador Sol Louco?"

Vaela não respondeu. Ela simplesmente permaneceu ali, tentando se acostumar à sensação de quase não ver nada.

Ela sabia que o Antropólogo queria seu bem, mas sua decisão já estava tomada.

'Tenho que cortar meu destino do meu querido,' ela pensou interiormente. 'Ainda que isso conforte seu sofrimento.'

Decidiu silenciosamente, preparando-se para desfazer o que havia feito.

Devagar, começou a caminhar na direção dos outros, cuidadosa para não tropeçar na terra irregular cheia de pedras e galhos.

O Antropólogo suspirou, seus olhos castanhos repousando nas costas de Vaela enquanto sua mente viajava para o passado… Para um passado bem distante. Então, um sorriso triste e melancólico surgiu em seus lábios, relutando em desaparecer.

'Esse é o destino de todos que ousam enxergar além? Morrer? Perder tudo? Para quê?' ele questionou, seu coração de pedra apertando-se dolorosamente ao lembrar de uma memória que relutava em revisitar. Ele deu de ombros, exalando silenciosamente antes de seguir lentamente Vaela.

"E agora?" ele perguntou, observando Vaela avançar, cada passo hesitante, seu corpo balançando sutilmente como se fosse desabar a qualquer momento.

Ele fechou os olhos, incapaz de suportar a visão.

"Tenho uma relação especial com meu querido," ela disse lentamente, "então consigo sentir, até certo ponto, quando ele está em perigo." Ela fez uma breve pausa, depois acrescentou, "E ele também me disse que está procurando pelo irmão."

Ela parou bem na saída do grupo de árvores, o sol caindo direto em seu rosto. Mesmo enquanto ia perdendo a visão, seus olhos pareciam mais belos, como joias azuis feitas pelos deuses para serem admiradas.

"Tenho missões da Véu Carmesim," ela disse de repente, inclinando a cabeça para o sol.

"Estou ouvindo," respondeu o Antropólogo.

Sem se virar para encará-lo, Vaela falou com calma,

"Vamos ter uma conversinha com o Lorde Prata de Silver City."

As sobrancelhas do Antropólogo ergueram-se, curiosidade e confusão surgindo em seu rosto. Mas Vaela ainda não havia terminado.

"E precisamos encontrar um ferreiro," ela continuou, inclinando a cabeça como se lembrasse de uma memória distante.

"O Velho Smith, se não me engano, esse era o nome dele."

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